Oração de Todos os Santos
Para o dia 1º de novembro, honrando os santos conhecidos e os esquecidos, e pedindo a mesma luz para a nossa caminhada

A oração de Todos os Santos honra de uma vez os santos que têm nome e altar e também os que ninguém conhece. A Igreja celebra a data em 1º de novembro, um dia antes de Finados. Na Umbanda, ela abre o tempo de lembrar a passagem, os que já foram e os espíritos de luz que nos guiam. Reze com uma vela branca e um copo de água.
Oração de Todos os Santos
O significado desta oração
O Dia de Todos os Santos é uma festa cristã muito antiga. Segundo o Vatican News, ela começou no Oriente, no século IV, e depois se espalhou em datas diferentes.
Em Roma, a festa dos santos e mártires era lembrada em 13 de maio, ligada à dedicação do antigo Panteão como igreja. Na Inglaterra e na Irlanda, a partir do século VIII, a data já era 1º de novembro.
No século IX, o papa Gregório IV estendeu a celebração de 1º de novembro a toda a Igreja, por volta do ano 835. Há quem diga que a data quis se contrapor às festas celtas do fim de outubro, mas os historiadores tratam isso como hipótese, não como certeza.
A ideia do dia é simples e bonita. A Igreja tem muitos santos reconhecidos, mas acredita que há muitos mais que ninguém canonizou: gente comum que viveu o bem sem fazer barulho. O Dia de Todos os Santos lembra todos eles de uma vez, dos mais famosos aos esquecidos.
O Evangelho lido nesse dia é o das Bem-aventuranças: felizes os mansos, os que choram, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos e os que promovem a paz. Por isso a oração pede essas mesmas virtudes para quem reza.
Em Portugal, a data é feriado e tem o costume do Pão-por-Deus, quando as crianças saem pedindo pão, castanhas e frutos secos de porta em porta. O dia também lembra o terremoto de Lisboa, que aconteceu em 1º de novembro de 1755.
Na Umbanda, a data não é só católica. O congá recebe as imagens dos santos pelo sincretismo, e muitas casas aproveitam o 1º de novembro para falar dos Orixás e dos santos que os representam. Há também quem veja o período entre 31 de outubro e 2 de novembro como um tempo de pensar a morte como passagem, e não como fim.
Alexandre Cumino, em seu ensino sobre os Orixás, resume assim essa visão: morrer é Omolu, fazer a passagem é Obaluaê, nascer em outra vida é Iemanjá. É por isso que esta oração termina pedindo luz para as almas, já de olho no Dia de Finados.
A oração também lembra os guias de luz. Caboclos e Pretos-Velhos são espíritos que trabalham na caridade sem buscar fama, e muita gente sente neles a mesma santidade simples que o dia celebra. Cada casa tem o seu entendimento sobre isso, e algumas não fazem sincretismo.
Esta oração é autoral, escrita para o Axé Umbanda a partir do sentido da festa e da fé umbandista. A Igreja tem a sua liturgia própria para o dia, com a Ladainha de Todos os Santos, e as duas formas podem conviver no coração de quem reza.
Como rezar
- Escolha um lugar calmo e limpo. Se tiver um pequeno altar ou um congá em casa, limpe as imagens com um pano seco antes de começar, com carinho, como quem cuida de visitas queridas.
- Acenda, se quiser, uma vela branca, que serve para todos os santos e para Oxalá. Firme a vela num pires, longe de cortina e de papel, e nunca a deixe acesa sem alguém por perto.
- Coloque ao lado um copo de água limpa. Depois da oração, a água pode ser jogada numa planta ou na terra.
- Antes de rezar, pense nos santos da sua devoção e também nas pessoas boas que já partiram e que, para você, viveram como santos. Se quiser, diga o nome delas em voz baixa.
- Reze devagar. Faça uma pausa depois de cada parte da oração, principalmente na parte de agradecer, que é o coração deste dia.
- Se quiser, faça depois um banho de ervas suaves, como alecrim, manjericão ou erva-doce, sempre do pescoço para baixo. A cabeça tem cuidado próprio, o amaci, que é feito com orientação do terreiro.
- Quem é católico e não é de terreiro pode deixar de lado as linhas que citam Oxalá, os Caboclos e os Pretos-Velhos e a saudação final. Termine agradecendo e apague a vela com abafador ou deixe que ela termine em segurança.
- Uma boa forma de fechar o dia é fazer um gesto de bondade escondido, sem contar a ninguém: ajudar um vizinho, doar um alimento, visitar alguém sozinho. É assim que os santos sem nome viveram.
Quando rezar
Reze em 1º de novembro, dia de Todos os Santos, de preferência pela manhã ou à noite, quando a casa está quieta. Em 2026 a data cai num domingo. No Brasil, quando o dia 1º cai durante a semana, a Igreja costuma levar a celebração para o domingo seguinte, e você pode rezar nos dois dias. Muitas casas de Umbanda tratam o período de 31 de outubro a 2 de novembro como um tempo só, de reflexão sobre a morte, a passagem e o renascimento; por isso a oração combina bem com a véspera de Finados. Também pode ser rezada em qualquer dia em que você queira agradecer pelos santos e guias que te acompanham.
Perguntas frequentes
Quando é o Dia de Todos os Santos?
Qual a diferença entre Todos os Santos e Finados?
Por que existe um dia para todos os santos?
Como surgiu o Dia de Todos os Santos?
A Umbanda comemora o Dia de Todos os Santos?
Qual vela acender no Dia de Todos os Santos?
Posso rezar por parentes que já morreram nesse dia?
Os guias da Umbanda são considerados santos?
O que é o Pão-por-Deus?
Essa oração é tradicional ou autoral?
Fonte: Solenidade de Todos os Santos, Vatican News, Dia de Todos os Santos, Enciclopédia Católica do Lírio Católico, Dia de todos os santos, Educa Mais Brasil, Minuta de projeto de lei sobre o Dia de Todos os Santos da Umbanda, Câmara Municipal de Porto Alegre
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