Ponto de Oxum: Eu Vi Mamãe Oxum na Cachoeira
Eu vi mamãe Oxum na cachoeira
Ouça o ponto
Letra do ponto
Letra de tradição oral; pode variar de casa para casa.
Significado
Este é um dos pontos mais conhecidos de Oxum, a Orixá das águas doces, dos rios e das cachoeiras, do amor, da fertilidade e da prosperidade. A força dele está na imagem simples que a letra desenha, e cada pedaço dessa cena tem leitura dentro das casas.
Quem canta diz que viu mamãe Oxum na cachoeira. A cachoeira e o rio são o ponto de força de Oxum, o lugar da natureza onde o axé dela se sente mais vivo. A água que cai e corre é lida pelas casas como purificação e renovação, e é para lá que muitos terreiros levam as suas oferendas.
Ela aparece sentada à beira do rio, sem pressa. A postura fala da calma e da paciência de quem cuida com doçura, sem atropelar ninguém. Oxum não chega como tempestade: chega como água mansa, que vai abrindo caminho devagar.
E ela colhe lírios não para si, mas para enfeitar o congá, o altar da casa de Umbanda. Essa é a parte mais bonita do ponto: a mãe que se ocupa de deixar bonito o lugar onde os filhos rezam. Na leitura das casas, os lírios lembram a pureza, a delicadeza e o carinho.
O gesto de enfeitar o congá ensina que beleza, na Umbanda, também é forma de fé e de cuidado com o sagrado. Por isso há casas que oferecem flores claras ou amarelas a Oxum. A escolha das flores e da oferenda, porém, segue sempre a orientação do dirigente.
O refrão ai, ai, ai, que amor de Oxum, ela é a rainha, a dona da cachoeira, é louvação direta. Ele reconhece a realeza de Oxum e o amor dela pelos filhos, e costuma ser repetido várias vezes pela corrente, como é comum nos pontos.
O verso final traz a saudação Ora ieiê ô, expressão de origem iorubá que as casas costumam traduzir como salve a mãe benevolente, ou salve a nossa mãezinha. Ela aparece escrita de muitos jeitos nos cadernos de ponto, como Ora yê yê ô, Orá iê iê ô e Ora ieieo, e nenhuma grafia é errada.
Oxum é a dona do ouro e do espelho. O abebé, o leque redondo que muitas vezes traz um espelho, é o símbolo que ela carrega na mão, e fala de beleza, de autoconhecimento e de amor próprio. O amarelo e o dourado são as cores mais usadas para ela, e o sábado é o dia mais citado, embora algumas casas tenham outro costume.
No Sudeste e no Centro-Oeste, o sincretismo mais conhecido liga Oxum a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, festejada em 12 de outubro. Em outras regiões, sobretudo na Bahia, Oxum é ligada a Nossa Senhora da Conceição, festejada em 8 de dezembro, e há casas que lembram as duas datas.
Canta-se este ponto pedindo amor, amor próprio, união na família, harmonia nas relações, fertilidade e prosperidade. Ele também é cantado para acalmar o coração, porque as águas doces de Oxum lavam a mágoa e devolvem a doçura.
Como todo ponto de tradição oral, a letra varia de casa para casa, com versos repetidos, refrões trocados e melodias diferentes. A versão que a sua gira canta é a que vale para você.
Quando se canta
Na gira de Oxum e nas louvações à dona das águas doces, para saudar a Orixá na chegada da linha e pedir amor, doçura, harmonia e prosperidade. O ritmo costuma ser suave e cadenciado, como a água que corre no rio.
Muitas casas cantam este ponto também nas festas de Oxum e nas oferendas à beira do rio ou da cachoeira, quando a corrente vai ao ponto de força da Orixá. Há quem o cante nos trabalhos de harmonia, de união da família e de limpeza do coração.
No calendário, ele é muito lembrado em 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida, e em 8 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, conforme o sincretismo de cada região. A ordem dos pontos é sempre do dirigente.






