Ponto cantado · Obaluaê (Omulu)

Ponto de Obaluaê: Atotô, Meu Pai Omulu

Atotô, meu pai Obaluaê

Ouça o ponto

▶ Tocar no YouTube · AS 7 ENCRUZILHADAS
Vídeo: Pontos de Omolu Obaluaê na Umbanda, canal AS 7 ENCRUZILHADAS (YouTube). Os direitos da gravação pertencem ao autor/canal; reproduzido aqui via player oficial do YouTube.
Obaluaê (Omulu)Obaluaê

Letra do ponto

Atotô, meu pai Obaluaê,Atotô, ô Omulu.Rei da cura, senhor da Terra,cobre os seus filhos com o seu axé.Ele vem lá do cruzeiro,Atotô, meu velho Omulu.

Letra de tradição oral; pode variar de casa para casa.

Significado

Este é um ponto de saudação a Obaluaê, também chamado de Omulu, o Orixá da cura, da saúde, da Terra e do encaminhamento dos que partem. Ele é invocado quando há dor do corpo ou da alma, e o canto pede proteção, alívio e força para atravessar a doença.

A palavra que abre o ponto é Atotô, a saudação dele. As casas a traduzem como silêncio, ou silêncio para o grande Rei da Terra. Por isso o ponto não é cantado como grito de festa: o tom é recolhido, a cabeça baixa, a voz contida.

Rei da cura, senhor da Terra: o verso lembra que Obaluaê rege o chão que sustenta a vida e que recebe o corpo no fim dela. A terra que cobre é a mesma que acolhe, e é dessa ideia que nasce a ligação dele com a saúde e com a passagem.

A palha da costa é o grande símbolo de Obaluaê. Diz a tradição que ele cobriu com palha as marcas da doença que trazia no corpo, e as casas leem esse manto como o resguardo que cobre as chagas da humanidade. O filá, a máscara de palha, guarda o mistério de quem cura sem expor ninguém.

A pipoca, chamada de deburu, doburu ou flor de milho, é a oferenda mais ligada a ele. Uma das histórias conta que as feridas de Omulu viraram pipoca, revelando a beleza escondida sob a palha. O milho duro que se abre branco no fogo é imagem da transformação que ele opera.

No sincretismo, Obaluaê foi aproximado de São Lázaro, padroeiro dos doentes, e de São Roque, protetor contra as pestes. A segunda-feira é o dia mais citado, o mesmo que muitos terreiros dedicam às almas. As cores variam conforme a casa: preto, branco e vermelho aparecem juntos em muitas, e há casas que usam o preto e branco ou o branco com palha.

Ele vem lá do cruzeiro, diz o ponto. O cruzeiro das almas é lugar de oração por quem partiu, e por isso tantos umbandistas louvam Omulu e Obaluaê no Dia de Finados. Não é culto à morte: é cuidado com a passagem e respeito a quem veio antes.

A letra é de tradição oral e varia de casa para casa, com versos que entram e saem conforme a curimba. Cantar este ponto com fé é pedir saúde, mas ele não substitui orientação médica: Obaluaê ampara, e o tratamento continua com quem cuida do corpo.

Quando se canta

Na gira de Obaluaê e nos trabalhos de cura e de saúde, para saudar o senhor da Terra e pedir amparo para as dores do corpo e da alma. Muitas casas cantam este ponto em voz baixa, com a assistência em silêncio.

Também aparece nas giras das almas e nos momentos de encaminhamento, quando a casa trabalha por quem partiu, e no encerramento de trabalhos pesados, para assentar o que ficou em movimento.

No calendário, ele é lembrado em 16 de agosto, pelo sincretismo com São Roque, em 17 de dezembro, ligado a São Lázaro, e por muitos umbandistas no Dia de Finados, 2 de novembro. A ordem dos pontos é sempre do dirigente.

Perguntas frequentes

O que significa o ponto de obaluaê: atotô, meu pai omulu?
Este é um ponto de saudação a Obaluaê, também chamado de Omulu, o Orixá da cura, da saúde, da Terra e do encaminhamento dos que partem. Ele é invocado quando há dor do corpo ou da alma, e o canto pede proteção, alívio e força para atravessar a doença. A palavra que abre o ponto é Atotô, a saudação dele. As casas a traduzem como silêncio, ou silêncio para o grande Rei da Terra. Por isso o ponto não é cantado como grito de festa: o tom é recolhido, a cabeça baixa, a voz contida. Rei da cura, senhor da Terra: o verso lembra que Obaluaê rege o chão que sustenta a vida e que recebe o corpo no fim dela. A terra que cobre é a mesma que acolhe, e é dessa ideia que nasce a ligação dele com a saúde e com a passagem. A palha da costa é o grande símbolo de Obaluaê. Diz a tradição que ele cobriu com palha as marcas da doença que trazia no corpo, e as casas leem esse manto como o resguardo que cobre as chagas da humanidade. O filá, a máscara de palha, guarda o mistério de quem cura sem expor ninguém. A pipoca, chamada de deburu, doburu ou flor de milho, é a oferenda mais ligada a ele. Uma das histórias conta que as feridas de Omulu viraram pipoca, revelando a beleza escondida sob a palha. O milho duro que se abre branco no fogo é imagem da transformação que ele opera. No sincretismo, Obaluaê foi aproximado de São Lázaro, padroeiro dos doentes, e de São Roque, protetor contra as pestes. A segunda-feira é o dia mais citado, o mesmo que muitos terreiros dedicam às almas. As cores variam conforme a casa: preto, branco e vermelho aparecem juntos em muitas, e há casas que usam o preto e branco ou o branco com palha. Ele vem lá do cruzeiro, diz o ponto. O cruzeiro das almas é lugar de oração por quem partiu, e por isso tantos umbandistas louvam Omulu e Obaluaê no Dia de Finados. Não é culto à morte: é cuidado com a passagem e respeito a quem veio antes. A letra é de tradição oral e varia de casa para casa, com versos que entram e saem conforme a curimba. Cantar este ponto com fé é pedir saúde, mas ele não substitui orientação médica: Obaluaê ampara, e o tratamento continua com quem cuida do corpo.
Quando se canta esse ponto?
Na gira de Obaluaê e nos trabalhos de cura e de saúde, para saudar o senhor da Terra e pedir amparo para as dores do corpo e da alma. Muitas casas cantam este ponto em voz baixa, com a assistência em silêncio. Também aparece nas giras das almas e nos momentos de encaminhamento, quando a casa trabalha por quem partiu, e no encerramento de trabalhos pesados, para assentar o que ficou em movimento. No calendário, ele é lembrado em 16 de agosto, pelo sincretismo com São Roque, em 17 de dezembro, ligado a São Lázaro, e por muitos umbandistas no Dia de Finados, 2 de novembro. A ordem dos pontos é sempre do dirigente.
Posso cantar esse ponto em casa?
Pode, com respeito e fé. Os pontos cantados são orações em forma de música; cantar em casa ajuda a firmar a fé e a sintonia. Para trabalhos de terreiro, siga sempre a orientação do dirigente da sua casa, pois cada terreiro tem seu fundamento e a letra pode variar.
A letra é sempre igual?
Não. Os pontos são de tradição oral e variam de casa para casa, com pequenas diferenças de letra e melodia. A versão aqui é uma das mais conhecidas; a da sua casa pode ter variações.
O que significa Atotô?
Atotô é a saudação de Obaluaê e quer dizer silêncio, quietude, reverência, e muitas casas a traduzem como silêncio para o grande Rei da Terra. Não é uma palavra de festa: é um pedido para que todos se calem e baixem a cabeça diante de quem passa. Por isso a tradição ensina a saudar Atotô em voz contida e a cantar os pontos dele sem euforia.
O que significa o ponto Atotô, meu pai Omulu?
É um ponto de saudação e de pedido de cura. Ele chama Obaluaê de rei da cura e senhor da Terra, pede que ele cubra os filhos com o seu axé e lembra que ele vem do cruzeiro, o lugar de oração pelas almas. Cantar este ponto é pedir saúde, amparo na dor e proteção para quem atravessa a doença ou o luto.
Obaluaê e Omulu são o mesmo Orixá?
Na Umbanda, a maioria das casas trata os dois nomes como o mesmo Orixá, e é por isso que eles aparecem juntos no mesmo ponto. Há tradições, sobretudo em casas de nação, que fazem distinção e entendem Obaluaê como a face mais jovem e Omulu como a mais velha e ligada aos mortos. Nenhuma das leituras invalida a outra, e o que a sua casa ensina tem precedência.
Qual o dia de Obaluaê na Umbanda?
A segunda-feira é o dia mais citado nas casas de Umbanda, o mesmo que boa parte dos terreiros dedica às almas, e há casas que trabalham com o sábado. As datas festivas mais lembradas são 16 de agosto, pelo sincretismo com São Roque, e 17 de dezembro, ligado a São Lázaro. Como quase tudo, isso varia conforme a raiz da casa.
Quais são as cores de Obaluaê?
Depende da casa. Muitas fontes citam preto, branco e vermelho juntos, e é comum ver guias que misturam essas cores com contas de palha. Outras casas usam o preto e branco, e há terreiros que preferem o branco com a palha da costa. A cor certa para as suas guias e velas é a que o dirigente da sua casa indica.
Por que Obaluaê usa palha e máscara?
A palha da costa que cobre Obaluaê é lida pelas casas como o manto que cobre as chagas da humanidade, e o filá, a máscara de palha que esconde o rosto, como o mistério que protege quem olha e quem é olhado. A tradição conta que ele se cobriu de palha por causa das marcas da doença. A imagem não é de vergonha: é de resguardo.
Obaluaê é o Orixá da doença?
É o Orixá da saúde e da doença, e reduzi-lo à doença é o erro mais comum. A tradição ensina que quem tem domínio sobre a enfermidade é justamente quem pode curá-la, e é como curador que ele é chamado nas giras. Obaluaê não adoece ninguém por castigo, e pedir a ele não substitui orientação médica: a fé caminha junto com o tratamento.
Qual a comida de Obaluaê?
A pipoca, chamada nas casas de doburu e de flor de milho, é a comida ritual dele por excelência, e o estouro do milho é lido como imagem da transformação que ele opera: o que era duro e fechado se abre branco e leve depois de passar pelo fogo. Veja também o que a tradição diz sobre <a href="/sonhos/pipoca/">sonhar com pipoca</a>.
Por que Obaluaê é lembrado no Dia de Finados?
Porque ele é o senhor da Terra e da passagem, ligado ao cemitério e ao cruzeiro das almas. Muitos umbandistas louvam Omulu e Obaluaê em 2 de novembro, junto com as preces pelos que partiram. Não é culto à morte: é respeito à ancestralidade e pedido de luz para quem fez a travessia.
Como se comportar quando o ponto de Obaluaê é cantado?
Com recolhimento. A saudação Atotô já indica o tom: silêncio, cabeça baixa, sem palma eufórica e sem conversa paralela. Muitas casas pedem que a assistência fique de pé e em silêncio durante a linha dele. Se for a sua primeira vez, observe o que a corrente faz e acompanhe, que é sempre a orientação mais segura em qualquer gira.
Conteúdo informativo e de fé. Os pontos cantados são de tradição oral e variam de casa para casa, na letra e na melodia. Os vídeos são de canais do YouTube, com os devidos créditos, e cada autor mantém os direitos da sua gravação. Para o uso ritual, siga sempre a orientação do dirigente do seu terreiro.
← Ver todos os pontos