O que significa o ponto de vovó maria conga: mãe maria conga é a rainha desse congá?
Ponto de louvação e de chamada a Vovó Maria Conga, uma das pretas-velhas mais conhecidas e mais queridas da Umbanda. A letra é curta e faz o que os pontos de chegada costumam fazer: nomeia a entidade, situa o lugar dela na casa e descreve o que a presença dela produz. O verso que chama Mãe Maria Conga de rainha desse congá é o coração do ponto. Congá é o altar do terreiro, o ponto de força onde ficam as imagens, as velas e os assentamentos, e chamar alguém de rainha do congá é reconhecer autoridade espiritual dentro daquela casa, e não hierarquia sobre outras entidades. Nas casas que a cultuam, ela é lida como preta-velha de comando, firme, de fala serena e de trabalho pesado na linha das Almas. O atabaque batido até o amanhecer do dia diz do tempo do trabalho e da entrega da corrente: gira de preto-velho é gira de paciência, que não tem pressa, que atende um por um e que costuma varar a noite. O tambor é também o chamado, o instrumento que abre e sustenta a gira, e o verso reconhece isso. O fecho, Mãe Maria quando chega só traz paz e alegria, resume o que a tradição diz dos Pretos-Velhos em geral: são espíritos de anciãos que viveram o cativeiro no Brasil e voltaram sem revolta, com conselho, benzimento e escuta. A chegada deles na gira é descrita como alívio, e não como espetáculo. Vale o registro honesto de sempre: os pontos cantados são de tradição oral e circulam em muitas versões, com versos a mais ou a menos e melodias diferentes de casa para casa. A composição desta letra é de autor desconhecido, como acontece com a maior parte do repertório antigo da Umbanda.
Quando se canta esse ponto?
Na gira de Pretos-Velhos, como ponto de chamada e de louvação a Vovó Maria Conga, uma das pretas-velhas mais cultuadas da Umbanda. É cantado quando a corrente abre espaço para ela chegar e também nas festas e nas firmezas da linha, muitas vezes emendado ao ponto Lá vem a Vovó, que anuncia a descida da preta-velha pela ladeira.
Posso cantar esse ponto em casa?
Pode, com respeito e fé. Os pontos cantados são orações em forma de música; cantar em casa ajuda a firmar a fé e a sintonia. Para trabalhos de terreiro, siga sempre a orientação do dirigente da sua casa, pois cada terreiro tem seu fundamento e a letra pode variar.
A letra é sempre igual?
Não. Os pontos são de tradição oral e variam de casa para casa, com pequenas diferenças de letra e melodia. A versão aqui é uma das mais conhecidas; a da sua casa pode ter variações.
Quem é Vovó Maria Conga na Umbanda?
Vovó Maria Conga é uma das pretas-velhas mais cultuadas da Umbanda, lida na tradição como espírito de anciã africana que viveu o cativeiro no Brasil e voltou para trabalhar na caridade. O nome Conga remete ao Congo e à ancestralidade banto, e ela é encontrada em muitas casas com nomes compostos, como Maria Conga das Almas e Maria Conga de Aruanda. Como acontece com as entidades mais antigas, o nome designa uma corrente inteira, e cada casa firma a sua com fundamento próprio.
O que quer dizer rainha desse congá?
Congá é o altar do terreiro, o ponto de força onde ficam as imagens, as velas, as quartinhas e os assentamentos da casa. Chamar Vovó Maria Conga de rainha desse congá é reconhecer a autoridade espiritual dela dentro daquele terreiro, e não estabelecer hierarquia sobre outras entidades. É verso de louvação, do mesmo tipo que aparece em muitos pontos de chegada.
Por que o ponto fala em bater o atabaque até amanhecer?
Porque descreve o tempo real da gira de Preto-Velho. É gira de paciência, que atende um por um, sem pressa, e que em muitas casas atravessa a madrugada. O atabaque é o instrumento que chama, abre e sustenta a corrente, e o verso reconhece esse trabalho longo. Não é exagero poético: quem já ficou até o fim de uma gira de pretos-velhos sabe do que a letra está falando.
Quando se canta esse ponto na gira?
Na gira de Pretos-Velhos, como ponto de chamada e de louvação, quando a corrente abre espaço para Vovó Maria Conga chegar. Também é cantado nas festas e nas firmezas da linha. Muitas casas o emendam ao ponto Lá vem a Vovó, que anuncia a descida da preta-velha pela ladeira, com sua sacola, vindo de Aruanda e de Angola.
Qual é o dia dos Pretos-Velhos?
A maior parte das casas de Umbanda trabalha a linha dos Pretos-Velhos nas segundas-feiras, e há terreiros que firmam também no sábado. A data mais lembrada no calendário é 13 de maio, dia da abolição da escravatura no Brasil, celebrado em quase todas as casas como o dia dos Pretos-Velhos. O calendário da sua casa vem sempre antes de qualquer regra geral.
Essa é a única versão desse ponto?
Não. Os pontos cantados são de tradição oral e mudam de terreiro para terreiro, com versos a mais ou a menos, palavras trocadas e melodias diferentes. Existem vários pontos consagrados a Maria Conga, e um dos mais antigos começa dizendo que no terreiro de meu pai tem pemba e tem mironga. Cante a versão da sua casa e respeite a forma como o seu dirigente firma o ponto.
Quem compôs esse ponto?
A composição é de autor desconhecido, como acontece com a maior parte do repertório antigo da Umbanda. Os pontos nasceram na oralidade das casas, foram passados de médium para médium e de terreiro para terreiro, e só muito depois começaram a ser gravados. Essa origem coletiva é parte do valor deles: o ponto pertence à corrente, e não a uma pessoa.