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Tipos de Exu na Umbanda: quantos existem, como se classificam e o que cada nome quer dizer

Quando alguém pergunta quantos tipos de Exu existem, a resposta honesta é que existem várias classificações diferentes, e cada uma responde a uma pergunta distinta. Uma separa o Orixá da entidade, outra fala de grau e de compromisso, outra de reinos, outra de falanges e nomes. Este texto organiza cada uma delas, mostra onde as casas divergem e aponta o que não é Exu.

Por Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan·21 de setembro de 2026·15 min de leitura
Tipos de Exu na Umbanda: quantos existem, como se classificam e o que cada nome quer dizer
Resposta rápida

Quando alguém pergunta quantos tipos de Exu existem, a resposta honesta é que existem várias classificações diferentes, e cada uma responde a uma pergunta distinta. Uma separa o Orixá da entidade, outra fala de grau e de compromisso, outra de reinos, outra de falanges e nomes. Este texto organiza cada uma delas, mostra onde as casas divergem e aponta o que não é Exu.

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A pergunta quantos tipos de Exu existem costuma receber respostas que se contradizem, e o motivo não é que uma esteja certa e a outra errada. É que existem várias classificações diferentes rodando ao mesmo tempo, cada uma respondendo a uma pergunta distinta. Uma separa o Orixá da entidade. Outra fala de grau e de compromisso, e é dela que vem o vocabulário de batizado, coroado e de lei. Outra organiza os Exus por reinos, e essa vem da Quimbanda. Outra ainda agrupa por falanges e por nomes, que é o que a maioria das pessoas encontra primeiro. Misturar as quatro como se fossem uma lista única é o que gera a confusão. Este texto separa cada uma, diz de onde ela vem e marca onde as casas discordam entre si.

Resposta rápida

Não existe uma lista única e oficial de tipos de Exu, porque a palavra é usada em quatro registros diferentes. Primeiro, há a separação mais importante de todas: Exu Orixá, a divindade iorubá do movimento e da comunicação, não é a mesma coisa que os Exus entidades, espíritos que viveram, desencarnaram e hoje trabalham como guardiões na linha da esquerda. Segundo, há a classificação por grau e compromisso, que nos terreiros aparece como Exu batizado, cruzado, de lei, coroado ou espadado, e que serve para dizer o quanto aquele espírito está firmado na Lei da casa. Terceiro, há a organização por reinos, um mapa de sete domínios que vem da Quimbanda e não da Umbanda. Quarto, há os nomes e falanges, como Tranca-Ruas, Caveira e Marabô, que nomeiam grupos inteiros de espíritos e não indivíduos únicos. E existe ainda o que não é Exu: o quiumba, espírito sem compromisso que o terreiro justamente filtra. A saudação da linha é Laroiê. Quem define qual classificação vale na sua casa é sempre o dirigente dela.

A separação que vem antes de tudo: Exu Orixá e Exu entidade

Antes de qualquer lista de tipos, é preciso resolver uma confusão que atravessa quase todo texto de internet sobre o assunto. Exu Orixá e Exu entidade são dois planos diferentes, e o fato de compartilharem o nome é um acidente histórico, e não uma identidade.

Exu Orixá, grafado Èṣù em iorubá, é divindade. É o senhor do movimento, da comunicação e dos caminhos, o mensageiro entre o Orum, o plano espiritual, e o Aiyê, o plano material. É por ele que passa toda oferenda, todo pedido e toda reza antes de chegar aos demais Orixás, e é por isso que em quase toda casa de matriz africana ele é o primeiro a ser saudado. Na África iorubá também é chamado de Elegbara, senhor do poder, e de Bará, nome pelo qual segue sendo cultuado no Batuque do Rio Grande do Sul. No Candomblé de nação Ketu, Exu é Orixá, e não incorpora para dar consulta.

Exu entidade é outra coisa. São espíritos que viveram como gente, desencarnaram e escolheram seguir trabalhando, na Umbanda, como guardiões e trabalhadores da esquerda. São esses que chegam na gira, incorporam, riem, fumam, conversam e atendem. Quando alguém diz que recebeu Exu Tranca-Ruas, está falando de entidade, e não do Orixá.

O nome foi compartilhado por semelhança de função: como registra a literatura sobre o tema, um Exu entidade passa a usar o nome do Orixá por procedência e por similaridade, porque realiza trabalhos parecidos com os daquela divindade, ligados à encruzilhada, ao movimento, à abertura de caminhos e à guarda. Não é usurpação nem confusão: é vocabulário de função.

Vale registrar de onde vem a ideia de que Exu seria o diabo, porque ela ainda atravanca a conversa. O antropólogo Reginaldo Prandi mostrou que a identificação com o demônio cristão não se deu por causa da função de Exu, e sim da aparência: por ser divindade do fogo, com chifres, membro viril e sexualidade sem freios na iconografia, foi lida pelos europeus como figura demoníaca. O próprio vocabulário iorubá de Samuel Ajayi Crowther, de 1842, já traduzia Èṣù como diabo ou satã. Exu não é o diabo, e nem o Orixá nem as entidades têm qualquer relação com a figura do inferno cristão.

Tipos por grau e compromisso: pagão, batizado, coroado e os outros nomes

Esta é a classificação que a maioria das pessoas encontra primeiro quando pesquisa tipos de Exu, e também a que mais precisa de contexto para não ser mal entendida. Ela não descreve personalidade nem reino: descreve o quanto aquele espírito está comprometido com a Lei da casa.

A formulação clássica, difundida na codificação umbandista do século XX, traz três degraus.

  • Exu pagão. Descrito como o espírito que ainda não distingue o bem do mal e que atende a quem o solicitar, sem vínculo e sem compromisso. É o nome antigo para o que hoje a maioria das casas prefere chamar de quiumba.
  • Exu batizado. O espírito que já conhece a Lei, firmou compromisso com a casa e trabalha sob orientação, conservando a força de cobrança mas colocando-a a serviço do bem.
  • Exu coroado. O que, após longa evolução no trabalho, recebe por mérito a permissão de atuar em posição de maior responsabilidade, chefiando e respondendo por uma legião.

Aqui entra o ponto de fundamento que quase nenhum texto marca com clareza: na Umbanda não trabalha Exu pagão. Os Exus que atuam em casa de Lei são batizados ou coroados, e o pagão é exatamente o que a casa filtra na porta. Se algo se apresenta como Exu e pede o que uma casa séria não faz, o problema não é o tipo de Exu: é que aquilo provavelmente não é Exu.

Ao lado desses três, circulam outros nomes de grau, que variam bastante de casa para casa e não formam uma escala única.

  • Exu de Lei. O que firmou compromisso com a Lei de Umbanda. Na prática, é usado como sinônimo de guardião.
  • Exu cruzado. O que passou pelo cruzamento, rito que firma o espírito na corrente da casa.
  • Exu espadado. Termo de algumas correntes para o Exu que recebeu a espada, sinal de autoridade e de função de guarda.
  • Exu guardião. O que responde pela proteção do terreiro, do médium e da casa de quem é assistido. Muitas descrições de casa contam que o guardião foi, antes, espírito sem rumo, e que ao se aproximar da Lei mudou de conduta e passou a trabalhar na guarda.

Uma honestidade que vale registrar: parte da literatura crítica observa que esse vocabulário de coroado, batizado, de lei, cruzado e espadado é uma criação propriamente umbandista, nascida em boa medida do tabu que a religião carregou em torno da figura de Exu, e que ele não corresponde a nenhuma classificação africana anterior. Saber disso não invalida o uso, que é real e cotidiano nas casas, mas evita apresentar como tradição milenar o que é vocabulário brasileiro do século XX.

O que não é Exu: o quiumba

Nenhuma lista de tipos de Exu fica honesta sem esta seção, porque a maior parte das histórias ruins que se contam sobre Exu na verdade são histórias sobre quiumba.

Quiumba, também grafado kiumba, é o nome que os terreiros dão ao espírito sem compromisso e sem vínculo, que se aproxima aproveitando o descuido, a curiosidade ou a vaidade de quem o chama. Não é guardião, não tem função na casa e não está em linha de trabalho nenhuma. É, tecnicamente, um egun desordenado que se apresenta com nome de Exu porque isso lhe abre porta.

Como se distingue na prática? Pelo comportamento, e não pelo nome que ele diz ter. O que as casas observam:

  • Exige e ameaça. Guardião de casa de Lei orienta e cobra postura; quiumba chantageia e mete medo.
  • Pede o que casa séria não faz. Trabalho para prejudicar terceiro, amarração de pessoa, dinheiro como condição para atender.
  • Bajula o médium. Diz que ele é especial, escolhido, superior aos outros da corrente. Guardião de verdade não alimenta vaidade de cavalo.
  • Não se submete à casa. Foge do dirigente, evita a gira organizada, só aparece no particular.

É por isso que existe firmeza, tronqueira e dirigente: a casa organizada é justamente o filtro. Trabalhar com Exu sem casa, sem orientação e sem Lei é a porta de entrada do quiumba, e essa é uma das poucas coisas em que praticamente toda corrente concorda.

Tipos por reino: os sete reinos e de onde eles vêm

Quem pesquisa tipos de Exu encontra rapidamente a lista dos sete reinos, e é importante saber de onde ela vem: os reinos são estrutura de Quimbanda, e não da Umbanda. Muitas casas trabalham traçado, isto é, com as duas práticas, e por isso o vocabulário circula tanto. Casas de Umbanda que não trabalham Quimbanda simplesmente não organizam os Exus assim, e isso não significa ter menos fundamento.

O modelo mais difundido reúne sete domínios, cada um governado por um Exu Rei e uma Pombagira Rainha.

  • Reino das Encruzilhadas. O domínio dos caminhos, das escolhas e da abertura. É o mais associado à figura de Exu no imaginário comum, e liga-se diretamente à encruzilhada como lugar de fundamento.
  • Reino do Cruzeiro. Ligado ao cruzeiro das almas e ao encontro entre os planos.
  • Reino das Almas. O domínio dos que trabalham com os espíritos desencarnados, associado também às alturas, às lombas, aos penhascos e aos abismos.
  • Reino da Kalunga. O campo santo, o cemitério, o lugar da passagem e do fim dos ciclos.
  • Reino das Matas. O mato, a natureza fechada, as ervas e a caça.
  • Reino da Praia. As águas, doces e salgadas, e suas margens: rios, córregos, cachoeiras e praias.
  • Reino da Lira. A música, a dança, a sensualidade e o movimento. Atua nas artes, nos bares, nas casas noturnas e nos cabarés, e é o reino mais associado às Pombagiras.

Em boa parte das correntes, cada reino se subdivide em nove povos ou falanges, o que produz o número de sessenta e três povos de Exu que circula em muitos textos. Vale a ressalva de sempre, e ela é grande neste tema: a lista de reinos, os nomes e o número de povos variam bastante entre casas e correntes de Quimbanda, e não existe uma versão oficial única. Textos que apresentam uma única lista como a verdadeira estão simplificando algo que é plural na prática.

Tipos por legião: os Exus chefes e o Orixá a que respondem

Outra forma de classificar organiza os Exus por legião. Os espíritos mais evoluídos da linha são chamados de chefes de legião, também ditos Exus cabeças, e cada um comanda um contingente que se subdivide em planos, grupos, subgrupos e colunas.

Uma das formulações mais citadas na literatura umbandista, presente na obra de F. Rivas Neto, associa cada chefe de legião à serventia direta de um Orixá. Ela aparece assim:

Duas observações de honestidade. A primeira: essa correspondência não é consenso. Ela pertence a uma corrente específica de sistematização umbandista, e outras casas distribuem as serventias de modo diferente ou simplesmente não trabalham com esse mapa. A segunda: serventia não quer dizer que o Exu seja o Orixá, nem que o Orixá mande o Exu fazer o que se pedir. Diz que aquela legião trabalha na vibração e no campo de atuação daquele Orixá.

Tipos por nome: o que é uma falange e por que existem tantos Exus

Esta é a classificação que mais aparece na internet, em listas com dezenas de nomes, e a que mais se entende errado. A chave para compreendê-la é o conceito de falange.

Uma falange é um agrupamento de espíritos que compartilham o mesmo arquétipo de trabalho e, por isso, o mesmo nome. Dito de forma direta: não existe um único Exu Sete Facadas. Existem muitos espíritos que se apresentam com esse nome porque atuam na mesma egrégora, do mesmo jeito que não existe um único Caboclo Sete Flechas. O nome identifica a linha de trabalho, e não uma pessoa.

Por isso as subdivisões também têm nome próprio. Os espíritos que se dizem da falange de João Caveira, por exemplo, são entendidos como uma subdivisão da legião de Exu Caveira. E é por isso, também, que duas pessoas podem receber Exu Tranca-Ruas em casas diferentes sem que uma esteja enganada: são espíritos distintos da mesma falange.

Os nomes se agrupam em três famílias, conforme descreve o antropólogo Vagner Gonçalves da Silva.

  • Nomes de linhagem africana. Tiriri, Marabô, Bará, Lonã, Odara, Akessan, Mavambo, Pambujila, entre outros. São os que mais preservam vocabulário iorubá e banto.
  • Nomes de linhagem cristã estigmatizada. Exu Lúcifer, Exu Belzebu e semelhantes, que assumem nomes de demônios bíblicos. Nascem justamente da demonização descrita acima, e muitas casas de Umbanda não trabalham com eles.
  • Nomes brasileiros. A maior família e a mais reconhecível: Tranca-Ruas, Caveira, Veludo, Capa Preta, Meia-Noite, Do Lodo, Pinga-Fogo, Morcego, Sete Facadas, Porteira, Cemitério, Toquinho e muitos outros. São nomes que descrevem lugar de trabalho, objeto, hora ou marca de história pessoal, e são os que mais dizem sobre a origem e a função da falange.

No catálogo de Exus do site, cada nome tem a sua própria página com o fundamento, o campo de atuação e o que a tradição registra sobre ele.

Pombagiras e Exus Mirins: as outras formas dentro da mesma linha

A linha da esquerda não é formada só por Exus masculinos adultos, e essas outras formas são tipos por direito próprio.

Pombagiras são entidades que, quando encarnadas, pertenceram ao gênero feminino e foram agregadas à egrégora de Exu, passando a trabalhar primeiro na Quimbanda e depois também na Umbanda. Trabalham com grande liberdade nos assuntos de relação, de autoestima, de sexualidade, de honra e de justiça entre pessoas, e são as mais associadas ao reino da Lira. A saudação é a mesma da linha, Laroiê, e em muitas casas se ouve também Saravá. O catálogo de Pombagiras reúne as falanges mais conhecidas.

Exus Mirins são os que se apresentam em forma de criança dentro da esquerda. Aqui mora uma das confusões mais frequentes do assunto, e ela vale ser marcada com clareza: Exu Mirim não é Erê. O Erê, a linha das Crianças, trabalha na direita, ligada a Cosme e Damião, na alegria e no descarrego pela leveza. O Exu Mirim trabalha na esquerda, com outro fundamento e outra função, no campo das intenções e dos nós entre as pessoas. As duas chegam com jeito de criança, e é só por isso que se confundem.

Há ainda o que muitas casas chamam de Exu de guarda ou Exu de frente: o guardião pessoal, aquele que acompanha uma pessoa específica e responde pela proteção dela. Quem revela e confirma esse guardião é a espiritualidade por meio do dirigente da casa, geralmente no jogo ou ao longo do desenvolvimento. Não se descobre Exu de guarda por teste de internet, por data de nascimento nem por afinidade escolhida, e desconfiar disso poupa muito tempo e algum dinheiro.

Como usar essas classificações sem se perder

Junte tudo e o quadro fica simples, apesar da quantidade de nomes. Diante de qualquer lista de tipos de Exu, a pergunta útil é: essa lista está classificando o quê?

  1. Se separa divindade de espírito, está falando de Exu Orixá e Exu entidade. É a distinção mais importante e a que quase nunca aparece explicada.
  2. Se fala em batizado, coroado, de lei, cruzado ou espadado, está falando de grau e de compromisso com a Lei da casa. Vocabulário umbandista brasileiro, útil na prática, variável entre casas.
  3. Se fala em reinos, está usando estrutura de Quimbanda. Legítima, viva, e não obrigatória em casa de Umbanda.
  4. Se fala em nomes, está falando de falanges, ou seja, de grupos, e não de indivíduos únicos.
  5. Se o que descreve exige, ameaça ou cobra, provavelmente não está falando de Exu, e sim de quiumba.

E fica o critério que vale mais do que qualquer classificação: a orientação do dirigente da sua casa prevalece sobre qualquer texto da internet, inclusive sobre este. Casas de fundamento divergem entre si em quase todos os pontos deste artigo, e essa pluralidade é característica da Umbanda, e não defeito dela. Se você está começando, o caminho é frequentar, observar e perguntar ao seu dirigente, e não colecionar listas.

Para seguir no tema, vale conhecer as guias e entidades da Umbanda, entender as sete linhas, ver como funciona a oferenda de Exu e conhecer o banho de Exu. Para o vocabulário geral da casa, há as saudações da Umbanda.

Cuidados: o que não acreditar sobre tipos de Exu

O tema atrai mais desinformação do que quase qualquer outro na Umbanda, em parte pelo peso do preconceito e em parte porque vende. Alguns cuidados.

  • Não existe lista oficial e fechada. Quem apresenta uma única tabela como a verdadeira está ignorando que casas e correntes divergem, e divergem muito.
  • Tipo de Exu não se escolhe. Não se decide trabalhar com esta ou aquela falange por afinidade estética ou por poder atribuído.
  • Exu não é o diabo, e não existe Exu do mal. Existe espírito sem compromisso, e o nome dele é quiumba.
  • Não se paga por fundamento. Trabalho em casa de fundamento não é cobrado, e cobrança em nome de Exu é um dos sinais mais antigos de que algo está errado.
  • Desconfie de quem promete resultado garantido. Especialmente em amarração, em trabalho contra terceiro e em prazo marcado. Isso não é fundamento, é comércio.
  • Macumba não é xingamento, e Quimbanda não é o mal. São práticas com fundamento próprio, como explicamos em o que é macumba e o que é Quimbanda.
  • Não se trabalha Exu sozinho e sem casa. A casa, o dirigente, a firmeza e a Lei são o que separa guardião de quiumba.

O resumo que atravessa tudo: a variedade de tipos não existe para criar hierarquia de poder entre Exus, e sim para organizar funções de trabalho. Exu é guardião, e o que muda de um tipo para outro é onde ele guarda e como ele foi firmado.

Fontes e referências

Perguntas frequentes

Quantos tipos de Exu existem na Umbanda?
Não existe um número único, porque existem várias classificações diferentes ao mesmo tempo. Uma separa Exu Orixá de Exu entidade. Outra fala de grau e compromisso, com os nomes batizado, coroado, de lei, cruzado e espadado. Outra organiza por reinos, estrutura que vem da Quimbanda e costuma listar sete. Outra agrupa por falanges e nomes, que são dezenas. Cada lista responde a uma pergunta distinta, e a lista válida na prática é a que a sua casa adota.
Qual a diferença entre Exu Orixá e Exu entidade?
Exu Orixá é divindade iorubá, senhor do movimento e da comunicação, mensageiro entre o Orum e o Aiyê, também chamado de Elegbara e de Bará. Ele não incorpora para dar consulta. Exu entidade é espírito que viveu como gente, desencarnou e trabalha hoje como guardião na linha da esquerda da Umbanda. Quando alguém diz que recebeu Exu Tranca-Ruas, está falando de entidade. Os dois compartilham o nome por semelhança de função, e não por serem a mesma coisa.
O que é Exu batizado, coroado e de lei?
São nomes de grau e de compromisso. Exu batizado é o que já conhece a Lei, firmou compromisso com a casa e trabalha sob orientação. Exu coroado é o que, após longa evolução no trabalho, recebe por mérito a responsabilidade de chefiar uma legião. Exu de Lei é o que firmou compromisso com a Lei de Umbanda, e na prática funciona como sinônimo de guardião. Também se ouve cruzado e espadado, com sentidos próximos que variam de casa para casa.
Existe Exu pagão na Umbanda?
Não. Exu pagão é o nome antigo para o espírito sem compromisso, que não distingue o bem do mal e atende a quem o solicitar. Em casa de Lei, os Exus que trabalham são batizados ou coroados, e o pagão é justamente o que a casa filtra. Hoje a maioria dos terreiros prefere chamar esse espírito de quiumba, que é o termo mais preciso, porque ele não é Exu.
O que é quiumba e como diferenciar de um Exu?
Quiumba, também escrito kiumba, é o espírito sem compromisso e sem vínculo que se aproxima aproveitando descuido, curiosidade ou vaidade. Não é guardião e não tem função em casa nenhuma. Diferencia-se pelo comportamento, não pelo nome: quiumba exige, ameaça, pede trabalho para prejudicar terceiro, condiciona atendimento a dinheiro e bajula o médium dizendo que ele é especial. Guardião de casa de Lei orienta, cobra postura e se submete ao dirigente.
Quais são os sete reinos de Exu?
O modelo mais difundido reúne Encruzilhadas, Cruzeiro, Almas, Kalunga, Matas, Praia e Lira, cada um governado por um Exu Rei e uma Pombagira Rainha, e em muitas correntes subdividido em nove povos, o que dá os sessenta e três povos citados em vários textos. É importante saber que os reinos são estrutura de Quimbanda, e não de Umbanda. Os nomes e o número variam bastante entre casas, e não existe versão oficial única.
Os reinos de Exu são da Umbanda ou da Quimbanda?
São da Quimbanda. Muitas casas trabalham traçado, ou seja, com Umbanda e Quimbanda, e por isso o vocabulário dos reinos circula tanto no meio umbandista. Casas de Umbanda que não trabalham Quimbanda simplesmente não organizam os Exus por reinos, e isso não significa ter menos fundamento. Organizar por linha de trabalho e por falange é o mais comum na Umbanda.
O que é uma falange de Exu?
Falange é um agrupamento de espíritos que compartilham o mesmo arquétipo de trabalho e, por isso, o mesmo nome. Isso significa que não existe um único Exu Sete Facadas nem um único Exu Tranca-Ruas: existem muitos espíritos que atuam na mesma egrégora e se apresentam com aquele nome. Por isso duas pessoas podem receber o mesmo nome de Exu em casas diferentes sem que nenhuma esteja enganada.
Quais são os Exus chefes de legião?
São os Exus mais evoluídos da linha, que comandam legiões subdivididas em planos, grupos e colunas. Uma formulação muito citada, presente na obra de F. Rivas Neto, lista Exu Sete Encruzilhadas em serventia a Oxalá, Tranca-Ruas a Ogum, Marabô a Oxóssi, Caveira a Obaluaê, Tiriri à linha das Crianças, Gira-Mundo a Xangô e as Pombagiras a Iemanjá. Essa correspondência não é consenso entre as casas, e serventia não quer dizer que o Exu seja o Orixá.
Pombagira é um tipo de Exu?
Sim, dentro da mesma linha. Pombagiras são entidades que, quando encarnadas, pertenceram ao gênero feminino e foram agregadas à egrégora de Exu, passando a trabalhar na Quimbanda e depois também na Umbanda. Atuam com grande liberdade em assuntos de relação, autoestima, sexualidade, honra e justiça entre pessoas, e são as mais associadas ao reino da Lira. A saudação é a mesma da linha, Laroiê.
Exu Mirim é a mesma coisa que Erê?
Não. O Erê, a linha das Crianças, trabalha na direita, ligada a Cosme e Damião, atuando pela alegria, pela cura e pelo descarrego. O Exu Mirim trabalha na esquerda, com outro fundamento e outra função, no campo das intenções e dos nós entre as pessoas. As duas chegam com jeito de criança, e é só por isso que se confundem. São linhas diferentes e não intercambiáveis.
Procurei o nome de um Exu e não encontrei nada. Ele é inventado?
Quase sempre não. Os nomes de Exu funcionam como nomes de falange, e não como registro civil de um indivíduo único: o mesmo nome pode ser usado por muitos espíritos que trabalham na mesma frente, e cada casa nomeia conforme a própria raiz, a própria linhagem e a orientação da espiritualidade dela. Por isso existem nomes conhecidos no Brasil inteiro, como Tranca Ruas e Caveira, e nomes que circulam em poucas casas ou em uma região só, e sobre os quais não há bibliografia nenhuma. Não encontrar material sobre um nome não significa que ele seja falso, significa que ele não está documentado. Nesse caso a única fonte confiável é a casa onde aquele Exu trabalha: pergunte ao dirigente de lá qual é a falange, qual é a saudação, como se firma e o que a casa ensina a respeito. Desconfie de texto de internet que descreve com riqueza de detalhes um Exu sem citar de onde tirou aquilo, porque nome de Exu é um dos assuntos em que mais se inventa.
Como descobrir qual é o meu Exu de guarda?
Pelo dirigente da sua casa. O Exu de guarda, também chamado de Exu de frente, é o guardião pessoal que acompanha e protege uma pessoa, e quem o revela é a espiritualidade por meio do jogo ou ao longo do desenvolvimento mediúnico. Não se descobre Exu de guarda por teste de internet, por data de nascimento nem por afinidade escolhida, e desconfiar desse tipo de oferta poupa tempo e dinheiro.
Exu é o diabo?
Não. A associação nasceu no período colonial e, como mostrou o antropólogo Reginaldo Prandi, não se deu pela função de Exu e sim pela aparência: por ser divindade do fogo, representada com chifres, membro viril e sexualidade sem freios, foi lida pelos europeus como figura demoníaca. O vocabulário iorubá de Samuel Ajayi Crowther, de 1842, já traduzia Èṣù como diabo. Nem o Orixá Exu nem as entidades Exus têm qualquer relação com o inferno cristão.
Qual é a saudação dos Exus?
Laroiê, que se entende como uma saudação ao mensageiro. Serve tanto para os Exus quanto para as Pombagiras, e é a saudação mais ouvida nas giras de esquerda. Conforme o costume da casa, também se ouve Saravá e Exu é Mojubá. A saudação correta na sua casa é a que a sua casa usa, e isso se aprende frequentando, não lendo lista.
Axé Umbanda
Escrito porWeverton Pansan e Maria Amélia Pansan

Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan são médiuns de um terreiro de Umbanda em São Paulo e mantêm o Axé Umbanda com fundamento, respeito à tradição e fontes confiáveis.

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