Ponto cantado · Povo Cigano

Ponto de Cigano: De Longe Eu Vim

De longe eu vim, eu cruzei sete pedreiras

Ouça o ponto

▶ Tocar no YouTube · Pontos de Umbanda
Vídeo: Ponto de Cigano - De longe eu vim, canal Pontos de Umbanda (YouTube). Os direitos da gravação pertencem ao autor/canal; reproduzido aqui via player oficial do YouTube.
Povo CiganoCiganos

Letra do ponto

De longe eu vim,eu cruzei sete pedreiras,eu passei por cachoeirasonde mora aieieu.Lá nas campinas,onde a lua é prateada,eu sou cigano da alvorada,eu sou cigano, eu sou mais eu.Com minha viola,eu sou mais eu.Eu sou cigano,eu sou mais eu.

Letra de tradição oral; pode variar de casa para casa.

Significado

Ponto de chegada da linha dos Ciganos, cantado no toque de congo. A letra descreve o caminho andado por quem vem de muito longe, cruzando pedreiras e cachoeiras, e afirma a identidade livre do cigano com a viola na mão. Chama a corrente de um povo que trabalha na prosperidade, na fartura, na alegria, no desapego e na quebra de bloqueios emocionais, sempre em trabalhos leves e com magia branca natural, nunca com energias densas. A saudação é Optchá, e a orientadora da linha é Santa Sara Kali, padroeira dos ciganos, invocada também por exilados, refugiados e por quem está desesperado. A grafia aieieu é uma vocalização de tradição oral e aparece nos terreiros também como aiêiêu. A letra é de domínio oral e varia de casa para casa.

Quando se canta

Na gira do Povo Cigano, para chamar a corrente e saudar a chegada dos ciganos, e nas festas de 24 de maio, dia de Santa Sara Kali, quando se arma a tenda com tecidos coloridos, taças, incensos e cristais. Também é cantado para pedir prosperidade, alegria e desatamento de bloqueios emocionais.

Perguntas frequentes

O que significa o ponto de cigano: de longe eu vim?
Ponto de chegada da linha dos Ciganos, cantado no toque de congo. A letra descreve o caminho andado por quem vem de muito longe, cruzando pedreiras e cachoeiras, e afirma a identidade livre do cigano com a viola na mão. Chama a corrente de um povo que trabalha na prosperidade, na fartura, na alegria, no desapego e na quebra de bloqueios emocionais, sempre em trabalhos leves e com magia branca natural, nunca com energias densas. A saudação é Optchá, e a orientadora da linha é Santa Sara Kali, padroeira dos ciganos, invocada também por exilados, refugiados e por quem está desesperado. A grafia aieieu é uma vocalização de tradição oral e aparece nos terreiros também como aiêiêu. A letra é de domínio oral e varia de casa para casa.
Quando se canta esse ponto?
Na gira do Povo Cigano, para chamar a corrente e saudar a chegada dos ciganos, e nas festas de 24 de maio, dia de Santa Sara Kali, quando se arma a tenda com tecidos coloridos, taças, incensos e cristais. Também é cantado para pedir prosperidade, alegria e desatamento de bloqueios emocionais.
Posso cantar esse ponto em casa?
Pode, com respeito e fé. Os pontos cantados são orações em forma de música; cantar em casa ajuda a firmar a fé e a sintonia. Para trabalhos de terreiro, siga sempre a orientação do dirigente da sua casa, pois cada terreiro tem seu fundamento e a letra pode variar.
A letra é sempre igual?
Não. Os pontos são de tradição oral e variam de casa para casa, com pequenas diferenças de letra e melodia. A versão aqui é uma das mais conhecidas; a da sua casa pode ter variações.
Qual a letra do ponto de cigano De Longe Eu Vim?
A letra mais difundida diz: de longe eu vim, eu cruzei sete pedreiras, eu passei por cachoeiras onde mora aieieu; lá nas campinas, onde a lua é prateada, eu sou cigano da alvorada, eu sou cigano, eu sou mais eu; com minha viola, eu sou mais eu, eu sou cigano, eu sou mais eu. É ponto de tradição oral, cantado no toque de congo, e a grafia de aieieu varia entre as casas.
Como se saúda o Povo Cigano na Umbanda?
A saudação é Optchá, também escrita Óptcha, traduzida nas casas como Salve. Aparece em formas ampliadas, como salve o bando da boa sorte, Optchá, e salve as forças do povo cigano. É com Optchá que se abre e se fecha a fala com a linha, e é assim que termina a oração cigana mais conhecida.
Os ciganos são linha de direita ou de esquerda na Umbanda?
Depende da casa, e essa é a resposta honesta. Em alguns terreiros a linha é de esquerda, marcada pelas pombagiras ciganas, e em outros trabalha se com os ciganos do Oriente, inclusive em linha de cura. Cigana das Almas e Cigana do Cruzeiro respondem diretamente a Omulu. Nem todo terreiro cultua ciganos, e nem todo espírito que vem nessa linha foi cigano em vida, porque a linha é afinidade de trabalho, não etnia.
Qual o dia do Povo Cigano?
A data comemorativa é 24 de maio, dia de Santa Sara Kali, e nisso há consenso: nos terreiros arma se a tenda com tecidos coloridos, incensos, baralhos e cristais. Já o dia da semana não tem consenso: há material que atribui a quinta-feira e há casas que não fixam dia nenhum. Trate como convenção de casa, e não como fundamento universal.
O que os ciganos trabalham na gira?
Prosperidade e fartura, desemprego e falta de dinheiro, causas amorosas, desapego, alegria e quebra de bloqueios emocionais. São trabalhos leves: a linha não atua com energias densas e usa magia branca natural, banhos e chás de ervas, cristais, incensos e os quatro elementos. Um detalhe de fundamento que corrige um erro comum: as ciganas não fazem trabalho para amarrar ninguém, elas ensinam banhos para tirar o que impede o sucesso no amor.
Quem é Santa Sara Kali?
Segundo a tradição, foi a cigana criada de uma das Marias que acompanharam a crucificação. Convertida em tempo de perseguição, foi condenada a ficar à deriva no Mediterrâneo num barco sem velas nem remos, e prometeu cobrir a cabeça com um lenço pelo resto da vida se sobrevivesse. O barco aportou na costa francesa, hoje Saintes Maries de la Mer, onde a imagem dela segue coberta de lenços de promessa. É padroeira dos ciganos e na Umbanda é tida como orientadora da linha.
Quais são as cores e a vela do Povo Cigano?
A linha trabalha com o arco íris cigano: azul para purificação e paz, verde para cura e esperança, amarelo para prosperidade e alegria, vermelho para proteção e trabalho, rosa para bons sentimentos, branco para elevação, lilás para quebra de forças negativas e laranja para comemoração. A vela mais usada é a laranja, e há uma regra rígida: nunca vela preta, porque para os ciganos o preto é morte e luto.
Como se cultua a linha dos Ciganos?
Com fundamentos simples. Os ciganos não têm assentamento nem ferramenta de centralização de força: cultuam se com taças de vinho ou de água, doces finos e frutas solares, junto de cristais, incensos, pedras, fitas e moedas. É uma linha nova na Umbanda, reconhecida como linha de trabalho própria só a partir do início dos anos 1990, antes disso confundida com a linha de Exu.
Conteúdo informativo e de fé. Os pontos cantados são de tradição oral e variam de casa para casa, na letra e na melodia. Os vídeos são de canais do YouTube, com os devidos créditos, e cada autor mantém os direitos da sua gravação. Para o uso ritual, siga sempre a orientação do dirigente do seu terreiro.
← Ver todos os pontos