Ponto cantado · Caboclo das Sete Encruzilhadas, o caboclo da fundação da Umbanda

Ponto do Caboclo das Sete Encruzilhadas: Já Clareou lá no Céu

Já clareou lá no céu

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Vídeo: Ponto de Caboclo - Sete Encruzilhadas, canal Pontos de Umbanda (YouTube). Os direitos da gravação pertencem ao autor/canal; reproduzido aqui via player oficial do YouTube.
Caboclo das Sete Encruzilhadas, o caboclo da fundação da UmbandaOxóssi

Letra do ponto

Já clareou lá no céu,iluminou o congá.Aí vem o nosso chefe,foi Ogum quem enviou.Caboclo das Sete Encruzilhadas,de Oxalá traz a bênção.Ele traz para seus filhosa divina proteção.

Letra de tradição oral; pode variar de casa para casa.

Significado

Este é um dos pontos mais cantados para o Caboclo das Sete Encruzilhadas, e ele diz em oito versos quase tudo o que a tradição atribui a essa entidade. A imagem de abertura é de luz: o céu que clareia e o congá que se ilumina. Não é enfeite. Na leitura das casas, o clarear é a chegada da espiritualidade ao trabalho, e o congá iluminado é o altar pronto para receber. Em seguida a letra anuncia a chegada do chefe, e a palavra é exatamente essa, chefe, que é como muitos terreiros se referem ao caboclo que dirige a casa. O verso seguinte é fundamento puro: foi Ogum quem enviou. Ali o ponto está dizendo de quem vem a ordem e sob qual coroa aquele caboclo trabalha, e isso importa porque na Umbanda nenhuma entidade trabalha por conta própria. O fecho amarra tudo em Oxalá, de quem vem a bênção, e na proteção aos filhos da casa. O que o ponto faz na gira, portanto, é organizar a hierarquia antes de qualquer coisa acontecer: Oxalá acima, Ogum enviando, o caboclo chegando para trabalhar e a corrente recebendo. O Caboclo das Sete Encruzilhadas é a entidade que se manifestou pela mediunidade de Zélio Fernandino de Moraes em 15 de novembro de 1908, em Niterói, episódio que a tradição umbandista reconhece como marco de fundação da religião no Brasil, seguido da criação da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, no bairro de Neves. Vale registrar com honestidade que pesquisadores apontam que essa narrativa foi consolidada e publicada décadas depois, nos anos 1960, e que parte do meio umbandista discute a exclusividade desse marco. Isso não diminui o ponto nem a devoção: apenas separa o que é história documentada do que é mito de origem, e a Umbanda é grande o bastante para conviver com os dois. Como todo ponto cantado, este é tradição oral e tem várias versões pelo Brasil, com versos acrescentados e melodias diferentes.

Quando se canta

na abertura de gira e nas datas da casa, sobretudo em 15 de novembro, quando muitos terreiros saúdam a fundação da Umbanda

Perguntas frequentes

O que significa o ponto de caboclo das sete encruzilhadas: já clareou lá no céu?
Este é um dos pontos mais cantados para o Caboclo das Sete Encruzilhadas, e ele diz em oito versos quase tudo o que a tradição atribui a essa entidade. A imagem de abertura é de luz: o céu que clareia e o congá que se ilumina. Não é enfeite. Na leitura das casas, o clarear é a chegada da espiritualidade ao trabalho, e o congá iluminado é o altar pronto para receber. Em seguida a letra anuncia a chegada do chefe, e a palavra é exatamente essa, chefe, que é como muitos terreiros se referem ao caboclo que dirige a casa. O verso seguinte é fundamento puro: foi Ogum quem enviou. Ali o ponto está dizendo de quem vem a ordem e sob qual coroa aquele caboclo trabalha, e isso importa porque na Umbanda nenhuma entidade trabalha por conta própria. O fecho amarra tudo em Oxalá, de quem vem a bênção, e na proteção aos filhos da casa. O que o ponto faz na gira, portanto, é organizar a hierarquia antes de qualquer coisa acontecer: Oxalá acima, Ogum enviando, o caboclo chegando para trabalhar e a corrente recebendo. O Caboclo das Sete Encruzilhadas é a entidade que se manifestou pela mediunidade de Zélio Fernandino de Moraes em 15 de novembro de 1908, em Niterói, episódio que a tradição umbandista reconhece como marco de fundação da religião no Brasil, seguido da criação da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, no bairro de Neves. Vale registrar com honestidade que pesquisadores apontam que essa narrativa foi consolidada e publicada décadas depois, nos anos 1960, e que parte do meio umbandista discute a exclusividade desse marco. Isso não diminui o ponto nem a devoção: apenas separa o que é história documentada do que é mito de origem, e a Umbanda é grande o bastante para conviver com os dois. Como todo ponto cantado, este é tradição oral e tem várias versões pelo Brasil, com versos acrescentados e melodias diferentes.
Quando se canta esse ponto?
na abertura de gira e nas datas da casa, sobretudo em 15 de novembro, quando muitos terreiros saúdam a fundação da Umbanda
Posso cantar esse ponto em casa?
Pode, com respeito e fé. Os pontos cantados são orações em forma de música; cantar em casa ajuda a firmar a fé e a sintonia. Para trabalhos de terreiro, siga sempre a orientação do dirigente da sua casa, pois cada terreiro tem seu fundamento e a letra pode variar.
A letra é sempre igual?
Não. Os pontos são de tradição oral e variam de casa para casa, com pequenas diferenças de letra e melodia. A versão aqui é uma das mais conhecidas; a da sua casa pode ter variações.
Quem foi o Caboclo das Sete Encruzilhadas?
É a entidade que, segundo a tradição umbandista, se manifestou pela mediunidade do jovem Zélio Fernandino de Moraes em 15 de novembro de 1908, em uma sessão da Federação Espírita de Niterói, anunciando uma religião em que todos seriam recebidos sem distinção. No dia seguinte fundou se a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, no bairro de Neves, em São Gonçalo. É por isso que o 15 de novembro é celebrado por muitas casas como o dia da Umbanda, e é por isso que esse caboclo é chamado em tantos terreiros de chefe.
O que significa o ponto Já Clareou lá no Céu?
Ele descreve a chegada da espiritualidade ao trabalho e organiza a hierarquia antes de qualquer coisa acontecer. O céu que clareia e o congá que se ilumina são a imagem da abertura. O verso que diz que foi Ogum quem enviou informa sob qual coroa o caboclo trabalha, o que na Umbanda é fundamento e não detalhe. E o fecho leva tudo a Oxalá, de quem vem a bênção, e à proteção aos filhos da casa. Em resumo, o ponto chama, saúda e diz de onde vem a ordem.
De onde vem o nome Sete Encruzilhadas?
A explicação mais difundida na tradição oral conta que o nome original seria Sete Cruzes Ilhadas, referência a sete cruzes que existiam em uma ilha do rio Paraíba do Sul, e que o povo teria corrompido a expressão para Sete Encruzilhadas. Outra leitura, mais simbólica, liga o nome à ideia de quem transita por todos os caminhos e reúne todas as linhas, o que combina com uma entidade associada à fundação de uma religião que se propôs a acolher todo mundo. É importante não confundir esse caboclo com Exu Rei das Sete Encruzilhadas: são entidades distintas.
Quando se canta esse ponto na gira?
Na abertura, quando a casa chama a espiritualidade para o trabalho, e nas datas em que o terreiro saúda a sua fundação e a fundação da Umbanda, sobretudo em 15 de novembro. Em casas que têm o Caboclo das Sete Encruzilhadas como chefe, o ponto aparece também na chegada dele, antes das consultas. O andamento costuma ser firme e claro, com a curimba puxando para cima, porque ponto de abertura tem a função de clarear o ambiente. A ordem exata muda de casa para casa.
Por que o ponto diz que foi Ogum quem enviou?
Porque a Umbanda entende que nenhuma entidade trabalha por conta própria: cada uma atua sob a coroa e sob a ordem de um Orixá. O verso identifica Ogum como quem envia o caboclo ao trabalho, o que é coerente com a leitura que muitas casas fazem da entidade, ligada à firmeza, à abertura de caminho e à defesa da casa. Essa vinculação varia de raiz para raiz, e existem casas que leem o Caboclo das Sete Encruzilhadas sob outras coroas, sem que nenhuma das versões esteja errada.
Existe uma letra única para esse ponto?
Não, e essa é a regra em praticamente todo ponto cantado da Umbanda, que é tradição oral. Circulam pelo Brasil várias versões deste ponto, com versos acrescentados, com ordem trocada e com melodias diferentes. Existem ainda outros pontos tradicionais para o mesmo caboclo, entre eles um bem antigo e curtíssimo, usado em abertura e em encerramento por casas ligadas à raiz de Zélio. A letra registrada aqui é uma das mais difundidas, e a sua casa pode cantar outra sem que nenhuma das duas esteja errada.
Todo ponto de Caboclo das Sete Encruzilhadas é de domínio público?
Não. A maior parte dos pontos tradicionais é de tradição oral e não tem autor identificado, e é assim com este. Mas existe um ponto moderno muito cantado para essa entidade, que narra a data de 1908 e o bairro de Neves, e esse tem autor conhecido. Ponto com autor identificado tem crédito devido, e o certo é citar o autor quando se canta ou se publica. Vale a pena perguntar na sua casa qual é a origem dos pontos que a curimba usa: isso é respeito com quem compôs.
A história de Zélio de Moraes é documentada?
Em parte, e vale dizer isso com clareza. A existência de Zélio Fernandino de Moraes e da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade é fato. O relato detalhado da sessão de 15 de novembro de 1908 foi publicado pela primeira vez em 1961, mais de cinquenta anos depois, quando Zélio já era idoso, e pesquisadores tratam a narrativa como mito de origem consolidado tardiamente. Há ainda quem defenda que a Umbanda se formou em vários lugares ao mesmo tempo, e não em um único episódio. Nada disso diminui a devoção: apenas separa fé de documento.
Posso cantar esse ponto em casa?
Pode, e muita gente faz enquanto acende uma vela, arruma a firmeza ou simplesmente quer se aproximar. Cantar ponto por devoção é como rezar. O que não se faz em casa é abrir gira por conta própria, porque gira é trabalho de corrente, conduzido por quem tem fundamento e responsabilidade sobre a casa. Se você não é da religião e gosta do ponto, ouvir e respeitar já basta: ninguém precisa reproduzir rito para apreciar.
Qual a saudação do Caboclo das Sete Encruzilhadas?
As saudações mais usadas para a linha dos Caboclos são Okê Caboclo e Okê Arô, esta última dirigida a Oxóssi. Para esse caboclo especificamente, muitas casas saúdam pelo nome, com um Salve o Caboclo das Sete Encruzilhadas, e em 15 de novembro é comum ouvir Salve a Umbanda junto. Como sempre, o que a sua casa fala é o que vale na gira dela, e vale mais que qualquer padronização de internet.
Conteúdo informativo e de fé. Os pontos cantados são de tradição oral e variam de casa para casa, na letra e na melodia. Os vídeos são de canais do YouTube, com os devidos créditos, e cada autor mantém os direitos da sua gravação. Para o uso ritual, siga sempre a orientação do dirigente do seu terreiro.
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