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Xaxará de Obaluaê e Omulu: o que é, significado e para que serve

Feito de nervuras de palmeira, búzios, miçangas e pequenas cabaças, o xaxará é a ferramenta que identifica Obaluaê. Entenda o que ele representa, os mitos em que aparece e por que é chamado de vassoura que varre a doença do mundo.

Por Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan·17 de outubro de 2026·7 min de leitura
Xaxará de Obaluaê e Omulu: o que é, significado e para que serve
Resposta rápida

Feito de nervuras de palmeira, búzios, miçangas e pequenas cabaças, o xaxará é a ferramenta que identifica Obaluaê. Entenda o que ele representa, os mitos em que aparece e por que é chamado de vassoura que varre a doença do mundo.

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O xaxará é o principal símbolo de Obaluaê, também chamado Omulu: uma espécie de vassoura sagrada, feita com nervuras de folhas de palmeira e enfeitada com búzios, miçangas e pequenas cabaças. Com ele, conta a tradição, o Orixá espalha e limpa as doenças do mundo. Neste artigo você entende do que ele é feito, o que significa, os mitos em que aparece e como é visto na Umbanda.

Resposta rápida

Xaxará é a ferramenta de Obaluaê e Omulu, o Orixá da cura e da doença. É um feixe de nervuras de palmeira amarrado e coberto com palha, tecido, búzios e miçangas, com pequenas cabaças presas.

As cabacinhas representam os remédios e as curas que o Orixá carrega. O gesto do xaxará é o de varrer: tirar a doença, as energias negativas e as impurezas das pessoas e das casas. É também a peça que identifica o Orixá quando ele está paramentado.

O que é o xaxará

Segundo o trabalho de Samuel Novaes Guimarães, da Universidade Federal de Juiz de Fora (2017), o xaxará é o principal símbolo de Obaluaê. Ele é feito com as nervuras das folhas das palmeiras, enfeitado com pequenas cabaças, miçangas e búzios, e serve para o Orixá espalhar e limpar as doenças do mundo.

O antropólogo Reginaldo Prandi, citado em pesquisa da Universidade Federal de Pelotas (2020), descreve um cetro de fibra de coqueiro adornado com búzios e miçangas. Por isso você também pode encontrar a grafia xarará além de xaxará.

O registro do Museu de Antropologia da Universidade da Colúmbia Britânica, que guarda uma peça comprada no Mercadão de Madureira, no Rio de Janeiro, resume: o xaxará é o cetro de Omulu Obaluaiê e a parte da vestimenta que sinaliza a sua identidade.

Do que o xaxará é feito

Cada artesão e cada casa tem o seu jeito, mas os elementos mais citados são:

  • Nervuras de palmeira (Prandi fala em fibra de coqueiro), que formam o corpo da vassoura.
  • Palha da costa e ráfia, que envolvem o cabo, a mesma palha do filá, a roupa que cobre o Orixá.
  • Búzios, costurados em fileiras ou em forma de flor.
  • Miçangas nas cores do Orixá: o preto combinado com o branco ou com o vermelho.
  • Pequenas cabaças, que guardam simbolicamente os remédios.
  • Tecido, como o algodão cru, cobrindo a parte de cima.

O catálogo de arte sagrada da Universidade Duke mostra um xaxará baiano de cerca de 54 centímetros, com as cores preta, branca e vermelha nas contas e no pano que cobre as nervuras.

O significado do xaxará

O xaxará reúne em um só objeto os dois lados de Obaluaê: quem tem poder sobre a doença tem poder sobre a cura.

  • A vassoura que varre a doença. O catálogo da Universidade Duke compara o xaxará a uma vassoura estilizada, usada para varrer a enfermidade.
  • A ligação com a terra. Obaluaê é o Senhor da Terra, e a mesma fonte diz que o xaxará representa os espíritos da terra e das árvores, com laços fortes com a cura.
  • As cabaças dos remédios. Para Guimarães (UFJF), as pequenas cabaças representam a contenção dos remédios e das curas.
  • Proteção. Documento da Câmara Municipal de Porto Alegre (2023) registra que o Orixá carrega a lança de madeira, o lagidibá e o xaxará para espantar as energias ruins e os eguns.

Em resumo, o xaxará é ao mesmo tempo limpeza, remédio e proteção.

O xaxará nos mitos de Obaluaê

Duas histórias reunidas por Reginaldo Prandi em Mitologia dos Orixás e resumidas por Guimarães (UFJF) mostram o xaxará em ação:

  • Como Omulu virou Obaluaê. Sozinho, coberto de feridas e acompanhado só por um cachorro, Omulu ouviu uma voz que o mandava levantar e cuidar do povo. Havia uma peste na terra, e ele varria a peste com o seu xaxará. Os que antes lhe negavam comida e água passaram a louvá-lo como Obaluaê, o Senhor da Terra.
  • A festa em que zombaram de Sapatá. Numa festa da colheita, os Orixás riram de Sapatá, outro nome de Obaluaê, quando ele caiu dançando. Ofendido, ele golpeou os outros com o seu bastão, o xaxará, e todos os que foram tocados adoeceram. O catálogo da Universidade Duke conta a mesma história, ligando os golpes à varíola.

Os dois mitos ensinam a mesma coisa: o xaxará é o poder de Obaluaê sobre a saúde, que pode curar ou adoecer. Por isso o Orixá é tão respeitado.

O xaxará e os outros símbolos de Obaluaê

O xaxará não aparece sozinho. A vestimenta e os ornamentos de Obaluaê, descritos por Guimarães (UFJF), incluem:

  • Filá: a parte de palha da costa que cobre o rosto e desce pelo tronco, escondendo as marcas da doença.
  • Saia de palha: a outra parte da roupa de palha da costa.
  • Brajá: colar de carreiras de búzios sobrepostas.
  • Baguidibá: o principal fio de contas, feito com rodelas de casca de árvore, de semente de coquinho ou lascas de chifre. O documento de Porto Alegre cita também o lagidibá.
  • Lança de madeira: citada no documento de Porto Alegre ao lado do xaxará.

É bom não confundir o xaxará com o ibiri, o cetro em forma de arco de Nanã, a mãe de Obaluaê. Os dois são feitos de nervuras de palmeira, mas cada um pertence a um Orixá. Do mesmo jeito que o abebé é a ferramenta de Oxum e Iemanjá, o xaxará é a de Obaluaê.

O xaxará na Umbanda

O xaxará vem das tradições de matriz africana, onde as ferramentas acompanham o Orixá paramentado nas festas. Na Umbanda, o uso varia muito: há casas que trabalham com as ferramentas dos Orixás nas giras e nas festas, e há casas que não usam paramentos. Siga sempre o fundamento do seu terreiro.

Onde aparece, o xaxará é tratado como um objeto sagrado e consagrado, e não como enfeite. Reportagem do jornal O Hoje (2025) sobre o mês de Omulu descreve o xaxará manejado como extensão do poder do Orixá, capaz de absorver energias negativas e dissipar doenças.

A imagem do Orixá que varre a doença também está por trás de práticas muito conhecidas na Umbanda, como o banho de pipoca e o doburu de Omulu, a pipoca oferecida ao Orixá.

Posso ter um xaxará em casa?

O xaxará é ferramenta ritual. Nos terreiros, ele pertence ao Orixá e ao assentamento, e é preparado conforme o fundamento da casa. Antes de comprar ou montar um para ter em casa, converse com o dirigente do seu terreiro: ele vai dizer se faz sentido para você e como deve ser cuidado.

Para quem quer se aproximar de Obaluaê sem ferramenta, há caminhos simples e respeitosos: a oração a Obaluaê, a defumação de Omulu, o banho de Omulu e a simpatia da pipoca de Obaluaê para a saúde.

Lembre: nenhum ritual substitui o médico. O axé de Obaluaê caminha junto com o tratamento, nunca no lugar dele.

Resumo

O xaxará é a vassoura sagrada de Obaluaê e Omulu: nervuras de palmeira, palha, búzios, miçangas e cabacinhas de remédio. Com ele, o Orixá varre a peste do mundo, espanta as energias ruins e os eguns e mostra que o poder sobre a doença é também o poder da cura. Na Umbanda, seu uso depende do fundamento de cada casa. Atotô!

Fontes e referências

Perguntas frequentes

O que é o xaxará de Obaluaê?
É a ferramenta e o principal símbolo de Obaluaê, também chamado Omulu. Trata-se de uma espécie de vassoura feita com nervuras de folhas de palmeira, enfeitada com búzios, miçangas e pequenas cabaças, usada para espalhar e varrer as doenças do mundo.
Para que serve o xaxará?
Na tradição, o xaxará serve para varrer a doença, as energias negativas e as impurezas das pessoas e das casas, e para espantar as energias ruins e os eguns. Também é a peça que identifica o Orixá quando ele está paramentado.
Do que é feito o xaxará?
Das nervuras de folhas de palmeira, como a fibra de coqueiro, amarradas e envolvidas com palha da costa e ráfia, e enfeitadas com búzios, miçangas nas cores do Orixá, tecido e pequenas cabaças.
O que significam as cabacinhas do xaxará?
As pequenas cabaças representam os remédios e as curas que Obaluaê carrega. Num dos mitos, Omulu junta as suas cabacinhas de remédio antes de sair para curar o povo.
Xaxará de Omulu e xaxará de Obaluaê são a mesma coisa?
Sim. Omulu e Obaluaê são nomes do mesmo Orixá, também chamado Xapanã e Sapatá em algumas tradições. A ferramenta é a mesma, o xaxará.
Qual é o mito do xaxará?
Num mito, Omulu cura a terra varrendo a peste com o xaxará e por isso passa a ser louvado como Obaluaê, o Senhor da Terra. Em outro, ridicularizado numa festa, ele golpeia os Orixás com o xaxará e todos os que foram tocados adoecem.
Qual é a diferença entre xaxará e ibiri?
O xaxará é a ferramenta de Obaluaê, em forma de vassoura. O ibiri é o cetro em forma de arco de Nanã, mãe de Obaluaê. Os dois usam nervuras de palmeira, mas pertencem a Orixás diferentes.
Quais são as cores do xaxará?
As cores de Obaluaê: o preto combinado com o branco ou com o vermelho, além da cor natural da palha e dos búzios. A combinação exata depende do artesão e do fundamento da casa.
Posso ter um xaxará em casa?
O xaxará é ferramenta ritual e costuma pertencer ao assentamento do Orixá. Antes de ter um, converse com o dirigente do seu terreiro. Para se aproximar de Obaluaê, a oração, a defumação e o banho de pipoca são caminhos simples. Nenhum ritual substitui o médico.
Axé Umbanda
Escrito porWeverton Pansan e Maria Amélia Pansan

Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan são médiuns de um terreiro de Umbanda em São Paulo e mantêm o Axé Umbanda com fundamento, respeito à tradição e fontes confiáveis.

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Conteúdo informativo e de fé, escrito com respeito à tradição e baseado nas fontes citadas. A Umbanda varia de casa para casa; em caso de dúvida, procure sempre o dirigente do seu terreiro. Este texto não substitui orientação médica, jurídica ou psicológica.
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