Ponto cantado · Obaluaê (Omulu), filho de Nanã Buruquê

Ponto de Obaluaê: São Flores, Nanã

São flores, Nanã, são flores

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Vídeo: Ponto de Nanã Buruquê: Flores de Obaluaê (com letra), canal Aruanda de Oxalá (YouTube). Os direitos da gravação pertencem ao autor/canal; reproduzido aqui via player oficial do YouTube.
Obaluaê (Omulu), filho de Nanã BuruquêObaluaê

Letra do ponto

São flores, Nanã, são flores,são flores, Nanã Buruquê.São flores, Nanã, são floresdo seu filho Obaluaê.Nas horas de agoniaé ele quem vem nos valer.É seu filho, Nanã, é meu pai,ele é Obaluaê.

Letra de tradição oral; pode variar de casa para casa.

Significado

Este é um dos pontos mais antigos e conhecidos da linha de Obaluaê. Não tem autor conhecido, circula em cadernos de ponto de muitas casas e é cantado de terreiro em terreiro com pequenas mudanças de palavra.

O ponto é uma conversa com Nanã Buruquê, a mais velha das Orixás. Quem canta se dirige à mãe para falar do filho, e no fim faz uma declaração de fé: é seu filho, Nanã, e é meu pai. O filho de fé se coloca dentro dessa família sagrada.

Na tradição dos terreiros, Nanã é a mãe de Obaluaê. Um itã muito contado diz que ela se assustou com as marcas da doença no corpo do menino e o deixou na beira do mar, onde Iemanjá o acolheu e o criou. Há casas que contam a história de outro jeito, mas a ligação entre mãe e filho é lembrada em quase todas.

As flores do ponto têm mais de um sentido. Para muita gente, são as flores de Obaluaê: a pipoca, chamada de deburu, doburu ou flor do velho, que se abre branca no fogo. Uma das histórias conta que as feridas dele viraram pipoca, e por isso ela é a oferenda mais ligada à cura.

Em outra leitura, as flores são o carinho que volta para Nanã. O filho que um dia foi deixado retorna como rei da Terra e senhor da cura, e as flores são o perdão e a reconciliação entre os dois. É um ponto de afeto, não de lamento.

Nas horas de agonia é ele quem vem nos valer: esse é o coração do ponto. Obaluaê é procurado na doença, na dor e no medo, e o canto pede alívio e força para atravessar o que pesa. Cantar com fé é pedir amparo, mas não substitui orientação médica: o tratamento continua com quem cuida do corpo.

Algumas casas acrescentam um verso de sincretismo, que diz que a senhora Santana é Nanã Buruquê e que São Roque é Obaluaê. Outras trocam do seu filho por para seu filho, ou ele sempre vem valer por é ele quem vem nos valer. A versão que a sua gira canta é a que vale para você.

Quando se canta

Na gira de Obaluaê, para saudar o senhor da Terra e pedir amparo nas horas difíceis do corpo e da alma. A melodia é lenta e chorosa, e muitas casas cantam com a voz baixa e a cabeça inclinada.

Como o ponto fala de mãe e filho, ele também aparece na gira de Nanã e nos trabalhos que reúnem os dois Orixás, como as giras de cura, de saúde e de encaminhamento das almas.

Muitas casas o cantam em agosto, mês de Obaluaê, perto de 16 de agosto, dia de São Roque, e em 26 de julho, dia de Santana, avó de Jesus, com quem Nanã é sincretizada. A ordem dos pontos e o toque são sempre do dirigente e do ogã.

Perguntas frequentes

O que significa o ponto de obaluaê: são flores, nanã?
Este é um dos pontos mais antigos e conhecidos da linha de Obaluaê. Não tem autor conhecido, circula em cadernos de ponto de muitas casas e é cantado de terreiro em terreiro com pequenas mudanças de palavra. O ponto é uma conversa com Nanã Buruquê, a mais velha das Orixás. Quem canta se dirige à mãe para falar do filho, e no fim faz uma declaração de fé: é seu filho, Nanã, e é meu pai. O filho de fé se coloca dentro dessa família sagrada. Na tradição dos terreiros, Nanã é a mãe de Obaluaê. Um itã muito contado diz que ela se assustou com as marcas da doença no corpo do menino e o deixou na beira do mar, onde Iemanjá o acolheu e o criou. Há casas que contam a história de outro jeito, mas a ligação entre mãe e filho é lembrada em quase todas. As flores do ponto têm mais de um sentido. Para muita gente, são as flores de Obaluaê: a pipoca, chamada de deburu, doburu ou flor do velho, que se abre branca no fogo. Uma das histórias conta que as feridas dele viraram pipoca, e por isso ela é a oferenda mais ligada à cura. Em outra leitura, as flores são o carinho que volta para Nanã. O filho que um dia foi deixado retorna como rei da Terra e senhor da cura, e as flores são o perdão e a reconciliação entre os dois. É um ponto de afeto, não de lamento. Nas horas de agonia é ele quem vem nos valer: esse é o coração do ponto. Obaluaê é procurado na doença, na dor e no medo, e o canto pede alívio e força para atravessar o que pesa. Cantar com fé é pedir amparo, mas não substitui orientação médica: o tratamento continua com quem cuida do corpo. Algumas casas acrescentam um verso de sincretismo, que diz que a senhora Santana é Nanã Buruquê e que São Roque é Obaluaê. Outras trocam do seu filho por para seu filho, ou ele sempre vem valer por é ele quem vem nos valer. A versão que a sua gira canta é a que vale para você.
Quando se canta esse ponto?
Na gira de Obaluaê, para saudar o senhor da Terra e pedir amparo nas horas difíceis do corpo e da alma. A melodia é lenta e chorosa, e muitas casas cantam com a voz baixa e a cabeça inclinada. Como o ponto fala de mãe e filho, ele também aparece na gira de Nanã e nos trabalhos que reúnem os dois Orixás, como as giras de cura, de saúde e de encaminhamento das almas. Muitas casas o cantam em agosto, mês de Obaluaê, perto de 16 de agosto, dia de São Roque, e em 26 de julho, dia de Santana, avó de Jesus, com quem Nanã é sincretizada. A ordem dos pontos e o toque são sempre do dirigente e do ogã.
Posso cantar esse ponto em casa?
Pode, com respeito e fé. Os pontos cantados são orações em forma de música; cantar em casa ajuda a firmar a fé e a sintonia. Para trabalhos de terreiro, siga sempre a orientação do dirigente da sua casa, pois cada terreiro tem seu fundamento e a letra pode variar.
A letra é sempre igual?
Não. Os pontos são de tradição oral e variam de casa para casa, com pequenas diferenças de letra e melodia. A versão aqui é uma das mais conhecidas; a da sua casa pode ter variações.
Qual a letra do ponto São flores, Nanã?
A versão mais cantada é: São flores, Nanã, são flores, são flores, Nanã Buruquê. São flores, Nanã, são flores do seu filho Obaluaê. Nas horas de agonia é ele quem vem nos valer. É seu filho, Nanã, é meu pai, ele é Obaluaê. O refrão costuma ser repetido várias vezes.
Esse ponto é de Nanã ou de Obaluaê?
Dos dois. O ponto fala com Nanã, mas o assunto é o filho dela, Obaluaê. Por isso aparece tanto na gira de Obaluaê quanto na de Nanã, e muitas casas o usam quando os dois Orixás são saudados juntos.
Quais são as flores de Obaluaê?
Na tradição, as flores de Obaluaê são a pipoca, chamada de deburu, doburu ou flor do velho. Uma história conta que as feridas dele viraram pipoca. Há também quem leia as flores do ponto como o carinho e o perdão entre mãe e filho.
Por que Nanã é mãe de Obaluaê?
É o que contam os itãs, as histórias sagradas de origem iorubá guardadas nos terreiros. Em uma das mais conhecidas, Nanã deixou o filho doente na beira do mar e Iemanjá o criou. As versões mudam de casa para casa, mas a maternidade de Nanã é lembrada em quase todas.
O que significa nas horas de agonia é ele quem vem nos valer?
Que Obaluaê é quem ampara na doença, na dor e no medo. É um pedido de socorro feito com confiança. Cantar com fé ajuda o coração, mas não substitui orientação médica.
Quando se canta esse ponto na gira?
Na gira de Obaluaê, na gira de Nanã e nos trabalhos de cura e de encaminhamento das almas. Muitas casas cantam em agosto, mês de Obaluaê, e em 26 de julho, dia de Santana. A ordem dos pontos é sempre do dirigente.
Qual a saudação de Obaluaê e de Nanã?
Para Obaluaê, a saudação mais usada é Atotô, que as casas traduzem como silêncio. Para Nanã, é Saluba Nanã. A grafia e a forma de saudar variam de raiz para raiz.
Esse ponto tem autor?
Não há autoria conhecida. Ele é de tradição oral, aparece em cadernos de ponto de várias casas sem crédito de compositor e muda um pouco de terreiro para terreiro. O vídeo indicado aqui traz uma das versões, com crédito ao canal que a publicou.
Posso cantar esse ponto em casa?
Pode. Cantar ponto com respeito, como saudação e oração, é costume antigo, e muita gente canta para Obaluaê pedindo saúde. O que não se faz por conta própria é abrir gira ou chamar Orixá ou guia para incorporar. Para isso, procure uma casa séria.
Conteúdo informativo e de fé. Os pontos cantados são de tradição oral e variam de casa para casa, na letra e na melodia. Os vídeos são de canais do YouTube, com os devidos créditos, e cada autor mantém os direitos da sua gravação. Para o uso ritual, siga sempre a orientação do dirigente do seu terreiro.
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