O que significa o ponto de exu tiriri: tiriri lonan?
Saudação a Exu Tiriri, um dos guardiões mais cantados da esquerda da Umbanda, associado na tradição à abertura de caminho, ao corte de demanda e à guarda da casa. A palavra lonan vem do iorubá ona, que quer dizer caminho, e é justamente por aí que a maior parte das casas explica o ponto: Tiriri é o Exu que vai na frente e abre passagem, e cantar o nome dele com lonan é chamar essa força para o caminho. O verso que pergunta onde está o Tiriri é chamamento, e não dúvida: é o jeito antigo de convocar o guardião pelo nome, esperando que ele responda na gira. Como todo ponto de tradição oral, a letra muda de casa para casa, com versos a mais, versos a menos e trocas de palavra, e a versão que a sua gira canta é a que vale para você.
Quando se canta esse ponto?
Na gira de esquerda, na chamada dos guardiões, para saudar Exu Tiriri, o guardião que a tradição associa à abertura de caminho e ao corte de demanda.
Posso cantar esse ponto em casa?
Pode, com respeito e fé. Os pontos cantados são orações em forma de música; cantar em casa ajuda a firmar a fé e a sintonia. Para trabalhos de terreiro, siga sempre a orientação do dirigente da sua casa, pois cada terreiro tem seu fundamento e a letra pode variar.
A letra é sempre igual?
Não. Os pontos são de tradição oral e variam de casa para casa, com pequenas diferenças de letra e melodia. A versão aqui é uma das mais conhecidas; a da sua casa pode ter variações.
Quem é Exu Tiriri na Umbanda?
Exu Tiriri é um dos guardiões mais conhecidos e mais cantados da linha de esquerda da Umbanda, apresentado na tradição como Exu de abertura de caminho, de corte de demanda e de guarda da casa e do médium. O nome aparece em muitas casas do Brasil inteiro e cada raiz tem o seu fundamento sobre ele, com falange, saudação e forma de trabalho próprias. Quem diz quem é o Tiriri da sua casa é o dirigente dela, e não um texto de internet.
O que quer dizer lonan?
A explicação mais repetida nas casas liga lonan ao iorubá ona, que significa caminho, e é essa leitura que dá sentido ao ponto: cantar Tiriri lonan é chamar o guardião que abre passagem. Como quase todo termo de tradição oral, a palavra aparece grafada de várias formas nos cadernos de ponto, como lonan, lonã e lanã, e a pronúncia varia de casa para casa. Nenhuma dessas formas é erro: é oralidade viva.
Quando se canta o ponto de Exu Tiriri?
Na gira de esquerda e na chamada dos guardiões, quando a casa saúda os Exus antes ou durante o trabalho. Também é entoado em firmezas e em oferendas dedicadas a ele, conforme o fundamento da casa. O dia mais citado para os Exus na maioria dos terreiros de Umbanda é a segunda feira, e a sexta aparece em muitas raízes, mas isso varia com o costume de cada casa.
A letra deste ponto é sempre a mesma?
Não, e esse é um dos pontos com mais versões conhecidas. Existem variantes que começam falando do galo que cantou à meia noite anunciando a chegada de Tiriri, variantes que descrevem a chegada dele na madrugada e variantes curtas que repetem só o nome com lonan. Pontos cantados são tradição oral e mudam de terreiro para terreiro. Versão diferente não é versão errada: cante como a sua casa canta.
O que se pede a Exu Tiriri?
Pede se caminho aberto, corte do que está travando, proteção da casa e guarda de quem sai e volta na rua. Como sempre na Umbanda, o pedido vem acompanhado da parte prática, porque guia abre caminho e quem anda nele é você. O que a tradição não autoriza é pedir sobre a vontade de outra pessoa nem pedir prejuízo para alguém, e casa séria não trabalha desse jeito.
Exu Tiriri é o mesmo que Exu Tranca Ruas?
Não. São guardiões diferentes, com nomes, fundamentos e formas de trabalho próprios, e misturar os dois é confusão comum de quem está começando. O que eles têm em comum é o campo de atuação ligado a caminho e a guarda, o que faz com que apareçam juntos em muitas giras e em muitos cadernos de ponto. Cada casa apresenta a sua falange, e é o dirigente que explica a diferença dentro do fundamento dela.
Posso cantar esse ponto em casa?
Cantar ponto em casa, em respeito e em intenção de saudação, é costume antigo e não tem problema nenhum. O que não se faz por conta própria é usar ponto para chamar entidade sem preparo, firmar trabalho, abrir gira ou conduzir rito, porque isso pede quem tem responsabilidade e fundamento. Se você sente vontade de ir além da saudação, o caminho é procurar uma casa séria e conversar, e não aumentar a prática sozinho.