Entidades

Guias e entidades da Umbanda: quem são e o que fazem

Pretos-Velhos, Caboclos, Crianças, Exus, Pombagiras e mais: conheça as linhas de guias da Umbanda, o papel de cada uma e por que são chamados de trabalhadores da caridade.

Por Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan·26 de junho de 2026·11 min de leitura
Guias e entidades da Umbanda: quem são e o que fazem
Resposta rápida

Guias são espíritos de luz que trabalham na Umbanda pela caridade. As principais linhas são pretos-velhos, caboclos, crianças (erês), baianos, boiadeiros, marinheiros, ciganos, exus e pombagiras, cada uma com seu jeito próprio de orientar e ajudar.

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Na Umbanda, os guias (ou entidades) são espíritos que trabalham pela caridade, manifestando-se nos médiuns durante a gira. Cada linha tem um jeito e uma missão. Conheça todas na seção de Entidades.

As principais linhas de guias

  • Pretos-Velhos, anciãos sábios, da paciência, do conselho e da cura.
  • Caboclos, espíritos das matas, da força e do conhecimento das ervas.
  • Crianças (Erês), a alegria e a pureza, ligadas a Cosme e Damião.
  • Baianos e Boiadeiros, a simplicidade e a fibra do povo do Nordeste e do sertão.
  • Marinheiros, o povo das águas, do equilíbrio e da alegria.
  • Ciganos, a prosperidade, o amor e a liberdade das estradas.
  • Exus e Pombagiras, os guardiões, o povo da rua, que protegem e abrem caminhos.

Exu e Pombagira não são o diabo

Um esclarecimento importante: Exu e Pombagira não têm relação com o "diabo" do cristianismo. São guardiões e trabalhadores da chamada "esquerda", que zelam pela ordem, protegem o terreiro e ajudam quem precisa. A associação com o mal é fruto de preconceito histórico.

Trabalhadores da caridade

Todos os guias têm em comum a missão de servir: aconselhar, confortar, orientar e ajudar na cura espiritual. Eles não fazem o mal nem cobram por isso. A relação com os guias é de respeito, gratidão e fé.

Como descobrir quais são os meus guias

Essa é a pergunta que mais chega a quem começa, e ela merece uma resposta honesta antes de qualquer coisa: não existe teste, mapa astral, quiz de internet ou lista de sinais que revele os seus guias. Quem responde isso na Umbanda é a casa, com fundamento, e não um site.

O caminho tradicional é este, e ele tem uma ordem que os mais velhos costumam respeitar:

  • Frequentar uma casa. É o primeiro passo, e não há atalho. Os guias se apresentam no convívio, na gira e no tempo, e não numa pergunta isolada. Se for a sua primeira vez, veja o guia sobre a primeira vez no terreiro.
  • Consultar. Numa consulta, a entidade que atende pode falar sobre a sua espiritualidade e sobre quem caminha com você. É comum o guia responder por partes, e não de uma vez.
  • O jogo, quando a casa usa. Muitas casas identificam o Orixá de cabeça pelo jogo de búzios, feito por quem tem fundamento para isso. O Orixá de cabeça não é a mesma coisa que os guias que trabalham com você, e vale não confundir.
  • O tempo de caminhada. Em quem desenvolve mediunidade, os guias vão se apresentando ao longo do desenvolvimento, com nome, linha e jeito próprio, sempre com o acompanhamento do dirigente.

E os sinais que tanta gente procura? Eles existem na tradição, e são lidos como indícios, jamais como prova. Afinidade forte com uma linha desde criança, sonhos repetidos com uma figura, atração por um ambiente da natureza, gosto por uma bebida, um cheiro ou uma música de terreiro, a sensação de acolhimento diante de um preto velho específico. São pistas que valem ser contadas na consulta, e não conclusões que valham por si. Muita gente chega a uma casa convicta de que tem uma entidade e descobre outra, e isso é absolutamente comum.

Um alerta que precisa ser dito com clareza: desconfie de quem revela seus guias por mensagem, cobrando por isso, sem nunca ter te visto, com nome completo da entidade, história pronta e oferta de um trabalho caro em seguida. Esse é um dos golpes mais frequentes em torno da Umbanda hoje, e a pressa de saber é justamente o que ele explora. Casa séria não vende revelação.

Como descobrir o meu preto velho ou o meu caboclo

A pergunta chega assim mesmo, com nome e sobrenome: como faço para descobrir minha preta velha, qual é o meu caboclo. A resposta é a mesma do item anterior, e vale repetir sem rodeio: quem diz é a casa, na consulta e no tempo, e não um teste.

Há, porém, algumas coisas úteis de saber. Primeiro, nem toda pessoa tem um preto velho ou um caboclo específico que trabalhe através dela. Guias trabalham através de médiuns, e quem não desenvolve mediunidade não incorpora entidade nenhuma, o que não impede ninguém de ter amparo, de ser atendido e de ter devoção. Ter um guia de frente é assunto de quem está na corrente.

Segundo, o nome demora, e isso é normal. Muitas entidades levam meses ou anos para dizer o próprio nome, e casas sérias não apressam esse processo nem deixam o médium escolher. Nome de entidade não se inventa e não se pesquisa na internet para depois adotar.

Terceiro, a devoção não depende de identificação. Você pode acender uma vela branca, rezar aos Pretos-Velhos e pedir amparo hoje mesmo, sem saber nome nenhum. A tradição entende que o anjo da guarda e os guias que acompanham a pessoa já estão ali, com nome ou sem nome, e que o gesto de gratidão vale do mesmo jeito.

Fontes e referências

Perguntas frequentes

Exu é o diabo?
Não. Na Umbanda, Exu é um guardião e trabalhador da esquerda, que protege e abre caminhos. A ligação com o "diabo" é um equívoco vindo do preconceito; não faz parte do fundamento umbandista.
Qual a diferença entre Orixá e guia?
Orixás são as forças divinas da natureza; guias (pretos-velhos, caboclos, exus etc.) são espíritos que trabalham sob a regência dos Orixás, dando caridade através dos médiuns.
Como descobrir quais são os meus guias?
Frequentando uma casa e consultando. Não existe teste, quiz ou lista de sinais que revele guia, e quem responde isso na Umbanda é o terreiro, com fundamento. O caminho tradicional é frequentar uma casa, consultar com uma entidade, e em muitas casas identificar o Orixá de cabeça pelo jogo de búzios, feito por quem tem fundamento. Leva tempo, e isso é normal.
Como faço para descobrir minha preta velha ou meu caboclo?
A resposta é a mesma: quem diz é a casa, na consulta e ao longo da caminhada. Vale saber que nem toda pessoa tem uma entidade de frente, porque guias trabalham através de médiuns, e quem não desenvolve mediunidade não incorpora, o que não impede ninguém de ter amparo e devoção. O nome da entidade costuma demorar, às vezes anos, e isso é normal.
Existe algum sinal de qual é o meu guia?
A tradição reconhece indícios, nunca provas. Afinidade forte com uma linha desde criança, sonhos repetidos com uma figura, atração por um ambiente da natureza, gosto por um cheiro ou por uma música de terreiro. São pistas que valem ser contadas na consulta, e não conclusões. É muito comum a pessoa chegar convicta de uma entidade e descobrir outra.
Posso descobrir meus guias sem ir a um terreiro?
Não com fundamento. Existem muitos sites, testes e serviços de mensagem que prometem revelar guias, e nenhum deles tem base na tradição. Desconfie principalmente de quem cobra para revelar por mensagem, sem nunca ter te visto, com nome completo da entidade e oferta de um trabalho caro em seguida. Esse é um dos golpes mais frequentes em torno da Umbanda.
Todo mundo tem um guia?
A tradição entende que toda pessoa tem amparo espiritual, começando pelo anjo da guarda, e isso independe de religião, de iniciação e de frequentar terreiro. O que nem toda pessoa tem é uma entidade de frente que trabalhe através dela, porque isso é assunto de quem desenvolve mediunidade dentro de uma casa. Devoção e amparo você pode ter desde hoje.
Axé Umbanda
Escrito porWeverton Pansan e Maria Amélia Pansan

Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan são médiuns de um terreiro de Umbanda em São Paulo e mantêm o Axé Umbanda com fundamento, respeito à tradição e fontes confiáveis.

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Conteúdo informativo e de fé, escrito com respeito à tradição e baseado nas fontes citadas. A Umbanda varia de casa para casa; em caso de dúvida, procure sempre o dirigente do seu terreiro. Este texto não substitui orientação médica, jurídica ou psicológica.
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