Ponto cantado · Pai Benedito e os Pretos-Velhos

Velho: Quem é Aquele Velhinho

Quem é aquele velhinho que vem no caminho andando devagar

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Vídeo: Pai Benedito - Quem é aquele velhinho? - [COM LETRA], canal Alumiar (YouTube). Os direitos da gravação pertencem ao autor/canal; reproduzido aqui via player oficial do YouTube.
Pai Benedito e os Pretos-VelhosPretos-Velhos

Letra do ponto

Quem é aquele velhinhoque vem no caminho andando devagar,com seu cachimbo na boca,puxando a fumaça e soltando no ar?Quem é aquele velhinhoque vem no caminho andando devagar,com seu cachimbo na boca,puxando a fumaça e soltando no ar?Ele é do cativeiro,é Pai Benedito,ele é mirongueiro.Ele é do cativeiro,é Pai Benedito,ele é mirongueiro.

Letra de tradição oral; pode variar de casa para casa.

Significado

É um dos pontos de chegada mais cantados nas giras de Pretos-Velhos em todo o Brasil, e a letra funciona como uma apresentação: em vez de anunciar o guia pelo nome, ela o descreve pelo jeito de andar. A pergunta abre o ponto, quem é aquele velhinho que vem no caminho andando devagar, e a resposta só vem no final, quando a corrente reconhece nele um preto velho do cativeiro. Essa demora tem fundamento, porque o Preto-Velho chega assim mesmo, curvado, sem pressa, e o andar lento é parte do que ele ensina: nada de importante se resolve com afobação. O cachimbo, chamado também de pito, não é enfeite, é ferramenta de trabalho. A fumaça defuma o ambiente, dispersa carga pesada, firma a vibração da gira e acompanha a leitura que o guia faz da vida de quem senta na frente dele, e o gesto de puxar a fumaça e soltar no ar dá o compasso tranquilo da consulta. A palavra cativeiro nomeia a escravidão sem rodeio: o guia se apresenta como alguém que atravessou aquilo e voltou para trabalhar pela caridade, e é justamente essa memória transformada em amparo que sustenta a linha das Almas. Mirongueiro vem de mironga, palavra de raiz banto, do quimbundo milonga, plural de mulonga, que quer dizer mistério e segredo. Chamar o velho de mirongueiro é reconhecer nele o guardião do segredo do fundamento, o saber que não se explica de fora, que se recebe dentro da corrente e se transmite de mais velho para mais novo. Não tem sentido de trapaça nem de feitiço para o mal, é a sabedoria antiga da casa. A última estrofe é aberta de propósito e muda conforme o guia que trabalha em cada terreiro: há registros com Pai Benedito, com Pai Belarmino e com Pai Antônio, e versões que trocam mirongueiro por curandeiro. Letra de tradição oral, sem autoria estabelecida, cantada em terreiros de todo o Brasil e registrada em várias coletâneas de pontos.

Quando se canta

Na gira de Pretos-Velhos, na chamada e na chegada dos guias, para reconhecer e saudar o velho que desce ao terreiro. Muitas casas o cantam também no instante em que o Preto-Velho senta no banquinho e acende o cachimbo, antes de começar as consultas, e nas giras dedicadas às Almas.

Perguntas frequentes

O que significa o ponto de preto-velho: quem é aquele velhinho?
É um dos pontos de chegada mais cantados nas giras de Pretos-Velhos em todo o Brasil, e a letra funciona como uma apresentação: em vez de anunciar o guia pelo nome, ela o descreve pelo jeito de andar. A pergunta abre o ponto, quem é aquele velhinho que vem no caminho andando devagar, e a resposta só vem no final, quando a corrente reconhece nele um preto velho do cativeiro. Essa demora tem fundamento, porque o Preto-Velho chega assim mesmo, curvado, sem pressa, e o andar lento é parte do que ele ensina: nada de importante se resolve com afobação. O cachimbo, chamado também de pito, não é enfeite, é ferramenta de trabalho. A fumaça defuma o ambiente, dispersa carga pesada, firma a vibração da gira e acompanha a leitura que o guia faz da vida de quem senta na frente dele, e o gesto de puxar a fumaça e soltar no ar dá o compasso tranquilo da consulta. A palavra cativeiro nomeia a escravidão sem rodeio: o guia se apresenta como alguém que atravessou aquilo e voltou para trabalhar pela caridade, e é justamente essa memória transformada em amparo que sustenta a linha das Almas. Mirongueiro vem de mironga, palavra de raiz banto, do quimbundo milonga, plural de mulonga, que quer dizer mistério e segredo. Chamar o velho de mirongueiro é reconhecer nele o guardião do segredo do fundamento, o saber que não se explica de fora, que se recebe dentro da corrente e se transmite de mais velho para mais novo. Não tem sentido de trapaça nem de feitiço para o mal, é a sabedoria antiga da casa. A última estrofe é aberta de propósito e muda conforme o guia que trabalha em cada terreiro: há registros com Pai Benedito, com Pai Belarmino e com Pai Antônio, e versões que trocam mirongueiro por curandeiro. Letra de tradição oral, sem autoria estabelecida, cantada em terreiros de todo o Brasil e registrada em várias coletâneas de pontos.
Quando se canta esse ponto?
Na gira de Pretos-Velhos, na chamada e na chegada dos guias, para reconhecer e saudar o velho que desce ao terreiro. Muitas casas o cantam também no instante em que o Preto-Velho senta no banquinho e acende o cachimbo, antes de começar as consultas, e nas giras dedicadas às Almas.
Posso cantar esse ponto em casa?
Pode, com respeito e fé. Os pontos cantados são orações em forma de música; cantar em casa ajuda a firmar a fé e a sintonia. Para trabalhos de terreiro, siga sempre a orientação do dirigente da sua casa, pois cada terreiro tem seu fundamento e a letra pode variar.
A letra é sempre igual?
Não. Os pontos são de tradição oral e variam de casa para casa, com pequenas diferenças de letra e melodia. A versão aqui é uma das mais conhecidas; a da sua casa pode ter variações.
O que é um ponto cantado na Umbanda?
É o canto ritual da religião, puxado pela curimba com atabaque, palmas e agogô. O ponto não é música de entretenimento: ele chama, saúda, firma e despede as entidades, e marca cada etapa da gira, da abertura ao encerramento. Cada linha tem os seus pontos, e a maioria é de tradição oral, aprendida de ouvido dentro da casa. Cantar junto é participar do trabalho, e não assistir a ele de fora.
O que significa mirongueiro nesse ponto?
Mirongueiro é quem tem mironga. A palavra vem da raiz banto, do quimbundo milonga, plural de mulonga, que quer dizer mistério e segredo, e chegou ao português do Brasil pelos cultos de origem angolana. Chamar o Preto-Velho de mirongueiro é reconhecer nele o guardião do segredo do fundamento, aquele saber que não se aprende em livro e se recebe dentro da corrente. Não tem sentido de trapaça nem de feitiço para o mal.
Quando se canta esse ponto na gira?
Na gira de Pretos-Velhos, sobretudo na chamada e na chegada dos guias, quando a corrente reconhece o velho que desce ao terreiro. Muitas casas o cantam no instante em que o Preto-Velho senta no banquinho e acende o cachimbo, antes das consultas, e também nas giras das Almas. Quem conduz é sempre o dirigente, e a ordem dos pontos varia de casa para casa.
Por que o Preto-Velho chega com cachimbo?
Porque o cachimbo, chamado também de pito, é ferramenta de trabalho. A fumaça defuma o ambiente, dispersa carga pesada, firma a vibração da gira e acompanha a leitura que o guia faz de quem o procura. Fumar devagar também marca o compasso do atendimento, sem pressa nenhuma. É costume respeitar essa fumaça no terreiro, e quem tem dificuldade com ela pode avisar a casa e ser acomodado em outro ponto do salão.
Por que umas casas cantam Pai Benedito e outras Pai Belarmino ou Pai Antônio?
Porque o ponto é de tradição oral e a última estrofe é aberta de propósito: nela entra o nome do guia que trabalha naquela casa. Coletâneas e terreiros registram Pai Benedito, Pai Belarmino e Pai Antônio, e há versões que trocam mirongueiro por curandeiro. Nenhuma está errada. Pai Benedito é um dos nomes mais conhecidos entre os Pretos-Velhos e aparece em muitas casas com histórias diferentes, porque cada terreiro guarda a memória do seu guia. Cante a versão que a sua casa ensina, porque é ela que firma aquela corrente.
Quem não é da corrente pode cantar esse ponto?
Ouvir, ler a letra e estudar o fundamento é sempre bem-vindo, e é assim que a tradição se preserva e o preconceito diminui. Cantar como chamada de gira, porém, é ato ritual e tem lugar próprio, dentro da casa e sob a condução do dirigente. Se você visita um terreiro, acompanhe com respeito, bata palma no compasso quando a casa convidar e deixe a condução para quem tem essa função.
Conteúdo informativo e de fé. Os pontos cantados são de tradição oral e variam de casa para casa, na letra e na melodia. Os vídeos são de canais do YouTube, com os devidos créditos, e cada autor mantém os direitos da sua gravação. Para o uso ritual, siga sempre a orientação do dirigente do seu terreiro.
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