Ponto de Oxumaré: O Sol Brilhou na Umbanda
O sol brilhou na Umbanda, choveu, ventou, arco-íris no céu
Ouça o ponto
Letra do ponto
Letra de tradição oral; pode variar de casa para casa.
Significado
O sol brilhou na Umbanda é um dos pontos mais cantados para Oxumaré nos terreiros. É de tradição oral, sem autor conhecido, e circula de casa em casa com pequenas variações. Os próprios canais que o gravaram registram a letra como de autoria desconhecida.
A letra conta uma cena que todo mundo já viu. Fez sol, depois choveu, ventou, e de repente aparece o arco-íris no céu. É exatamente assim que Oxumaré se mostra: no encontro do sol com a chuva, ligando o alto e a terra numa faixa de cores.
Mas vejam só que coisa linda é o espanto de quem reconhece o sagrado na natureza. O arco-íris deixa de ser só um fenômeno do tempo e passa a ser a presença do Orixá, que desce até o terreiro de Umbanda. O refrão final, Arê, arê, Oxumaré, é chamada festiva e louvação, cantada em coro.
Oxumaré é o Orixá do arco-íris e da serpente. Nas tradições de matriz africana ele aparece ora como cobra, ora como arco-íris, e é muito lembrado pela imagem da serpente que morde a própria cauda, formando um círculo. Essa figura fala de continuidade, de movimento e de tudo o que termina para recomeçar.
Por isso ele é ligado à renovação dos ciclos, à chuva que fertiliza a terra e à prosperidade que vem depois dela. Também é lembrado pela dupla natureza, pois muitas casas dizem que ele passa metade do tempo de um jeito e metade de outro, como o sol e a chuva do ponto.
A saudação mais usada é Arroboboi, Oxumaré. Em muitos terreiros ele é sincretizado com São Bartolomeu e festejado em 24 de agosto. As cores variam conforme a casa: há quem use verde e amarelo, há quem vista todas as cores do arco-íris.
Na Umbanda, Oxumaré nem sempre aparece entre as Sete Linhas tradicionais, e o culto a ele muda bastante de uma casa para outra. Em algumas correntes ele forma par com Oxum, ligado ao amor e à renovação; em outras é saudado dentro da linha das águas. Por isso este site agrupa o ponto junto da linha de Oxum.
A letra também varia. Há casas que cantam um arco-íris no céu, outras arco-íris no céu, e o refrão pode vir como Arê, arê, Oxumaré ou Arerê, Oxumaré. Uma das gravações indica o toque de cabula, mas cada curimba escolhe o seu. A versão que a sua casa canta é a que vale para você.
Quando se canta
Na saudação a Oxumaré, quando a casa abre espaço para louvar o Orixá do arco-íris. É um ponto alegre e luminoso, de refrão fácil, e o Arê, Arê, Oxumaré do final costuma ser respondido por toda a corrente, batendo palma.
Muitas casas cantam no dia 24 de agosto, data de São Bartolomeu, com quem Oxumaré é sincretizado em boa parte dos terreiros, e nas giras das águas, ao lado dos pontos de Oxum. Também aparece em trabalhos de renovação e de abertura de caminhos.
Oxumaré não tem gira própria em todos os terreiros, e há casas em que ele é saudado só dentro da linha das águas doces. A ordem dos pontos e o toque de cada um são sempre do dirigente e do ogã da casa.






