Reza · Axé Umbanda

Oração para Abrir Caminhos

Para quando tudo trava ao mesmo tempo e nenhuma porta parece se mexer

Oração: Oração para Abrir Caminhos
Resposta rápida

A oração para abrir caminhos pede a Exu, guardião das encruzilhadas, e a Ogum, senhor das estradas, que retirem o que trava a passagem e devolvam movimento à vida. Reze de manhã, com uma vela branca acesa em local seguro, e faça o pedido antes de sair para resolver o que está parado.

Oração para Abrir Caminhos

Meu Pai Olorum, senhor de tudo o que existe,abençoai esta prece que agora começa.Laroyê Exu, guardião da encruzilhada,o senhor que sabe por onde se entra e por onde se sai.Ogunhê, meu Pai Ogum, senhor da estrada,aquele que vai na frente e abre o que está fechado.Eu chego sem pressa e sem arrogância,pedindo licença para falar.Tirai da minha frente a pedra que eu não consigo mover.Tirai do meu caminho o atraso que não tem nome,a porta que não abre, a resposta que não vem,a conversa que sempre para no mesmo ponto.Abri o caminho do meu trabalho e do meu sustento.Abri o caminho da minha casa e de quem mora nela.Abri o caminho da minha saúde e do meu sossego.E se houver caminho que precisa ficar fechado,que ele fique, meu Pai, porque nem toda porta que eu quero é porta boa.Dai-me a esperteza de Exu para enxergar armadilha,a firmeza de Ogum para andar sem recuar,e a paciência de esperar a hora certa sem me desesperar.Que eu tenha caminho e que eu tenha coragem de caminhar,porque de nada adianta a estrada abertase eu ficar parado esperando que alguém ande por mim.Eu não peço mal para ninguém e não peço porta de ninguém.Eu peço a minha, que é a que me cabe.Agradeço pelo caminho que já foi abertoe pelo que ainda vai se abrir na hora que for de direito.Laroyê Exu. Ogunhê, meu Pai Ogum.Assim seja.

O significado desta oração

Abrir caminho é uma das expressões mais faladas na Umbanda, e vale entender o que ela quer dizer de verdade. Caminho, na tradição, é a passagem entre o que a pessoa quer e o que ela consegue alcançar. Quando ela está aberta, as coisas fluem com o esforço normal da vida. Quando está fechada, aparece aquela sensação conhecida: você trabalha, tenta, insiste, e tudo esbarra em alguma coisa que você não vê.

Exu é o guardião dessa passagem. Ele fica na encruzilhada, o ponto exato onde os caminhos se cruzam, e é ele quem abre e quem fecha, quem leva o pedido e quem traz a resposta. Por isso é o primeiro a ser saudado em quase todo trabalho: sem Exu, na lógica da tradição, nada chega e nada volta. E é preciso desfazer de vez a confusão mais repetida sobre ele: Exu não é o diabo. Essa associação nasceu da leitura cristã que traduziu o Orixá mensageiro como demônio nos primeiros séculos de contato com as religiões africanas, e não tem base nenhuma no fundamento afro-brasileiro.

Ogum entra por outro lado. Ele é o Orixá do ferro, da guerra justa e da estrada, e a tradição o coloca à frente, cortando o mato e abrindo passagem onde não havia. Onde Exu é a encruzilhada, Ogum é a estrada em si. Na Umbanda ele integra a linha da lei, e a saudação Ogunhê é ouvida em toda casa que trabalha a linha dele. Chamar os dois na mesma oração é costume difundido justamente por essa complementaridade: um abre a porta, o outro sustenta a caminhada.

A oração traz de propósito um pedido que muita gente esquece: que fique fechado o caminho que precisa ficar fechado. Os mais velhos repetem isso com frequência, e é uma das lições mais duras da tradição. Nem toda porta que a pessoa quer é porta boa, e há travamento que é proteção, não castigo. Quem já olhou para trás e agradeceu por algo que não deu certo entende o que a frase quer dizer.

Vale registrar também o que a oração não faz. Ela não abre caminho na vida de outra pessoa, não fecha caminho de ninguém e não substitui providência prática. Pedido de caminho aberto anda junto de currículo enviado, conta organizada, conversa feita e decisão tomada. A tradição chama isso de fé com fundamento: o axé abre a passagem e a pessoa caminha.

Esta é uma oração autoral do Axé Umbanda, escrita com base na devoção a Exu e a Ogum e no que as casas ensinam sobre a função de cada um. Não substitui a orientação do dirigente do seu terreiro. E se o travamento vier acompanhado de tristeza profunda, insônia e desesperança que não passam, procure também apoio profissional, porque cuidado espiritual e cuidado de saúde caminham juntos.

TipoOração autoral
TemaPara quando tudo trava ao mesmo tempo e nenhuma porta parece se mexer
VelaBranca
OrigemOração do Axé Umbanda

Como rezar

  1. Escolha um canto tranquilo da casa e um horário em que ninguém vá interromper. De manhã, antes de sair, é o costume mais citado.
  2. Acenda uma vela branca sobre um pires de louça, em superfície firme, longe de cortina, papel e tomada. Nunca deixe vela acesa em casa vazia nem com criança e animal soltos por perto.
  3. Se você tem o costume, ofereça um copo de água limpa ao lado da vela. Água é oferta simples e aceita em praticamente toda casa.
  4. Fale em voz baixa, sem pressa, e diga com clareza qual caminho você quer que se abra. Pedido vago costuma render resposta vaga, e nomear o que se quer já é parte do trabalho.
  5. Agradeça antes de pedir. A tradição é constante nisso: quem chega agradecendo pelo que já tem pede de um lugar diferente de quem chega cobrando.
  6. Ao terminar, faça uma coisa concreta no mesmo dia em direção ao que você pediu. Uma ligação, um envio, uma conversa, um passo. Caminho aberto sem passo dado continua sendo caminho vazio.
  7. Repita quantas vezes sentir necessidade. Não existe número obrigatório, e reza feita com calma vale mais do que reza repetida no automático.

Quando rezar

Reze quando tudo parecer travado ao mesmo tempo, quando a procura por trabalho não avança, quando um processo emperra e quando você sente que faz tudo certo e nada anda. O costume mais repetido é rezar pela manhã, antes de sair, e muitas casas indicam a segunda-feira, dia associado ao povo da rua, e a terça-feira, dia de Ogum. Também é oração de virada de mês e de recomeço, depois de um período difícil.

Perguntas frequentes

Qual oração é a melhor para abrir caminhos?
Não existe uma única. A tradição umbandista costuma dirigir esse pedido a Exu, guardião das encruzilhadas e das passagens, e a Ogum, senhor da estrada, e é comum chamar os dois juntos. Muita gente também reza a Santo Expedito ou a São Jorge, dentro da devoção católica que convive com a Umbanda no Brasil. O que faz a oração funcionar, na leitura das casas, é a clareza do pedido e o passo prático que vem depois, e não a fórmula escolhida.
Qual o melhor dia para rezar pedindo caminhos abertos?
A segunda-feira é a mais citada, por ser o dia associado ao povo da rua, e a terça-feira aparece com força por ser o dia de Ogum na Umbanda. Muita gente reza também na virada de mês e no primeiro dia de um recomeço. Nada disso é obrigatório: oração feita com fé no dia possível vale mais do que oração adiada esperando a data perfeita.
Preciso fazer oferenda junto com a oração?
Não. Oração com vela branca e um copo de água é gesto simples, acessível a qualquer pessoa e suficiente. Oferenda de Exu, padê e trabalho de esquerda são fundamento de casa, montados por quem tem orientação e responde por aquilo, e não se improvisam seguindo vídeo de internet. Se você sente que precisa de algo além da oração, o caminho é procurar um terreiro e conversar com o dirigente.
Posso pedir para abrir caminho contra outra pessoa?
Não, e essa é uma linha que a tradição séria não atravessa. A oração pede o caminho que é seu, e não a porta de outra pessoa. Pedir prejuízo a alguém não pertence à Umbanda e, na leitura que os mais velhos repetem sem cansar, volta para quem pediu. Se existe um conflito real, o pedido coerente é por clareza, firmeza e justiça, e não por dano.
Rezar para Exu é coisa ruim?
Não. Exu não é o diabo, e essa associação nasceu da leitura cristã que traduziu o Orixá mensageiro como demônio nos primeiros séculos de contato com as religiões africanas. No fundamento afro-brasileiro, Exu é o que abre e fecha, o que leva o pedido e traz a resposta, o guardião da porta. É a ele que se pede passagem, e é por isso que ele é o primeiro saudado em quase todo trabalho.
Quantas vezes devo rezar?
Não existe número obrigatório. Há quem reze uma vez e sinta que basta, há quem repita por sete dias e há quem faça disso oração de manhã. O que a tradição valoriza é a calma e a intenção, e não a contagem. Reza repetida no automático, sem prestar atenção no que se está dizendo, costuma render menos do que uma feita devagar e por inteiro.
E se o caminho não abrir?
Duas leituras convivem nas casas e as duas merecem consideração. A primeira é a do tempo: há coisa que só se resolve no prazo dela, e a tradição chama de paciência o que a pressa chama de fracasso. A segunda é mais desconfortável: talvez aquela porta específica não seja a sua, e o travamento esteja protegendo você de algo que ainda não dá para enxergar. Vale também a checagem prática, olhando o que depende só de você e ainda não foi feito. E se o desânimo estiver pesado demais, procure apoio profissional, porque isso também é cuidado.

Fonte: Oração de Ogum para abrir caminhos, Terra de Oxóssi, Oração a Ogum para abrir caminhos, Centro Pai João de Angola, Umbanda, Wikipédia, Exu, Wikipédia

Conteúdo informativo e de fé. As orações e formas de rezar variam de casa para casa. Não substituem a orientação do dirigente do seu terreiro. Reze com fé e respeito.
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