Ponto cantado · Xangô

Ponto de Xangô: Trovejou Lá no Céu

Trovejou lá no céu e o mundo balanceou

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Vídeo: Trovejou Lá no Céu, canal Aldeia de Caboclos - Topic (YouTube). Os direitos da gravação pertencem ao autor/canal; reproduzido aqui via player oficial do YouTube.
XangôXangô

Letra do ponto

Trovejou lá no céuE o mundo balanceou. (2x)Só não balanceouA coroa de Xangô. (2x)

Letra de tradição oral; pode variar de casa para casa.

Significado

Este é um dos pontos mais cantados para Xangô, o Orixá da justiça, do trovão, do fogo e das pedreiras. São só quatro versos, mas eles guardam uma ideia inteira sobre quem é o Rei e sobre o que se pede a ele.

O ponto começa com o trovão. Trovejou lá no céu e o mundo balanceou: o trovão é a voz de Xangô, e a terra que treme lembra a força da natureza e as grandes provas da vida, aquelas horas em que tudo parece sair do lugar.

Logo vem a virada: só não balanceou a coroa de Xangô. A coroa é a realeza do Orixá, que na tradição iorubá foi rei de Oyó. Na leitura das casas, ela representa a Lei e a justiça divina, que continuam firmes quando tudo à volta se abala.

Por isso este ponto é tão pedido em tempos de injustiça e de aflição. Quem canta não pede que a tempestade passe longe. Pede para ficar de pé no meio dela, confiando que a justiça de Xangô pesa cada causa com equilíbrio e chega na hora certa.

A pedreira é o ponto de força de Xangô na natureza. A rocha fala de firmeza, de constância e de uma justiça que não se dobra, e é nas pedreiras que muitas casas fazem as louvações e oferendas ao Orixá. No Rio de Janeiro, a festa da Pedreira de Xangô, na Serrinha, em Madureira, é celebrada há décadas.

O símbolo de Xangô é o oxé, o machado de duas lâminas. As casas costumam explicar que as duas lâminas cortam para os dois lados por igual: a justiça de Xangô não escolhe lado, pesa o certo e o errado de cada um, inclusive de quem pede. Algumas casas também lembram a balança como símbolo da sua justiça.

A saudação é Kaô Kabecilê, de origem iorubá, que aparece escrita também como Kawó Kabiyesilé e Caô Cabecilê. As traduções variam: há quem diga venham ver o Rei descer sobre a terra, e há quem diga salve o Rei, ou venham saudar o Rei. Todas apontam para a mesma reverência à realeza de Xangô.

O sincretismo de Xangô muda conforme a região e a casa. No Sudeste é muito comum ligá-lo a São Jerônimo, festejado em 30 de setembro, o santo estudioso das escrituras, sempre pintado com um leão e muitas vezes junto a pedras. Em outras casas, sobretudo no Nordeste, Xangô é ligado a São João Batista e há quem o ligue a São Pedro, o que explica as fogueiras de junho em sua homenagem.

As cores mais usadas para Xangô na Umbanda são o marrom e também o vermelho e o branco, conforme a casa. O dia mais citado é a quarta-feira. Xangô é ainda lembrado como protetor dos estudos, dos documentos e das causas na justiça, sempre com a ressalva de que ele não ajuda quem age de má-fé.

Canta-se este ponto pedindo justiça, equilíbrio, firmeza de caráter, resolução de pendências e coragem para atravessar provas. É também um lembrete para quem canta: a justiça que se pede para si é a mesma que Xangô cobra de cada um.

Como todo ponto de tradição oral, a letra varia de casa para casa, com versos repetidos e melodias diferentes. A versão que a sua gira canta é a que vale para você.

Quando se canta

Na gira de Xangô e nas louvações ao Rei da justiça, para saudar o Orixá na chegada da linha e pedir firmeza, equilíbrio e justiça numa causa difícil. A curimba costuma tocar forte e marcado, como trovão que rola na pedreira.

Muitas casas cantam este ponto às quartas-feiras, o dia mais citado para Xangô, e também para firmar a corrente quando o ambiente está pesado ou instável. A ideia é pedir que a casa fique de pé como a coroa do Rei, mesmo quando tudo balança.

Ele aparece ainda nas festas de Xangô e nas oferendas levadas à pedreira, o ponto de força do Orixá. Conforme o sincretismo da casa, essas festas caem em 30 de setembro, dia de São Jerônimo, ou em junho, nos dias de São João e de São Pedro. A ordem dos pontos é sempre do dirigente.

Perguntas frequentes

O que significa o ponto de xangô: trovejou lá no céu?
Este é um dos pontos mais cantados para Xangô, o Orixá da justiça, do trovão, do fogo e das pedreiras. São só quatro versos, mas eles guardam uma ideia inteira sobre quem é o Rei e sobre o que se pede a ele. O ponto começa com o trovão. Trovejou lá no céu e o mundo balanceou: o trovão é a voz de Xangô, e a terra que treme lembra a força da natureza e as grandes provas da vida, aquelas horas em que tudo parece sair do lugar. Logo vem a virada: só não balanceou a coroa de Xangô. A coroa é a realeza do Orixá, que na tradição iorubá foi rei de Oyó. Na leitura das casas, ela representa a Lei e a justiça divina, que continuam firmes quando tudo à volta se abala. Por isso este ponto é tão pedido em tempos de injustiça e de aflição. Quem canta não pede que a tempestade passe longe. Pede para ficar de pé no meio dela, confiando que a justiça de Xangô pesa cada causa com equilíbrio e chega na hora certa. A pedreira é o ponto de força de Xangô na natureza. A rocha fala de firmeza, de constância e de uma justiça que não se dobra, e é nas pedreiras que muitas casas fazem as louvações e oferendas ao Orixá. No Rio de Janeiro, a festa da Pedreira de Xangô, na Serrinha, em Madureira, é celebrada há décadas. O símbolo de Xangô é o oxé, o machado de duas lâminas. As casas costumam explicar que as duas lâminas cortam para os dois lados por igual: a justiça de Xangô não escolhe lado, pesa o certo e o errado de cada um, inclusive de quem pede. Algumas casas também lembram a balança como símbolo da sua justiça. A saudação é Kaô Kabecilê, de origem iorubá, que aparece escrita também como Kawó Kabiyesilé e Caô Cabecilê. As traduções variam: há quem diga venham ver o Rei descer sobre a terra, e há quem diga salve o Rei, ou venham saudar o Rei. Todas apontam para a mesma reverência à realeza de Xangô. O sincretismo de Xangô muda conforme a região e a casa. No Sudeste é muito comum ligá-lo a São Jerônimo, festejado em 30 de setembro, o santo estudioso das escrituras, sempre pintado com um leão e muitas vezes junto a pedras. Em outras casas, sobretudo no Nordeste, Xangô é ligado a São João Batista e há quem o ligue a São Pedro, o que explica as fogueiras de junho em sua homenagem. As cores mais usadas para Xangô na Umbanda são o marrom e também o vermelho e o branco, conforme a casa. O dia mais citado é a quarta-feira. Xangô é ainda lembrado como protetor dos estudos, dos documentos e das causas na justiça, sempre com a ressalva de que ele não ajuda quem age de má-fé. Canta-se este ponto pedindo justiça, equilíbrio, firmeza de caráter, resolução de pendências e coragem para atravessar provas. É também um lembrete para quem canta: a justiça que se pede para si é a mesma que Xangô cobra de cada um. Como todo ponto de tradição oral, a letra varia de casa para casa, com versos repetidos e melodias diferentes. A versão que a sua gira canta é a que vale para você.
Quando se canta esse ponto?
Na gira de Xangô e nas louvações ao Rei da justiça, para saudar o Orixá na chegada da linha e pedir firmeza, equilíbrio e justiça numa causa difícil. A curimba costuma tocar forte e marcado, como trovão que rola na pedreira. Muitas casas cantam este ponto às quartas-feiras, o dia mais citado para Xangô, e também para firmar a corrente quando o ambiente está pesado ou instável. A ideia é pedir que a casa fique de pé como a coroa do Rei, mesmo quando tudo balança. Ele aparece ainda nas festas de Xangô e nas oferendas levadas à pedreira, o ponto de força do Orixá. Conforme o sincretismo da casa, essas festas caem em 30 de setembro, dia de São Jerônimo, ou em junho, nos dias de São João e de São Pedro. A ordem dos pontos é sempre do dirigente.
Posso cantar esse ponto em casa?
Pode, com respeito e fé. Os pontos cantados são orações em forma de música; cantar em casa ajuda a firmar a fé e a sintonia. Para trabalhos de terreiro, siga sempre a orientação do dirigente da sua casa, pois cada terreiro tem seu fundamento e a letra pode variar.
A letra é sempre igual?
Não. Os pontos são de tradição oral e variam de casa para casa, com pequenas diferenças de letra e melodia. A versão aqui é uma das mais conhecidas; a da sua casa pode ter variações.
Quem é Xangô na Umbanda?
Xangô é o Orixá da justiça, do trovão, do fogo e das pedreiras. Na tradição iorubá ele foi rei de Oyó, e por isso é chamado de Rei. Na Umbanda ele é procurado para pedir justiça, equilíbrio, firmeza e solução de causas difíceis, sempre do lado de quem age com verdade. Cada casa tem o seu fundamento sobre ele, e quem explica o Xangô da sua casa é o dirigente dela.
O que significa a coroa de Xangô que não balança?
A coroa é o sinal da realeza de Xangô. Quando a letra diz que o mundo balançou e só a coroa dele não balançou, ela fala da Lei e da justiça divina, que continuam firmes mesmo quando tudo à volta treme. Na leitura das casas, cantar esse verso é pedir para ficar de pé no meio das provas, confiando que a justiça chega na hora certa.
O que quer dizer Kaô Kabecilê?
É a saudação de Xangô, de origem iorubá, escrita também como Kawó Kabiyesilé e Caô Cabecilê. As traduções variam: muitas casas dizem venham ver o Rei descer sobre a terra, e outras dizem salve o Rei ou venham saudar o Rei. Todas apontam para a reverência à realeza de Xangô, e nenhuma grafia é errada: é oralidade viva.
Por que a pedreira é o lugar de Xangô?
Porque a Umbanda entende que cada Orixá tem um ponto de força na natureza, e o de Xangô são as pedreiras e as rochas. A pedra fala de firmeza, de constância e de uma justiça que não se dobra. Por isso muitas casas fazem as louvações e oferendas a Xangô nas pedreiras, e no Rio de Janeiro a festa da Pedreira de Xangô, na Serrinha, é celebrada há décadas.
O que é o oxé, o machado de Xangô?
O oxé é o machado de duas lâminas, o símbolo mais conhecido de Xangô. As casas costumam explicar que as lâminas cortam para os dois lados por igual: a justiça do Rei não escolhe lado e pesa o certo e o errado de cada um, inclusive de quem pede. É por isso que se diz que Xangô não protege quem age de má-fé.
Xangô é São Jerônimo ou São João?
Depende da região e da casa. No Sudeste o sincretismo mais comum liga Xangô a São Jerônimo, festejado em 30 de setembro. Em outras casas, sobretudo no Nordeste, ele é ligado a São João Batista, e há quem o ligue a São Pedro, por isso as fogueiras de junho também são lembradas para Xangô. Xangô é Orixá e os santos são católicos, cada um com a sua história, e o sincretismo é uma ponte de devoção.
Qual é a cor, o dia e a saudação de Xangô?
As cores mais usadas na Umbanda são o marrom e também o vermelho e o branco, conforme a casa. O dia mais citado é a quarta-feira. A saudação é Kaô Kabecilê. Como sempre, o costume da sua casa é o que vale dentro dela.
Quando se canta esse ponto na gira?
Na maior parte das casas ele é cantado na chegada da linha de Xangô e nas louvações ao Orixá, puxado pelo ogã ou curimbeiro e respondido pela corrente. Muitas casas também o usam para firmar a corrente quando o ambiente está pesado. A quarta-feira e as festas de Xangô são os momentos mais comuns, mas a ordem dos pontos é sempre definida pelo dirigente.
Posso cantar esse ponto pedindo justiça numa causa minha?
Pode cantar com fé e respeito, como oração. Só vale lembrar o fundamento: a justiça de Xangô é para todos os lados, então se pede justiça, não vingança, e se pede com a consciência tranquila sobre o próprio papel na história. Em causas na justiça dos homens, a fé caminha junto com advogado, documentos e os passos práticos.
Posso cantar esse ponto em casa?
Sim. Cantar ponto em casa com respeito, como saudação e oração, é costume antigo e tranquilo, e muita gente canta para Xangô pedindo firmeza e equilíbrio. O que não se faz por conta própria é abrir gira, chamar entidade para incorporar ou conduzir trabalho, porque isso pede corrente, preparo e dirigente responsável. Se sentir vontade de ir além da saudação, procure uma casa séria e converse.
Conteúdo informativo e de fé. Os pontos cantados são de tradição oral e variam de casa para casa, na letra e na melodia. Os vídeos são de canais do YouTube, com os devidos créditos, e cada autor mantém os direitos da sua gravação. Para o uso ritual, siga sempre a orientação do dirigente do seu terreiro.
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