
Muita gente chega com medo de estar pecando ou ouve que a Umbanda é "do mal". Entenda com calma o que a Umbanda realmente ensina, de onde vem esse preconceito e por que fé, no Brasil, é um direito de todos.
Se você chegou aqui com o coração apertado, pensando "será que estou pecando?" ou ouvindo de alguém que ama que a Umbanda é "coisa do mal", respire. Essa dúvida é mais comum do que parece, e ela merece uma resposta serena, sem empurrar você para lado nenhum. Aqui não vamos dizer no que você deve acreditar. Vamos explicar, com calma e com respeito, o que a Umbanda de fato ensina, de onde vem a fama de religião perigosa e o que a lei brasileira diz sobre a fé de cada um. Com informação no lugar do medo, a escolha volta a ser sua.
A pergunta por trás do medo
Dizer que algo é ou não é pecado é um julgamento que cada religião faz a partir da própria doutrina. Para algumas correntes cristãs, qualquer contato com espíritos é considerado pecado, com base em passagens bíblicas. Para a Umbanda, a mesma prática é vista como caridade e fé em um só Deus. São visões diferentes, cada uma legítima dentro da sua própria fé, e nenhuma página da internet pode decidir isso por você.
Quando uma mãe, um pai ou um amigo diz que a Umbanda é do mal, quase sempre fala de dentro da própria crença e por preocupação com quem ama. Não é preciso brigar com isso nem se sentir culpado. O que ajuda é entender o assunto de verdade, para conversar com serenidade e decidir com a própria consciência.
O que a Umbanda realmente ensina
A Umbanda é uma religião brasileira que acredita em um único Deus, chamado Olorum ou Zambi, criador de tudo e acima de tudo. Abaixo dele estão os Orixás, que são forças divinas da natureza, e os guias espirituais, como Pretos-Velhos e Caboclos, que trabalham pela caridade.
A lei maior da Umbanda é justamente a caridade: fazer o bem sem olhar a quem. A mediunidade não existe para prejudicar ninguém, e sim para servir, orientar e amparar. Passe, consulta e orientação espiritual são gratuitos, e a religião prega o amor ao próximo, a humildade e o respeito a toda forma de vida. Uma religião com esses fundamentos não tem o mal como prática: ela nasce para o bem.
De onde vem a fama de "coisa do mal"
A imagem de religião sombria não vem da prática dos terreiros, e sim de três fontes bem conhecidas.
As imagens de terror. Cinema, novela e as histórias que se contam por aí associaram velas, encruzilhadas e entidades a filme de assombração. A realidade de uma gira, com pontos cantados, oração e acolhimento, não tem nada a ver com isso.
A palavra macumba virou xingamento. Macumba era, na origem, o nome de um instrumento e um termo ligado aos cultos afro-brasileiros. Com o tempo foi usada de forma pejorativa, como se fosse sinônimo de feitiço ruim. Explicamos essa história em o que é macumba.
A confusão entre Exu e o diabo. Este é o erro mais repetido. Exu, na Umbanda, é mensageiro e guardião dos caminhos, entidade de trabalho que atua dentro da lei. Ele não tem nenhuma relação com o diabo cristão, que é uma figura de outra religião. Confundir os dois está na raiz de boa parte do preconceito.
E quando a família condena
Se a sua mãe, como no começo desta página, diz que essa religião é do mal, lembre-se de que ela fala a partir da fé dela e, quase sempre, por amor a você. Você não precisa converter ninguém nem provar que ela está errada. Respeitar a crença da sua família e informar-se sobre a sua própria busca podem caminhar juntos.
O que costuma abrir portas é o diálogo calmo, sem acusação dos dois lados. Você pode conhecer um terreiro, tomar um passe ou buscar orientação sem deixar a religião em que foi criado, porque a maioria das casas é aberta e não exige conversão. E, se o assunto está pesando o coração ou virando conflito em casa, vale procurar uma pessoa de confiança para conversar. Fé não deveria ser motivo de sofrimento, e sim de amparo.
Fé é liberdade, e a lei protege
No Brasil, a fé de cada pessoa é um direito garantido. A Constituição Federal de 1988, no artigo 5, declara inviolável a liberdade de consciência e de crença e assegura o livre exercício dos cultos religiosos, além da proteção aos seus locais e liturgias. O Brasil é um Estado laico: ninguém pode ser obrigado a seguir, ou a abandonar, uma religião.
Essa proteção vale para todos, inclusive para a família cristã que pensa diferente. E vale, com igual força, para as religiões de matriz africana. A intolerância religiosa é crime no Brasil, enquadrada como racismo pela Lei número 7.716, de 1989. O chamado racismo religioso, o preconceito histórico contra Umbanda, Candomblé e demais tradições afro-brasileiras, é uma ferida real, e combatê-lo também é um ato de respeito. Acreditar, ou não acreditar, é uma escolha livre e protegida de cada um.
Fontes e referências
Perguntas frequentes
Umbanda é pecado?
Umbanda é do mal ou macumbaria?
A Umbanda cultua o diabo?
Posso ser cristão e respeitar a Umbanda?
Minha família condena a Umbanda. O que eu faço?
É verdade que a Umbanda faz o mal para os outros?
Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan são médiuns de um terreiro de Umbanda em São Paulo e mantêm o Axé Umbanda com fundamento, respeito à tradição e fontes confiáveis.
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