Ervas Sagradas da Umbanda
O segredo das folhas é fundamento na Umbanda. Conheça as ervas mais usadas, sua regência e se são quentes (descarrego, do pescoço para baixo) ou frias (equilíbrio, podem na cabeça), e como usar em banhos, defumações, chás e oferendas, com respeito e cuidado.

Carobinha
A carobinha é uma erva do cerrado e do campo brasileiro que chegou aos terreiros pelo mesmo caminho de muitas outras: primeiro como planta de remédio caseiro, depois como erva de limpeza. É vendida em casa de ervas justamente com a indicação de purificação espiritual e de banho de descarrego, e a fama que carrega na medicina popular, a de depurativa, é a mesma que explica o uso ritual, o de tirar o que está impregnado.
Erva morna
Alho (e casca de alho)
O alho é uma das ervas quentes mais usadas na proteção espiritual brasileira, e na Umbanda o que mais entra em banho e em defumação não é o dente, e sim a casca. A tradição o aponta como escudo, como corte de olho gordo e como afastador de energia densa, com presença forte nos preparos de Ogum e dos Exus e no repertório antigo das benzedeiras.
Erva quente
Abacateiro (folha de abacate)
A folha do abacateiro é uma das ervas mais acessíveis do descarrego umbandista, presente em quintal de todo canto do Brasil e citada nas listas de ervas de Omulu e de Obaluaê, e também nos preparos de Exu em várias casas. Serve para tirar carga pesada do corpo e do ambiente, com ação mais envolvente e menos áspera que a das ervas de corte seco.
Erva morna
Negramina (Nega-mina)
Arbusto do cerrado e da mata, a negramina tem folha de cheiro forte e canforado e entra nos banhos de descarrego e nas defumações de limpeza, sobretudo quando a queixa é de mau olhado e de comércio parado. É erva quente, de uso externo, jogada do pescoço para baixo e com intervalo entre um banho e outro.
Erva quente
Urtiga
Erva quente e de ação forte, a urtiga entra nos banhos de descarrego pesado e nas defumações de corte, quando a queixa é de campo invadido, de perturbação insistente e de peso que não sai com banho comum. Do pescoço para baixo, com pouca quantidade e sempre com intervalo entre um banho e outro.
Erva quente
Algodão (Folha de Algodoeiro)
Erva de Oxalá por excelência, chamada em iorubá de ewé òwú, a folha de algodão é usada nos ritos de cabeça, nos amacis e nas obrigações de Oxalá para cobrir, proteger e pacificar, e o algodão em rama simboliza a brancura e o começo da criação.
Erva morna
Babosa (Aloe Vera)
Erva fria de Omulu, a babosa é a guardiã que absorve: plantada na entrada ou pendurada atrás da porta, retém inveja e olho gordo, e nos banhos ajuda a soltar o que está preso e a devolver ânimo a quem está murcho.
Erva fria
Cambará
Erva morna de Xangô, o cambará é usado nos banhos de equilíbrio e de firmeza, depois da limpeza, para harmonizar o campo, assentar a cabeça e pedir justiça e clareza nas decisões.
Erva morna
Mamona (Carrapateira)
Folha de descarrego forte ligada a Omulu, também chamada carrapateira, usada na tradição para limpezas pesadas, varrição de energias densas e proteção. É erva de corte profundo, de uso ritual e externo, que pede banho de reforço depois.
Erva quente
Cordão de Frade
Erva de limpeza e descarrego ligada a Iansã, também chamada de cordão de São Francisco. É usada em banhos para tirar o peso, afastar energias densas e proteger, com a força dos ventos de Oyá que varrem o que não serve.
Erva morna
Gervão
Erva de limpeza e firmeza tradicionalmente ligada a Xangô e, em algumas casas, a Iansã e a Oxóssi, o gervão, também chamado gervão-roxo ou gervão-azul, é usado em banhos de descarrego e defumações para purificar o campo espiritual, cortar inveja e demandas e trazer equilíbrio e serenidade.
Erva morna
Guaco
Erva de Oxóssi conhecida como planta da cura, tida na tradição como erva fria e calmante, usada em banhos e defumações de limpeza para tratar o campo espiritual, dissolver a inveja e amadurecer a sabedoria interior.
Erva fria
Tapete de Oxalá
Erva de paz e limpeza ligada a Oxalá, o tapete-de-oxalá é muito usado em banhos de descarrego suave e firmezas de paz, ajudando a acalmar o ambiente, elevar a fé e afastar energias pesadas com delicadeza.
Erva fria
Vence-Demanda
Erva de força ligada a Ogum e ao povo da rua, usada em banhos de descarrego e defumações para vencer demandas, cortar trabalhos e afastar perseguições espirituais, abrindo o caminho de quem está numa disputa.
Erva quente
Cordão-de-Frade
Erva de Iansã reconhecida pelas flores em bolinhas ao longo do caule, muito usada em banhos de limpeza e descarrego para dispersar energias pesadas e acalmar os nervos com a força dos ventos de Oyá.
Erva morna
Dama-da-Noite
Planta de flores perfumadas que se abrem à noite, tida como erva de proteção e limpeza, capaz de dissipar energias densas e atrair amparo espiritual.
Erva morna
Pinhão-Roxo
Planta guardiã da entrada, tida como escudo vivo contra inveja, olho gordo e demandas; firma a proteção da casa.
Erva quente
Alfavaca
Erva aromática equilibrante, usada para limpar, proteger e reconstruir a energia depois de fases pesadas.
Erva morna
Arruda
Escudo clássico contra inveja, olho gordo e energias densas.
Erva quente
Guiné (Tipi)
Erva de axé forte, ligada a Ogum e ao povo da rua e conhecida como "quebra-tudo": é uma das ervas de descarrego mais poderosas da Umbanda, usada para desfazer demandas, cortar inveja e feitiços e limpar campos e ambientes muito carregados.
Erva quente
Espada de São Jorge
Símbolo de defesa e coragem, sincretizada com São Jorge.
Erva morna
Abre-Caminho
Para destravar situações paradas e abrir oportunidades.
Erva morna
Levanta-Defunto (Alfavaca)
Revitaliza quem está abatido e levanta a energia.
Erva quente
Comigo-Ninguém-Pode
Guardiã de proteção forte, deixada à entrada para barrar inveja.
Erva quente
Fumo (Tabaco)
Usado na defumação e em descarregos, ligado ao povo da rua.
Erva quente
Alecrim
Erva clássica de limpeza, clareza mental e prosperidade, ligada a Oxóssi e à luz de Oxalá. O alecrim afasta inveja e olho gordo, eleva o astral, favorece o comércio e os estudos e é uma das ervas mais usadas em banhos de energização, defumações e firmezas de proteção da casa.
Erva fria
Folha de Pitanga
Atrai fartura, alegria e a força das matas.
Erva morna
Guiné-Pipiú
Aguça a intuição e a "caça espiritual".
Erva morna
Eucalipto
Limpa o ar e renova o ambiente.
Erva morna
Manjericão
Erva de harmonia, prosperidade e proteção ligada a Iansã e a Oxum, o manjericão acalma o coração, harmoniza as relações e areja a alma. Na tradição popular e nos terreiros de Umbanda, é muito usado para atrair boas energias, dinheiro e paz ao lar, afastando o que é pesado com a sua doçura perfumada.
Erva fria
Hortelã
Clareza mental e renovação.
Erva fria
Aroeira
Limpeza suave e equilíbrio.
Erva morna
Peregum (Espada-de-Iansã)
Proteção e a força dos ventos de Iansã.
Erva mornaManjericona
Amor próprio e harmonia nos relacionamentos.
Erva fria
Rosa Amarela
Amor, autoestima e a doçura de Oxum.
Erva fria
Camomila
Calmante e suave, boa até para crianças (diluída).
Erva fria
Alfazema (Lavanda)
Equilíbrio emocional, paz e proteção suave.
Erva fria
Rosa Branca
Paz, amor divino e elevação.
Erva fria
Colônia (Alevante)
Equilíbrio e aconchego das águas de Iemanjá.
Erva fria
Jasmim
Elevação espiritual e doçura.
Erva fria
Sabugueiro
Justiça, sabedoria e proteção ancestral.
Erva morna
Cedro
Estabilidade, firmeza e proteção.
Erva morna
Noz-Moscada
Sabedoria e equilíbrio do julgamento.
Erva morna
Boldo (Tapete de Oxalá)
Conhecido como Tapete de Oxalá, é a erva da paz: faz limpeza suave, acalma a mente e traz serenidade na vibração do Pai maior.
Erva morna
Picão Preto (Pico-Pico)
O picão preto, Bidens pilosa, é aquele mato de flor miúda amarela e semente preta em forma de agulha que gruda na roupa de quem passa, conhecido no Brasil inteiro e presente em terreno baldio, em beira de estrada e em quintal. Nos terreiros aparece com o nome de pico pico e com fama de erva de purificação e de renascimento, usada no banho que limpa e ao mesmo tempo prepara para recomeçar.
Erva morna
Folha de Figo
Cura, renovação e amparo de Omulu.
Erva morna
Erva-Cidreira
Calmante e suave, boa para transições.
Erva fria
Lírio do Brejo
Sabedoria ancestral e serenidade.
Erva fria
Manjerona
Paz, elevação e conexão com o divino.
Erva fria
Saião (Folha-da-Costa)
Firmeza, fé e amparo de Oxalá.
Erva fria
Sálvia
Limpeza e clareza, muito usada na defumação.
Erva morna
Vassourinha
Varre energias densas do corpo e do ambiente.
Erva quente
Carqueja
Limpeza e descarrego suave.
Erva morna
Losna
Corta energias densas; usada em defumação.
Erva quente
Quebra-Demanda
Desfaz demandas e trabalhos negativos.
Erva quente
Sete-Sangrias
Limpeza e renovação, simbolicamente "limpa o sangue".
Erva morna
Folha de Laranjeira
Calma, paz e doçura para o coração.
Erva fria
Girassol
Vitalidade, alegria e luz.
Erva fria
Pata-de-vaca
Folha de fama medicinal, usada em chás de saúde e em banhos de cuidado e equilíbrio.
Erva morna
Pariri (Crajiru)
Folha avermelhada ligada à cura, à pele e à limpeza suave das águas de Oxum.
Erva morna
Macaçá
Erva de cheiro doce, clássica nos banhos de amor, doçura e atração de Oxum.
Erva morna
Erva-doce (Anis)
Erva de aroma adocicado e calmante, usada para paz, doçura e harmonia.
Erva morna
Quebra-pedra
Erva da justiça e da firmeza, lembrada por quebrar pedras e obstáculos no caminho.
Erva morna
Erva-de-são-joão
Erva de proteção e coragem, ligada às festas juninas e à força da justiça.
Erva quente
Folha-da-costa
Folha carnuda e refrescante, usada na cura, no equilíbrio e no assentamento.
Erva fria
Levante (Hortelã-rasteira)
Hortelã rasteira de aroma forte, usada para limpeza, ânimo e clareza mental.
Erva morna
Espada-de-iansã
Folha em forma de espada, da família da espada-de-são-jorge, de corte e proteção.
Erva quente
Mil-folhas (Pronto-alívio)
Erva dos ventos de Iansã, usada para descarrego, coragem e movimento.
Erva morna
Para-raio
Planta de proteção contra raios e energias densas, ligada à força de Iansã.
Erva quente
Erva-de-santa-bárbara
Erva ligada a Santa Bárbara, de coragem, proteção e quebra de demandas.
Erva quente
Manjericão-roxo
Variedade roxa do manjericão, usada na limpeza, proteção e atração de boas energias.
Erva morna
Erva-de-passarinho
Planta que vive sobre as árvores, usada no descarrego e na quebra de demandas.
Erva morna
Cana-do-brejo
Erva das águas paradas, ligada a Nanã e Obaluaê, usada na cura e na renovação.
Erva fria
Velame
Erva depurativa de Obaluaê, usada no descarrego pesado e na limpeza profunda.
Erva quente
Assa-peixe
Erva da cura de Obaluaê, lembrada para as vias respiratórias e a limpeza espiritual.
Erva morna
Mástruço (Mastruz)
Erva forte de cura, ligada a Obaluaê, tradicional na recuperação e na proteção.
Erva quente
Macela (Marcela)
Flor calmante, de paz e equilíbrio, usada na serenidade da corrente de Oxalá.
Erva fria
Capim-cidreira (Capim-santo)
Capim aromático e calmante, usado para paz, sono tranquilo e harmonia.
Erva fria
Flecha-de-ogum
Erva da firmeza e da abertura de caminhos de Ogum, de força guerreira e proteção.
Erva quente
Jurema
Árvore sagrada da Jurema, ligada a Oxóssi, aos Caboclos e à ciência da mata, é uma das plantas mais respeitadas das religiões afro-brasileiras. Símbolo da Cidade da Jurema, representa a força, a cura e a sabedoria dos encantados, e entra em defumações e banhos de força feitos com muito fundamento.
Erva quente
Samambaia
Planta das matas de Oxóssi, usada para proteção, prosperidade e harmonia do lar.
Erva fria
Catinga de Mulata (Macassá)
Erva de aroma marcante, ligada a Oxum, usada tanto na limpeza e no descarrego quanto na doçura do amor e da atração.
Erva morna
Dandá da Costa
Raiz africana de grande força, usada como escudo espiritual: descarrega, protege e ajuda a abrir caminhos, muito ligada ao Povo da Rua.
Erva quente
Tansagem (Tanchagem)
Erva de limpeza e equilíbrio ligada à linha de Ogum, usada para descarregar energias pesadas, firmar a determinação e restabelecer o equilíbrio emocional diante das lutas da vida.
Erva morna
Louro (Folha de Louro)
Folha da vitória e da glória: abre caminhos, chama prosperidade e coroa conquistas, muito usada para dar sorte no trabalho e nos estudos.
Erva morna
Poejo
Erva aromática de limpeza e paz, ligada à corrente de Oxalá, usada em banhos de descarrego suave para tirar cargas pesadas, quebrar a força de inimigos e atrair boa sorte e bons fluidos espirituais.
Erva morna
Dinheiro-em-Penca
Planta ornamental de folhas redondas e brilhantes, conhecida na tradição popular como erva da prosperidade e ligada à doçura de Oxum, muito usada como planta de fartura em casa e no comércio e em pequenos trabalhos de abertura financeira e boas energias no lar.
Erva morna
Malva
Erva suave de Oxum, da paz, da limpeza branda e do equilíbrio das emoções.
Erva fria
Manacá (Manacá-de-cheiro)
Arbusto perfumado de flores que abrem roxas e desbotam até o branco, o manacá é lido na Umbanda como erva de transmutação e passagem, ligada a Nanã, e entra em banhos de descarrego feitos com fundamento. É também uma planta tóxica, de uso estritamente externo, que exige respeito e orientação.
Erva quente
Pariparoba (Caapeba)
Folha fria de Iemanjá, a ewé iyá, usada em amaci, banhos de paz e limpeza de cabeça.
Erva fria
Quitoco (Pluchea sagittalis)
Erva morna de mata e de beira de água, o quitoco é uma das folhas de limpeza mais citadas nas listas tradicionais da Umbanda: entra em banho de descarrego que não derruba, em defumação de casa e em amaci, tirando o peso do corpo astral e devolvendo clareza e disposição a quem estava carregado.
Erva morna
Cravo-de-Defunto (Tagetes erecta)
Erva quente e flor de cheiro forte, o cravo-de-defunto é uma das plantas mais citadas nas listas de Omulu e Obaluaê: entra em banho de descarrego, em defumação de casa e em oferenda de cura e de encerramento de ciclo, e no jardim é usada há séculos como planta de guarda, plantada na entrada para segurar o que vem de fora.
Erva quente
Vence-Demanda (Justicia gendarussa)
Erva quente e de corte, o vence-demanda é uma das folhas mais chamadas quando a questão é demanda antiga: entra em banho de descarrego, em defumação de casa e em sacudimento, e na tradição afro-brasileira é plantada em vaso de barro na entrada como guarda do lugar, com a leitura de que ela desmancha feitiço, corta inveja dirigida e resolve o que estava travado por causa de gente.
Erva quente
Cravo-da-índia
Especiaria quente de aroma forte, o cravo-da-índia é usado na Umbanda como magnetizador: entra nos banhos de atração e de prosperidade, na defumação de comércio e de desenvolvimento mediúnico, e nos amuletos de carteira e de bolsa, sempre em pouca quantidade, porque é botão de flor concentrado e um punhado pequeno já perfuma um litro de água.
Erva quente
Rosa Vermelha
Flor morna de atração e de amor-próprio, a rosa vermelha é usada em pétalas nos banhos de autoestima e de coragem afetiva, nas oferendas de Pombagira e nas firmezas do afeto. Não é erva de corte nem de amarração: a tradição a usa para levantar quem se abandonou e para devolver brilho e firmeza a quem se cala.
Erva morna
Bananeira (Folha de Bananeira)
A folha de bananeira é a toalha sagrada da Umbanda: é sobre ela que se arria a comida de santo, é ela que embrulha o abará e o acaçá e é com ela que se bate folha para tirar carrego de pessoas e de ambientes. Erva de fundamento, associada a Xangô em boa parte do país e a Exu em outras regiões, e por isso mesmo não é folha de banho caseiro.
Erva morna
Crisântemo (Monsenhor Branco)
Flor fria de Omulu, conhecida nos terreiros pelo nome antigo de monsenhor branco, o crisântemo é lido como a flor da verdade e da sinceridade: entra nas oferendas de Obaluaê, na lembrança dos ancestrais em novembro e no gesto de desejar cura a quem está doente.
Erva fria
Dália
Flor de jardim ligada a Iansã nas variedades amarelas e douradas e a Ogum nas vermelhas, a dália é flor de oferenda e de enfeite de congá, não de banho nem de chá: ela entra pela cor, pela beleza e pela alegria que leva ao assentamento e à festa de Orixá.
Erva morna
Bálsamo (Sedum dendroideum)
Suculenta de folha grossa e brilhante que quase toda avó brasileira tem no quintal, o bálsamo é lido na tradição de terreiro como erva fria de autoestima e de reconstrução: entra no banho de energização que vem depois do descarrego, no bate-folha e na maçarocada de ervas. Não é erva de corte, não tem regência de Orixá firmada e aparece com mais força nas mãos dos Pretos Velhos e dos Caboclos.
Erva fria
Folha da Fortuna (Kalanchoe pinnata)
A folha da fortuna é a erva de prosperidade e de guarda mais conhecida do quintal brasileiro: suculenta de folha grossa e borda recortada que brota mudinhas inteiras nas beiradas, e é justamente esse gesto de multiplicar sozinha que a tradição popular e de terreiro lê como sinal de fartura. Entra em banho de prosperidade depois da limpeza, na folha rezada guardada na carteira, na planta viva no vaso da entrada e no bate-folha. A regência dela varia muito de casa para casa, e o nome popular é compartilhado com o saião, com a folha-da-costa e, por confusão, até com o bálsamo.
Erva morna
Espinheira-Santa (Maytenus ilicifolia)
Arbusto de folha dura e espinhosa do Sul e do Sudeste do Brasil, a espinheira-santa entra nas listas tradicionais da Umbanda como erva de descarrego e de defesa: o espinho é lido como corte e barreira, e a folha é usada em banho do pescoço para baixo, em defumação de proteção e em sacudimento de casa, sempre na irradiação de Omulu e de quem guarda as passagens.
Erva quente
Chapéu-de-Couro (Echinodorus macrophyllus)
Planta de brejo e de beira de água, também chamada chá-mineiro, erva-do-brejo e congonha-do-brejo, o chapéu-de-couro entra nas listas tradicionais como erva de banho purificatório e de descarrego: nos candomblés é usada em banhos de purificação e, na Umbanda, contra mau-olhado e em banhos de descarga, na irradiação de Oxalá e na lida do povo do campo.
Erva quente
Patchouly (Oriza)
Conhecida no Brasil como oriza e cultivada sobretudo no Pará e no Maranhão, a patchouly é a erva do cheiro fundo e da raiz aromática que os terreiros usam em banhos de abre-caminho, em defumações de prosperidade e nos trabalhos de atração afetiva, associada com mais frequência a Oxum e, em algumas casas, a Oxalá.
Erva morna
Anis-Estrelado
O anis-estrelado é o fruto lenhoso em forma de estrela que a Umbanda usa sobretudo em defumação de prosperidade e de quebra de tristeza, muito citado como incenso da linha dos Marinheiros, ao lado da alfazema e da rosa branca, e guardado inteiro na carteira nas simpatias de dinheiro.
Erva morna
Barbatimão
O barbatimão é a casca da árvore do cerrado que a Umbanda usa em banho de descarrego e em defumação de limpeza, com fama de erva que dilui carga pesada e devolve firmeza a quem está abalado, e que fora do terreiro é conhecida na medicina popular pelo poder de fechar ferida.
Erva morna
Canela (Canela-da-china e Canela-do-ceilão)
Especiaria quente e doce, a canela é uma das ervas de prosperidade mais usadas na Umbanda: entra nos banhos de atração e de fartura na vibração de Oxum, na defumação de comércio e de casa nova, nas simpatias de primeiro dia do mês e nas oferendas de doçura, sempre em pouca quantidade, porque a casca é concentrada e um pau pequeno já perfuma um litro de água.
Erva quente
Embaúba (Umbaúba)
Chamada em iorubá de àgbaó, a embaúba é a árvore de folha larga e tronco oco em que os erveiros deixam a oferenda de Ossaim antes de entrar na mata, e sua folha é erva quente, usada em banho de purificação do pescoço para baixo para esquentar o campo, afastar inveja e devolver alegria a quem está apagado.
Erva quente
Melão de São Caetano
Trepadeira de folha recortada e fruto laranja que abre sozinho quando amadurece, o melão de são caetano é uma das ervas de limpeza mais citadas da tradição afro-brasileira, usada em banhos de descarrego, em sacudimentos e na defumação de ambiente, com fama antiga de afastar obsessor e desfazer o que ficou grudado no campo da pessoa.
Erva quente
Erva-de-Bicho
Planta de beira de água e de terreno úmido, a erva de bicho aparece nas listas de terreiro entre as ervas de limpeza forte, usada em banho de descarrego do pescoço para baixo e em defumação de ambiente quando a queixa é de campo invadido, de ambiente carregado e de peso que não sai com banho comum.
Erva quente
Erva-Tostão
Rasteira, de folhinha pequena e flor rosada, a erva-tostão nasce sozinha em calçada, em horta e em terreno pisado, e é uma das folhas de limpeza mais discretas das listas de terreiro. Aparece entre as ervas de Xangô e de Ogum, entra apenas em banho de descarrego, do pescoço para baixo, e é conhecida no Brasil inteiro pelo uso popular ligado ao fígado e aos rins, que é outro assunto e pede profissional de saúde.
Erva quente
Romã
A romã é a fruta de prosperidade mais popular do Brasil e uma das poucas plantas em que folha, casca e semente têm uso ritual distinto. A folha entra nos banhos de descarrego e de proteção, a casca é usada em defumação e em limpeza de ambiente, e as sementes guardadas na carteira viraram o gesto de fartura mais repetido em terreiro, em casa e na virada do ano.
Erva morna
Lança de São Jorge
A lança de São Jorge é a irmã de folha cilíndrica da espada de São Jorge, da mesma família da sansevieria, e chegou aos terreiros pelo mesmo fundamento: planta de Ogum, guerreiro e senhor dos caminhos, usada como escudo de proteção da casa. Onde a espada tem a folha larga e chata, a lança tem a folha roliça e pontuda como a ponta de uma lança fincada na terra, e é essa forma que dá o nome e o sentido, o de cravar a defesa e furar a demanda.
Erva morna
Dracena (Pau-d'Água)
A dracena, também chamada de pau-d'água e conhecida em algumas casas como dracena de Ogum, é um arbusto de folhas longas e firmes muito usado no paisagismo brasileiro e que ganhou lugar nos terreiros como planta de proteção e de firmeza. A tradição a coloca no campo de Ogum, o guerreiro, pela postura ereta e resistente da planta, que se mantém verde e forte com pouco cuidado, imagem de guarda que não recua.
Erva morna
Cavalinha
A cavalinha é uma das ervas de banho mais antigas do repertório popular brasileiro, conhecida primeiro como planta de remédio caseiro e depois incorporada aos banhos de limpeza. Nos terreiros ela aparece nas listas de ervas de descarrego e de purificação, sem uma regência fixa amplamente reconhecida, e por isso é honesto tratá-la como erva de limpeza de uso geral, e não como planta de um Orixá específico. É vendida em casa de ervas justamente com a indicação de banho de limpeza e de renovação.
Erva fria