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Símbolos de Iansã: o eruexim, a espada, o raio e os chifres de búfalo

Na mão direita, a espada que ela aprendeu a usar com Ogum. Na outra, o eruexim de crina que conduz os mortos. Na cintura, os chifres do búfalo em que ela se transformava. Entenda o que cada símbolo de Oyá significa, de onde vem e como aparece nos terreiros de Umbanda.

Por Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan·23 de outubro de 2026·8 min de leitura
Símbolos de Iansã: o eruexim, a espada, o raio e os chifres de búfalo
Resposta rápida

Na mão direita, a espada que ela aprendeu a usar com Ogum. Na outra, o eruexim de crina que conduz os mortos. Na cintura, os chifres do búfalo em que ela se transformava. Entenda o que cada símbolo de Oyá significa, de onde vem e como aparece nos terreiros de Umbanda.

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Os principais símbolos de Iansã são o eruexim (um espanta-moscas de crina com cabo de metal), a espada ou alfanje, os chifres de búfalo, o raio e o vento. Cada um conta um pedaço da história de Iansã, também chamada Oyá: a guerreira, a senhora dos eguns, a mulher búfalo e a dona das tempestades. Neste artigo você vê o significado de cada símbolo, os mitos por trás deles e como eles aparecem na Umbanda.

Resposta rápida

  • Eruexim: cabo de ferro ou de cobre com um rabo de cavalo ou de búfalo. Com ele Iansã comanda os eguns e guia os mortos na travessia.
  • Espada ou alfanje: a arma da guerreira, que segundo a tradição ela aprendeu a usar com Ogum.
  • Chifres de búfalo: lembram o mito em que Oyá se transformava em búfalo e deixou um par de chifres para os filhos a chamarem.
  • Raio e vento: os elementos que ela domina; por isso foi ligada a Santa Bárbara, a santa das tempestades.
  • Cores: vermelho, coral (laranja), rosa, branco e marrom aparecem conforme a casa e a nação.

Os símbolos variam de casa para casa. Na Umbanda, siga sempre o fundamento do seu terreiro.

O que são os símbolos de um Orixá

Todo Orixá é reconhecido por objetos que contam a sua história. Na pesquisa de Karina Holmes, Marcilio Costa e Bernardina Freire de Oliveira (Universidade Federal da Paraíba), feita num terreiro de Umbanda de Bayeux e João Pessoa, o babalorixá Pai Damião explica que as armas dos Orixás são as suas paramentas: cada adereço traz um significado da vida do Orixá, das suas lutas e conquistas.

O mesmo estudo registra uma diferença que muitos terreiros fazem:

  • Ferramentas são do Orixá. Ficam guardadas no peji, o quarto de santo, junto do assentamento.
  • Paramentas são as roupas e os adereços que o filho veste quando o Orixá vem, em festas e obrigações.

Por isso, quando você pergunta quais são os símbolos de Iansã, a resposta passa pelos dois: as ferramentas que a representam e o que o filho carrega na mão quando ela dança.

Eruexim: o símbolo que comanda os eguns

O eruexim é o símbolo mais próprio de Iansã. O pesquisador Rafael Dantas, em trabalho apresentado na Universidade Federal de Sergipe (2018), descreve o objeto como um cabo de ferro ou de cobre com um rabo de cavalo, e lembra que ele também pode ser feito com rabo de búfalo ou cauda de boi. Na prancha de Oyá pintada por Carybé, exposta no Museu Afro-Brasileiro de Salvador, o eruexim aparece na mão da Orixá.

Segundo Dantas, o eruexim tem três sentidos:

  • Guia na travessia dos mortos. É com ele que Iansã conduz quem desencarna.
  • Comando sobre os eguns. Ele serve para espantar e dominar os espíritos dos mortos. Pierre Verger, citado no mesmo trabalho, afirma que Oiá é o único Orixá capaz de enfrentar e dominar os Egúngún.
  • Insígnia de realeza. Na África, objetos desse tipo eram sinal de nobreza, indispensáveis aos reis.

Você vai encontrar várias grafias: eruexim, iruexim, eruquerê, iruquerê ou iruké. A autora Helena Theodoro, também citada por Dantas, observa que o iruquerê é usado ainda por Oxóssi, o caçador das matas. É essa ligação com os mortos que aparece com mais força em Iansã Balé, a qualidade que vive entre os vivos e os eguns.

A espada (alfanje) de Iansã

A Wikipédia em português descreve Oyá representada com um alfanje e um eruexim nas mãos, e com um chifre de búfalo na cintura. O alfanje é uma espada de lâmina curva. Muitas fontes falam também em espada de cobre.

Na leitura de Dantas sobre a prancha de Carybé, o alfanje na mão direita representa o amor de Iansã por Ogum, com quem ela aprendeu a manusear a espada. A tradição conta que Oyá foi mulher de Ogum antes de seguir Xangô, e que dessa passagem ficou a guerreira que vai à frente da batalha.

No terreiro de Umbanda estudado pela UFPB, quando os autores resumem a ferramenta de cada Orixá, a de Iansã é justamente a espada (a de Ogum é o escudo, a de Xangô o machado, a de Oxum o abebé). A planta espada-de-iansã leva o nome dela, e aparece no banho de espada de Iansã e na simpatia da espada de Iansã para cortar demanda.

Os chifres de búfalo e o mito da mulher búfalo

Os chifres de búfalo vêm de um dos itãs (mitos) mais conhecidos de Iansã. A filósofa Djamila Ribeiro resumiu a história em coluna na Folha de S.Paulo (2024), a partir do que ouviu da sua mãe de santo:

  • Oyá tinha um segredo: podia se transformar em búfalo.
  • Caçando, Ogum viu um búfalo tirar a pele e virar mulher. Ele escondeu a pele e pediu Oyá em casamento.
  • As outras esposas de Ogum embebedaram o marido, descobriram o segredo e passaram a zombar dela.
  • Oyá achou a pele, virou búfalo de novo e atacou quem a humilhou.
  • Antes de partir, deixou um par de chifres com os filhos: bastava bater um chifre no outro que ela viria socorrer, rápida como o raio.

Por isso os chifres simbolizam a proteção de Iansã aos seus filhos e a força que não aceita humilhação. Na prancha de Carybé, segundo Dantas, os dois chifres de búfalo formam um berrante chamado ogué, ligado à promessa de fartura. Na tradição iorubá, conforme a Wikipédia em inglês, o búfalo é um dos grandes símbolos de Oyá, e os seus sacerdotes não devem matar esse animal.

O raio, o vento e o fogo

Iansã é a senhora dos ventos, dos raios e das tempestades, e esses elementos também são símbolos dela.

  • O vento. Dantas conta o mito em que Iansã girou as saias e criou uma ventania que derrubou a cabaça onde Ossaim guardava as folhas sagradas. Assim cada Orixá ganhou a sua folha. É o vento que muda o que está parado.
  • O fogo. Num mito registrado por Verger, Xangô mandou Oiá buscar um preparado que fazia cuspir fogo. Ela provou antes de entregar e também passou a lançar chamas pela boca, para desgosto do marido.
  • O raio. Dantas lista os raios entre os símbolos de Iansã. Foi por ser guerreira de espada na mão, protetora nas tempestades e vestida de vermelho que ela foi associada a Santa Bárbara, celebrada em 4 de dezembro.

Não por acaso, a erva para-raio e a erva-de-santa-bárbara estão entre as folhas que as casas ligam a Iansã.

Cores, número e dia de Iansã

As cores mudam conforme a casa e a nação, e as fontes mostram isso:

  • Umbanda: a Wikipédia registra a guia de Iansã na cor laranja (coral), com o vermelho também aceito. Em muitas casas as velas são a vermelha, a amarela e a branca, como você vê na página de Iansã.
  • Terreiro estudado na Paraíba: rosa e branco.
  • Candomblé: o vermelho é o mais comum; Dantas cita também o rosa, o branco e o marrom.

O dia da semana é a quarta-feira, o número é o 9 e a saudação é Eparrei, Oyá! O número nove se liga ao nome: no mito contado por Verger, depois de fazer as oferendas certas Oiá teve nove filhos, e Iyá omo mésàn (mãe de nove) daria origem ao nome Iansã. A Wikipédia em português registra outra leitura, a de Iansã como "mãe do entardecer", título dado por Xangô. As duas versões circulam nas casas.

Os símbolos de Iansã na Umbanda

No terreiro de Umbanda estudado pela UFPB, as paramentas de Iansã são espada, alá, capa, chorão, chicote, cálice e adê. O adê é a coroa, e o chorão é a franja de miçangas que cobre o rosto do filho quando a Orixá vem. O mesmo estudo explica que as paramentas são entregues aos filhos que já têm santo feito e só são usadas em festas e obrigações.

Há casas de Umbanda que não usam paramentas na gira, e a Orixá é lembrada no congá pela imagem de Santa Bárbara ou de Iansã. Outras trazem a espada para a mão do médium quando Iansã chega. Os dois jeitos são Umbanda: siga o fundamento da sua casa.

No ponto riscado, materiais de casas umbandistas ligam o raio a Iansã. Veja mais em símbolos da Umbanda. E nos pontos cantados, como Eparrei, Oyá e Chora na macumba, ela é chamada de dona do vento e do raio.

Posso ter os símbolos de Iansã em casa?

Uma imagem, uma espada decorativa ou um quadro de Iansã podem ficar no seu altar como sinal de devoção. Já o eruexim, a espada consagrada e as outras ferramentas rituais pertencem ao Orixá e ao assentamento, e são preparados conforme o fundamento da casa. Antes de consagrar qualquer ferramenta, converse com o dirigente do seu terreiro.

Para se aproximar de Iansã sem ferramenta, há caminhos simples: a oração a Iansã, o banho de Iansã, a defumação de Iansã e o acarajé de Iansã, a comida que a tradição consagra a ela. Se você sente que tem Iansã na coroa, leia também filhos de Iansã.

Resumo

Os símbolos de Iansã são o eruexim, que comanda os eguns e guia os mortos; a espada ou alfanje, herança da guerreira que aprendeu a lutar com Ogum; os chifres de búfalo, que lembram a mulher búfalo e a proteção aos filhos; e o raio, o vento e o fogo, elementos que ela domina. As cores variam entre vermelho, coral, rosa, branco e marrom conforme a casa. Na Umbanda, o uso das ferramentas segue o fundamento de cada terreiro. Eparrei, Oyá!

Fontes e referências

Perguntas frequentes

Quais são os símbolos de Iansã?
Os principais símbolos de Iansã são o eruexim (espanta-moscas de crina com cabo de ferro ou cobre), a espada ou alfanje, os chifres de búfalo, o raio e o vento. Cada um lembra um aspecto da Orixá: senhora dos eguns, guerreira, mulher búfalo e dona das tempestades.
O que é o eruexim de Iansã?
É um cabo de ferro ou de cobre com um rabo de cavalo, ou de búfalo, preso na ponta. Com ele Iansã comanda e espanta os eguns, os espíritos dos mortos, e os guia na travessia. Também é escrito iruexim, eruquerê ou iruquerê.
Qual é a ferramenta de Iansã?
No terreiro de Umbanda estudado por pesquisadores da UFPB, a ferramenta que identifica Iansã é a espada (ou alfanje, de lâmina curva). Ao lado dela está o eruexim, o símbolo do poder de Iansã sobre os mortos.
Por que Iansã tem chifres de búfalo?
Por causa de um mito: Oyá podia se transformar em búfalo. Ogum escondeu a sua pele e se casou com ela. Quando o segredo foi revelado, ela recuperou a pele e partiu, mas deixou um par de chifres com os filhos para que, batendo um no outro, a chamassem em caso de perigo.
O que significa a espada de Iansã?
A espada é a arma da guerreira. Na leitura da prancha de Carybé feita pelo pesquisador Rafael Dantas, o alfanje na mão de Iansã representa o amor dela por Ogum, com quem aprendeu a manusear a espada.
Qual é a cor de Iansã?
Depende da casa. Na Umbanda são comuns o vermelho e o coral (laranja), e em alguns terreiros o rosa e o branco. No Candomblé predomina o vermelho, com rosa, branco e marrom em certas qualidades. Siga o fundamento do seu terreiro.
Qual a cor da vela de Iansã?
As velas mais usadas para Iansã na Umbanda são a vermelha, a amarela e a branca, de preferência acesas na quarta-feira, o dia dela. Algumas casas usam também a vela coral ou rosa. Confirme com o seu dirigente.
Qual é o número de Iansã?
O número de Iansã é o 9. Num mito registrado por Pierre Verger, ela teve nove filhos, e a expressão iorubá para mãe de nove daria origem ao nome Iansã.
Qual é o símbolo de Iansã no ponto riscado?
Em materiais de casas umbandistas, o raio é o sinal mais ligado a Iansã no ponto riscado. O desenho exato varia de casa para casa e de entidade para entidade, por isso o ponto riscado deve seguir o fundamento do terreiro.
Axé Umbanda
Escrito porWeverton Pansan e Maria Amélia Pansan

Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan são médiuns de um terreiro de Umbanda em São Paulo e mantêm o Axé Umbanda com fundamento, respeito à tradição e fontes confiáveis.

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Conteúdo informativo e de fé, escrito com respeito à tradição e baseado nas fontes citadas. A Umbanda varia de casa para casa; em caso de dúvida, procure sempre o dirigente do seu terreiro. Este texto não substitui orientação médica, jurídica ou psicológica.
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