Reza · Axé Umbanda

Oração para Quem Cuida de um Doente

Para o cuidador: filho, filha, esposa, marido, mãe, pai ou amigo que segura a barra de alguém e não tem com quem dividir

Oração: Oração para Quem Cuida de um Doente
Resposta rápida

Esta é uma oração para o cuidador, e não para o doente. Ela pede força para o corpo que não descansa, paciência para o dia que se repete, e coragem para uma coisa que quase ninguém diz em voz alta: pedir ajuda. Na Umbanda, quem cuida também é cuidado, e os Pretos Velhos são os primeiros a lembrar disso.

Oração para Quem Cuida de um Doente

Pai Oxalá, que é a paz de todas as casas,e vós, Pai Obaluaê, senhor da saúde e da dor,eu venho pedir por mim,que estou cuidando de quem eu amo.Atotô, meu Pai, curai quem está deitado.E se a cura demorar, dai alívio,porque alívio também é misericórdia.Pretos Velhos, meus avós de fé,vós que conheceram o cativeiro e a noite longa,sentai comigo nessa cadeira ao lado da cama.Dai me paciência para o dia que se repete igual,força para o corpo que já não descansa direito,e mão firme para o que eu preciso fazere que ninguém imagina que eu faço.Tirai de mim a culpa que não é minha:a culpa de estar cansado,a culpa de sentir raiva às vezes,a culpa de querer uma tarde só para mim.Nada disso me faz menos filho, menos esposa, menos amigo.Mamãe Iemanjá, acolhei o que eu choro escondidopara não pesar na pessoa que já está pesada.Iansã, levai o medo que chega de madrugadae me devolvei o sono que eu ando perdendo.Ogum, sustentai a minha coragempara telefonar, para pedir ajuda, para dividir,porque eu não fui feito para carregar isso sozinho.E se chegar a hora da despedida,dai me serenidade para estar presente,e não a ilusão de que eu podia ter feito mais.Eu fiz o que dava. Eu estou aqui.Que isso baste diante de vós.Que assim seja.Epa Babá, meu Pai Oxalá.

O significado desta oração

Esta é uma oração autoral, escrita para o Axé Umbanda dentro do fundamento umbandista, e não é reza tradicional de domínio público. Ela foi escrita para o cuidador porque a maior parte das orações de saúde é dirigida ao doente, e quem está do lado da cama costuma ficar sem nada para rezar por si.

Obaluaê, também chamado Omulu, é o Orixá da saúde e da doença na Umbanda, saudado com o Atotô, e a tradição o descreve como o médico dos Orixás: aquele que conhece a chaga, não se assusta com ela e cobre o sofrimento com a palha da costa. Por isso ele aparece aqui não só no pedido de cura, mas no pedido de alívio, que é o que muita família precisa quando a cura não vem.

Os Pretos Velhos são a linha mais procurada por cuidador, e não é por acaso. A tradição os apresenta como espíritos que atravessaram o cativeiro, a dor física e a humilhação, e que por isso não se abalam com o que ouvem. Quem senta no banquinho diante de um Preto Velho e diz que está cansado de cuidar não recebe sermão: recebe fumaça de cachimbo, mão no ombro e a frase que os mais velhos repetem, de que ninguém é obrigado a aguentar sozinho.

A parte da oração que fala de culpa é a mais importante e a que quase nunca se escreve. Cuidador sente raiva, sente vontade de fugir, sente alívio quando consegue sair de casa, e depois se pune por sentir. A leitura umbandista sobre isso é simples e generosa: sentimento não é falta de amor, é sinal de esgotamento. Casa séria acolhe isso e não julga.

Nenhuma oração cura doença, e nenhuma casa de fundamento promete isso. O que a fé faz é sustentar quem está de pé. Tratamento médico, medicação, acompanhamento e rede de apoio continuam sendo o caminho, e a Umbanda nunca ensinou a escolher entre uma coisa e outra.

TipoOração autoral
TemaPara o cuidador: filho, filha, esposa, marido, mãe, pai ou amigo que segura a barra de alguém e não tem com quem dividir
VelaBranca
OrigemOração do Axé Umbanda

Como rezar

  1. Acenda uma vela branca em base segura e deixe um copo de água limpa ao lado. Se quiser, acenda também uma vela roxa ou branca para Obaluaê, pedindo pela pessoa que está doente.
  2. Reze em voz baixa e diga o nome da pessoa de quem você cuida, e depois diga o seu próprio nome. Dizer o próprio nome nessa oração não é vaidade: é o ponto dela.
  3. Se você não tiver tempo nem privacidade, reze mentalmente no banho, no corredor do hospital ou no carro. A tradição não exige cenário.
  4. Use as suas palavras sempre que o texto não couber. Oração escrita é apoio, não fórmula, e ninguém precisa decorar nada.
  5. Depois de rezar, faça uma coisa concreta por você no mesmo dia, por menor que seja: comer sentado, dormir quarenta minutos, sair para tomar ar, ligar para alguém. A oração pede ajuda e o gesto começa a resposta.
  6. Se você tem casa de santo, leve isso ao seu dirigente e converse com os Pretos Velhos. Cuidador é justamente quem menos procura consulta, e quem mais precisa.
  7. Procure ajuda profissional se o cansaço virou insônia constante, choro sem controle, dor no peito, pensamento de que todos ficariam melhor sem você, ou vontade de desaparecer. Isso tem nome, é conhecido como esgotamento do cuidador, é comum e tem tratamento. Fé e cuidado em saúde caminham juntos.

Quando rezar

Reza se de madrugada, quando a casa silencia e o cansaço aparece inteiro. Reza se também no caminho do hospital, na sala de espera, na troca de plantão e depois de um dia em que tudo deu errado. Muita gente reza no banho, que às vezes é o único momento sozinho do dia. Não precisa de hora marcada: a hora certa é aquela em que você percebe que já não está aguentando calado.

Perguntas frequentes

Existe oração na Umbanda para quem cuida de um doente?
As orações mais difundidas são dirigidas ao doente, como as preces a Obaluaê pela saúde e as preces aos Pretos Velhos. Oração escrita especificamente para o cuidador é rara, e esta foi escrita para preencher essa falta. O fundamento é o mesmo: Obaluaê no pedido de saúde e de alívio, os Pretos Velhos no amparo de quem está cansado, Iemanjá no acolhimento e Ogum na coragem de pedir ajuda.
Qual Orixá se pede em caso de doença?
Obaluaê, também chamado Omulu, é o mais citado, porque a tradição o descreve como o senhor da saúde, da doença e da transformação da dor, e a saudação dele é Atotô. Muitas casas pedem também a Oxalá, pela paz e pela cobertura geral, e a Nanã, ligada à ancestralidade e ao fim da vida. Os Pretos Velhos são procurados em qualquer situação de sofrimento prolongado. Cada casa tem o seu fundamento sobre isso.
Posso rezar por alívio em vez de rezar por cura?
Pode, e é um dos pedidos mais honestos que existem. Nem toda doença tem cura, e a fé não obriga ninguém a fingir que tem. A tradição umbandista entende alívio, conforto, dor controlada, noite tranquila e despedida serena como graças legítimas. Pedir isso não é falta de fé nem desistência: é olhar para a realidade da pessoa amada e pedir o que de fato faz diferença para ela agora.
É errado sentir raiva ou cansaço cuidando de alguém?
Não é errado e não é falta de amor. É sinal de esgotamento, que é o que acontece com quase todo mundo que cuida por muito tempo sem revezamento. Os Pretos Velhos, quando escutam isso na consulta, costumam ser os primeiros a tirar o peso da culpa de cima do cuidador. Sentimento não se controla por decreto, e a culpa em cima do cansaço só aumenta o cansaço.
Posso acender vela no hospital?
Não, e hospital nenhum permite. Chama em ambiente com oxigênio é risco grave de incêndio. Reze mentalmente, leve uma imagem pequena se a unidade permitir, ou deixe a vela acesa em casa, num canto seguro, antes de sair. A tradição não perde força por causa disso: o que sustenta a oração é a intenção de quem reza, e não o objeto em cima da mesa.
Posso rezar por alguém que não é da minha religião?
Pode, e é o caso da maioria das famílias brasileiras. Rezar por alguém não impõe nada a ninguém: é você levando a sua preocupação para a sua fé. O que a tradição séria não faz é trabalho na vida de outra pessoa sem que ela saiba e queira. Rezar, acender uma vela e pedir o melhor por alguém é sempre permitido, e muita gente reza pelo doente sem nunca contar a ele.
O que os Pretos Velhos dizem a quem está cuidando?
A fala mais repetida nos terreiros é a de que ninguém é obrigado a carregar sozinho. Eles costumam trabalhar três coisas com o cuidador: tirar a culpa, organizar a rede de apoio e lembrar a pessoa de comer, dormir e sair de casa. A tradição os apresenta como espíritos que conheceram dor física e humilhação, e por isso não se assustam com nada do que ouvem. Quem chega cansado não recebe sermão.
Banho de ervas ajuda quem cuida?
Muita casa indica, e o mais citado é banho brando e calmante, com alfazema, camomila, erva cidreira ou folha de laranjeira, do pescoço para baixo, depois do banho de higiene e sem enxaguar. Serve para assentar a cabeça e aliviar o corpo. Para quem volta de hospital com sensação de peso, algumas casas indicam banho de descarrego brando. A cabeça fica de fora, porque banho de coroa é o amaci, ritual de terreiro conduzido pelo dirigente.
E se a pessoa de quem eu cuido morrer?
A tradição umbandista entende a morte como passagem, e não como fim, e a oração de despedida é gesto de amor tanto quanto a oração de cura. Os Pretos Velhos e Nanã são as forças mais procuradas nesse momento. O que a Umbanda insiste em dizer ao cuidador é que ter feito o que era possível já é muito, e que a culpa de não ter feito mais quase sempre é injusta com quem esteve ali todos os dias. Luto pede tempo, rede de apoio e, quando necessário, acompanhamento profissional.
Essa oração substitui médico e tratamento?
Não, e nenhuma casa de fundamento diz que sim. Oração sustenta quem está de pé e dá sentido ao que se atravessa, mas não substitui diagnóstico, medicação, acompanhamento nem os cuidados que a equipe de saúde orienta. Desconfie de quem promete cura garantida, manda suspender remédio ou cobra caro dizendo que a doença é trabalho feito. Isso não é Umbanda, é exploração de gente fragilizada.
Conteúdo informativo e de fé. As orações e formas de rezar variam de casa para casa. Não substituem a orientação do dirigente do seu terreiro. Reze com fé e respeito.
← Ver todas as rezas