Fundamentos

O que é Ibejada na Umbanda? Significado, saudação e fundamento

Ibejada é como a Umbanda chama a linha das Crianças, a falange dos Erês. Entenda de onde vem a palavra, por que ela aparece escrita de três jeitos, o que significa a saudação Oni Bejada e onde termina o Erê e começa o Orixá Ibeji.

Por Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan·19 de setembro de 2026·10 min de leitura
O que é Ibejada na Umbanda? Significado, saudação e fundamento
Resposta rápida

Ibejada é como a Umbanda chama a linha das Crianças, a falange dos Erês. Entenda de onde vem a palavra, por que ela aparece escrita de três jeitos, o que significa a saudação Oni Bejada e onde termina o Erê e começa o Orixá Ibeji.

Compartilhar:WhatsAppFacebookXTelegram

Ibejada é o nome coletivo da linha das Crianças na Umbanda, a falange dos Erês. É uma das palavras mais ouvidas e menos explicadas do terreiro: aparece escrita de três jeitos diferentes, é confundida com o Orixá Ibeji quase toda vez que alguém a pronuncia, e carrega uma saudação, Oni Bejada, cujo sentido pouca gente sabe. Este texto separa cada camada com fundamento, mostra a grafia que a tradição usa e explica por que Erê, Ibeji e Ibejada não são sinônimos, mesmo caminhando juntos.

Resposta rápida

Ibejada é o nome dado no Brasil, e principalmente na Umbanda, ao conjunto das entidades que se apresentam em forma de criança: a linha das Crianças, também chamada de Erês. A palavra é um coletivo formado a partir de Ibeji, o Orixá dos gêmeos de matriz iorubá, com a terminação portuguesa ada, a mesma de criançada e de molecada. A saudação é Oni Bejada, também ouvida e escrita como Oni Beijada, e ao lado dela se usa Salve a Ibejada! e Salve as Crianças!. O dia da semana é o domingo e a grande data do ano é 27 de setembro, a festa de Cosme e Damião na Umbanda. As cores são o rosa e o azul claro, com o branco completando, e a oferenda é doce e sem álcool. Atenção ao ponto que mais confunde: Ibejada é falange de entidades, e Ibeji é Orixá. Quem confirma o fundamento da sua casa é sempre o dirigente dela.

O que significa a palavra Ibejada

A palavra é mais simples do que parece, e entender a formação dela resolve boa parte da confusão que vem depois.

Ibejada nasce de Ibeji, nome do Orixá gêmeo de matriz iorubá, somado à terminação ada do português, que forma coletivos. É a mesma lógica de criançada, molecada e meninada. Ou seja: Ibejada quer dizer, ao pé da letra, o povo de Ibeji, a turma das crianças. Não é o nome de uma entidade individual, e não existe uma entidade chamada Ibejada. É um nome de conjunto, como quando se diz o povo de Exu ou a falange dos Baianos.

A raiz mais antiga vem do iorubá. Ibeji se forma de ibi, ligado a nascer e parir, e eji, dois. O sentido é nascidos dois, gestação dupla. Daí a força da dualidade que percorre toda a linha: os gêmeos, os dois que são um, o par que não se separa. Existe ainda a leitura corrente nos terreiros de que a saudação da linha traduz esse mesmo sentido, o de ele é dois, e ela aparece mais adiante.

Erê, por sua vez, é outra palavra iorubá, com o sentido de brincadeira, divertimento. Repare que os dois nomes descrevem coisas diferentes da mesma vibração: um fala do nascimento duplo e da divindade gêmea, o outro fala do brincar. Por isso convivem sem se anular.

Vale registrar uma honestidade que quase nenhum texto faz: Ibejada é uma palavra brasileira, formada aqui, no encontro do vocabulário iorubá com a língua portuguesa. Ela não existe na África com esse formato. É invenção legítima da devoção afro brasileira, e isso não a torna menos fundamentada, apenas explica por que os dicionários de iorubá não a registram.

Ibejada, Ibeijada ou Beijada: qual é a grafia certa

Quem pesquisa o termo encontra pelo menos três formas escritas, e a dúvida é tão comum que virou pergunta de busca por conta própria. A resposta honesta é que não existe uma grafia oficial, porque a palavra chegou ao português pela fala, e não pela escrita.

  • Ibejada é a forma mais próxima da origem, porque preserva a grafia de Ibeji, o Orixá. É a mais usada em textos de fundamento e a que este site adota.
  • Ibeijada aparece com muita frequência em casas e em livros de Umbanda, e vem da pronúncia mais comum no Brasil, com o ditongo. Não está errada: é registro de fala consolidado.
  • Beijada, sem o i inicial, é a forma reduzida que se ouve na saudação. É por isso que a saudação aparece como Oni Bejada e também como Oni Beijada.

O mesmo vale para o Orixá, que é escrito Ibeji, Ibêji, Ibejis e Ibeijis conforme a casa e o autor. Nenhuma dessas variações muda o fundamento. O que define o respeito não é a ortografia, e sim o entendimento do que se está nomeando. Se a sua casa escreve de um jeito, escreva como a sua casa escreve.

Uma observação que ajuda na leitura de textos antigos: em muitos deles a palavra vem acompanhada de Linha de Yori, que é o nome da linha das Crianças em uma das leituras clássicas das sete linhas da Umbanda. Yori e Ibejada, nesses textos, apontam para a mesma vibração infantil.

Oni Bejada: a saudação da Ibejada e como responder

A saudação é a parte que mais aparece em busca, e também a que mais gera insegurança em quem vai a uma gira pela primeira vez.

A saudação consagrada da linha é Oni Bejada!, escrita também como Oni Beijada!. Nos terreiros ela circula junto de outras formas, todas aceitas e usadas conforme o costume da casa:

  • Salve as Crianças!, a mais comum e a mais simples.
  • Salve a Ibejada!, que saúda a falange inteira.
  • Salve Cosme e Damião!, pelo sincretismo com os santos gêmeos.
  • Bejirôô! e Beji Rôrô!, formas ouvidas em casas com raiz de nação.

Sobre o significado, a explicação mais difundida nos terreiros é que a saudação carrega o sentido de ele é dois, a mesma ideia de dualidade que está em Ibeji. É importante ser exato aqui: essa tradução é a que circula na tradição oral umbandista, transmitida de casa em casa, e não uma tradução acadêmica fechada do iorubá. Quem afirma com certeza absoluta a etimologia da expressão está indo além do que as fontes sustentam. O que é firme e verificável é o uso: Oni Bejada é a saudação da linha, e é assim que ela é empregada.

Como responder. Se alguém saúda e você quer responder, a forma mais segura e bem recebida é repetir a saudação da casa. Se o dirigente ou a corrente disse Salve as Crianças!, responda Salve as Crianças!. Não é preciso saber a saudação mais rebuscada para participar. Saudação em terreiro é gesto de respeito, e não prova de conhecimento. Se é a sua primeira vez, vale ler antes o guia da primeira vez no terreiro.

Quem forma a Ibejada

A Ibejada é uma falange coletiva, e essa palavra importa: não há biografia individual documentada de cada criança, como acontece com certos Caboclos e Pretos Velhos. O nome pelo qual o Erê se apresenta na sua casa é a forma como ele chega, e não a fundação de uma linha nova.

Dentro da própria Umbanda existem duas leituras sobre a natureza desses espíritos, e as duas convivem em casas de fundamento:

  • Espíritos que desencarnaram na infância. Nessa leitura, são espíritos que passaram por aqui e partiram cedo, mantendo os trejeitos, a fala e o gosto de criança da última passagem. Por não terem acumulado os vícios da vida adulta, chegam energeticamente muito limpos, o que facilita o trabalho de cura e de limpeza que é típico da linha.
  • Espíritos encantados que nunca encarnaram. Nessa leitura, são seres do plano encantado, de natureza não humana, que se apresentam em forma infantil para trabalhar. Muitos textos os descrevem distribuídos pelos elementos, com os da terra mais sisudos, os do fogo mais elétricos, os do ar mais brincalhões e os da água mais manhosos.

Nenhuma das duas é heresia, e muita casa sustenta as duas ao mesmo tempo. O que elas afirmam juntas é o essencial: o Erê não é uma criancinha boba. A forma infantil é escolha de trabalho.

Os nomes. As Crianças da Umbanda se apresentam com nomes brasileiros e afetuosos, quase sempre no diminutivo: Mariazinha, Pedrinho, Rosinha, Cosminho, Juquinha, Ritinha e tantos outros. É comum que o nome venha com um complemento que indica o elemento ou o Orixá com que a criança trabalha, como da Praia, da Cachoeira ou da Mata. Você encontra a lista completa na página das Crianças da Umbanda.

Ibejada, Erê e Ibeji: a diferença que quase todo mundo erra

Esta é a confusão central do tema, e ela tem consequência: misturar os três apaga a história de cada tradição. São planos religiosos distintos que o sincretismo aproximou sem fundir.

  • Ibeji é Orixá. Divindade gêmea de matriz iorubá, cultuada no Candomblé de nação Ketu, ligada à infância, à fraternidade e ao princípio da dualidade. Por serem gêmeos, os Ibejis são associados a tudo que nasce e se inicia. Nas itãs aparecem ligados à família de Xangô, com narrativas que os apontam como filhos dele com Iansã, e com a versão mais repetida no Brasil contando que foram criados por Oxum. Ponto de fundamento que costuma ser atropelado: Ibeji não incorpora.
  • Ibejada é falange de entidades. É o nome coletivo que a Umbanda dá às Crianças que chegam à gira, incorporam nos médiuns e trabalham. São guias, espíritos trabalhadores, e não divindades.
  • Erê tem dois sentidos diferentes conforme a religião, e é por isso que a palavra gera tanto ruído. Na Umbanda, Erê é sinônimo prático de Criança, o membro da Ibejada. No Candomblé, Erê nomeia outra coisa: um estado de consciência infantil que se manifesta no iniciado, em que ele se comporta como criança e transmite recados do Orixá de cabeça. No Candomblé, os nomes dos erês costumam se ligar ao Orixá da pessoa, e não a nomes brasileiros comuns.
  • Cosme e Damião são santos católicos, irmãos gêmeos e médicos que atendiam sem cobrar. Entraram nessa história pelo sincretismo, que foi estratégia de sobrevivência diante da perseguição aos cultos africanos, e não uma declaração de que tudo seria a mesma coisa. Muitas representações trazem com eles uma terceira criança, Doum, nome ligado ao iorubá Idowú, que se dá ao filho nascido depois de gêmeos.

Um resumo que cabe de cabeça: Ibeji é o Orixá, Ibejada é a falange, Erê é a criança que chega na gira, e Cosme e Damião são os santos do sincretismo. Se quiser aprofundar a distinção entre as duas religiões, temos o artigo sobre as diferenças entre Umbanda e Candomblé.

Como a Ibejada trabalha na gira

Quem nunca foi a uma gira de Criança costuma se surpreender, porque a cena parece festa infantil e é trabalho espiritual sério acontecendo ao mesmo tempo.

Quando as Crianças chegam, os médiuns se transformam: correm, riem, pedem colo, pedem doce, falam com voz aguda e usam uma franqueza que desarma. Muita casa deixa brinquedos, bolas e balas ao alcance, e é comum que a entidade queira brincar com quem está na assistência.

No meio da brincadeira acontece o trabalho. A Ibejada é uma das linhas mais fortes em descarrego, limpeza e quebra de demanda pesada, e o motivo tem lógica de fundamento: a leveza desarma o que está travado. Onde um guia mais grave precisa de firmeza e de tempo, a Criança entra rindo e desfaz o nó. As Crianças atuam muito também em questões de saúde, de família, de gravidez e de proteção dos pequenos.

Há ainda uma função que os textos de fundamento fazem questão de marcar: a Ibejada é mensageira dos Orixás. Como o Orixá não conversa diretamente, é a Criança que vem trazer o recado, e por isso ela é tão respeitada dentro do terreiro, mesmo chegando aos pulos.

Os pontos cantados da linha acompanham essa vibração: são melodias alegres, de letra curta e fácil, feitas para todo mundo cantar junto. Um exemplo publicado aqui é o ponto Erê, onde está o Erê. Para oração, temos a oração aos Erês.

Cores, dia, ervas e elementos da Ibejada

Os elementos da linha são simples e bem estabelecidos, com variações de casa que valem sempre confirmar antes de firmar qualquer coisa.

  • Cores. Rosa e azul claro, com o branco completando. Em muitas casas entram também o verde e o colorido em geral, porque a linha gosta de festa.
  • Dia da semana. Domingo, na maioria das casas.
  • Data do ano. 27 de setembro, dia de Ibeji e de Cosme e Damião nos terreiros.
  • Ervas. As doces e suaves, com destaque para jasmim, alecrim, camomila e pétalas de rosa. Para o banho infantil existe o banho de ervas para crianças.
  • Bebida. Guaraná, sucos de fruta, água de coco e água com mel. Nunca bebida alcoólica: esse é um dos raros consensos que atravessam praticamente todas as casas.
  • Comidas. Doces, balas, bolo, pipoca e frutas miúdas e doces.
  • Pontos da natureza. Jardins, praias, cachoeiras e matas.
  • Pedras. Quartzo rosa é a mais citada, junto de outras pedras rosadas e suaves.
  • Flores. Margaridas e rosas miúdas, em arranjos simples e coloridos.

Para a prática, o site tem a oferenda de Erê e a oferenda de Ibejis, além da defumação de Cosme e Damião para o ambiente.

Qual é o dia da Ibejada

A pergunta tem duas respostas certas, cada uma no seu registro, e confundir as duas é o que costuma gerar dúvida.

No calendário semanal, o dia da Ibejada é o domingo. É nele que a maioria das casas firma a linha das Crianças e realiza as giras de criança.

No calendário anual, a grande data é o 27 de setembro, dia de Ibeji e de Cosme e Damião nos terreiros. É quando se monta a mesa de doces, se abre a gira das Crianças e se distribuem os saquinhos às crianças da casa, da vizinhança e da comunidade. Vale notar que a Igreja Católica celebra os santos em 26 de setembro desde a reforma do calendário litúrgico de 1969, mas a devoção afro brasileira manteve o 27, e é esse o dia que vale nos terreiros.

Uma coisa não substitui a outra: o domingo é o dia da semana, o 27 de setembro é a festa do ano. O passo a passo completo da data, com a mesa de doces, o caruru e o fundamento da festa, está no artigo sobre o dia de Cosme e Damião na Umbanda. Quem quiser a receita votiva de raiz baiana encontra o caruru de Cosme e Damião, e para a proteção dos pequenos há a simpatia de Cosme e Damião para proteger as crianças.

Cuidados ao falar e ao cultuar a Ibejada

A linha das Crianças é a mais acessível da Umbanda, e justamente por isso é uma das mais deformadas na internet. Alguns cuidados preservam o respeito à tradição.

  • Ibejada não é uma entidade. Não se pede nada para uma senhora chamada Ibejada, porque ela não existe. Ibejada é o nome do conjunto, e o pedido se dirige às Crianças ou a um Erê específico da sua casa.
  • Ibeji não incorpora. Quem chega à gira é a Criança, o Erê. Confundir os dois achata dois planos diferentes, o do Orixá e o do espírito trabalhador.
  • Erê não é Exu Mirim. Os dois chegam com jeito de criança, e por isso a confusão é constante. O Erê é criança de luz da direita, ligada a Cosme e Damião. O Exu Mirim trabalha na esquerda, com outro fundamento e outra função.
  • Nada de álcool e de fumo na mesa das Crianças. Esse é ponto de consenso praticamente universal.
  • Não se paga por fundamento. Trabalho espiritual em casa de fundamento não é cobrado, e a linha que nasceu da caridade de dois médicos que atendiam de graça é o pior lugar possível para se aceitar cobrança.
  • A brincadeira não é anedota. Tratar o Erê como fofura de vídeo, imitar a fala infantil por deboche ou transformar a gira em conteúdo engraçado é desrespeito. Por trás da brincadeira existe axé e trabalho sério de limpeza.
  • Cada casa tem o seu jeito. Grafia, saudação, quantidade de velas e comidas variam entre terreiros e nações. Se você é de uma casa, a orientação do seu dirigente prevalece sobre qualquer texto da internet, inclusive sobre este.

Fontes e referências

Perguntas frequentes

O que é Ibejada na Umbanda?
Ibejada é o nome coletivo da linha das Crianças na Umbanda, a falange dos Erês. Reúne as entidades que se apresentam em forma de criança, incorporam nos médiuns e trabalham na alegria, na cura e no descarrego. Não é uma entidade individual: é o nome do conjunto, como quando se diz o povo de Exu ou a falange dos Baianos.
O que significa a palavra Ibejada?
Ibejada quer dizer, ao pé da letra, o povo de Ibeji, a turma das crianças. A palavra se forma a partir de Ibeji, o Orixá dos gêmeos de matriz iorubá, somado à terminação ada do português, que forma coletivos, como em criançada e molecada. É uma palavra brasileira, criada aqui no encontro do vocabulário iorubá com a língua portuguesa.
Qual a saudação da Ibejada?
A saudação consagrada é Oni Bejada!, escrita também como Oni Beijada!. Ao lado dela se usa Salve as Crianças!, Salve a Ibejada! e Salve Cosme e Damião!, conforme o costume da casa. Em casas com raiz de nação também se ouve Bejirôô! e Beji Rôrô!. Todas saúdam a linha inteira, meninos e meninas.
O que significa Oni Bejada?
A explicação mais difundida nos terreiros é que a saudação carrega o sentido de ele é dois, a mesma ideia de dualidade que está em Ibeji, o Orixá dos gêmeos. Vale a ressalva honesta: essa tradução vem da tradição oral umbandista, transmitida de casa em casa, e não de uma tradução acadêmica fechada do iorubá. O que é firme é o uso, que é o de saudação da linha das Crianças.
Escreve-se Ibejada ou Ibeijada?
As duas formas circulam e nenhuma está errada, porque a palavra chegou ao português pela fala. Ibejada é a mais próxima da origem, porque preserva a grafia de Ibeji, e é a mais usada em textos de fundamento. Ibeijada vem da pronúncia mais comum no Brasil, com o ditongo, e aparece em muitas casas e livros. Beijada é a forma reduzida que se ouve na saudação.
Qual a diferença entre Ibejada e Ibeji?
Ibeji é Orixá, divindade gêmea de matriz iorubá ligada à infância e ao princípio da dualidade, cultuada no Candomblé de nação Ketu, e não incorpora. Ibejada é a falange de entidades, os espíritos em forma de criança que chegam à gira da Umbanda, incorporam e trabalham. Um é divindade, o outro é conjunto de guias.
Ibejada e Erê são a mesma coisa?
Na Umbanda, sim na prática: Erê é o nome de cada criança da linha, e Ibejada é o nome do conjunto. No Candomblé a palavra muda de sentido: erê nomeia um estado de consciência infantil que se manifesta no iniciado, em que ele age como criança e transmite recados do Orixá de cabeça. Por isso o mesmo termo confunde quem transita entre as duas religiões.
Qual é o dia da Ibejada?
No calendário semanal, o domingo, dia em que a maioria das casas firma a linha das Crianças e realiza as giras de criança. No calendário anual, o 27 de setembro, dia de Ibeji e de Cosme e Damião nos terreiros, quando se monta a mesa de doces e se distribuem os saquinhos às crianças. Uma data não substitui a outra.
Quais são as cores da Ibejada?
Rosa e azul claro são as cores da linha, com o branco completando. Em muitas casas entram também o verde e o colorido em geral. Na prática, a vela do Erê menino costuma ser a azul clara, a da Erê menina a rosa, e a bicolor azul e rosa representa a linha inteira. A quantidade e o arranjo variam de casa para casa.
O que se oferece para a Ibejada?
Doces variados, bolo, pipoca, frutas miúdas e doces, guaraná e sucos, além de brinquedos coloridos, com velas rosa e azul sobre toalha limpa. Nunca bebida alcoólica: a mesa das Crianças é doce, e esse é um dos raros consensos de praticamente todas as casas. Confirme o fundamento da oferenda com o dirigente da sua casa.
Quais ervas são da Ibejada?
As ervas doces e suaves são as mais citadas para a linha das Crianças: jasmim, alecrim, camomila e pétalas de rosa aparecem com muita frequência nas festividades e nos banhos infantis. Flores miúdas como margaridas e rosinhas completam o conjunto. Para uso em criança, siga sempre a orientação da sua casa.
A Ibejada é a mesma coisa que Exu Mirim?
Não. A Ibejada é a linha das Crianças de luz da direita, ligada a Cosme e Damião, que trabalha na alegria, na cura e no descarrego. O Exu Mirim atua na esquerda, com outro fundamento e outra função. A confusão é constante porque os dois chegam com jeito de criança, mas são linhas diferentes.
O que é a Linha de Yori?
Linha de Yori é o nome que a linha das Crianças recebe em uma das leituras clássicas das sete linhas da Umbanda, muito presente em textos mais antigos. Yori e Ibejada, nesses textos, apontam para a mesma vibração infantil. A nomenclatura das sete linhas varia bastante entre autores e escolas, e por isso convém sempre olhar qual leitura o texto está seguindo.
Posso pedir alguma coisa para a Ibejada?
Pode, e é devoção comum. O pedido se dirige às Crianças ou a um Erê específico da sua casa, e não a uma entidade chamada Ibejada, porque esse é o nome do conjunto. A linha atua muito em saúde, família, gravidez e proteção das crianças. Faça o pedido com o coração leve, agradeça e, se puder, distribua doces a crianças de verdade.
Axé Umbanda
Escrito porWeverton Pansan e Maria Amélia Pansan

Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan são médiuns de um terreiro de Umbanda em São Paulo e mantêm o Axé Umbanda com fundamento, respeito à tradição e fontes confiáveis.

Conheça os autores →

Leia também

Comentários

Deixe seu comentário

Comentários com links, ofensas ou spam não são publicados. O seu aparece após a moderação. Axé! 🙏

Conteúdo informativo e de fé, escrito com respeito à tradição e baseado nas fontes citadas. A Umbanda varia de casa para casa; em caso de dúvida, procure sempre o dirigente do seu terreiro. Este texto não substitui orientação médica, jurídica ou psicológica.
← Ver todos os artigos