
Incorporação na Umbanda é a manifestação de um Guia de Luz através do corpo do médium, em transe consciente ou semiconsciente, para prestar caridade. Entenda como funciona, o que a incorporação não é e como ela se desenvolve no terreiro.
A incorporação é o momento em que um Guia de Luz, como um Preto-Velho, um Caboclo ou uma Criança, se manifesta através do corpo de um médium para trabalhar na gira. Não é posse nem perda de si: é uma sintonia de vibração, quase sempre em transe consciente ou semiconsciente, em que a entidade usa o aparelho do médium para dar passe, conselho e caridade. Entenda como funciona, o que a incorporação não é e como ela se desenvolve com fundamento.
O que é a incorporação
Incorporar é permitir que um espírito de luz se aproxime e se una vibratoriamente ao médium para se comunicar com o plano material. O guia não expulsa o espírito de quem incorpora: os dois ficam presentes, numa parceria de sintonia. Por isso, na Umbanda séria, fala-se em manifestação ou irradiação, e não em possessão. A finalidade é sempre a caridade: amparar, orientar, limpar energias e aproximar as pessoas da fé.
Como funciona a incorporação
Para incorporar, o médium eleva a sua vibração pela concentração, pela oração e pelos pontos cantados, e a entidade aproxima o seu campo do campo do médium, ligando os centros de força. Durante o transe, é comum a voz, a postura, o olhar e o jeito de caminhar mudarem, conforme a entidade que se apresenta. Um Preto-Velho curva o corpo e fala manso; um Caboclo se firma altivo. Nada disso é teatro: é a marca da vibração daquela linha se expressando pelo aparelho.
O que a incorporação não é
A incorporação não é possessão, não é perda de consciência total nem é a entidade dominando a pessoa contra a sua vontade. O médium não deixa de ser gente: mantém discernimento e pode, a qualquer momento, com a orientação do dirigente, desincorporar. Também não é sinônimo de sofrimento ou descontrole. Quando há caras e bocas exageradas, quedas ou violência, em geral falta desenvolvimento e direção, e não fundamento. Incorporar bem é incorporar com equilíbrio, humildade e caridade.
Incorporação consciente e inconsciente
Na maior parte dos casos, a incorporação é consciente ou semiconsciente: o médium percebe o que acontece, lembra depois e coopera com o guia, sem se sobrepor a ele. A incorporação totalmente inconsciente, em que a pessoa nada recorda, é mais rara e nem sempre é o ideal, pois o desenvolvimento busca justamente a parceria lúcida entre médium e entidade. O grau de consciência varia de pessoa para pessoa e amadurece com o tempo de terreiro.
Como se desenvolve a incorporação
A incorporação se desenvolve aos poucos, na chamada corrente de desenvolvimento, sempre sob a orientação do dirigente. Antes de incorporar, muitos médiuns começam cambonando e observando, firmando a mediunidade com estudo, disciplina e vida equilibrada. O desenvolvimento não tem pressa: respeita o tempo de cada um e é conduzido com segurança, para que a manifestação seja firme, útil e sem riscos ao aparelho.
E quem só assiste à gira?
Quem vai à primeira vez no terreiro não precisa temer incorporar sem querer. A assistência recebe passe e orientação sem entrar na corrente, e ninguém é obrigado a nada. Se você sente arrepios ou emoção forte assistindo, converse com o dirigente: isso pode ser apenas sensibilidade, e não necessariamente um chamado para incorporar. Tudo, na Umbanda de fundamento, acontece com respeito, calma e liberdade.
Fontes e referências
Perguntas frequentes
O que é incorporação na Umbanda?
Incorporação é o mesmo que possessão?
O médium lembra do que aconteceu ao incorporar?
Qualquer pessoa pode incorporar?
Posso incorporar sem querer só de assistir a uma gira?
Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan são médiuns de um terreiro de Umbanda em São Paulo e mantêm o Axé Umbanda com fundamento, respeito à tradição e fontes confiáveis.
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