Ponto cantado · As Sete Linhas da Umbanda

Ponto das Sete Linhas: Rei das Demandas é Ogum Megê

Rei das demandas é Ogum Megê

Ouça o ponto

▶ Tocar no YouTube · Ogan Renato
Vídeo: Ponto de 7 Linhas de Umbanda. "Rei da demanda é Ogum, megê! Quem rola a pedra é Xangô, Kaô...", canal Ogan Renato (YouTube). Os direitos da gravação pertencem ao autor/canal; reproduzido aqui via player oficial do YouTube.
As Sete Linhas da UmbandaSete Linhas

Letra do ponto

Rei das demandasÉ Ogum Megê.Quem rola as pedrasÉ Xangô, Kaô.Flecha de OxóssiÉ certeira, é.Oxalá é meu Senhor.Sete Linhas de Umbanda,Sete Linhas pra vencer,Dentro das Leis de OxaláNinguém pode perecer.Salve Oxum nas cachoeiras,Iemanjá, deusa do mar,Iansã pra defender,Pai Ogum pra demandar.

Letra de tradição oral; pode variar de casa para casa.

Significado

Este é um ponto de louvação coletiva. Em vez de chamar um só Orixá, ele passa pelas forças que muitas casas reconhecem nas Sete Linhas da Umbanda e termina com uma afirmação de fé: dentro das Leis de Oxalá, ninguém pode perecer.

As Sete Linhas são um dos fundamentos mais antigos e mais discutidos da Umbanda. A ideia aparece já no primeiro livro sobre a religião, O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda, de Leal de Souza, publicado em 1933. Cada linha é entendida como uma grande vibração regida por um Orixá, com as suas falanges de guias trabalhando sob essa regência.

A composição das linhas muda conforme o autor e a casa. Há esquemas com Oxalá, Iemanjá, Xangô, Ogum, Oxóssi, Yori (as crianças) e Yorimá (os Pretos Velhos). Outros falam numa linha das Águas, juntando Iemanjá e Oxum, ou numa linha do Oriente. Há ainda quem entenda as linhas como sete vibrações ou tronos de Deus, como na leitura de Rubens Saraceni. O ponto não resolve essa discussão: ele louva os Orixás mais lembrados e deixa o fundamento para cada casa.

O primeiro verso chama Ogum Megê de Rei das demandas. Ogum é o Orixá guerreiro que abre caminhos e corta demandas, e Megê é uma das suas falanges mais citadas. Em muitas casas, Ogum Megê é ligado à Calunga, às almas e aos trabalhos mais pesados de desmanche, e por isso é chamado quando a casa precisa de defesa firme.

Demanda, na linguagem dos terreiros, é a energia contrária, a briga espiritual, o trabalho feito contra alguém ou a carga que pesa sobre a pessoa e a casa. O ponto não manda ninguém demandar contra o outro. Ele pede que a força de Ogum vença a demanda e devolva o equilíbrio.

Quem rola as pedras é Xangô, Kaô. A pedreira é o ponto de força de Xangô, o Orixá da justiça e do trovão, e a imagem das pedras rolando lembra o trovão na montanha e a justiça que se move quando é hora. Kaô é o começo da sua saudação, Kaô Kabecilê.

Flecha de Oxóssi é certeira. Oxóssi é o caçador das matas, Orixá da fartura e do conhecimento, e a flecha que não erra fala de foco, de caminho certo e de alcançar o alvo com uma só tentativa. Logo depois vem Oxalá é meu Senhor, que coloca o Pai maior acima de todos.

O refrão Sete Linhas de Umbanda, Sete Linhas pra vencer é o coração do ponto. Ele lembra que a corrente não está sozinha: cada linha sustenta uma frente da vida. E dentro das Leis de Oxalá ninguém pode perecer quer dizer que quem caminha na fé, com retidão e humildade, encontra amparo.

Os últimos versos completam a roda: Oxum nas cachoeiras, com as águas doces e o amor; Iemanjá, rainha do mar, com o acolhimento de mãe; Iansã pra defender, com os ventos e os raios que afastam o que é ruim; e Pai Ogum pra demandar, de novo à frente da luta.

Canta-se este ponto pedindo proteção, firmeza da corrente, vitória sobre demandas e união das forças da casa. É também uma boa lição para quem está chegando, porque em poucos versos apresenta os principais Orixás cultuados na Umbanda.

Como todo ponto de tradição oral, a letra varia de casa para casa. Há versões que trocam a ordem dos Orixás, mudam um verso ou repetem o refrão mais vezes. A versão que a sua gira canta é a que vale para você.

Quando se canta

Na louvação aos Orixás que regem as Sete Linhas, para saudar de uma vez só as forças que sustentam a corrente e firmar a gira dentro das Leis de Oxalá. A curimba costuma tocar firme e animada, e a corrente responde em coro.

Muitas casas cantam este ponto no começo dos trabalhos, depois da abertura e da defumação, ou em momentos de firmeza, quando o ambiente está pesado e a casa pede proteção contra demandas. Há casas que o usam também como ponto de sustentação no meio da gira.

Por citar vários Orixás, ele aparece ainda em festas, giras de desenvolvimento e encontros entre casas, como um ponto que todo mundo conhece e canta junto. A ordem dos pontos é sempre do dirigente.

Perguntas frequentes

O que significa o ponto de sete linhas: rei das demandas é ogum megê?
Este é um ponto de louvação coletiva. Em vez de chamar um só Orixá, ele passa pelas forças que muitas casas reconhecem nas Sete Linhas da Umbanda e termina com uma afirmação de fé: dentro das Leis de Oxalá, ninguém pode perecer. As Sete Linhas são um dos fundamentos mais antigos e mais discutidos da Umbanda. A ideia aparece já no primeiro livro sobre a religião, O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda, de Leal de Souza, publicado em 1933. Cada linha é entendida como uma grande vibração regida por um Orixá, com as suas falanges de guias trabalhando sob essa regência. A composição das linhas muda conforme o autor e a casa. Há esquemas com Oxalá, Iemanjá, Xangô, Ogum, Oxóssi, Yori (as crianças) e Yorimá (os Pretos Velhos). Outros falam numa linha das Águas, juntando Iemanjá e Oxum, ou numa linha do Oriente. Há ainda quem entenda as linhas como sete vibrações ou tronos de Deus, como na leitura de Rubens Saraceni. O ponto não resolve essa discussão: ele louva os Orixás mais lembrados e deixa o fundamento para cada casa. O primeiro verso chama Ogum Megê de Rei das demandas. Ogum é o Orixá guerreiro que abre caminhos e corta demandas, e Megê é uma das suas falanges mais citadas. Em muitas casas, Ogum Megê é ligado à Calunga, às almas e aos trabalhos mais pesados de desmanche, e por isso é chamado quando a casa precisa de defesa firme. Demanda, na linguagem dos terreiros, é a energia contrária, a briga espiritual, o trabalho feito contra alguém ou a carga que pesa sobre a pessoa e a casa. O ponto não manda ninguém demandar contra o outro. Ele pede que a força de Ogum vença a demanda e devolva o equilíbrio. Quem rola as pedras é Xangô, Kaô. A pedreira é o ponto de força de Xangô, o Orixá da justiça e do trovão, e a imagem das pedras rolando lembra o trovão na montanha e a justiça que se move quando é hora. Kaô é o começo da sua saudação, Kaô Kabecilê. Flecha de Oxóssi é certeira. Oxóssi é o caçador das matas, Orixá da fartura e do conhecimento, e a flecha que não erra fala de foco, de caminho certo e de alcançar o alvo com uma só tentativa. Logo depois vem Oxalá é meu Senhor, que coloca o Pai maior acima de todos. O refrão Sete Linhas de Umbanda, Sete Linhas pra vencer é o coração do ponto. Ele lembra que a corrente não está sozinha: cada linha sustenta uma frente da vida. E dentro das Leis de Oxalá ninguém pode perecer quer dizer que quem caminha na fé, com retidão e humildade, encontra amparo. Os últimos versos completam a roda: Oxum nas cachoeiras, com as águas doces e o amor; Iemanjá, rainha do mar, com o acolhimento de mãe; Iansã pra defender, com os ventos e os raios que afastam o que é ruim; e Pai Ogum pra demandar, de novo à frente da luta. Canta-se este ponto pedindo proteção, firmeza da corrente, vitória sobre demandas e união das forças da casa. É também uma boa lição para quem está chegando, porque em poucos versos apresenta os principais Orixás cultuados na Umbanda. Como todo ponto de tradição oral, a letra varia de casa para casa. Há versões que trocam a ordem dos Orixás, mudam um verso ou repetem o refrão mais vezes. A versão que a sua gira canta é a que vale para você.
Quando se canta esse ponto?
Na louvação aos Orixás que regem as Sete Linhas, para saudar de uma vez só as forças que sustentam a corrente e firmar a gira dentro das Leis de Oxalá. A curimba costuma tocar firme e animada, e a corrente responde em coro. Muitas casas cantam este ponto no começo dos trabalhos, depois da abertura e da defumação, ou em momentos de firmeza, quando o ambiente está pesado e a casa pede proteção contra demandas. Há casas que o usam também como ponto de sustentação no meio da gira. Por citar vários Orixás, ele aparece ainda em festas, giras de desenvolvimento e encontros entre casas, como um ponto que todo mundo conhece e canta junto. A ordem dos pontos é sempre do dirigente.
Posso cantar esse ponto em casa?
Pode, com respeito e fé. Os pontos cantados são orações em forma de música; cantar em casa ajuda a firmar a fé e a sintonia. Para trabalhos de terreiro, siga sempre a orientação do dirigente da sua casa, pois cada terreiro tem seu fundamento e a letra pode variar.
A letra é sempre igual?
Não. Os pontos são de tradição oral e variam de casa para casa, com pequenas diferenças de letra e melodia. A versão aqui é uma das mais conhecidas; a da sua casa pode ter variações.
O que são as Sete Linhas da Umbanda?
São grandes vibrações espirituais, cada uma regida por um Orixá e trabalhada por falanges de guias sob essa regência. A ideia aparece desde o primeiro livro sobre a Umbanda, de Leal de Souza, em 1933, e segue como um dos fundamentos mais citados da religião. Cada casa explica as linhas a partir do seu próprio fundamento.
Quais são as Sete Linhas da Umbanda?
Não há uma lista única. Um esquema muito conhecido fala em Oxalá, Iemanjá, Xangô, Ogum, Oxóssi, Yori (as crianças) e Yorimá (os Pretos Velhos). Outros juntam Iemanjá e Oxum numa linha das Águas, incluem a linha do Oriente, ou colocam Iansã, Nanã e Obaluaê. Essa variação é normal na Umbanda, e o que vale é o ensinamento da sua casa.
O que significa o ponto Rei das demandas é Ogum Megê?
É uma louvação coletiva aos Orixás. O ponto saúda Ogum Megê como Rei das demandas, Xangô que rola as pedras, a flecha certeira de Oxóssi, Oxalá como Senhor, Oxum, Iemanjá e Iansã, e afirma que dentro das Leis de Oxalá ninguém pode perecer. É um ponto de firmeza, proteção e união da corrente.
Quem é Ogum Megê?
Ogum Megê é uma das falanges de Ogum, o Orixá guerreiro que abre caminhos e corta demandas. Em muitas casas ele é ligado à Calunga, às almas e aos trabalhos mais pesados de desmanche, e por isso é chamado quando a casa precisa de defesa firme. O fundamento muda de casa para casa, e quem explica o Ogum Megê da sua casa é o dirigente.
O que é demanda na Umbanda?
Demanda é o nome dado à energia contrária, à briga espiritual, ao trabalho feito contra alguém ou à carga que pesa sobre uma pessoa ou uma casa. Na Umbanda, pede-se aos Orixás e guias que cortem a demanda e devolvam o equilíbrio. O ponto não ensina a demandar contra os outros: pede que a força de Ogum vença o que é negativo.
Por que o ponto diz que Xangô rola as pedras?
Porque a pedreira é o ponto de força de Xangô, o Orixá da justiça e do trovão. A imagem das pedras rolando lembra o trovão na montanha e a justiça que se move na hora certa. Kaô vem da saudação de Xangô, Kaô Kabecilê.
O que quer dizer dentro das Leis de Oxalá ninguém pode perecer?
Oxalá é o Pai maior da Umbanda, o Orixá da fé e da paz. Dizer que ninguém perece dentro das suas Leis é afirmar que quem caminha na fé, com retidão e humildade, encontra amparo e não fica desamparado nas provas. É uma frase de confiança, não uma promessa de que nada de difícil vai acontecer.
Quando se canta esse ponto na gira?
Muitas casas cantam na louvação aos Orixás, no começo dos trabalhos depois da abertura e da defumação, ou em momentos de firmeza, quando o ambiente está pesado. Ele também aparece em festas e giras de desenvolvimento, porque todo mundo conhece. A ordem dos pontos é sempre definida pelo dirigente.
A letra do ponto é a mesma em todas as casas?
Não. Ponto cantado é tradição oral. Há versões que dizem Rei da demanda, que mudam a ordem dos Orixás ou trocam algum verso, e a melodia também varia. A versão certa para você é a que a sua casa canta.
Posso cantar esse ponto em casa?
Sim. Cantar ponto em casa com respeito, como oração e louvação, é costume antigo e tranquilo, e este ponto é ótimo para pedir proteção e firmeza. O que não se faz por conta própria é abrir gira, chamar entidade para incorporar ou fazer trabalho de corte de demanda, porque isso pede corrente, preparo e dirigente responsável. Se sentir que precisa de ajuda espiritual, procure uma casa séria e converse.
Conteúdo informativo e de fé. Os pontos cantados são de tradição oral e variam de casa para casa, na letra e na melodia. Os vídeos são de canais do YouTube, com os devidos créditos, e cada autor mantém os direitos da sua gravação. Para o uso ritual, siga sempre a orientação do dirigente do seu terreiro.
← Ver todos os pontos