O que significa o ponto de exu marabô: ventou no canavial?
Este é um dos pontos mais cantados de Seu Marabô no Brasil, e ele diz muita coisa em seis versos. A imagem de abertura é de natureza em movimento: o vento que corre no canavial e o trovão que responde no céu. Não é enfeite poético. Na leitura das casas, vento e trovão são a assinatura de Iansã e de Xangô, e a letra os nomeia logo em seguida, saudando os dois antes de saudar a coroa do próprio Exu. Isso é fundamento e não coincidência: a tradição entende que o Exu trabalha sob a coroa de um Orixá, e o ponto está justamente dizendo de quem é a coroa que sustenta Marabô naquela casa. Em boa parte dos terreiros, Marabô é ligado a Xangô, pela justiça e pelo rigor com que trabalha, e a Iansã, pelo vento que abre e pelo movimento que ele imprime. Vale dizer que essa vinculação varia de raiz para raiz, e há casas que o colocam sob outra coroa. O canavial também carrega peso próprio: é paisagem de engenho, de trabalho pesado e de memória brasileira antiga, e muitos ogãs mais velhos leem o verso como lembrança de onde essa espiritualidade se firmou no país. O ritmo costuma ser marcado e firme, com o atabaque puxando forte, porque ponto de esquerda não é ponto de embalar: é ponto de chamar. Seu Marabô é descrito na maior parte das casas como guardião de lei, de fala dura e de palavra cumprida, muito procurado em questão de justiça, de demanda travada e de proteção de gente que está sendo injustiçada. Como acontece com quase todo ponto cantado, existem muitas variantes dessa letra pelo Brasil, com versos acrescentados e com melodias diferentes, e a versão da sua casa é a que vale na gira dela.
Quando se canta esse ponto?
na gira de esquerda, para chamar e saudar Seu Marabô, em geral depois do ponto de abertura da linha e antes das consultas
Posso cantar esse ponto em casa?
Pode, com respeito e fé. Os pontos cantados são orações em forma de música; cantar em casa ajuda a firmar a fé e a sintonia. Para trabalhos de terreiro, siga sempre a orientação do dirigente da sua casa, pois cada terreiro tem seu fundamento e a letra pode variar.
A letra é sempre igual?
Não. Os pontos são de tradição oral e variam de casa para casa, com pequenas diferenças de letra e melodia. A versão aqui é uma das mais conhecidas; a da sua casa pode ter variações.
O que significa o ponto Ventou no Canavial?
O ponto chama e saúda Seu Marabô usando duas imagens de natureza que a tradição lê como assinatura de Orixá: o vento, ligado a Iansã, e o trovão, ligado a Xangô. Depois de descrever o vento no canavial e o trovão no céu, a letra saúda os dois Orixás e, em seguida, a coroa de Exu Marabô. É o modo que o ponto encontrou de dizer sob qual coroa aquele Exu trabalha, e isso é fundamento, não enfeite poético.
Quem é Exu Marabô na Umbanda?
Marabô é um dos Exus mais conhecidos do Brasil, descrito na maior parte das casas como guardião de lei, de fala dura, de palavra cumprida e de rigor com quem promete e não entrega. É muito procurado em questão de justiça, de demanda travada, de causa parada e de proteção de quem está sendo injustiçado. O nome dele aparece em dezenas de pontos cantados, e cada casa tem o seu repertório. Exu de Umbanda é guardião e trabalhador da lei, e não figura de medo.
Por que o ponto saúda Iansã e Xangô?
Porque a tradição entende que o Exu trabalha sob a coroa de um Orixá, e boa parte das casas coloca Marabô sob a coroa de Xangô, pela justiça e pelo rigor, com forte ligação a Iansã, pelo vento e pelo movimento. Saudar os Orixás antes de saudar a coroa do Exu é gesto de hierarquia e de respeito, e aparece em muitos pontos de esquerda. Essa vinculação varia de raiz para raiz, e há casas que atribuem outra coroa a Marabô.
O que é o canavial no ponto?
É paisagem, e é memória. O canavial é cenário de engenho, de trabalho pesado e de uma parte dura da história brasileira, e muitos ogãs mais velhos leem o verso como lembrança do chão em que essa espiritualidade se firmou no país. No plano simbólico do próprio ponto, o vento correndo no canavial é a imagem do movimento que anuncia chegada, e o trovão que responde é a confirmação vinda de cima.
Quando se canta esse ponto na gira?
Na gira de esquerda, quase sempre depois do ponto que abre a linha e antes das consultas, no momento de chamar e saudar os guardiões. O andamento costuma ser marcado e firme, com o atabaque puxando forte, porque ponto de esquerda tem a função de chamar e não de embalar. A ordem exata muda de casa para casa, e o que vale na sua gira é o que a sua curimba e o seu dirigente estabelecem.
Existe uma letra única para esse ponto?
Não, e essa é a regra em praticamente todo ponto cantado da Umbanda, que é tradição oral. Existem várias versões de Ventou no Canavial pelo Brasil, com versos acrescentados, com ordem trocada e com melodias diferentes, e há gravações em ritmos distintos, como congo e barravento. A letra registrada aqui é uma das mais difundidas, e a sua casa pode cantar outra sem que nenhuma das duas esteja errada.
Posso cantar ponto de Exu em casa?
Cantar por devoção, como quem reza, é possível e muita gente faz enquanto acende uma vela ou arruma a firmeza. O que não se faz em casa é abrir gira de esquerda por conta própria, porque gira é trabalho de corrente, conduzido por quem tem fundamento e responsabilidade sobre a casa. Se você não é da religião e gosta do ponto, ouvir e respeitar já é o suficiente: ninguém precisa reproduzir rito para apreciar.
Exu Marabô é o mesmo que o diabo?
Não, e essa confusão vem de fora da religião. Exu na Umbanda é guardião, mensageiro e trabalhador da lei, responsável por vigiar a casa, abrir e fechar caminho e cobrar o que foi combinado. A associação com a figura do demônio cristão nasceu do preconceito contra as religiões de matriz africana e foi difundida por quem nunca frequentou um terreiro. Quem convive com a religião sabe que Exu é quem guarda a porta, e não quem ameaça quem entra.
O que se oferece a Exu Marabô?
A entrega varia muito de casa para casa, e a orientação correta vem do seu dirigente, nunca de um site. Em linhas gerais, as oferendas citadas para os Exus reúnem marafo, farofa, charuto ou cigarro de palha, velas e vasilha de barro, entregues em local e em dia definidos pela casa. Este site tem páginas específicas de oferenda para Exu, e todas trazem a mesma ressalva: fora de obrigação, mantenha a entrega simples e nunca improvise fundamento.
Qual a saudação de Exu Marabô?
A saudação geral da linha é Laroiê Exu e Exu é Mojubá, usadas em praticamente toda casa de Umbanda. Para Marabô especificamente, muitas casas saúdam pelo nome, com um Salve Seu Marabô ou Laroiê Seu Marabô, e o próprio ponto traz a saudação à coroa dele. Como sempre, o que a sua casa canta e fala é o que vale na gira dela, e vale mais que qualquer padronização de internet.