Reza · Axé Umbanda

Oração a Obá

À guerreira dos rios, senhora da força que se recolhe e volta inteira

Oração: Oração a Obá
Resposta rápida

A oração a Obá pede à Orixá das águas revoltas a força de quem já foi enganada e não se entregou, a coragem de recomeçar depois da humilhação e a firmeza para não se anular por amor nenhum. É a reza de quem precisa recuperar o próprio valor, defender o que é seu e aprender a dizer não.

Oração a Obá

Minha mãe Obá, senhora das águas que correm bravas,dona da corredeira que nenhuma pedra segura,Obá Xirê, eu vos saúdo e vos peço licença.Vós que sabeis o que é ser enganada por quem sorria,vós que conheceis a dor de dar demais e receber escárnio,olhai por mim, que também já me diminuí para caber no gosto de alguém.Dai-me a vossa força de guerreira, mãe,não a força que grita, mas a que decide e não volta atrás.Ensinai-me a reconhecer o conselho torto antes de segui-lo,e a desconfiar da doçura que só aparece quando querem algo de mim.Devolvei-me o meu valor, que eu mesma entreguei barato,e firmai em mim a certeza de que eu não preciso me mutilar para ser amada.Cobri-me com o vosso escudo quando a língua alheia me ferir,e dai-me a vossa espada para cortar o que já não me serve,sem ódio, sem vingança e sem olhar para trás.Que eu tenha, como vós, a coragem de me recolher quando for preciso,e a grandeza de voltar inteira, sem pedir desculpa por existir.Se eu fui traída, que eu não me torne o que me feriu.Se eu fui calada, que eu encontre a minha voz.Se eu me perdi de mim, que as vossas águas me tragam de volta.Guardai as mulheres da minha casa e da minha vida,e dai amparo a toda mulher que hoje chora sozinha e acha que a culpa é dela.Agradeço, minha mãe, pela força que já me destes sem que eu percebesse.Obá Xirê, minha mãe Obá.Assim seja.

O significado desta oração

Obá é uma das Orixás menos conhecidas do grande público e uma das mais reverenciadas por quem a conhece. A tradição a apresenta como guerreira, estrategista e senhora das águas revoltas, das corredeiras e das quedas, aquelas que não correm mansas e não se deixam represar. É Orixá de força, e não de lamento, e esse é o primeiro ponto que se perde quando contam a história dela pela metade.

O itan mais conhecido é o da orelha. Obá foi uma das esposas de Xangô e, querendo agradá-lo, pediu conselho a Oxum, que a enganou fazendo-a acreditar que devia cortar a própria orelha e cozinhá-la na comida do marido. Quando Xangô descobriu, houve revolta, e Obá, humilhada, retirou-se para as águas do rio que leva o nome dela. É preciso muito cuidado com essa história, porque ela costuma ser contada como se Obá fosse a tola da narrativa, e não é isso que as casas de fundamento ensinam.

A leitura que os mais velhos fazem do itan é outra, e é ela que sustenta esta oração. Obá é a Orixá que aprendeu, do jeito mais duro possível, o preço de se mutilar por amor. Ela não volta a ser quem era antes: ela se recolhe, se refaz e retorna inteira, guerreira, sem depender de aprovação de ninguém. Por isso é invocada por quem se anulou numa relação, por quem foi enganado por conselho de gente próxima e por quem precisa recuperar o próprio valor depois de uma humilhação.

Obá é também tradicionalmente apontada como defensora das mulheres, sobretudo das que sofrem violência, traição e abandono. Muitas casas a chamam nos trabalhos de fortalecimento feminino e de recuperação da autoestima. Os símbolos dela reforçam isso: a espada, o escudo e o ofá, marcas de quem se defende e ataca quando precisa. As cores mais citadas são o vermelho e o amarelo, e algumas casas usam vermelho e branco. A saudação é Obá Xirê, grafada também Obá Siré.

Vale registrar duas coisas com honestidade. A primeira é que Obá é cultuada de forma bem mais intensa no Candomblé do que na Umbanda, e há muitas casas de Umbanda que não trabalham diretamente com ela, o que não é falta de fundamento, é diferença de tradição. A segunda é que esta oração é autoral, escrita para o Axé Umbanda a partir do fundamento documentado, e não é reza tradicional de terreiro. Se a sua casa tiver uma reza própria a Obá, é ela que vale.

Por fim, uma palavra necessária. Se a situação que te trouxe até esta oração envolve violência física, ameaça, perseguição ou controle, a oração ampara, mas não resolve sozinha. Procure ajuda concreta: rede de apoio, delegacia, Ligue 180 e gente de confiança. Na Umbanda, buscar proteção real faz parte da resposta da oração, e nunca foi falta de fé.

TipoOração autoral
TemaÀ guerreira dos rios, senhora da força que se recolhe e volta inteira
VelaBranca
OrigemOração do Axé Umbanda

Como rezar

  1. Reze em voz firme, e não em voz de súplica. Esta é oração de recuperação de força, e o corpo aprende pelo tom.
  2. Se puder, reze de frente para água corrente, um rio, uma corredeira ou uma cachoeira. Na falta disso, um copo de água limpa ao lado cumpre bem o papel.
  3. Acenda uma vela vermelha ou amarela em local seguro, longe de cortina e de tomada, e apague antes de sair ou de dormir.
  4. A quarta-feira é o dia mais citado para Obá nas casas de Umbanda, mas rezar no dia em que a necessidade aperta nunca foi erro.
  5. Saúde dizendo Obá Xirê, no começo e no fim. Saudação é gesto de respeito, e não formalidade.
  6. Não reze esta oração pedindo vingança contra quem te feriu. O fundamento aqui é recuperar o seu valor, e não devolver o golpe.
  7. Depois de rezar, escreva uma coisa só que você vai deixar de aceitar a partir de hoje. Obá é Orixá de decisão, e decisão sem gesto não firma.
  8. A água do copo, no dia seguinte, se joga na terra de um vaso ou em água corrente, nunca de volta ao filtro.
  9. Leve o assunto para a sua casa de fé. E se houver violência envolvida, procure também ajuda concreta e profissional.

Quando rezar

Reze quando precisar recuperar o próprio valor, depois de uma traição, de uma humilhação ou de uma relação em que você se anulou para caber. Reze também antes de uma conversa difícil em que você precisa dizer não, defender o que é seu ou encerrar algo que já acabou. A quarta-feira é o dia mais citado para Obá nas casas de Umbanda, e muita gente reza de frente para uma corredeira, uma cachoeira ou um rio de água corrente, quando pode. Nos dias comuns, um copo de água limpa ao lado já basta.

Perguntas frequentes

Quem é Obá na Umbanda?
Obá é a Orixá guerreira das águas revoltas, das corredeiras e das quedas d'água, conhecida como estrategista e defensora das mulheres. A tradição a apresenta como filha de Nanã e uma das esposas de Xangô. É cultuada com mais intensidade no Candomblé do que na Umbanda, e há casas de Umbanda que não trabalham diretamente com ela, o que é diferença de tradição, e não falta de fundamento.
Qual a saudação de Obá?
A saudação é Obá Xirê, grafada também como Obá Siré. Diz-se ao iniciar e ao encerrar a oração, e também ao saudá-la em gira e diante das águas dela. Como acontece com todas as saudações, a grafia varia conforme a casa e a tradição, e nenhuma das formas é mais correta que a outra.
Qual o dia e as cores de Obá?
A quarta-feira é o dia mais citado nas casas de Umbanda, embora haja variação conforme a tradição. As cores mais associadas a ela são o vermelho e o amarelo, e algumas casas trabalham com vermelho e branco. Os símbolos são a espada, o escudo e o ofá, que marcam a natureza guerreira dela.
Para que serve a oração a Obá?
Serve para recuperar o próprio valor e a força de decisão. É rezada por quem se anulou numa relação, por quem foi enganado por conselho de gente próxima, por quem precisa dizer não e defender o que é seu, e por quem está se refazendo depois de uma humilhação ou de uma traição. É oração de fortalecimento, e não de vingança.
Qual a história da orelha de Obá?
O itan conta que Obá, querendo agradar Xangô, recebeu de Oxum o conselho enganoso de cortar a própria orelha e cozinhá-la na comida dele. Descoberto o feito, houve revolta, e Obá se retirou para as águas do rio que leva o nome dela. As casas de fundamento não contam essa história para ridicularizar Obá, e sim para ensinar o preço de se mutilar por amor e a grandeza de quem se refaz depois disso.
Obá e Oxum são inimigas?
O itan da orelha criou essa fama, e ela merece cuidado. A tradição registra a rivalidade entre as esposas de Xangô, mas os Orixás não são tratados nas casas sérias como pessoas de briga permanente, e sim como forças com naturezas diferentes que às vezes se chocam. Reduzir Obá a uma inimiga de Oxum empobrece as duas. Cada casa tem a sua leitura, e vale ouvir a do seu dirigente.
Posso rezar a Obá para pedir vingança?
A orientação das casas sérias é não. Obá é Orixá de justiça e de recuperação da própria força, e não instrumento de revanche. O fundamento desta oração é devolver a você o que você entregou barato, e não devolver o golpe a quem te feriu. Pedido de mal costuma voltar, e esse é um dos avisos mais repetidos pelos mais velhos.
Preciso de terreiro para rezar a Obá?
Não. Oração se faz em casa, sozinho, com as próprias palavras, e essa é uma das coisas mais bonitas da tradição. O que pede terreiro é outra coisa: oferenda, obrigação, assentamento e trabalho firmado. Se você sente que precisa de algo além da oração, o caminho é procurar uma casa e conversar com o dirigente.
Esta oração a Obá é tradicional?
Não. Ela é autoral, escrita para o Axé Umbanda a partir do fundamento documentado sobre a Orixá, sobre o itan da orelha e sobre a função dela de amparo às mulheres. Não é reza de domínio público nem liturgia de terreiro. Se a sua casa tiver uma oração própria a Obá, use a da sua casa, que tem precedência sobre qualquer texto de internet.
A oração resolve uma situação de violência?
Não sozinha, e é importante dizer isso com clareza. A oração ampara, firma e devolve coragem, mas situação de violência física, ameaça, perseguição ou controle pede providência concreta. Procure rede de apoio, delegacia, o Ligue 180 e pessoas de confiança. Na Umbanda, buscar proteção real faz parte da resposta da oração, e nunca foi falta de fé.
Conteúdo informativo e de fé. As orações e formas de rezar variam de casa para casa. Não substituem a orientação do dirigente do seu terreiro. Reze com fé e respeito.
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