Ponto cantado · Pretos-Velhos (Vovós e Vovôs da linha das Almas)

Ponto de Preto Velho: Vovó Não Quer Casca de Coco

Vovó não quer casca de coco no terreiro

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Vídeo: PONTO DE PRETO VELHO: VOVÓ NÃO QUER CASCA DE COCO NO TERREIRO, canal A Umbanda Sagrada (YouTube). Os direitos da gravação pertencem ao autor/canal; reproduzido aqui via player oficial do YouTube.
Pretos-Velhos (Vovós e Vovôs da linha das Almas)Pretos-Velhos

Letra do ponto

Vovó não quer casca de coco no terreiro,Vovó não quer casca de coco no terreiro,pra não lembrar do tempo do cativeiro.Pra não lembrar do tempo do cativeiro.Vovó não quer casca de coco no terreiro,Vovó não quer casca de coco no terreiro,pra não lembrar do tempo do cativeiro.Pra não lembrar do tempo do cativeiro.

Letra de tradição oral; pode variar de casa para casa.

Significado

Este é um dos pontos de Preto Velho mais antigos e mais cantados do Brasil. Não tem autor conhecido, passa de curimba em curimba pela tradição oral e é tão conhecido que virou título de estudo acadêmico sobre memória nos terreiros de Umbanda.

A letra é curtíssima e diz tudo em dois versos. A Vovó não quer casca de coco no terreiro, e explica o motivo: para não lembrar do tempo do cativeiro. É a voz de uma Preta Velha que viveu a escravidão e que, agora em Aruanda, pede que aquela dor não seja posta diante dela.

A leitura mais repetida nas casas é que a casca de coco seco servia de cuia, de prato e de caneca na senzala. Era o utensílio de quem não tinha nada. Ver a casca no chão do terreiro faz a Vovó recordar a comida pouca, o trabalho forçado e a vida sem liberdade.

Há quem leia o ponto também como um pedido de cuidado com o terreiro. O chão da gira é sagrado, deve estar limpo e varrido, e o que remete à humilhação fica de fora. A Vovó chega para acolher, e a casa a recebe com respeito.

O curioso é que o ponto não apaga a memória: ele a canta. A pesquisadora Claudia Antonangeli conta que, numa festa de Pretos-Velhos, os fiéis cantavam esses versos enquanto comiam farofa na casca de um coco seco. Para ela, o terreiro usa o corpo e o canto para guardar uma memória que não pode se perder.

É esse o jeito dos Pretos-Velhos. Eles carregam a lembrança do cativeiro sem rancor e transformam a dor em sabedoria, paciência e conselho. Quem senta no banquinho diante de uma Vovó não ouve queixa: ouve uma palavra de quem já passou pelo pior e ainda assim escolheu cuidar.

Os Pretos-Velhos trabalham na linha das Almas, com cachimbo, arruda, café e rosário, e são saudados em muitas casas com Adorei as Almas ou Salve as Almas. Pai Joaquim, Vovó Maria Conga, Vovó Cambinda e Pai Benedito estão entre os nomes mais lembrados.

A letra varia pouco, mas varia. Há casas que cantam Papai não quer em vez de Vovó não quer, há quem diga porque lembra em vez de pra não lembrar, e o refrão se repete quantas vezes a curimba quiser. A versão que a sua casa canta é a que vale para você.

Quando se canta

Na gira de Pretos-Velhos, na chegada das Vovós e dos Vovôs ou logo depois, quando a corrente já está firmada e a curimba toca mais devagar. É um ponto de andamento manso, cantado com respeito e quase sempre repetido várias vezes.

É muito lembrado nas festas de Pretos-Velhos de 13 de maio, data da Lei Áurea, que boa parte das casas reserva para eles. Nessas festas há mesa com comidas simples, como feijoada, farofa, canjica e café, e o ponto entra como memória viva do cativeiro.

Muitas casas cantam também às segundas-feiras, dia mais ligado às Almas, e em trabalhos de consolo e aconselhamento. A ordem dos pontos e o momento de cada um são sempre do dirigente e do ogã da casa.

Perguntas frequentes

O que significa o ponto de preto velho: vovó não quer casca de coco?
Este é um dos pontos de Preto Velho mais antigos e mais cantados do Brasil. Não tem autor conhecido, passa de curimba em curimba pela tradição oral e é tão conhecido que virou título de estudo acadêmico sobre memória nos terreiros de Umbanda. A letra é curtíssima e diz tudo em dois versos. A Vovó não quer casca de coco no terreiro, e explica o motivo: para não lembrar do tempo do cativeiro. É a voz de uma Preta Velha que viveu a escravidão e que, agora em Aruanda, pede que aquela dor não seja posta diante dela. A leitura mais repetida nas casas é que a casca de coco seco servia de cuia, de prato e de caneca na senzala. Era o utensílio de quem não tinha nada. Ver a casca no chão do terreiro faz a Vovó recordar a comida pouca, o trabalho forçado e a vida sem liberdade. Há quem leia o ponto também como um pedido de cuidado com o terreiro. O chão da gira é sagrado, deve estar limpo e varrido, e o que remete à humilhação fica de fora. A Vovó chega para acolher, e a casa a recebe com respeito. O curioso é que o ponto não apaga a memória: ele a canta. A pesquisadora Claudia Antonangeli conta que, numa festa de Pretos-Velhos, os fiéis cantavam esses versos enquanto comiam farofa na casca de um coco seco. Para ela, o terreiro usa o corpo e o canto para guardar uma memória que não pode se perder. É esse o jeito dos Pretos-Velhos. Eles carregam a lembrança do cativeiro sem rancor e transformam a dor em sabedoria, paciência e conselho. Quem senta no banquinho diante de uma Vovó não ouve queixa: ouve uma palavra de quem já passou pelo pior e ainda assim escolheu cuidar. Os Pretos-Velhos trabalham na linha das Almas, com cachimbo, arruda, café e rosário, e são saudados em muitas casas com Adorei as Almas ou Salve as Almas. Pai Joaquim, Vovó Maria Conga, Vovó Cambinda e Pai Benedito estão entre os nomes mais lembrados. A letra varia pouco, mas varia. Há casas que cantam Papai não quer em vez de Vovó não quer, há quem diga porque lembra em vez de pra não lembrar, e o refrão se repete quantas vezes a curimba quiser. A versão que a sua casa canta é a que vale para você.
Quando se canta esse ponto?
Na gira de Pretos-Velhos, na chegada das Vovós e dos Vovôs ou logo depois, quando a corrente já está firmada e a curimba toca mais devagar. É um ponto de andamento manso, cantado com respeito e quase sempre repetido várias vezes. É muito lembrado nas festas de Pretos-Velhos de 13 de maio, data da Lei Áurea, que boa parte das casas reserva para eles. Nessas festas há mesa com comidas simples, como feijoada, farofa, canjica e café, e o ponto entra como memória viva do cativeiro. Muitas casas cantam também às segundas-feiras, dia mais ligado às Almas, e em trabalhos de consolo e aconselhamento. A ordem dos pontos e o momento de cada um são sempre do dirigente e do ogã da casa.
Posso cantar esse ponto em casa?
Pode, com respeito e fé. Os pontos cantados são orações em forma de música; cantar em casa ajuda a firmar a fé e a sintonia. Para trabalhos de terreiro, siga sempre a orientação do dirigente da sua casa, pois cada terreiro tem seu fundamento e a letra pode variar.
A letra é sempre igual?
Não. Os pontos são de tradição oral e variam de casa para casa, com pequenas diferenças de letra e melodia. A versão aqui é uma das mais conhecidas; a da sua casa pode ter variações.
Qual a letra do ponto Vovó não quer casca de coco?
A versão mais conhecida é: Vovó não quer casca de coco no terreiro, pra não lembrar do tempo do cativeiro. Os versos se repetem várias vezes, no ritmo manso da curimba de Preto Velho.
O que significa a casca de coco no ponto?
Na leitura mais repetida nas casas, a casca de coco seco era usada como cuia, prato e caneca na senzala. Por isso ela lembra a vida no cativeiro, a comida pouca e a falta de liberdade, e a Vovó pede que ela não fique no terreiro.
Quem é a Vovó do ponto?
É a Preta Velha, espírito de uma mulher idosa que viveu a escravidão e hoje trabalha na Umbanda com acolhimento, conselho e cura. O ponto não nomeia uma Vovó específica e serve para a linha toda, como Vovó Maria Conga ou Vovó Cambinda.
Esse ponto fala de tristeza?
Fala de memória. Ele lembra a dor do cativeiro, mas na voz de quem a transformou em sabedoria. Os Pretos-Velhos não chegam com rancor: chegam com paciência, humildade e uma palavra de consolo para quem está sofrendo.
Quando se canta esse ponto na gira?
Na gira de Pretos-Velhos, na chegada ou durante os trabalhos, e muito nas festas de 13 de maio. Muitas casas cantam também às segundas-feiras, dia ligado às Almas. A ordem dos pontos é sempre do dirigente e do ogã da casa.
Por que algumas casas usam casca de coco na festa de Preto Velho?
Porque o terreiro guarda a memória em vez de apagar o passado. Há casas que servem farofa ou comidas da senzala em cuias de coco, justamente para lembrar com respeito de onde vieram os Pretos-Velhos. Isso não contradiz o ponto: é a mesma memória cantada e vivida.
Esse ponto tem autor?
Não há autoria conhecida. Ele é de tradição oral, cantado em terreiros do Brasil inteiro e citado em pesquisas acadêmicas como canto do repertório dos Pretos-Velhos. O vídeo indicado traz uma das versões, com crédito ao canal que a publicou.
A letra é Vovó ou Papai não quer?
As duas formas existem. A mais difundida é Vovó não quer, e algumas casas cantam Papai não quer para saudar os Vovôs da linha das Almas. O sentido é o mesmo. Siga o jeito da sua casa.
Posso cantar esse ponto em casa?
Pode. Cantar ponto com respeito, como saudação e oração, é costume antigo, e muita gente canta para os Pretos-Velhos acendendo uma vela branca. O que não se faz por conta própria é abrir gira ou chamar entidade para incorporar. Para isso, procure uma casa séria.
Conteúdo informativo e de fé. Os pontos cantados são de tradição oral e variam de casa para casa, na letra e na melodia. Os vídeos são de canais do YouTube, com os devidos créditos, e cada autor mantém os direitos da sua gravação. Para o uso ritual, siga sempre a orientação do dirigente do seu terreiro.
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