
Ora yê yê ô! É assim que a Umbanda saúda a senhora das águas doces. Entenda o que a saudação quer dizer, de onde vem a palavra yêyê, como ela é usada na gira, na cachoeira e em casa, e por que o 12 de outubro é um dia tão especial para dizê-la.
A saudação a Oxum é Ora yê yê ô, expressão de origem iorubá que costuma ser traduzida como salve a mãezinha benevolente. É com ela que os filhos de fé cumprimentam a Orixá das águas doces, do amor, do ouro e da fertilidade. Neste artigo você entende o que a saudação significa, como ela é dita nos terreiros e por que cada casa tem o seu jeito de escrever e de responder.
Resposta rápida
Ora yê yê ô é a saudação de Oxum. A tradução mais difundida é salve a mãezinha benevolente, ou clamemos pela benevolência da mãezinha. A palavra yêyê quer dizer mãe em iorubá.
Ela é dita quando Oxum chega na gira, quando se canta para ela, na beira do rio ou da cachoeira e no começo de uma prece. Muitas casas respondem repetindo a mesma saudação, e a grafia muda bastante: Ora yê yê ô, Ora iê iê ô, Ora yeyê ô ou Ore yeye o.
O que significa Ora yê yê ô
A parte mais firme da tradução é a palavra yêyê. Um artigo publicado na revista Saber Científico lembra que o nome de Oxum é sempre precedido de yeye, que na língua iorubá significa mãe. Por isso tantos filhos de fé a chamam de Mamãe Oxum.
O restante da frase recebe traduções livres que variam de fonte para fonte. As mais repetidas são salve a mãezinha, salve a senhora da bondade e salve a mãe benevolente. Todas apontam para a mesma ideia: um chamado carinhoso e reverente à mãe.
Vale a honestidade: a saudação veio pela tradição oral, e cada casa a explica do seu jeito. Se o seu dirigente ensina outra leitura, ela tem valor.
Quem é a Oxum que recebe essa saudação
Oxum é a senhora dos rios, das cachoeiras e das águas doces. Ela rege o amor, a fertilidade, a gestação, a doçura e a prosperidade, e é lembrada como a dona do ouro. O seu espelho, o abebé, fala da vaidade e também do olhar para dentro de si.
Na Umbanda a sua cor é o amarelo ou o dourado e o seu dia é o sábado. Por isso a saudação ganha força especial nas giras de sábado e nas festas dedicadas a ela.
Em algumas tradições de origem banto, Oxum é chamada de Dandalunda. Os nomes mudam, mas o carinho de mãe permanece.
Quando se diz Ora yê yê ô
- Na chegada de Oxum na gira. Quando a Orixá se manifesta, a corrente e a assistência a saúdam com respeito.
- Nos pontos cantados. Muitos pontos de Oxum terminam ou começam com a saudação, como o ponto Eu vi Mamãe Oxum na cachoeira.
- Na beira da água. Ao chegar a um rio ou a uma cachoeira, muita gente pede licença e saúda Oxum antes de tocar na água.
- Nas preces. A oração a Oxum costuma começar ou terminar com Ora yê yê ô.
- Nas oferendas. Ao entregar uma oferenda de Oxum, a saudação abre o pedido.
Não existe hora proibida para saudar uma mãe. O que se pede é respeito e intenção sincera.
Como responder e como se portar
Quando alguém puxa Ora yê yê ô, a resposta mais comum é repetir a saudação, com voz firme e carinhosa. Em muitas casas também se diz axé, que significa que assim seja.
O gesto acompanha a palavra. Há terreiros em que a pessoa leva as mãos ao peito, outros em que abre as palmas para a frente e outros em que se curva ou bate cabeça diante do congá. Algumas casas usam ainda o paó, as palmas ritmadas.
Se você é novo no terreiro, observe os mais antigos e faça como eles. Na dúvida, pergunte ao cambono ou ao dirigente. Ninguém espera perfeição de quem está chegando.
Ora yê yê ô, Ora iê iê ô ou Ore yeye o?
Todas essas formas aparecem nos terreiros e nos livros. A diferença vem da passagem do iorubá, uma língua tonal, para o português, cada um escrevendo como ouve.
- Ora yê yê ô: a forma mais usada na Umbanda.
- Ora iê iê ô: a mesma saudação com grafia aportuguesada.
- Ora yeyê ô: junta o yeyê, deixando claro que é uma palavra só, mãe.
- Ore yeye o: forma mais próxima da escrita iorubá, comum no Candomblé.
Nenhuma delas está errada. O que importa é a intenção e o respeito com que a saudação é dita.
12 de outubro: Aparecida e Oxum
No sincretismo, Oxum é associada a Nossa Senhora da Conceição em boa parte do Brasil, festejada em 8 de dezembro. Em muitas regiões, sobretudo no Sudeste, ela também é ligada a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, celebrada em 12 de outubro.
A imagem de Aparecida foi encontrada nas águas do rio Paraíba do Sul, e isso aproxima muito as duas figuras na devoção popular. Por isso muitos terreiros saúdam Oxum com carinho especial nesse dia.
Esse é um bom exemplo do sincretismo que forma a Umbanda. Cada casa decide se celebra Oxum em outubro, em dezembro ou nas duas datas.
Saudação de Oxum e saudações dos outros Orixás
Cada Orixá tem a sua saudação. Ogum é saudado com Ogunhê, Oxóssi com Okê arô, Xangô com Kaô Kabecilê, Iansã com Eparrei e Iemanjá com Odoyá. A de Oxum é a mais doce de todas, um chamado à mãe.
Para conhecer a lista completa e o sentido de cada uma, veja o artigo sobre as saudações da Umbanda. E se quiser preparar algo para ela, veja a comida de Oxum na Umbanda.
Em resumo
Ora yê yê ô é a saudação de Oxum e quer dizer, em linhas gerais, salve a mãezinha benevolente; yêyê significa mãe em iorubá. Ela é dita na gira, nos pontos, nas preces e na beira da água.
A grafia e a resposta mudam de casa para casa, e todas têm valor. Saúde com o coração, siga o costume do seu terreiro e, neste 12 de outubro, lembre da mãe das águas doces. Ora yê yê ô, Mamãe Oxum!
Fontes e referências
- K. J. F. Gonçalves, Oxum, mãe da beleza: o poder da divindade de maior popularidade do panteão afro-brasileiro, Revista Saber Científico (São Lucas), v. 2, n. 1, 2009
- Equipe do Significados, Oxum: quem é, história e significado na Umbanda, Significados
- O que significa Ora Yê Yê ô?, Auditório Ibirapuera, 2023
Perguntas frequentes
Qual é a saudação de Oxum?
O que significa Ora yê yê ô?
Como responder quando alguém diz Ora yê yê ô?
Qual a forma certa de escrever a saudação de Oxum?
Quando se deve saudar Oxum?
Por que Oxum é chamada de Mamãe Oxum?
Oxum é Nossa Senhora Aparecida?
Quem não é da Umbanda pode saudar Oxum?
Qual a diferença entre a saudação de Oxum e a de Iemanjá?
Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan são médiuns de um terreiro de Umbanda em São Paulo e mantêm o Axé Umbanda com fundamento, respeito à tradição e fontes confiáveis.
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