Salve a Marujada!

Marinheiros da Umbanda

Os Marinheiros são o povo d’água, falange de Iemanjá. Chegam com o gingado das ondas para abrir caminhos, quebrar feitiços e curar. Conheça cada um, com saudação, velas, oferendas e fundamento.

Marinheiras: as mulheres da marujada

Quem procura por marinheiras costuma ouvir que a linha é só de homens, e isso não corresponde ao que se vê nas giras. A marujada tem mentoras, e a manifestação delas nos terreiros vem sendo registrada de forma mais aberta nas últimas décadas. As fontes da própria linha reconhecem que ainda há discussão sobre como enquadrá-las: há casas que as chamam de marinheiras ou marujas, dentro da mesma linha dos marinheiros, e há casas que as entendem como ondinas ou sereias, numa vibração à parte, mais próxima do encantamento das águas. As duas leituras têm fundamento e convivem sem que nenhuma anule a outra.

O que não muda é a regência. Marinheiras trabalham na linha d’água, sob Iemanjá, e a água em que cada uma atua indica a vibração que a acompanha: o mar em Iemanjá, as águas doces e a cachoeira em Oxum, as águas turvas em Nanã, as águas agitadas em Iansã. A saudação é a mesma da marujada, as velas são as mesmas, azul clara, branca e a bicolor, e a oferenda se entrega à beira d’água, do mesmo jeito.

Entre os nomes de marinheiras que aparecem com mais frequência nos terreiros estão Marinheira Janaína, Dona Sete Praias, Luzia dos Sete Mares, Luzia do Cais, Luíza do Cais, Luíza Ondina, Maria do Farol, Maria das Ondinas, Marina Pescadora, Marina das Sete Ondas, Janaína da Jangada, Janaína Mercadora, Tina do Cais e Tina do Porto. Como acontece com toda a marujada, a lista não é fechada: o nome pelo qual a mentora se apresenta conta de que água ela vem e em que ponto ela trabalha, e quem confirma isso é sempre o dirigente da sua casa.

Nomes de Marinheiros: e se o nome do seu guia não está na lista?

A linha dos Marinheiros é uma falange coletiva do povo d’água, e a lista de nomes nunca foi um catálogo fechado. Os nomes mais difundidos nos terreiros são os que você encontra nos cards acima. Fora deles, cada casa registra os seus: Seu Zé da Canoa, Zé dos Remos, João Canoeiro, Capitão dos Mares, Antônio das Águas, Seu Jangadeiro. São todos da mesma marujada, com a mesma saudação, as mesmas velas e a mesma oferenda à beira d’água.

A razão disso está no próprio fundamento da linha: os espíritos que chegam como marinheiros foram, em vida, navegadores, oficiais, pescadores, ribeirinhos, canoeiros e gente do cais. O nome pelo qual o guia se apresenta conta de onde ele vem e em que água ele trabalha, e não cria uma linha nova. Muitas casas leem a vibração pelo tipo de água: mar em Iemanjá, águas doces e cachoeira em Oxum, águas turvas em Nanã, águas agitadas em Iansã.

Perguntas frequentes sobre os nomes da marujada

O nome do meu Marinheiro não está na lista. Ele existe?
Existe, sim. A lista clássica que circula nos terreiros reúne os nomes mais difundidos, como Martim Pescador, Zé do Mar, Zé da Jangada, Zé do Cais e Seu Sete Ondas, mas ela nunca foi um catálogo fechado. A marujada é uma falange coletiva, e o nome é a forma como o guia se apresenta na sua casa. Nomes como Seu Zé da Canoa, Zé dos Remos, João Canoeiro, Capitão dos Mares, Antônio das Águas e Seu Jangadeiro aparecem em terreiros diferentes e pertencem à mesma linha, com o mesmo fundamento, a mesma saudação e as mesmas oferendas.
Quem é Seu Zé da Canoa na Umbanda?
Seu Zé da Canoa é um dos nomes da linha dos Marinheiros que chega pela canoa, ou seja, pelas águas de dentro, o rio, o remanso, a travessia curta. Não existe biografia individual documentada dele, e é honesto dizer isso: o que existe com fundamento é a linha. Os espíritos da marujada foram, em vida, marinheiros, navegadores, pescadores, ribeirinhos, canoeiros e gente do cais, e o canoeiro é justamente o que conduz e atravessa em água doce. Se o guia da sua casa se apresenta assim, o fundamento a seguir é o da linha dos Marinheiros, e quem confirma é o seu dirigente.
Marinheiro de canoa e de rio trabalha na mesma vibração do marinheiro de mar?
A linha é a mesma, o povo d’água, mas muitas casas leem a vibração pelo tipo de água. Marinheiro de mar costuma ser ligado a Iemanjá, o de águas doces e de cachoeira a Oxum, o de águas turvas e de lama a Nanã, e o de águas agitadas e de tempestade a Iansã. O canoeiro, o jangadeiro e o barqueiro de rio entram nessa leitura das águas de dentro. É uma distinção de fundamento de casa, não de linha diferente.
Como saber o nome do meu Marinheiro?
Pelo desenvolvimento na casa, com o dirigente, e não por lista de internet. O nome chega no trabalho, na gira, na firmeza, e é o Pai ou a Mãe de Santo quem confirma. Se você sentiu identificação com um nome que leu por aí, guarde a intuição e leve ao seu dirigente. E se a sua casa não trabalha com a linha dos Marinheiros, isso também é fundamento legítimo: cada casa tem a sua doutrina.
Existem marinheiras na Umbanda?
Existem, e são cada vez mais registradas nas giras. As fontes da própria linha reconhecem que ainda há discussão sobre como enquadrá-las: algumas casas as chamam de marinheiras ou marujas, dentro da mesma linha dos marinheiros, e outras as entendem como ondinas ou sereias, numa vibração à parte, ligada ao encantamento das águas. As duas leituras têm fundamento. A regência não muda: continua sendo a linha d'água, sob Iemanjá.
Quais são os nomes de marinheiras mais conhecidos?
Entre os que mais aparecem estão Marinheira Janaína, Dona Sete Praias, Luzia dos Sete Mares, Luzia do Cais, Luíza do Cais, Luíza Ondina, Maria do Farol, Maria das Ondinas, Marina Pescadora, Marina das Sete Ondas, Janaína da Jangada, Janaína Mercadora, Tina do Cais e Tina do Porto. Como em toda a marujada, a lista não é fechada e o nome conta de que água a mentora vem e em que ponto ela trabalha.
Marinheira e ondina são a mesma coisa?
Depende da doutrina da casa. Há terreiros que tratam as duas como a mesma manifestação feminina do povo d'água, e há terreiros que separam: marinheira seria o espírito que viveu na lida do mar e dos portos, e ondina seria a entidade ligada ao encantamento das águas, sem essa passagem humana. Nenhuma das duas leituras invalida a outra, e quem define é o dirigente da sua casa.

Fontes