Ponto cantado · Boiadeiros (linha da mata e do sertão)

Ponto de Boiadeiro: Seu Boiadeiro Por Aqui Choveu

Seu boiadeiro, por aqui choveu

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Vídeo: Ponto de Boiadeiro - Seu boiadeiro por aqui choveu, canal Ikaro Ogãn OFC (YouTube). Os direitos da gravação pertencem ao autor/canal; reproduzido aqui via player oficial do YouTube.
Boiadeiros (linha da mata e do sertão)Oxóssi

Letra do ponto

Seu boiadeiro, por aqui choveu,por aqui choveu.

Letra de tradição oral; pode variar de casa para casa.

Significado

Este é um ponto de chamada, daqueles que anunciam a chegada da linha em vez de pedir alguma coisa a ela. Os dois versos de abertura, reproduzidos aqui como amostra, já entregam a chave do fundamento: a chuva. Boa parte dos pontos de Boiadeiro fala de chuva, de trovoada, de tempo virando e de boiada em movimento, e isso não é enfeite de paisagem. Nas casas, a chuva é lida como o sinal de que o campo foi lavado, de que a poeira assentou e de que o terreno está pronto para o trabalho. Quando a corrente canta que por aqui choveu, está dizendo que a limpeza já começou. O ponto segue com outras estrofes, cantadas na toada de boiadeiro ou no coco de origem baiana, e a versão completa pode ser ouvida no vídeo que acompanha esta página. Vale entender quem é o Boiadeiro para entender o canto. A linha reúne espíritos que em vida foram vaqueiros, tocadores de boiada, peões e gente do sertão, e as descrições mais repetidas os apresentam como entidades de fala curta, gesto firme, bom humor seco e trabalho pesado. Os instrumentos deles aparecem o tempo todo nos pontos: o laço, o chicote, o berrante e o chapéu de couro. A leitura tradicional diz que o laço recolhe o que está solto, que o chicote corta o que precisa ser cortado e que o berrante chama de longe quem se perdeu do rebanho. É por isso que a linha é tão associada a descarrego, a resgate de espírito perdido e a quebra de demanda antiga. Na maior parte das casas, os Boiadeiros trabalham sob a regência de Oxóssi, pela mata e pelo campo aberto, e muitos terreiros os colocam ao lado dos Caboclos, com quem dividem a raiz da terra brasileira. Há casas que os aproximam de Xangô, pelo trovão e pela justiça do sertão, e há quem os trate como falange própria, com gira e dia próprios. As três leituras existem e nenhuma anula as outras. O que praticamente não varia é o jeito de trabalhar: pouco discurso, muita ação, e uma franqueza que costuma incomodar e curar ao mesmo tempo.

Quando se canta

Na gira de Boiadeiros, como ponto de chamada, e nas giras de mata em que a casa abre espaço para a linha. É cantado também quando o trabalho da noite envolve limpeza pesada, boiada a ser tocada, gente perdida a ser recolhida e demanda antiga que precisa ser arrastada para fora. Muitas casas o usam ainda em festa de Oxóssi e nas datas de São Sebastião, em 20 de janeiro, quando a mata é celebrada.

Perguntas frequentes

O que significa o ponto de boiadeiro: seu boiadeiro por aqui choveu?
Este é um ponto de chamada, daqueles que anunciam a chegada da linha em vez de pedir alguma coisa a ela. Os dois versos de abertura, reproduzidos aqui como amostra, já entregam a chave do fundamento: a chuva. Boa parte dos pontos de Boiadeiro fala de chuva, de trovoada, de tempo virando e de boiada em movimento, e isso não é enfeite de paisagem. Nas casas, a chuva é lida como o sinal de que o campo foi lavado, de que a poeira assentou e de que o terreno está pronto para o trabalho. Quando a corrente canta que por aqui choveu, está dizendo que a limpeza já começou. O ponto segue com outras estrofes, cantadas na toada de boiadeiro ou no coco de origem baiana, e a versão completa pode ser ouvida no vídeo que acompanha esta página. Vale entender quem é o Boiadeiro para entender o canto. A linha reúne espíritos que em vida foram vaqueiros, tocadores de boiada, peões e gente do sertão, e as descrições mais repetidas os apresentam como entidades de fala curta, gesto firme, bom humor seco e trabalho pesado. Os instrumentos deles aparecem o tempo todo nos pontos: o laço, o chicote, o berrante e o chapéu de couro. A leitura tradicional diz que o laço recolhe o que está solto, que o chicote corta o que precisa ser cortado e que o berrante chama de longe quem se perdeu do rebanho. É por isso que a linha é tão associada a descarrego, a resgate de espírito perdido e a quebra de demanda antiga. Na maior parte das casas, os Boiadeiros trabalham sob a regência de Oxóssi, pela mata e pelo campo aberto, e muitos terreiros os colocam ao lado dos Caboclos, com quem dividem a raiz da terra brasileira. Há casas que os aproximam de Xangô, pelo trovão e pela justiça do sertão, e há quem os trate como falange própria, com gira e dia próprios. As três leituras existem e nenhuma anula as outras. O que praticamente não varia é o jeito de trabalhar: pouco discurso, muita ação, e uma franqueza que costuma incomodar e curar ao mesmo tempo.
Quando se canta esse ponto?
Na gira de Boiadeiros, como ponto de chamada, e nas giras de mata em que a casa abre espaço para a linha. É cantado também quando o trabalho da noite envolve limpeza pesada, boiada a ser tocada, gente perdida a ser recolhida e demanda antiga que precisa ser arrastada para fora. Muitas casas o usam ainda em festa de Oxóssi e nas datas de São Sebastião, em 20 de janeiro, quando a mata é celebrada.
Posso cantar esse ponto em casa?
Pode, com respeito e fé. Os pontos cantados são orações em forma de música; cantar em casa ajuda a firmar a fé e a sintonia. Para trabalhos de terreiro, siga sempre a orientação do dirigente da sua casa, pois cada terreiro tem seu fundamento e a letra pode variar.
A letra é sempre igual?
Não. Os pontos são de tradição oral e variam de casa para casa, com pequenas diferenças de letra e melodia. A versão aqui é uma das mais conhecidas; a da sua casa pode ter variações.
Quem são os Boiadeiros na Umbanda?
São espíritos que se apresentam como vaqueiros, tocadores de boiada, peões e gente do sertão brasileiro. As descrições mais repetidas falam de entidades de fala curta, gesto firme, bom humor seco e trabalho pesado. Trabalham sobretudo com descarrego, com resgate de espíritos perdidos e com quebra de demanda antiga, e na maioria das casas atuam sob a regência de Oxóssi, ao lado dos Caboclos.
Por que os pontos de Boiadeiro falam tanto de chuva?
Porque a chuva, na leitura das casas, é o sinal de que o campo foi lavado e de que a poeira assentou. Quando a corrente canta que por aqui choveu, está anunciando que a limpeza começou e que o terreno está pronto para o trabalho. Trovoada, tempo virando e boiada em movimento aparecem pelo mesmo motivo: são imagens de força da natureza em ação.
O que significam o laço, o chicote e o berrante?
São os instrumentos de trabalho da linha e cada um tem função descrita na tradição. O laço recolhe o que está solto e traz de volta o que se desgarrou. O chicote corta e afasta o que não deve permanecer, e o estalo dele é lido como quebra de demanda. O berrante chama de longe, e é o som que a tradição associa ao resgate de quem se perdeu do rebanho.
Qual a saudação dos Boiadeiros?
As saudações mais ouvidas são Salve os Boiadeiros e Salve a boiada, e em muitas casas se ouve também o Okê Arô de Oxóssi antes ou depois, pela regência da mata. Não existe fórmula única e cada terreiro tem o seu jeito. O que não muda é o tom: fala-se com o Boiadeiro de forma direta e sem rodeio, porque é entidade de conversa curta.
Boiadeiro é Caboclo?
Depende da casa, e as leituras convivem. Muitos terreiros tratam os Boiadeiros como uma falange dentro da linha dos Caboclos, pela raiz comum na terra brasileira e pela regência de Oxóssi. Outros os mantêm como linha própria, com gira e dia próprios. Há ainda casas que os aproximam de Xangô, pelo trovão e pela justiça do sertão. O fundamento da sua casa é que responde.
Esse ponto é de domínio público?
Ele circula como tradição oral e as fontes que o publicam não trazem compositor identificado, o que é o caso da maioria dos pontos antigos. Ainda assim, existem pontos de Umbanda com autoria moderna e registro, e por isso reproduzimos aqui apenas os versos de abertura, creditando a fonte e indicando o vídeo para quem quiser ouvir a versão completa.
Quando se canta esse ponto na gira?
Na chegada, quando a corrente abre espaço para a linha dos Boiadeiros, e nas giras de mata que trabalham limpeza pesada e resgate. É ponto de chamada, então ele vem antes do trabalho e não no encerramento. Também aparece em festa de Oxóssi e nas datas de 20 de janeiro, quando muitas casas celebram a mata.
Preciso saber a letra para cantar na gira?
Não. Ninguém é cobrado por não saber a letra de um ponto, e a maioria das casas ensina cantando, repetindo verso por verso até a corrente pegar. O que se pede de quem assiste é atenção, palma no ritmo e respeito. A voz desafinada não atrapalha a gira. A conversa paralela, sim.
Conteúdo informativo e de fé. Os pontos cantados são de tradição oral e variam de casa para casa, na letra e na melodia. Os vídeos são de canais do YouTube, com os devidos créditos, e cada autor mantém os direitos da sua gravação. Para o uso ritual, siga sempre a orientação do dirigente do seu terreiro.
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