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Oração das Treze Almas

Às Treze Almas e a todas as almas sem nome, oferecendo luz, água e prece em caridade, sob o amparo de Deus, de Obaluaê e dos Pretos Velhos

Oração: Oração das Treze Almas
Resposta rápida

A oração das Treze Almas é uma prece de caridade pelas treze pessoas sem nome sepultadas lado a lado no Cemitério São Pedro, em São Paulo, e por todas as almas esquecidas. Reze na segunda feira ou no dia de Finados, com uma vela branca e um copo de água, pedindo a Deus que as encaminhe para a luz.

Oração das Treze Almas

Deus Pai de misericórdia, Senhor da vida e da passagem,eu venho em caridade diante de Vós.Acendo esta vela branca e ponho este copo de águaem intenção das Treze Almase de todas as almas que partiram sem nome e sem despedida.Vós conheceis cada uma delas pelo nome,mesmo quando ninguém na Terra soube dizer quem eram.Recebei esta luz para clarear o caminho delas.Recebei esta água para aliviar o calor e a sede,a dor do fogo, do medo e da hora difícil.Que nenhuma delas fique presa ao lugar onde caiu,nem ao susto da partida, nem à saudade de quem ficou.Pai Obaluaê, senhor da terra que recebe e da cura que renova,cobri essas almas com a vossa palhae conduzi cada uma ao lugar de descanso que lhe cabe.Meus Pretos Velhos e minhas Pretas Velhas da linha das Almas,vós que sabeis acolher quem chega cansado,estendei a mão a essas almas e ensinai o caminho.Eu não chamo ninguém para me servir.Eu ofereço a minha prece para servir.Se alguma graça eu tiver de alcançar,que venha de Deus e dos guias de luz,pela caridade que hoje eu faço de coração aberto.Lembro também das famílias que não puderam enterrar os seus,das mães que esperaram notícia que nunca veio.Consolai quem ainda carrega essa ausência.E guardai a mim e à minha casa,para que a minha luz seja firme e o meu caminho, limpo.Que as Treze Almas e todas as almas esquecidasencontrem paz, entendimento e luz.Atotô, meu Pai Obaluaê. Adorei as Almas. Assim seja.

O significado desta oração

As Treze Almas são uma devoção popular nascida em São Paulo. No Cemitério São Pedro, na Vila Alpina, zona leste da cidade, há treze sepulturas lado a lado de pessoas que nunca foram identificadas. A tradição liga essas treze pessoas ao incêndio do Edifício Joelma, em 1º de fevereiro de 1974.

O incêndio começou no 12º andar, por um curto circuito no sistema de ar condicionado, e matou mais de 180 pessoas. O número exato varia conforme a fonte. Foi uma das maiores tragédias urbanas do Brasil, e o prédio hoje se chama Edifício Praça da Bandeira.

A versão mais contada diz que as treze vítimas tentaram fugir por um elevador e morreram ali, e que os corpos não puderam ser reconhecidos. O pesquisador Thiago de Souza, ouvido pela CNN Brasil em 2024, lembra que a morte de treze pessoas num elevador nunca teve confirmação oficial. Segundo ele, dos treze sepultados sem identificação, onze morreram carbonizados e dois por politraumatismo.

Conta a tradição que, meses depois do enterro, funcionários e visitantes do cemitério passaram a ouvir gemidos vindos dos túmulos. Alguém jogou água sobre as lápides, como quem apaga o fogo em que aquelas pessoas morreram, e os gemidos cessaram. Desde então os devotos deixam copos de água, e às vezes de leite, sobre as sepulturas.

Com o tempo, quem rezava ali passou a contar graças recebidas, e as Treze Almas viraram as milagreiras do cemitério. A Igreja Católica não reconhece esse culto como oficial, mas ele seguiu vivo como piedade popular, sobretudo em São Paulo.

Existe também uma história mais antiga de treze almas, que aparece em edições populares do Livro de São Cipriano e no catolicismo do sertão. A Tenda de Umbanda Ogum Delê lembra que o imaginário popular fala de vários grupos de treze almas: santas, benditas, sedentas, do purgatório. Uma tese da Universidade Federal da Paraíba estudou a devoção às Treze Almas Benditas, Sabidas e Entendidas entre rezadeiras do sertão de Princesa.

Na Umbanda, as opiniões variam e é preciso dizer isso com honestidade. Há casas que acolhem a devoção como caridade às almas. Há outras que alertam: almas que partiram de forma violenta podem estar ainda em sofrimento, e pedir favores a elas não é seguro. Essas casas orientam a rezar por elas e a pedir ajuda aos Pretos Velhos, que são as santas almas já em luz.

Por isso esta oração foi escrita no sentido da caridade. Ela oferece luz, água e prece, pede a Deus, a Obaluaê e aos Pretos Velhos que encaminhem essas almas, e deixa qualquer graça nas mãos de Deus. Não é uma prece para chamar espíritos nem para mexer na vida de outra pessoa.

A água tem um sentido bonito nessa devoção. Ela lembra o fogo que levou aquelas vidas e também a sede das almas que a tradição chama de sedentas. Oferecer água é um gesto simples de compaixão, o mesmo que muitas casas fazem no Cruzeiro das Almas.

Esta oração é autoral, escrita para o Axé Umbanda a partir da história do Joelma, da devoção popular e da fé umbandista. As versões que circulam em santinhos e na internet variam muito. Se você é de terreiro, siga sempre a orientação do seu dirigente.

TipoOração autoral
TemaÀs Treze Almas e a todas as almas sem nome, oferecendo luz, água e prece em caridade, sob o amparo de Deus, de Obaluaê e dos Pretos Velhos
VelaBranca
OrigemOração do Axé Umbanda

Como rezar

  1. Escolha um lugar calmo da casa, de preferência fora do quarto de dormir. Se tiver um cantinho das almas ou um congá, use esse espaço.
  2. Acenda uma vela branca num pires, longe de cortinas e de qualquer coisa que pegue fogo. Nunca deixe a vela acesa sem alguém por perto.
  3. Ao lado, coloque um copo de água limpa. Há quem ofereça treze velas ou treze copos, mas uma vela e um copo bastam quando a intenção é sincera.
  4. Antes de começar, reze um Pai Nosso e uma Ave Maria, se for do seu costume. Depois, leia a oração devagar, em voz baixa.
  5. Na parte das famílias, pense em quem perdeu alguém sem poder se despedir. Se você mesmo carrega uma perda assim, diga o nome dessa pessoa.
  6. Quando a vela terminar, despeje a água num jardim, numa planta ou na terra. Não beba a água oferecida às almas.
  7. Depois da prece, se sentir peso, tome um banho de ervas suaves, como alecrim ou guiné, sempre do pescoço para baixo. A cabeça tem cuidado próprio, o amaci, feito com orientação do terreiro.
  8. Se quiser visitar as sepulturas no Cemitério São Pedro, vá com respeito, no horário de funcionamento, e siga as regras do cemitério. Deixe o lugar limpo como encontrou.

Quando rezar

Reze na segunda feira, dia que a devoção popular e muitas casas de Umbanda dedicam às almas, de preferência no fim da tarde. É uma prece muito própria para o Dia de Finados, 2 de novembro, que em 2026 cai numa segunda feira, e para o 1º de fevereiro, data do incêndio do Edifício Joelma. Também cabe em qualquer dia em que você se lembre de alguém que morreu longe, sem nome ou sem despedida.

Perguntas frequentes

Quem são as Treze Almas?
São treze pessoas sem identificação sepultadas lado a lado no Cemitério São Pedro, na Vila Alpina, em São Paulo. A tradição popular as liga ao incêndio do Edifício Joelma, em 1974, e elas se tornaram objeto de devoção.
As Treze Almas morreram mesmo no elevador do Joelma?
É a versão mais contada, mas nunca teve confirmação oficial. O pesquisador Thiago de Souza diz que isso não quer dizer que elas não tenham morrido no Joelma: o que não se comprovou foi a morte das treze dentro de um elevador.
Por que se oferece água às Treze Almas?
Conta a tradição que gemidos vindos dos túmulos cessaram depois que alguém jogou água sobre as lápides, como quem apaga o fogo do incêndio. Desde então os devotos deixam copos de água, e às vezes de leite, nas sepulturas.
A Umbanda reza para as Treze Almas?
Depende da casa. Algumas acolhem a devoção como caridade às almas. Outras orientam a rezar por elas, e não a pedir favores, e a buscar ajuda dos Pretos Velhos. Esta oração segue o caminho da caridade.
Posso pedir uma graça às Treze Almas?
Muitos devotos pedem. Por cautela, esta oração entrega o pedido a Deus e aos guias de luz e oferece a prece às almas em caridade. Se você é de terreiro, pergunte ao seu dirigente como a casa entende essa devoção.
Qual o melhor dia para rezar?
A segunda feira, dia das almas, e o Dia de Finados, 2 de novembro. Em 2026 Finados cai numa segunda feira. O 1º de fevereiro, data do incêndio do Joelma, também é lembrado pelos devotos.
Preciso acender treze velas?
Não. Há quem acenda treze velas ou ofereça treze copos de água, mas uma vela branca e um copo de água bastam. O que conta é a intenção sincera e o cuidado com o fogo.
A Igreja Católica reconhece as Treze Almas?
Não como culto oficial. A Igreja reza por todos os mortos, sobretudo em Finados, mas a devoção às Treze Almas é piedade popular, sem reconhecimento formal.
Qual a diferença entre esta oração e a oração às almas?
A oração às almas é dirigida às almas benditas em geral e à linha das Almas. Esta lembra em especial as Treze Almas do Cemitério São Pedro e todas as pessoas que partiram sem nome e sem despedida.
Essa oração é tradicional ou autoral?
É autoral, escrita para o Axé Umbanda. As orações às Treze Almas que circulam em santinhos variam muito e algumas trazem pedidos que mexem com a vontade de outras pessoas, o que esta oração não faz.

Fonte: Edifício Joelma: prédio virou ponto turístico após ganhar fama de mal assombrado, CNN Brasil, As Treze Almas, Wikipédia, Quem são as 13 Almas Benditas?, Tenda de Umbanda Ogum Delê, Rezadeiras e rezadores das almas no sertão de Princesa, tese de José Anchieta Bezerra de Melo, UFPB

Conteúdo informativo e de fé. As orações e formas de rezar variam de casa para casa. Não substituem a orientação do dirigente do seu terreiro. Reze com fé e respeito.
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