Ponto de Iemanjá: Rainha das Ondas, Sereia do Mar
Rainha das ondas, sereia do mar
Ouça o ponto
Letra do ponto
Letra de tradição oral; pode variar de casa para casa.
Significado
Este é um dos pontos mais cantados para Iemanjá, a Orixá das águas salgadas, Rainha do Mar e mãe de muitas cabeças. A letra é simples e cheia de imagens do mar, e cada verso guarda uma leitura dentro das casas.
O nome dela vem do iorubá e costuma ser traduzido como mãe cujos filhos são peixes. Na Umbanda, Iemanjá é a grande mãe que acolhe, cuida e ampara, e por isso é chamada de mãe de todos e, em muitas casas, de mãe dos Orixás.
O ponto abre chamando Iemanjá de Rainha das ondas e sereia do mar. A onda fala do movimento da vida, que vai e volta, e da força que limpa a areia a cada maré. A sereia é a imagem popular da Orixá no Brasil, a dona do mar que encanta e protege quem vive dele.
Logo vem o pedido central: ó Iemanjá, vem me abençoar. Quem canta se coloca como filho diante da mãe. Não é um pedido de luxo, é o pedido de quem precisa de colo, de calma e de bênção para seguir.
Os versos sobre o canto de Iemanjá que faz o pescador chorar lembram a ligação antiga da Orixá com os pescadores. Foram eles que começaram a festa do Rio Vermelho, em Salvador, em 1923, levando presentes ao mar em agradecimento e pedindo proteção nas pescarias.
Quem escuta a Mãe da água cantar vai com ela pro fundo do mar. Na leitura das casas, o fundo do mar é o mistério, o lugar profundo onde a mãe guarda e transforma o que a gente entrega a ela. Cantar esse verso é aceitar mergulhar no acolhimento de Iemanjá e deixar as mágoas com ela.
O ponto fecha com Odô iyá e salve a Rainha do Mar. Odô iyá é a saudação de Iemanjá, escrita também como Odoyá ou Odoiá, e as casas costumam traduzi-la como mãe das águas. A grafia muda nos cadernos de ponto, e nenhuma delas é errada: é oralidade viva.
O sincretismo de Iemanjá muda conforme a região. Na Bahia e em boa parte do Nordeste e do Sul, ela é ligada a Nossa Senhora dos Navegantes e das Candeias, festejada em 2 de fevereiro. No Sudeste é muito comum a ligação com Nossa Senhora da Conceição, de 8 de dezembro, quando as praias de São Paulo se enchem de umbandistas. Iemanjá é Orixá e as santas são católicas, cada uma com a sua história.
As cores mais usadas para Iemanjá na Umbanda são o azul claro e o branco, e algumas casas usam também o prateado. O dia mais citado é o sábado. Entre os símbolos estão o abebé prateado, as conchas, as estrelas do mar e as flores brancas, que muita gente leva à praia.
Canta-se este ponto pedindo proteção para a família, equilíbrio emocional, limpeza das mágoas, fartura e caminhos abertos. É também um ponto de gratidão, muito cantado por quem já recebeu o colo da Rainha do Mar.
Como todo ponto de tradição oral, a letra varia de casa para casa, com versos repetidos e melodias diferentes. A versão que a sua gira canta é a que vale para você.
Quando se canta
Na gira de Iemanjá e nas louvações à Rainha do Mar, para saudar a Orixá na chegada da linha e pedir proteção, acolhimento e limpeza das mágoas. O ritmo costuma ser embalado e cadenciado, como o vai e vem das ondas.
Muitas casas cantam este ponto nas oferendas à beira da praia, quando a corrente leva flores, velas e barquinhos ao mar, e também nas giras de fim de ano, quando é costume pedir a bênção de Iemanjá para o ano que começa.
No calendário, ele é muito lembrado em 2 de fevereiro, dia de Nossa Senhora dos Navegantes e das Candeias, e em 8 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, conforme o sincretismo de cada região. Algumas casas cantam ainda aos sábados, dia mais citado para a Orixá. A ordem dos pontos é sempre do dirigente.






