Ponto de Exu Caveira: Firma Seu Ponto na Folha da Bananeira
Ê Caveira, firma seu ponto na folha da bananeira
Ouça o ponto
Letra do ponto
Letra de tradição oral; pode variar de casa para casa.
Significado
Ê Caveira, firma seu ponto na folha da bananeira é um dos cantos mais conhecidos para Exu Caveira. É de tradição oral, sem autor conhecido, e aparece registrado como cantiga de Umbanda cantada em giras de Exus e Pombagiras, inclusive em trabalho acadêmico publicado pela revista Linguagens, da FURB.
O ponto é quase só um chamado. Ê Caveira é a voz da corrente que se dirige ao guardião pelo nome, sem rodeio. O resto do verso diz o que se pede a ele: que firme o seu ponto.
Firmar o ponto, na linguagem do terreiro, é assentar a força da entidade naquele lugar e naquela hora. Pode ser o ponto riscado com a pemba, a vela acesa, a firmeza no chão ou simplesmente a vibração que se estabelece na gira. Quando a corrente canta firma seu ponto, ela pede que Exu Caveira chegue, se apresente e fique.
A folha da bananeira é elemento muito presente nos terreiros, usada por muitas casas para forrar oferendas e firmezas no chão. No ponto, ela marca o lugar onde o guardião deve assentar a sua força. As leituras sobre o porquê da bananeira variam bastante de raiz para raiz, e o que vale é o fundamento ensinado na sua casa.
Exu Caveira é entendido pela tradição como uma falange, um grupo de espíritos que trabalham sob o mesmo nome e a mesma vibração, ligada ao Povo do Cemitério e à linha das Almas. Muitas casas o colocam sob a regência de Omulu e o descrevem como guardião da calunga pequena, o cemitério, que encaminha espíritos perdidos e corta o que ficou preso ao que já terminou.
Nomes como Tatá Caveira e João Caveira aparecem na mesma família de guardiões. Há casas que os tratam como chefes da falange, outras como falanges irmãs, e outras ainda como entidades distintas. Não existe uma hierarquia única para toda a Umbanda.
Vale repetir, porque o preconceito ainda circula: Exu na Umbanda não é o diabo nem entidade do mal. A caveira assusta quem olha de fora, mas dentro das casas ela fala de fim de ciclo, de transformação e de proteção. Exu Caveira é procurado justamente para guardar a porteira e limpar o que pesa.
Por isso o ponto ganha força perto de Finados. É tempo de lembrar dos que partiram, rezar pelas almas e pedir aos guardiões da calunga que cuidem da passagem. Não é culto à morte: é respeito ao ciclo e a quem veio antes.
Como todo ponto de tradição oral, a letra varia. Há casas que cantam Ê Caveira e outras que esticam o chamado, há quem repita o verso muitas vezes seguidas e há terreiros que emendam este canto com outros pontos de Exu Caveira. Siga sempre a versão cantada na sua casa.
Quando se canta
Na gira de Esquerda, quando a curimba chama o Povo do Cemitério e a casa quer firmar a chegada de Exu Caveira. É um ponto curto, de chamada e de firmeza, que a corrente repete até a vibração assentar.
Muitas casas também o cantam nas giras de Almas e nos trabalhos de descarrego, quando é preciso pedir ao guardião que tome conta da porteira e segure o que ficou pesado. Há terreiros que o usam ainda no momento em que se risca ou se firma o ponto da entidade.
Com a chegada de Finados, em 2 de novembro, ele aparece com mais frequência nas giras dedicadas às almas e ao povo da calunga. O toque, o andamento e a ordem dos pontos variam de casa para casa e são sempre decisão do dirigente e do ogã.





