Imagem ilustrativaRezas umbandistas
Oração para Libertação de Vícios
Força para largar, com os Pretos-Velhos, Omulu e os Exus de Lei
- Tipo: oração autoral
- Origem da publicação: Axé Umbanda
- Gestos devocionais: opcionais
Oração para Libertação de Vícios
Leia no seu ritmo, com tranquilidade.
Meu Pai do céu, que conheceis a minha luta por dentro,
olhai por mim neste vício que eu sozinho não venci.
Meus Pretos-Velhos, avós de tanta paciência,
sentai-vos comigo neste banco de humildade,
vós que já vistes gente cair e levantar mil vezes,
não me olheis com vergonha, mas com o olhar de quem entende.
Dai-me a calma do vosso cachimbo,
a lentidão sábia do vosso passo,
e a certeza de que um dia de cada vez também é caminhada.
Pai Omulu, senhor da cura e do que precisa se encerrar,
cobri com vossa palha o que em mim está ferido,
tirai de mim a dor que eu venho tentando calar com o vício,
e curai a raiz, e não apenas o sintoma.
Meus Exus de Lei, guardiões dos meus caminhos,
fechai a porta por onde a recaída entra,
afastai de mim a hora errada, o lugar errado e a companhia errada,
e firmai os meus pés quando a vontade vier forte.
Que eu tenha coragem de pedir ajuda a quem entende,
de procurar tratamento, médico e acompanhamento,
porque também isso é resposta de oração.
Que eu não me julgue no dia em que eu falhar,
e que eu recomece na manhã seguinte sem me abandonar.
Dai força também a quem me ama e sofre junto,
e ensinai a minha casa a ter paciência comigo.
Agradeço por mais este dia em que eu resisti.
Adorei as almas. Atotô, meu pai Omulu. Laroyê, Exu.
Assim seja.
Oração autoral publicada pelo Axé Umbanda. https://www.axeumbanda.com.br/rezas/oracao-para-libertacao-de-vicios/
O significado desta oração
A Umbanda não trata o vício como falta de caráter nem como castigo espiritual, e essa é a primeira coisa que as casas sérias dizem a quem chega.
O ensinamento mais repetido é que por trás de quase todo vício existe uma dor que a pessoa não consegue nomear, e que o vício é a forma que ela encontrou de anestesiar essa dor. Por isso a oração começa pedindo acolhimento, e não força de vontade.
Os Pretos-Velhos vêm em primeiro lugar porque são os guias da paciência e do conselho. A tradição os apresenta como espíritos de muita idade e muita vivência, que ouviram de tudo e não se escandalizam com nada, e é exatamente disso que precisa quem carrega vergonha do próprio vício.
O fundamento aqui é o acolhimento sem julgamento, que na Umbanda vem antes de qualquer orientação.
Omulu entra pela cura. É o Orixá da saúde e da doença, aquele que a tradição associa ao corpo adoecido, ao que precisa ser encerrado e à cura que não é rápida nem bonita, mas verdadeira.
A oração pede a ele que cure a raiz e não apenas o sintoma, porque a experiência das casas é que tirar a substância sem tratar a ferida costuma resultar em troca de vício, e não em libertação.
Os Exus de Lei fecham o pedido, e a função deles aqui é prática. A tradição os entende como guardiões de caminho, aqueles que abrem e fecham portas, e o que a oração pede é justamente que fechem a porta da recaída: a hora errada, o lugar errado e a companhia errada.
Quem já tentou largar um vício sabe que a recaída raramente começa na substância, e sim no ambiente.
É preciso dizer com clareza o que esta oração não é. Ela não substitui tratamento, não dispensa médico, psicólogo e psiquiatra, e não faz milagre de um dia para o outro.
As casas de Umbanda que trabalham com dependência são as primeiras a encaminhar para tratamento de saúde, e a orientação clássica é que o trabalho espiritual caminhe junto com o acompanhamento profissional, nunca no lugar dele.
A própria tradição insiste em outro ponto: nada acontece sem que a pessoa queira, e o desejo de sair precisa ser dela.
As formas de rezar variam entre pessoas e terreiros.
Como rezar com tranquilidade
Reze em voz baixa, devagar, sem pressa de terminar. Oração apressada não acalma ninguém.
Acenda uma vela branca em local seguro, longe de cortina e de tomada, e apague antes de sair ou de dormir.
Tenha um copo de água limpa ao lado enquanto reza, e depois jogue essa água na terra de um vaso ou em água corrente.
Se puder, reze de manhã e outra vez no horário em que a vontade costuma apertar. Esse horário é pessoal e você já sabe qual é o seu.
Não conte os dias como prova. Conte como companhia. Recaída não anula o caminho percorrido.
Procure a sua casa e converse com o dirigente. Trabalho de libertação costuma ser de médio e de longo prazo, e ninguém atravessa isso sozinho.
Procure também ajuda profissional, de médico, de psicólogo e de grupos de apoio. Na Umbanda, buscar tratamento faz parte da resposta da oração, e não é falta de fé.
Vela e flores são opcionais. Se acender uma vela, use suporte estável, longe de cortinas e papéis, e mantenha supervisão até apagar.
Quando rezar
Reze todos os dias, de preferência ao acordar, quando a decisão do dia ainda está inteira, e de novo no horário em que a vontade costuma apertar, porque cada pessoa conhece o seu.
Muitas casas indicam a segunda-feira, dia associado a Omulu e às almas em boa parte dos terreiros de Umbanda, para acender uma vela branca e rezar com mais calma. Reze também no dia seguinte a uma recaída, e esse é o dia mais importante de todos.
Não é preciso comprar materiais para rezar.
Perguntas frequentes
Para que serve a oração para libertação de vícios?
Serve para sustentar quem está tentando largar um vício, pedindo acolhimento aos Pretos-Velhos, cura a Omulu e proteção de caminho aos Exus de Lei. Ela não corta o vício sozinha: é companhia diária para a caminhada, e o próprio fundamento da Umbanda indica que ela caminhe junto com tratamento de saúde.
A Umbanda trata vício como castigo espiritual?
Não, e as casas sérias são firmes nesse ponto. O vício não é lido como castigo nem como falta de caráter. O ensinamento mais repetido é que por trás dele costuma haver uma dor que a pessoa não consegue nomear, e que o caminho passa por acolher essa dor, tratar a raiz e oferecer amparo, e não por julgar quem sofre.
Quais guias se pede na libertação de vícios?
Os Pretos-Velhos, pela paciência e pelo conselho sem julgamento, Omulu, o Orixá da saúde e da cura do que adoeceu, e os Exus de Lei, guardiões de caminho, que na tradição fecham a porta da recaída, ou seja, a hora errada, o lugar errado e a companhia errada. Cada casa pode acrescentar os guias do seu fundamento.
A oração substitui tratamento médico?
Não, de jeito nenhum. Dependência química e alcoolismo são questões de saúde e pedem médico, psicólogo, psiquiatra e, em muitos casos, grupo de apoio ou clínica especializada.
As casas de Umbanda que trabalham com dependência encaminham para tratamento, e a orientação é que o trabalho espiritual acompanhe o cuidado profissional, nunca o substitua.
Quando rezar esta oração?
Todos os dias, de preferência ao acordar e de novo no horário em que a vontade costuma apertar, que é diferente para cada pessoa. Muitas casas indicam a segunda-feira, dia associado a Omulu e às almas, para acender uma vela e rezar com mais calma.
E reze principalmente no dia seguinte a uma recaída, que é o dia mais importante.
E se eu tiver uma recaída?
Recaída faz parte do processo e não anula o caminho já percorrido. A orientação dos Pretos-Velhos, segundo a tradição, é justamente essa: levantar sem se abandonar e recomeçar na manhã seguinte. O que agrava a queda não é o tropeço, é a vergonha que faz a pessoa se esconder e parar de procurar ajuda.
Volte à casa, volte ao tratamento, volte à oração.
Posso rezar por outra pessoa que tem vício?
Pode, e é uma das orações mais feitas por mães, pais e companheiros. Reze pedindo amparo e caminho para quem você ama, e peça também força para você, porque quem convive com um dependente adoece junto. O que a tradição lembra é que a decisão de sair precisa ser da própria pessoa, e nenhuma oração force isso.
Quanto tempo demora para a oração fazer efeito?
Não existe prazo, e desconfie de quem prometer um. Os trabalhos de libertação são descritos pelas próprias casas como de médio e de longo prazo, e dependem do tratamento, do ambiente da pessoa e da vontade dela.
O efeito que se percebe primeiro costuma ser outro: mais calma para atravessar o dia e mais coragem para pedir ajuda.
Origem e versão
A publicação identifica esta oração como autoral do Axé Umbanda. Ela não é apresentada como texto universal da Umbanda.
Referências consultadas para o contexto:
- Vícios e Drogas na Visão da Umbanda, Templo de Umbanda Caridade e Amor
- Pretos-Velhos na Umbanda, quem são e o 13 de maio
- Umbanda, Wikipédia
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