
O 2 de novembro é uma das datas mais sentidas dos terreiros. Entenda por que Finados é também o dia das Almas, qual a ligação com Obaluaê e Omulu e com os Pretos-Velhos, e o que dá para fazer em casa e no cemitério com respeito.
Na Umbanda, o Dia de Finados, 2 de novembro, é o dia de rezar pelos que partiram e de firmar as Almas. Muitas casas homenageiam nessa data Obaluaê e Omulu, o Orixá da terra e da passagem, e as entidades que trabalham na linha das Almas, como os Pretos-Velhos e os Exus das Almas. A data vem do calendário católico dos Fiéis Defuntos, mas nos terreiros ganhou um sentido próprio: lembrar os mortos com luz, oração e caridade, sem medo. Neste artigo você entende o fundamento, o que se costuma fazer e os cuidados que valem para qualquer casa.
Resposta rápida
O Dia de Finados na Umbanda é o dia das Almas. Em 2 de novembro, muitas casas acendem vela branca, rezam pelos parentes e amigos que partiram, levam café, flores brancas e água ao Cruzeiro das Almas e homenageiam Obaluaê e Omulu, sincretizados com São Lázaro e São Roque. É também data forte para os Pretos-Velhos e para os Exus e Pombagiras que trabalham na calunga. Não existe um rito único: o que sua casa faz nesse dia é decidido pelo dirigente.
Por que Finados é o dia das Almas na Umbanda
O 2 de novembro é a festa católica dos Fiéis Defuntos, quando multidões vão aos cemitérios do Brasil. A Umbanda nasceu no meio dessa religiosidade popular e guardou a data, mas com o olhar que é dela: na Umbanda os mortos não são assunto de medo, e sim de memória, oração e caridade. Rezar por quem partiu ajuda o espírito a seguir o seu caminho de luz, e lembrar os antepassados é reconhecer que a corrente espiritual de hoje foi construída por eles.
No calendário umbandista do Axé Umbanda, o 2 de novembro aparece como Finados e dia das Almas, uma das datas de maior consenso entre as casas. Durante o ano, a segunda-feira é o dia que a maioria dos terreiros dedica às Almas e a Obaluaê, e o Finados funciona como a grande segunda-feira do ano.
Obaluaê e Omulu no Dia de Finados
Obaluaê e Omulu são os nomes mais usados no Brasil para o Orixá da terra, da doença e da cura, que guarda a passagem entre a vida e a morte. Por isso o campo de trabalho dele é a calunga pequena, o cemitério, e é a ele que muitas casas pedem licença antes de qualquer trabalho com as Almas.
Em reportagem sobre o Finados em São Luís, uma mãe de santo resume o sentido da data: nesse dia os umbandistas louvam a força de Omulu e Obaluaê, sincretizados com São Lázaro e São Roque. Na prática, o louvor costuma ser simples: vela branca, ou preta e branca onde a casa usa, pipoca sem sal, o ponto de Omulu e a saudação Atotô. Para quem quer ir além, a oferenda de Omulu explica o que levar e onde entregar.
Pretos-Velhos, Exus das Almas e o povo da calunga
O Dia de Finados não é só de Obaluaê. Várias linhas da Umbanda trabalham no reino das Almas e são lembradas nessa data:
- Pretos-Velhos. São espíritos de antigos africanos escravizados e seus descendentes, os mais velhos da corrente, e muitos se apresentam como "das Almas". Em várias casas, o ponto Adorei as Almas abre a homenagem.
- Exus e Pombagiras das Almas. Guardiões que trabalham no cruzeiro e na calunga, como o Exu das Almas e a Maria Mulambo das Almas. Eles ajudam a encaminhar espíritos perdidos e a limpar o que ficou pesado.
- Os nossos mortos. Pais, avós, amigos e irmãos de corrente que já partiram. A Umbanda chama de egun o espírito de quem morreu, e reza por eles com respeito e sem cobrança.
Algumas casas fazem gira das Almas ou de Pretos-Velhos no fim de semana mais próximo; outras preferem uma sessão só de preces. Siga o que a sua casa marcar.
O que fazer no Dia de Finados na Umbanda
Para quem não vai ao terreiro, um preceito simples em casa já é uma homenagem bonita:
- Acender uma vela branca num pires, em lugar firme, longe de cortina e de papel, com um copo de água ao lado. A vela e o copo de água para as Almas é o gesto mais conhecido.
- Rezar pelos que partiram, dizendo o nome de cada um. A oração às Almas serve para quem quer um texto para seguir.
- Levar flores brancas ao túmulo da família. O crisântemo branco é a flor tradicional do 2 de novembro e, na Umbanda, também é flor de Omulu.
- Fazer uma caridade concreta em nome de quem partiu: doar alimento, visitar um doente, ajudar alguém. Para as Almas, a caridade vale mais que qualquer oferenda.
Quem quiser ir ao Cruzeiro das Almas do cemitério pode levar vela branca, café puro sem açúcar e flores brancas, como explicado na oferenda para as Almas. Algumas casas acrescentam pão, água ou farofa branca. Peça licença a Omulu ao entrar, reze, e ao sair recolha tudo o que não é da natureza.
Cuidados e o que evitar
- Não faça trabalho no cemitério sem orientação. A calunga é lugar sagrado e de energia forte. Rezar e acender vela é para todos; firmeza, despacho e trabalho de esquerda são para quem tem fundamento e a licença do dirigente.
- Não chame espírito de parente por conta própria. A saudade é natural, mas a comunicação com os mortos na Umbanda acontece dentro da gira, com guias e médiuns preparados.
- Respeite o cemitério e quem está de luto. No 2 de novembro o cemitério está cheio de famílias de todas as religiões. Seja discreto, não deixe vela em cima de túmulo alheio e não use louça, plástico ou vidro.
- Cuidado com o fogo. Vela sempre em pires ou castiçal, nunca sozinha perto de flores secas ou panos.
O Finados também pode ser um dia de tristeza. Se a perda é recente e a dor está difícil de carregar, além da oração vale procurar a família, os amigos e, se preciso, ajuda profissional.
Em resumo
Na Umbanda, o Dia de Finados é o dia das Almas: vela branca, oração, flores e caridade em memória dos que partiram, com homenagem a Obaluaê e Omulu, aos Pretos-Velhos e às entidades que trabalham na calunga. A data vem do catolicismo, mas nos terreiros é vivida sem medo, como reverência aos ancestrais. Cada casa tem o seu costume, e o que vale é o fundamento do seu dirigente. Atotô, e salve as Almas!
Fontes e referências
- O Imparcial, Religiões e o seu diálogo com os mortos (Finados em São Luís, 2016)
- Alma Preta, A morte é um pacto ancestral
- Câmara Municipal de Porto Alegre, PLL 580 (datas das religiões de matriz africana)
- Psicologia em Estudo (SciELO), Representações sociais dos Pretos-Velhos para umbandistas e simpatizantes
Perguntas frequentes
O que é o Dia de Finados na Umbanda?
Qual Orixá é homenageado no Dia de Finados?
Umbandista pode ir ao cemitério no Dia de Finados?
O que levar ao Cruzeiro das Almas em 2 de novembro?
Como acender vela para as Almas em casa no Finados?
Tem gira no Dia de Finados?
Qual a diferença entre o Dia de Finados e a segunda-feira das Almas?
Por que o crisântemo é a flor de Finados?
Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan são médiuns de um terreiro de Umbanda em São Paulo e mantêm o Axé Umbanda com fundamento, respeito à tradição e fontes confiáveis.
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