Reza · Axé Umbanda

Oração a Exu Tranca Ruas

O guardião das encruzilhadas, que fecha o caminho do mal e abre o caminho do bem

Oração: Oração a Exu Tranca Ruas
Resposta rápida

A oração a Exu Tranca Ruas pede ao guardião das encruzilhadas que tranque a passagem do que vem para atrapalhar e destranque o caminho do que é de direito. Reze com uma vela vermelha e preta acesa em local seguro, de preferência na segunda-feira ou na sexta-feira, saudando Laroyê Exu.

Oração a Exu Tranca Ruas

Meu Pai Olorum, senhor de tudo o que existe,abençoai esta prece que agora começa.Laroyê, Exu Tranca Ruas das Almas,guardião da porteira, sentinela da encruzilhada,aquele que fica de pé quando todos vão dormir.Eu chego sem arrogância e sem medo,pedindo licença para falar.Trancai a rua por onde vem o mal que me procura.Trancai a boca que fala o meu nome para me prejudicar.Trancai a porta da inveja, do olho gordo e da falsidade.E abri, meu guardião, a estrada do que é meu por direito:o trabalho honesto, o pão da minha casa,a paz de quem eu amo e a saúde de quem depende de mim.Ficai na minha porta como quem não dorme,ide na minha frente quando eu não souber o caminho,e ficai atrás de mim quando o perigo vier por trás.Que eu tenha a sua esperteza para não cair em conversa mole,a sua palavra firme para dizer não quando for precisoe a sua paciência para esperar a hora certa.Se eu errei, dai-me a chance de consertar.Se me fizeram mal, deixai a justiça na mão da Lei,porque não é a mim que cabe cobrar.Eu não peço mal para ninguém,eu peço guarda para mim e para os meus.Agradeço, meu guardião, pela porteira vigiada.Laroyê Exu. Exu é Mojubá. Saravá o povo da rua.Assim seja.

O significado desta oração

Exu Tranca Ruas é um dos guardiões mais conhecidos da Umbanda e da Quimbanda, chamado em muitas casas de Tranca Ruas das Almas. O nome já diz a função: ele tranca a rua por onde vem o que faz mal e libera a passagem do que precisa chegar. A tradição o coloca de pé na encruzilhada e na porteira, no ponto exato onde os caminhos se cruzam e onde tudo passa, o bom e o ruim, e o trabalho dele é justamente escolher o que entra.

É preciso desfazer de uma vez a confusão mais repetida sobre ele. Exu não é o diabo. Essa associação nasceu da leitura cristã que traduziu o Orixá mensageiro como demônio nos primeiros séculos de contato com as religiões africanas, e não tem base no fundamento afro-brasileiro. Exu é o que abre e fecha, o que leva o pedido e traz a resposta, o que guarda a porta. Sem Exu, na lógica da tradição, nada chega e nada volta.

Tranca Ruas trabalha dentro do que as casas chamam de Lei, e essa palavra importa. Ele é guardião, não é capanga. A oração pede guarda, corte do que vem para prejudicar e abertura do que é de direito, e devolve à Lei a tarefa de cobrar de quem fez o mal. Pedir dano a outra pessoa não pertence a essa tradição e, na leitura que os mais velhos repetem sem cansar, volta para quem pediu.

A saudação usual é Laroyê Exu, que quer dizer algo próximo de salve, mensageiro, e Exu é Mojubá, expressão de reverência. Muitas casas saúdam também o povo da rua, que é o conjunto dos guardiões que trabalham nessa linha. Nada disso precisa ser dito em voz alta em local público para funcionar: reza de guardião é conversa direta, e o tom pode ser baixo.

Esta é uma oração autoral do Axé Umbanda, escrita com fundamento na devoção a Exu Tranca Ruas e no que as casas ensinam sobre a função de guarda. Não substitui a orientação do dirigente do seu terreiro. E se houver ameaça real, perseguição ou violência envolvida, procure também a rede de proteção e as autoridades: fé e providência prática caminham juntas, e nenhuma oração substitui uma medida de segurança de verdade.

TipoOração autoral
TemaO guardião das encruzilhadas, que fecha o caminho do mal e abre o caminho do bem
VelaBranca
OrigemOração do Axé Umbanda

Como rezar

  1. Acenda uma vela vermelha e preta, ou uma vela vermelha e uma preta separadas, em local seguro, sobre um pires, longe de cortina e de papel, e nunca deixe queimando em casa vazia.
  2. Se preferir simplicidade, uma vela branca serve. Vela branca sempre serve, e casa nenhuma de respeito vai dizer que o pedido não vale por causa da cor.
  3. Muitas pessoas rezam perto da porta de entrada, que é o ponto simbólico da guarda. Um copo de água limpa ao lado é costume comum, e se troca no dia seguinte.
  4. Comece saudando: Laroyê Exu, Exu é Mojubá. Diga o seu nome, diga onde mora, e fale o pedido com clareza, sem enfeite. A tradição valoriza a conversa direta com o guardião.
  5. Diga também o que você vai fazer da sua parte. Guardião de encruzilhada, na leitura das casas, não cobre negligência de ninguém: se o problema pede providência prática, tome a providência.
  6. Termine agradecendo, mesmo antes de ver o resultado. Agradecer antes é gesto de confiança, e é dos mais repetidos na tradição.
  7. No dia seguinte, apague o que restou com segurança, descarte a parafina no lixo comum e renove a água. Não guarde restos de vela por semanas em cima do móvel.
  8. Firmeza permanente, assentamento e tronqueira em casa são outra coisa, pedem fundamento, jogo e a orientação do dirigente. Reza qualquer pessoa pode fazer. Assentamento, não.

Quando rezar

Reze quando sentir o caminho travado, quando houver ameaça, fofoca ou perseguição em cima de você, e antes de sair para resolver assunto difícil. Muitas casas indicam a segunda-feira, dia do povo da rua, e a sexta-feira, muito usada nos terreiros para a esquerda. É comum rezar também ao chegar em casa depois de ambiente pesado, firmando a porta antes de descansar.

Perguntas frequentes

Quem é Exu Tranca Ruas?
É um dos guardiões mais conhecidos da Umbanda e da Quimbanda, chamado em muitas casas de Tranca Ruas das Almas. A tradição o descreve de pé na encruzilhada e na porteira, com a função de trancar o caminho do que vem para prejudicar e abrir o caminho do que é de direito. É guardião de guarda e de corte, procurado por quem está com a vida travada, com fofoca em cima ou com sensação de ameaça.
Exu Tranca Ruas é o diabo?
Não. Essa confusão vem da leitura cristã que traduziu Exu como demônio no contato com as religiões africanas, e não existe no fundamento afro-brasileiro. Exu é o mensageiro, o que abre e fecha, o que leva o pedido e traz a resposta. Tranca Ruas trabalha dentro da Lei, cobra ética de quem pede e não atende ordem de fazer mal a ninguém.
Qual vela acender para Exu Tranca Ruas?
A mais citada é a vela vermelha e preta, e muitas pessoas acendem uma vermelha e uma preta separadas. Onde houver dúvida ou dificuldade de encontrar, a vela branca serve para tudo. O que importa é acender em local seguro, com pires ou castiçal firme, longe de cortina e de papel, e nunca deixar queimando em casa vazia.
Qual o dia de Exu Tranca Ruas?
A segunda-feira é o dia mais associado ao povo da rua, e a sexta-feira é muito usada nos terreiros para a esquerda. Há casas que trabalham na terça-feira. Não existe regra única, e o dia certo é o que o seu terreiro ensinar. Fora disso, a tradição não impede que se reze em qualquer dia, principalmente em situação de aperto.
Posso rezar a Exu Tranca Ruas sem ser da Umbanda?
Pode. Rezar é gesto de fé ao alcance de qualquer pessoa, e a oração não pede iniciação nem pertencimento a casa nenhuma. O que se pede é respeito e sinceridade. O que não se faz sem casa e sem dirigente é assentamento, tronqueira e firmeza permanente, que são fundamento e pedem jogo e orientação.
Posso pedir a Exu Tranca Ruas para prejudicar alguém?
Não, e casa séria recusa esse pedido. A oração legítima pede guarda, corte do que vem para prejudicar e abertura de caminho, e deixa a cobrança na mão da Lei. Encomendar dano a outra pessoa não pertence a essa tradição, e a leitura que os mais velhos repetem é que o que se manda volta. Desconfie de quem cobra caro prometendo castigo a terceiros.
O que significa Laroyê Exu?
É a saudação mais usada ao Exu, e o sentido mais aceito é próximo de salve, mensageiro, um chamado respeitoso para quem abre os caminhos. Junto dela costuma vir Exu é Mojubá, expressão de reverência. Muitas casas saúdam também o povo da rua, que é o conjunto dos guardiões que trabalham nessa linha.
Preciso fazer oferenda junto com a oração?
Não. Reza é reza, e vale por si. Oferenda é outro gesto, com local, dia e cuidado próprios, e a tradição não trata isso como obrigação mensal nem como pagamento. Se você sentir necessidade de oferendar, converse antes com um terreiro sério. Quem sente que precisa entregar oferenda toda semana costuma estar tratando ansiedade, e não fé.
Posso rezar essa oração dentro de casa?
Pode, e é o mais comum. Muita gente reza perto da porta de entrada, que é o ponto simbólico da guarda, com uma vela em local seguro e um copo de água limpa ao lado. O que não se faz dentro de casa sem orientação é firmeza permanente e tronqueira, que pedem fundamento e a autorização do dirigente.
A oração resolve sozinha um problema grave?
Não, e nenhuma casa séria promete isso. A oração ampara, organiza a pessoa por dentro e firma a intenção, e a própria tradição diz que guardião não cobre negligência. Se o problema envolve dívida, processo, doença, ameaça ou violência, tome também as providências práticas e procure a ajuda profissional e a rede de proteção. Fé e providência caminham juntas.

Fonte: Exu (mitologia iorubá), Wikipédia, Exu Tranca Ruas, Wikipédia, Quem é Exu Tranca Ruas das Almas, Joia Mística Laroyê, Umbanda, Wikipédia

Conteúdo informativo e de fé. As orações e formas de rezar variam de casa para casa. Não substituem a orientação do dirigente do seu terreiro. Reze com fé e respeito.
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