O que significa o ponto de ogum beira-mar: quem te trouxe do mar?
É um ponto de chegada, e ele conta em poucos versos a identidade inteira de Ogum Beira-Mar. A pergunta que abre o canto, quem te trouxe do mar, não espera resposta: ela é a forma tradicional de anunciar que o guerreiro chegou por onde ninguém esperava, pela água, e não pela terra firme onde Ogum costuma ser cantado. Ogum Beira-Mar é a qualidade de Ogum que trabalha na faixa entre a areia e a água, o limite onde a terra acaba e o mar começa, e por isso a tradição o coloca como o Ogum das fronteiras, o que atua exatamente nas situações que não estão nem de um lado nem do outro. O rosário de mamãe Sereia que ele traz no braço direito diz o resto: é a marca da aliança com Iemanjá, e explica por que este ponto aparece com tanta força nas firmezas feitas na praia. Jurar bandeira nos cantos do Humaitá é referência ao passado militar que a devoção brasileira a São Jorge carregou para dentro da Umbanda, com o nome de uma batalha da Guerra do Paraguai, e serve para afirmar compromisso assumido e cumprido. Vencer demanda, no verso final, é o que se pede a Ogum em toda casa: causa parada que anda, briga que se encerra e caminho que se abre na força de quem vai à frente.
Quando se canta esse ponto?
Na gira de Ogum, na chamada da linha, para saudar Ogum Beira-Mar na chegada. Muitas casas o cantam também nas firmezas feitas na praia e nas oferendas entregues à beira do mar, e há terreiros que o entoam em 23 de abril, data que boa parte das casas dedica a Ogum no sincretismo com São Jorge.
Posso cantar esse ponto em casa?
Pode, com respeito e fé. Os pontos cantados são orações em forma de música; cantar em casa ajuda a firmar a fé e a sintonia. Para trabalhos de terreiro, siga sempre a orientação do dirigente da sua casa, pois cada terreiro tem seu fundamento e a letra pode variar.
A letra é sempre igual?
Não. Os pontos são de tradição oral e variam de casa para casa, com pequenas diferenças de letra e melodia. A versão aqui é uma das mais conhecidas; a da sua casa pode ter variações.
Quem é Ogum Beira-Mar na Umbanda?
É a qualidade de Ogum que a tradição coloca na faixa entre a areia e o mar, o limite onde a terra acaba e a água começa. Por isso ele é apresentado como o Ogum das fronteiras e dos assuntos que não estão resolvidos nem de um lado nem do outro. A ligação com Iemanjá aparece no próprio ponto, no rosário de mamãe Sereia que ele traz no braço, e explica a força desse canto nas firmezas feitas na praia.
Quando se canta o ponto de Ogum Beira-Mar?
Na gira de Ogum, sobretudo na chegada, quando a casa chama a linha. Também é cantado nas firmezas e nas oferendas entregues à beira do mar, e há terreiros que o entoam em 23 de abril, data que boa parte das casas dedica a Ogum no sincretismo com São Jorge. Como sempre, quem define o momento é o dirigente e o costume da casa.
O que significa o rosário de mamãe Sereia no ponto?
É a marca da aliança com Iemanjá, chamada carinhosamente de mamãe Sereia em muitas casas e em muitos pontos. O verso coloca o rosário no braço direito de Ogum, que é o braço da espada, e com isso diz que a força do guerreiro caminha junto com o acolhimento da senhora das águas. É a imagem que melhor explica por que este Ogum trabalha na beira do mar.
O que quer dizer jurar bandeira nos cantos do Humaitá?
Humaitá é o nome de uma fortificação e de uma batalha da Guerra do Paraguai, e a referência entrou nos pontos pelo caminho da devoção militar a São Jorge, que a Umbanda absorveu no sincretismo com Ogum. Jurar bandeira é compromisso assumido diante de testemunha, e o verso usa a imagem para afirmar que Ogum cumpre o que promete, e não para narrar história militar.
A letra deste ponto é sempre a mesma?
Não. Circulam várias versões de Ogum Beira-Mar, algumas começando com estava na beira da praia quando vi sete ondas passar, outras com versos mais longos e refrãos diferentes. Ponto cantado é tradição oral e muda de terreiro para terreiro, com trocas de palavra e de melodia. Versão diferente não é versão errada: cante como a sua casa canta.
Ogum Beira-Mar é o mesmo que Ogum de Ronda?
Não. São qualidades diferentes do mesmo Orixá, cada uma com campo próprio de atuação. Ogum de Ronda é o que vigia e patrulha, muito chamado em trabalhos de proteção e de guarda. Ogum Beira-Mar atua no limite entre a terra e a água, nas fronteiras e nas situações indefinidas, com ligação forte com Iemanjá. As casas variam bastante nesses nomes, e a raiz de cada uma manda.
O que se pede a Ogum Beira-Mar?
Pede se demanda vencida, causa parada que volte a andar, proteção em situação de risco e clareza para atravessar fase indefinida, aquela em que a pessoa não está nem num lugar nem no outro. Como sempre na Umbanda, o pedido não dispensa a ação: Ogum é o Orixá que vai à frente, e não o que caminha no lugar de quem pede.
Como se saúda Ogum Beira-Mar?
A saudação é Patakori Ogum, também dita Ogunhê, que é a saudação do Orixá em toda a Umbanda, e nas casas que trabalham essa qualidade se ouve Patakori Ogum Beira-Mar. Saúda se na chegada e na despedida, em pé e com respeito. A forma exata varia conforme o costume da casa, e a do seu terreiro é a que vale para você.
Pode cantar esse ponto na praia?
Pode, e é justamente onde ele mais aparece fora do salão, nas firmezas e nas oferendas feitas à beira do mar. Se for entregar alguma coisa na areia, converse antes com o dirigente da sua casa, leve embora toda embalagem e sacola, evite vidro e plástico e respeite as regras do local. Fé na natureza combina com deixar o lugar limpo.
Qual a diferença entre ponto cantado e ponto riscado?
O ponto cantado é o canto que chama, saúda e conduz o trabalho, sustentado pela curimba e pela corrente. O ponto riscado é o desenho feito com pemba no chão ou no assentamento, que firma e identifica a entidade ou a finalidade do trabalho. São dois instrumentos diferentes da mesma liturgia, e muitas vezes eles aparecem juntos na mesma gira.