Oração para Paz na Família
Paz entre as pessoas da casa, com Oxalá, os Pretos-Velhos e Nanã

A oração para paz na família pede a Oxalá, aos Pretos-Velhos e a Nanã que abrande a briga dentro de casa, assente a mágoa antiga e devolva convivência limpa entre as pessoas que moram juntas. Reze com uma vela branca acesa em local seguro, de preferência na sexta-feira, dia mais associado a Oxalá em muitas casas.
Oração para Paz na Família
O significado desta oração
Quando o pedido é paz dentro de casa, a tradição umbandista aponta primeiro para Oxalá. Ele é o Orixá maior, ligado à criação, à paz e à serenidade, e a cor dele é o branco, entendido como a soma de todas as cores e a luz que não briga com nenhuma outra. Para Oxalá se usa vela branca, e a sexta-feira é o dia mais citado, quando muitas casas pedem que o povo vista branco. Pedir a Oxalá não é pedir que a família fique perfeita: é pedir que o clima abaixe o suficiente para as pessoas voltarem a se ouvir.
Junto de Oxalá aparecem os Pretos-Velhos, da linha das Almas, que são as entidades mais procuradas quando o assunto é convivência, mágoa antiga e paciência. A leitura das casas é simples e forte: são espíritos de gente muito velha, que atravessou o pior que existe e ainda assim aprendeu a falar baixo, a esperar e a acolher. Nessa linha se usa muito a palavra maleme, que as casas explicam com um sentido próximo de compaixão, brandura e indulgência, o pedido de que se pegue leve com quem errou, inclusive com a própria pessoa que reza. Há pretas velhas conhecidas especialmente pela guarda da família e do lar, e o nome varia de terreiro para terreiro.
Duas outras vibrações são muito lembradas nesse pedido. Nanã é apontada como a mais antiga das Yabás, ligada à ancestralidade, à memória e à sabedoria que atravessa gerações, e é a ela que muitas casas recorrem quando o problema da família é velho, vem de trás e envolve os mais idosos. As cores dela mais citadas são o lilás, o roxo e o branco, e o dia mais celebrado é 26 de julho. Iemanjá é chamada como mãe, mãe de todas as cabeças, quando o que falta em casa é acalmar cabeça quente. Nada disso é regra fixa: o arranjo de Orixás e linhas para cada pedido muda de casa para casa, e quem confirma é o dirigente do seu terreiro.
Vale ser honesto sobre o alcance da prece. Oração não obriga ninguém a mudar, porque a tradição respeita a vontade de cada pessoa, e é justamente por isso que casa séria não faz trabalho para calar parente, dobrar cônjuge ou forçar reconciliação. O que a reza faz, e não é pouco, é trabalhar em quem está rezando: baixa a fervura, tira a pressa da resposta atravessada, devolve clareza para saber quando falar e quando esperar. Desconfie de quem promete unir a família em sete dias, de quem cobra caro por isso e de quem diz que a culpa da briga é da falta de fé de alguém. Isso não é fundamento, é cobrança em cima de gente sofrendo.
Existe um limite que precisa ficar dito com toda a clareza: esta oração não serve para aguentar violência. Onde há agressão física, ameaça, empurrão, cárcere, controle de dinheiro, humilhação constante, violência sexual ou qualquer forma de abuso, contra mulher, contra criança, contra idoso ou contra qualquer pessoa da casa, o caminho não é rezar mais e esperar melhorar. O caminho é buscar ajuda e a rede de proteção. No Brasil, o 180 é a Central de Atendimento à Mulher, gratuita e disponível 24 horas, e o 190 é para o momento em que existe risco imediato. Há também delegacia da mulher, conselho tutelar, Ministério Público, defensoria e serviços de proteção ao idoso. Ninguém precisa perdoar quem agride para ter paz, ninguém tem obrigação de continuar debaixo do mesmo teto, e sair não é falta de fé. Fé e providência prática caminham juntas, e nesse caso a providência vem primeiro.
Esta é uma oração autoral do Axé Umbanda, escrita com fundamento na devoção a Oxalá como Orixá da paz, no trabalho dos Pretos-Velhos com a paciência e o acolhimento e na ligação de Nanã com a ancestralidade. Ela não é rito de terreiro e não substitui a orientação do seu dirigente. Também não substitui o que a vida prática pede: conversa marcada com calma, divisão justa das tarefas e das contas, acompanhamento psicológico, terapia de família, mediação familiar quando há herança ou guarda no meio, e apoio de rede para quem cuida sozinho de uma pessoa idosa. Reza organiza por dentro. O resto se resolve fazendo.
Como rezar
- Escolha um horário em que a casa esteja calma, de preferência sem ninguém alterado por perto, e reze sozinho, em voz baixa. Reza de paz feita no meio da briga costuma virar mais um motivo de discussão.
- Acenda uma vela branca, a cor de Oxalá e a cor da paz, firmada em pires de louça ou castiçal seguro, longe de cortina, papel e tomada, e nunca deixe queimando em casa vazia nem ao alcance de criança ou de animal.
- Coloque um copo de água limpa perto da porta de entrada. É costume antigo, e a leitura das casas é que a água absorve o que passa. Troque a água e descarte em água corrente pelo menos de sete em sete dias, porque água parada satura e não serve mais.
- Se a sua casa usa defumação, o costume mais citado para paz e harmonia é a alfazema. Queime a erva sobre carvão vegetal em brasa, nunca em chamas, e caminhe da porta da rua para dentro, passando por todos os cômodos e fazendo o sinal da cruz nos cantos. Mantenha janelas abertas e não defume perto de quem tem asma, bronquite, bebê ou animal sensível a fumaça.
- Diga em voz alta o nome de cada pessoa da casa, inclusive o nome de quem está brigando com você. Nomear é firmar o pedido, e a tradição valoriza isso.
- Peça paz, não castigo. Não peça que o outro leve o troco, não peça que alguém se cale e não peça que ninguém volte à força. Casa séria recusa esse tipo de pedido, e a leitura que os mais velhos repetem é que o que se manda volta.
- Faça a sua parte no mesmo dia, e comece pelo mais fácil: uma palavra mansa, um bom dia dado primeiro, uma mensagem curta ao irmão que parou de falar, uma conversa marcada em hora e local calmos. Guia nenhum, na leitura das casas, cobre a parte que é sua.
- Agradeça antes de ver resultado e repita a reza por sete dias, se puder. Paz de família raramente volta de uma vez, e a tradição trata constância como parte do pedido.
- Se houver violência ou ameaça em casa, esta lista não é o seu próximo passo. O próximo passo é ligar 180 ou, em risco imediato, 190, e falar com alguém de confiança. Reze depois, se quiser, mas proteja a vida primeiro.
Quando rezar
Reze quando a casa estiver em clima pesado, depois de uma briga feia, quando dois parentes pararam de se falar, quando uma mágoa antiga voltou à mesa ou quando você percebe que já está discutindo por qualquer coisa. Muitas casas indicam a sexta-feira, dia mais ligado a Oxalá, e a segunda-feira, quando se saúda a linha das Almas. Também é comum rezar antes de uma conversa difícil de família e no domingo, antes de todo mundo se reunir.
Perguntas frequentes
Qual oração se faz para paz na família na Umbanda?
A quem se pede paz no lar na Umbanda?
Qual a cor da vela para paz na família?
Qual o melhor dia para rezar pela paz da casa?
Como usar defumador de alfazema para harmonia no lar?
Para que serve o copo de água na entrada da casa?
Existe oração para dois irmãos voltarem a se falar?
Posso rezar para alguém da minha família mudar de comportamento?
A oração resolve violência dentro de casa?
Preciso perdoar quem me agrediu para ter paz na família?
Fonte: Oxalá na Umbanda: dia, cores e oferendas, Axé Umbanda, Quem é Oxalá, o orixá da paz e da criação, Joia Mística Laroyê, Dia de Nanã na Umbanda, 26 de julho, 1banda, A Água na Umbanda, Diário de Umbanda, Defumação, Diário de Umbanda, Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, Governo Federal







