
A Marcha para Exu é a caminhada anual que leva milhares de umbandistas, candomblecistas e simpatizantes à Avenida Paulista, em São Paulo, para afirmar que Exu não é o diabo e para combater o racismo religioso. Veja quem criou, como foram as edições de 2023 a 2026, por que o vermelho e o preto dominam a avenida e como participar com respeito.
A Marcha para Exu é um ato religioso e cultural que acontece todo mês de agosto, desde 2023, na Avenida Paulista, em São Paulo, para valorizar Exu e combater a ideia de que ele seria o demônio. Criada pelo umbandista Jonathan Pires, ela reúne fiéis de Umbanda, de Candomblé e de outras tradições de matriz africana. Neste artigo você entende de onde veio a marcha, o que aconteceu em cada edição, por que ela importa para quem cultua Exu e o que a lei diz sobre liberdade de crença.
Resposta rápida
A Marcha para Exu é uma caminhada anual, criada em 2023, que ocupa a Avenida Paulista para afirmar que Exu não é o diabo. A primeira edição foi em 13 de agosto de 2023 e reuniu cerca de 60 mil pessoas, segundo os organizadores. A quarta edição aconteceu no domingo, 16 de agosto de 2026, com concentração em frente ao MASP.
O objetivo é dar visibilidade às religiões de matriz africana e enfrentar o racismo religioso. Os participantes vão em sua maioria de vermelho e preto, as cores de Exu, ao som de atabaques, cantos, capoeira e maracatu. Qualquer pessoa pode participar, e a data da próxima edição é divulgada pelos canais oficiais da marcha.
O que é a Marcha para Exu
A marcha é, ao mesmo tempo, uma manifestação de fé e um ato público contra o preconceito. Os participantes caminham pela avenida mais conhecida do país levando o nome de Exu com orgulho, num espaço onde por muito tempo as religiões afro-brasileiras só apareciam como alvo de medo e boato.
Na primeira edição o evento foi divulgado como uma marcha pela valorização de Exu e de Pombagira. Segundo a Folha de S.Paulo, a ideia era afastar a associação de Exu com o diabo e mostrar o que o organizador chamou de Exu do amor.
A marcha não pertence a um único terreiro nem a uma única vertente. Ela reúne sacerdotes, sacerdotisas, médiuns, artistas, coletivos culturais e pessoas que simplesmente apoiam a liberdade religiosa.
A história, edição por edição
2023, a primeira marcha. No domingo, 13 de agosto de 2023, a Avenida Paulista recebeu a primeira Marcha para Exu, com cerca de 60 mil pessoas segundo a organização. No mesmo dia houve uma edição em Rio Branco, no Acre, na Gameleira, que reuniu mais de 100 pessoas, conforme o g1.
2025, a terceira edição. Em 17 de agosto de 2025 a marcha voltou à Paulista com o tema Nunca foi sorte, sempre foi macumba. A proposta incluiu a doação de alimentos, e centenas de quilos foram arrecadados para instituições de caridade, segundo o BNews.
2026, a quarta edição. No domingo, 16 de agosto de 2026, a concentração foi em frente ao MASP. Caravanas de várias cidades e estados vieram para São Paulo, e a programação teve tambores, atabaques, cantos, danças, capoeira e maracatu. No mesmo mês, Recife recebeu a segunda edição da sua Marcha para Exu, no Marco Zero, em 30 de agosto.
Desde 2023 a marcha acontece todos os anos em agosto, sempre num domingo.
Por que a marcha existe: Exu não é o diabo
Exu é o mensageiro, o guardião dos caminhos e da comunicação entre o mundo dos humanos e o sagrado. No Candomblé ele é um Orixá. Na Umbanda, o nome também designa os guias da esquerda, como Exu Tranca Rua, Exu Tiriri e Exu Marabô, que trabalham na proteção, na abertura de caminhos e no corte de demandas.
A imagem de Exu como demônio nasceu de leituras cristãs feitas desde o período colonial, que viram nele o oposto do bem. Para quem cultua Exu, essa associação é um erro e alimenta o preconceito contra os terreiros. A marcha existe para corrigir esse erro em público, com festa e com informação.
Se você quer entender melhor as falanges, veja os tipos de Exu na Umbanda e o artigo sobre Exu Mirim.
A marcha é uma resposta à Marcha para Jesus?
O nome lembra a Marcha para Jesus, evento evangélico tradicional de São Paulo, e por isso houve polêmica quando a primeira edição foi anunciada. Parte do público entendeu a iniciativa como provocação.
Em entrevista à revista Veja, o criador afirmou que não se apropriou da Marcha para Jesus. A proposta declarada da Marcha para Exu é a convivência entre as religiões, e não a disputa com elas. Na Umbanda, aliás, o respeito à fé de cada um faz parte do fundamento da casa.
Vermelho, preto e a saudação Laroyê
O vermelho e o preto são as cores mais associadas a Exu na Umbanda, e por isso dominam a avenida. Muitos participantes vão com fio de contas e roupas dessas cores, e alguns grupos levam atabaques e cantam pontos.
A saudação que mais se ouve é Laroyê, Exu!, que também está na nossa lista de saudações da Umbanda. Saudar Exu é pedir licença ao dono dos caminhos.
Como participar com respeito
A marcha é aberta e gratuita. Algumas dicas ajudam quem vai pela primeira vez:
- Confirme a data nos canais oficiais da Marcha para Exu nas redes sociais, porque o dia e o horário são anunciados a cada ano.
- Vá de vermelho, preto ou branco, se quiser acompanhar o clima do evento. Não existe roupa obrigatória.
- Leve água, protetor solar e documento. A caminhada é longa e acontece ao ar livre.
- Respeite quem está em oração. Peça licença antes de fotografar alguém, sobretudo sacerdotes e pessoas em concentração.
- Siga a orientação da sua casa. Se você é médium, converse com seu pai ou sua mãe de santo antes de ir com guias de trabalho ou de firmar qualquer coisa no caminho.
A marcha não é uma gira. O lugar de trabalhar com os guias continua sendo o terreiro, com a corrente preparada.
Liberdade de crença e o crescimento das religiões afro-brasileiras
A Constituição Federal de 1988, no artigo 5, declara inviolável a liberdade de consciência e de crença e garante o livre exercício dos cultos religiosos. A Lei 7.716, de 1989, pune a discriminação por religião, e a Lei 11.635, de 2007, criou o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, em 21 de janeiro.
Os números também mostram por que a marcha cresceu. Segundo o Censo 2022 do IBGE, as religiões de matriz africana passaram de 0,3% da população em 2010 para cerca de 1% em 2022, mais que o triplo em uma década.
Para conversar com a família sobre o tema, leia também Umbanda é pecado? e o que é macumba.
Resumo
- A Marcha para Exu acontece todo mês de agosto, desde 2023, na Avenida Paulista.
- Foi criada pelo umbandista Jonathan Pires para combater a associação de Exu com o diabo.
- A quarta edição foi em 16 de agosto de 2026, com concentração no MASP.
- Vermelho e preto são as cores mais vistas, e a saudação é Laroyê, Exu!
- Qualquer pessoa pode participar, com respeito à fé de quem caminha.
Fontes e referências
- Folha de S.Paulo, Marcha para Exu quer afastar associação com diabo e mostrar Exu do amor, 1 de agosto de 2023
- g1 Acre, Contra demonização do orixá, Marcha para Exu reúne mais de 100 pessoas em Rio Branco, 2023
- Veja, Eu não me apropriei da Marcha para Jesus, diz criador de Marcha para Exu, 2023
- BNews SP, Marcha para Exu leva multidão à Avenida Paulista: Nunca foi sorte, sempre foi macumba, 18 de agosto de 2025
- Alô Alô Bahia, Marcha para Exú reúne religiosos e simpatizantes na Avenida Paulista, 17 de agosto de 2026
- Portal do Casé, Marcha para Exu reúne fiéis na Paulista em meio ao crescimento das religiões de matriz africana (Censo 2022 do IBGE), 17 de agosto de 2026
- Taís Paranhos, Marcha para Exú no Marco Zero do Recife, 2ª edição, 30 de agosto de 2026
- Wikipédia, Marcha para Exu
Perguntas frequentes
O que é a Marcha para Exu?
Quando acontece a Marcha para Exu?
Onde é a Marcha para Exu em São Paulo?
Quem criou a Marcha para Exu?
Quantas pessoas vão à Marcha para Exu?
A Marcha para Exu é contra a Marcha para Jesus?
Precisa ser da Umbanda ou do Candomblé para participar?
Por que as pessoas vão de vermelho e preto?
Tem Marcha para Exu em outras cidades?
Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan são médiuns de um terreiro de Umbanda em São Paulo e mantêm o Axé Umbanda com fundamento, respeito à tradição e fontes confiáveis.
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