Ponto cantado · Cosme, Damião e Doum (Erês e Ibejada)

Ponto de Cosme e Damião: Cadê Doum

Cosme e Damião, Damião, cadê Doum?

Ouça o ponto

▶ Tocar no YouTube · AUMOPA - Aldeia de Umbanda Mamãe Oxum e Pai André
Vídeo: No cavalo de Ogum - Ponto de Criança, canal AUMOPA - Aldeia de Umbanda Mamãe Oxum e Pai André (YouTube). Os direitos da gravação pertencem ao autor/canal; reproduzido aqui via player oficial do YouTube.
Cosme, Damião e Doum (Erês e Ibejada)Crianças

Letra do ponto

Cosme e Damião,Damião, cadê Doum?Doum foi passearno cavalo de Ogum.Dois, dois, sereia do mar,dois, dois, mamãe Iemanjá.Dois, dois, sereia do mar,dois, dois, mamãe Iemanjá.

Letra de tradição oral; pode variar de casa para casa.

Significado

Este é um dos pontos mais conhecidos da linha das Crianças, cantado em terreiros do Brasil inteiro e de autoria desconhecida, como quase todo ponto de raiz. Ele cabe em poucos versos e tem jeito de cantiga de roda, e é justamente essa simplicidade que faz qualquer pessoa da assistência aprender na primeira vez que ouve.

A letra é uma conversa de irmãos. A gira chama Cosme e Damião e pergunta a Damião onde está Doum, o caçula. A resposta vem na hora: Doum foi passear no cavalo de Ogum. Não há aflição nenhuma na pergunta. É a mesma brincadeira das crianças que se procuram no quintal e riem quando se acham.

Para entender quem é Doum, vale olhar para a raiz iorubá. Ibeji quer dizer gêmeos, e na tradição iorubá o gêmeo que nasce primeiro se chama Taiwo e o segundo, Kehinde. A criança que nasce depois de um par de gêmeos recebe o nome de Idowu, e foi esse nome que, no Brasil, virou Doum. Por isso tantas casas falam em Cosme, Damião e Doum: os gêmeos e o irmão que veio depois.

Cosme e Damião entram no ponto pelo sincretismo. Na tradição católica, eram irmãos gêmeos, médicos que atendiam sem cobrar, e por serem gêmeos foram aproximados dos Ibejis, os Orixás crianças. Há casas que ligam a mesma força também a São Crispim e São Crispiniano. Os santos são católicos e os Ibejis são Orixás, cada um com a sua história, e a devoção popular aprendeu a honrar os dois.

O cavalo de Ogum é a imagem que mais chama atenção. Ogum é o guerreiro, o que vai na frente e abre caminho, e muitas casas leem o verso como sinal de que a criança anda protegida: o irmão menor está passeando, mas está na garupa de quem guarda. Também há quem lembre, com carinho, que médium incorporado é chamado de cavalo nas casas, e que o Erê pode estar trabalhando na coroa de um filho de Ogum. As duas leituras convivem.

O refrão diz dois, dois, e isso não é só ritmo. Dois-Dois é um dos nomes populares de Ibeji, justamente por serem gêmeos. Logo depois vêm a sereia do mar e a mamãe Iemanjá. Muitas casas ligam a Ibejada às mães das águas, Iemanjá e Oxum, e por isso cultuam as Crianças no sábado, junto com elas. Outras preferem o domingo. O costume da sua casa é o que vale dentro dela.

Na Umbanda, os Erês são espíritos que se apresentam como crianças e trabalham sob a irradiação de Ibeji, com alegria, pureza e verdade dita sem rodeio. Eles são procurados para assuntos de família, de gravidez, de criança doente e de tristeza que não passa. O pedido de saúde é bem-vindo, mas não substitui orientação médica: a Ibejada ampara, e o cuidado do corpo continua com quem trata dele.

Como todo ponto de tradição oral, este tem muitas versões. Há casas que começam com São Cosme, São Damião, oi Damião, cadê Doum, há versões que perguntam cadê o seu irmão que se chama Doum, e há quem emende outro ponto conhecido, que pergunta quem foi que jogou pedra no cavalo de Ogum. Nenhuma versão é a errada. A que a sua gira canta é a que vale para você.

Quando se canta

Na gira das Crianças, em geral logo depois que os Erês chegam, quando a corrente canta para chamar a falange inteira e a gira fica leve e brincalhona. A pergunta do ponto, cadê Doum, funciona como chamado: Cosme e Damião já estão ali, e a curimba chama o irmão menor para vir também.

É muito cantado na festa de Cosme e Damião, em 26 e 27 de setembro, conforme o costume da casa, nos carurus e nas distribuições de doces, e nas giras em que há crianças na assistência. Algumas casas voltam a cantar para a Ibejada perto do Dia das Crianças, em 12 de outubro.

Muitas casas usam o ponto também para aliviar o ambiente depois de uma gira pesada, porque a linha das Crianças é a que devolve alegria à corrente. O toque mais citado para ele é o samba cabula, mas o ritmo, a ordem e as repetições são sempre do dirigente e do ogã da casa.

Perguntas frequentes

O que significa o ponto de cosme e damião: cadê doum?
Este é um dos pontos mais conhecidos da linha das Crianças, cantado em terreiros do Brasil inteiro e de autoria desconhecida, como quase todo ponto de raiz. Ele cabe em poucos versos e tem jeito de cantiga de roda, e é justamente essa simplicidade que faz qualquer pessoa da assistência aprender na primeira vez que ouve. A letra é uma conversa de irmãos. A gira chama Cosme e Damião e pergunta a Damião onde está Doum, o caçula. A resposta vem na hora: Doum foi passear no cavalo de Ogum. Não há aflição nenhuma na pergunta. É a mesma brincadeira das crianças que se procuram no quintal e riem quando se acham. Para entender quem é Doum, vale olhar para a raiz iorubá. Ibeji quer dizer gêmeos, e na tradição iorubá o gêmeo que nasce primeiro se chama Taiwo e o segundo, Kehinde. A criança que nasce depois de um par de gêmeos recebe o nome de Idowu, e foi esse nome que, no Brasil, virou Doum. Por isso tantas casas falam em Cosme, Damião e Doum: os gêmeos e o irmão que veio depois. Cosme e Damião entram no ponto pelo sincretismo. Na tradição católica, eram irmãos gêmeos, médicos que atendiam sem cobrar, e por serem gêmeos foram aproximados dos Ibejis, os Orixás crianças. Há casas que ligam a mesma força também a São Crispim e São Crispiniano. Os santos são católicos e os Ibejis são Orixás, cada um com a sua história, e a devoção popular aprendeu a honrar os dois. O cavalo de Ogum é a imagem que mais chama atenção. Ogum é o guerreiro, o que vai na frente e abre caminho, e muitas casas leem o verso como sinal de que a criança anda protegida: o irmão menor está passeando, mas está na garupa de quem guarda. Também há quem lembre, com carinho, que médium incorporado é chamado de cavalo nas casas, e que o Erê pode estar trabalhando na coroa de um filho de Ogum. As duas leituras convivem. O refrão diz dois, dois, e isso não é só ritmo. Dois-Dois é um dos nomes populares de Ibeji, justamente por serem gêmeos. Logo depois vêm a sereia do mar e a mamãe Iemanjá. Muitas casas ligam a Ibejada às mães das águas, Iemanjá e Oxum, e por isso cultuam as Crianças no sábado, junto com elas. Outras preferem o domingo. O costume da sua casa é o que vale dentro dela. Na Umbanda, os Erês são espíritos que se apresentam como crianças e trabalham sob a irradiação de Ibeji, com alegria, pureza e verdade dita sem rodeio. Eles são procurados para assuntos de família, de gravidez, de criança doente e de tristeza que não passa. O pedido de saúde é bem-vindo, mas não substitui orientação médica: a Ibejada ampara, e o cuidado do corpo continua com quem trata dele. Como todo ponto de tradição oral, este tem muitas versões. Há casas que começam com São Cosme, São Damião, oi Damião, cadê Doum, há versões que perguntam cadê o seu irmão que se chama Doum, e há quem emende outro ponto conhecido, que pergunta quem foi que jogou pedra no cavalo de Ogum. Nenhuma versão é a errada. A que a sua gira canta é a que vale para você.
Quando se canta esse ponto?
Na gira das Crianças, em geral logo depois que os Erês chegam, quando a corrente canta para chamar a falange inteira e a gira fica leve e brincalhona. A pergunta do ponto, cadê Doum, funciona como chamado: Cosme e Damião já estão ali, e a curimba chama o irmão menor para vir também. É muito cantado na festa de Cosme e Damião, em 26 e 27 de setembro, conforme o costume da casa, nos carurus e nas distribuições de doces, e nas giras em que há crianças na assistência. Algumas casas voltam a cantar para a Ibejada perto do Dia das Crianças, em 12 de outubro. Muitas casas usam o ponto também para aliviar o ambiente depois de uma gira pesada, porque a linha das Crianças é a que devolve alegria à corrente. O toque mais citado para ele é o samba cabula, mas o ritmo, a ordem e as repetições são sempre do dirigente e do ogã da casa.
Posso cantar esse ponto em casa?
Pode, com respeito e fé. Os pontos cantados são orações em forma de música; cantar em casa ajuda a firmar a fé e a sintonia. Para trabalhos de terreiro, siga sempre a orientação do dirigente da sua casa, pois cada terreiro tem seu fundamento e a letra pode variar.
A letra é sempre igual?
Não. Os pontos são de tradição oral e variam de casa para casa, com pequenas diferenças de letra e melodia. A versão aqui é uma das mais conhecidas; a da sua casa pode ter variações.
Quem é Doum no ponto de Cosme e Damião?
Doum é o irmão caçula que a tradição coloca ao lado dos gêmeos Cosme e Damião. O nome vem de Idowu, que na tradição iorubá é a criança nascida depois de um par de gêmeos, chamados Taiwo e Kehinde. No Brasil, Idowu virou Doum, e por isso tantas casas saúdam Cosme, Damião e Doum juntos. Em algumas casas Doum é tratado como entidade da Ibejada com jeito próprio, e quem explica isso é o dirigente.
O que significa Doum foi passear no cavalo de Ogum?
A leitura mais comum nas casas é de proteção: o irmão menor está passeando, mas na garupa de Ogum, o guerreiro que abre caminho e guarda. Há também quem lembre que, na linguagem do terreiro, o médium incorporado é chamado de cavalo, e que o Erê pode estar trabalhando na coroa de um filho de Ogum. As duas leituras convivem, e o tom do ponto é sempre de brincadeira, não de aflição.
Por que o ponto canta dois, dois?
Porque Dois-Dois é um dos nomes populares de Ibeji, os Orixás gêmeos, e a repetição lembra que eles vêm em par. Muitas casas usam o nome Dois-Dois para chamar a linha das Crianças inteira, ao lado de Ibejada e Erês.
Por que Iemanjá aparece num ponto de Crianças?
Muitas casas ligam a Ibejada às mães das águas, Iemanjá e Oxum, que estão perto da gestação, do cuidado e do amor de mãe. Por isso há terreiros que cultuam as Crianças no sábado, junto com elas, e o ponto saúda a sereia do mar e a mamãe Iemanjá logo depois de chamar Doum. Outras casas preferem cultuar a Ibejada no domingo, e as duas práticas são legítimas.
Quando se canta esse ponto na gira?
Na gira das Crianças, em geral logo depois que os Erês chegam, e com destaque na festa de Cosme e Damião, em 26 ou 27 de setembro, conforme o costume da casa. Muitas casas cantam também quando há criança na assistência e para aliviar o ambiente depois de uma gira pesada. O toque mais citado é o samba cabula, mas a ordem e o ritmo são do dirigente e do ogã.
Por que alguns festejam Cosme e Damião no dia 26 e outros no dia 27?
A Igreja celebra São Cosme e São Damião em 26 de setembro. Muitas casas de matriz africana festejam no dia 27, e uma explicação que circula entre umbandistas é que, no tempo da perseguição aos terreiros, celebrar no mesmo dia dos santos era visto como afronta, e a festa passou para o dia seguinte. Hoje há casas que celebram no 26, casas que celebram no 27 e casas que fazem as duas datas.
Qual a diferença entre Ibeji e Erê?
Ibeji é o Orixá, a força dos gêmeos, da infância, do começo e da alegria. Erê é a entidade que se manifesta como criança na gira, trabalhando sob a irradiação de Ibeji. No dia a dia muitas casas usam Ibeji, Erê, Ibejada e Crianças quase como sinônimos, e a diferença interessa mais ao estudo do que à devoção.
Que vela se acende para Cosme, Damião e Doum?
Um costume comum na Umbanda é acender duas velas, uma rosa e uma azul clara, uma para cada gêmeo, ou uma vela de duas cores. Há casas que acrescentam uma terceira vela para Doum, e há quem use vela branca. Doces, guaraná e frutas são os agrados mais lembrados. Siga sempre o que a sua casa ensina.
A letra desse ponto é sempre igual?
Não. Há versões que começam com São Cosme, São Damião, oi Damião, cadê Doum, versões que perguntam cadê o seu irmão que se chama Doum e casas que repetem o refrão de Iemanjá mais vezes. Também é comum emendar com outro ponto conhecido, que pergunta quem foi que jogou pedra no cavalo de Ogum. Ponto de raiz é tradição oral, e a versão da sua casa é a que vale.
Posso cantar esse ponto em casa?
Sim. Cantar ponto em casa com respeito, como saudação e oração, é costume antigo, e este é dos mais fáceis para ensinar às crianças da família. O que não se faz por conta própria é abrir gira, chamar Erê para incorporar ou conduzir trabalho, porque isso pede corrente, preparo e dirigente responsável. Se sentir vontade de ir além da saudação, procure uma casa séria e converse.
Conteúdo informativo e de fé. Os pontos cantados são de tradição oral e variam de casa para casa, na letra e na melodia. Os vídeos são de canais do YouTube, com os devidos créditos, e cada autor mantém os direitos da sua gravação. Para o uso ritual, siga sempre a orientação do dirigente do seu terreiro.
← Ver todos os pontos