Ponto das Sete Linhas: Rei das Demandas é Ogum Megê
Rei das demandas é Ogum Megê
Ouça o ponto
Letra do ponto
Letra de tradição oral; pode variar de casa para casa.
Significado
Este é um ponto de louvação coletiva. Em vez de chamar um só Orixá, ele passa pelas forças que muitas casas reconhecem nas Sete Linhas da Umbanda e termina com uma afirmação de fé: dentro das Leis de Oxalá, ninguém pode perecer.
As Sete Linhas são um dos fundamentos mais antigos e mais discutidos da Umbanda. A ideia aparece já no primeiro livro sobre a religião, O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda, de Leal de Souza, publicado em 1933. Cada linha é entendida como uma grande vibração regida por um Orixá, com as suas falanges de guias trabalhando sob essa regência.
A composição das linhas muda conforme o autor e a casa. Há esquemas com Oxalá, Iemanjá, Xangô, Ogum, Oxóssi, Yori (as crianças) e Yorimá (os Pretos Velhos). Outros falam numa linha das Águas, juntando Iemanjá e Oxum, ou numa linha do Oriente. Há ainda quem entenda as linhas como sete vibrações ou tronos de Deus, como na leitura de Rubens Saraceni. O ponto não resolve essa discussão: ele louva os Orixás mais lembrados e deixa o fundamento para cada casa.
O primeiro verso chama Ogum Megê de Rei das demandas. Ogum é o Orixá guerreiro que abre caminhos e corta demandas, e Megê é uma das suas falanges mais citadas. Em muitas casas, Ogum Megê é ligado à Calunga, às almas e aos trabalhos mais pesados de desmanche, e por isso é chamado quando a casa precisa de defesa firme.
Demanda, na linguagem dos terreiros, é a energia contrária, a briga espiritual, o trabalho feito contra alguém ou a carga que pesa sobre a pessoa e a casa. O ponto não manda ninguém demandar contra o outro. Ele pede que a força de Ogum vença a demanda e devolva o equilíbrio.
Quem rola as pedras é Xangô, Kaô. A pedreira é o ponto de força de Xangô, o Orixá da justiça e do trovão, e a imagem das pedras rolando lembra o trovão na montanha e a justiça que se move quando é hora. Kaô é o começo da sua saudação, Kaô Kabecilê.
Flecha de Oxóssi é certeira. Oxóssi é o caçador das matas, Orixá da fartura e do conhecimento, e a flecha que não erra fala de foco, de caminho certo e de alcançar o alvo com uma só tentativa. Logo depois vem Oxalá é meu Senhor, que coloca o Pai maior acima de todos.
O refrão Sete Linhas de Umbanda, Sete Linhas pra vencer é o coração do ponto. Ele lembra que a corrente não está sozinha: cada linha sustenta uma frente da vida. E dentro das Leis de Oxalá ninguém pode perecer quer dizer que quem caminha na fé, com retidão e humildade, encontra amparo.
Os últimos versos completam a roda: Oxum nas cachoeiras, com as águas doces e o amor; Iemanjá, rainha do mar, com o acolhimento de mãe; Iansã pra defender, com os ventos e os raios que afastam o que é ruim; e Pai Ogum pra demandar, de novo à frente da luta.
Canta-se este ponto pedindo proteção, firmeza da corrente, vitória sobre demandas e união das forças da casa. É também uma boa lição para quem está chegando, porque em poucos versos apresenta os principais Orixás cultuados na Umbanda.
Como todo ponto de tradição oral, a letra varia de casa para casa. Há versões que trocam a ordem dos Orixás, mudam um verso ou repetem o refrão mais vezes. A versão que a sua gira canta é a que vale para você.
Quando se canta
Na louvação aos Orixás que regem as Sete Linhas, para saudar de uma vez só as forças que sustentam a corrente e firmar a gira dentro das Leis de Oxalá. A curimba costuma tocar firme e animada, e a corrente responde em coro.
Muitas casas cantam este ponto no começo dos trabalhos, depois da abertura e da defumação, ou em momentos de firmeza, quando o ambiente está pesado e a casa pede proteção contra demandas. Há casas que o usam também como ponto de sustentação no meio da gira.
Por citar vários Orixás, ele aparece ainda em festas, giras de desenvolvimento e encontros entre casas, como um ponto que todo mundo conhece e canta junto. A ordem dos pontos é sempre do dirigente.






