Oração a Obá
À guerreira dos rios, senhora da força que se recolhe e volta inteira

A oração a Obá pede à Orixá das águas revoltas a força de quem já foi enganada e não se entregou, a coragem de recomeçar depois da humilhação e a firmeza para não se anular por amor nenhum. É a reza de quem precisa recuperar o próprio valor, defender o que é seu e aprender a dizer não.
Oração a Obá
O significado desta oração
Obá é uma das Orixás menos conhecidas do grande público e uma das mais reverenciadas por quem a conhece. A tradição a apresenta como guerreira, estrategista e senhora das águas revoltas, das corredeiras e das quedas, aquelas que não correm mansas e não se deixam represar. É Orixá de força, e não de lamento, e esse é o primeiro ponto que se perde quando contam a história dela pela metade.
O itan mais conhecido é o da orelha. Obá foi uma das esposas de Xangô e, querendo agradá-lo, pediu conselho a Oxum, que a enganou fazendo-a acreditar que devia cortar a própria orelha e cozinhá-la na comida do marido. Quando Xangô descobriu, houve revolta, e Obá, humilhada, retirou-se para as águas do rio que leva o nome dela. É preciso muito cuidado com essa história, porque ela costuma ser contada como se Obá fosse a tola da narrativa, e não é isso que as casas de fundamento ensinam.
A leitura que os mais velhos fazem do itan é outra, e é ela que sustenta esta oração. Obá é a Orixá que aprendeu, do jeito mais duro possível, o preço de se mutilar por amor. Ela não volta a ser quem era antes: ela se recolhe, se refaz e retorna inteira, guerreira, sem depender de aprovação de ninguém. Por isso é invocada por quem se anulou numa relação, por quem foi enganado por conselho de gente próxima e por quem precisa recuperar o próprio valor depois de uma humilhação.
Obá é também tradicionalmente apontada como defensora das mulheres, sobretudo das que sofrem violência, traição e abandono. Muitas casas a chamam nos trabalhos de fortalecimento feminino e de recuperação da autoestima. Os símbolos dela reforçam isso: a espada, o escudo e o ofá, marcas de quem se defende e ataca quando precisa. As cores mais citadas são o vermelho e o amarelo, e algumas casas usam vermelho e branco. A saudação é Obá Xirê, grafada também Obá Siré.
Vale registrar duas coisas com honestidade. A primeira é que Obá é cultuada de forma bem mais intensa no Candomblé do que na Umbanda, e há muitas casas de Umbanda que não trabalham diretamente com ela, o que não é falta de fundamento, é diferença de tradição. A segunda é que esta oração é autoral, escrita para o Axé Umbanda a partir do fundamento documentado, e não é reza tradicional de terreiro. Se a sua casa tiver uma reza própria a Obá, é ela que vale.
Por fim, uma palavra necessária. Se a situação que te trouxe até esta oração envolve violência física, ameaça, perseguição ou controle, a oração ampara, mas não resolve sozinha. Procure ajuda concreta: rede de apoio, delegacia, Ligue 180 e gente de confiança. Na Umbanda, buscar proteção real faz parte da resposta da oração, e nunca foi falta de fé.
Como rezar
- Reze em voz firme, e não em voz de súplica. Esta é oração de recuperação de força, e o corpo aprende pelo tom.
- Se puder, reze de frente para água corrente, um rio, uma corredeira ou uma cachoeira. Na falta disso, um copo de água limpa ao lado cumpre bem o papel.
- Acenda uma vela vermelha ou amarela em local seguro, longe de cortina e de tomada, e apague antes de sair ou de dormir.
- A quarta-feira é o dia mais citado para Obá nas casas de Umbanda, mas rezar no dia em que a necessidade aperta nunca foi erro.
- Saúde dizendo Obá Xirê, no começo e no fim. Saudação é gesto de respeito, e não formalidade.
- Não reze esta oração pedindo vingança contra quem te feriu. O fundamento aqui é recuperar o seu valor, e não devolver o golpe.
- Depois de rezar, escreva uma coisa só que você vai deixar de aceitar a partir de hoje. Obá é Orixá de decisão, e decisão sem gesto não firma.
- A água do copo, no dia seguinte, se joga na terra de um vaso ou em água corrente, nunca de volta ao filtro.
- Leve o assunto para a sua casa de fé. E se houver violência envolvida, procure também ajuda concreta e profissional.
Quando rezar
Reze quando precisar recuperar o próprio valor, depois de uma traição, de uma humilhação ou de uma relação em que você se anulou para caber. Reze também antes de uma conversa difícil em que você precisa dizer não, defender o que é seu ou encerrar algo que já acabou. A quarta-feira é o dia mais citado para Obá nas casas de Umbanda, e muita gente reza de frente para uma corredeira, uma cachoeira ou um rio de água corrente, quando pode. Nos dias comuns, um copo de água limpa ao lado já basta.
Perguntas frequentes
Quem é Obá na Umbanda?
Qual a saudação de Obá?
Qual o dia e as cores de Obá?
Para que serve a oração a Obá?
Qual a história da orelha de Obá?
Obá e Oxum são inimigas?
Posso rezar a Obá para pedir vingança?
Preciso de terreiro para rezar a Obá?
Esta oração a Obá é tradicional?
A oração resolve uma situação de violência?
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