Ponto cantado · Iemanjá (Rainha do Mar, Mãe d’Água)

Ponto de Iemanjá: Retira a Jangada do Mar

Retira a jangada do mar, mãe d’água mandou avisar

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Vídeo: 2 - Retira a Jangada COM LETRA - J. B. de Carvalho - Na Gira de Xangô e Iemanjá, canal Música de Terreiro (YouTube). Os direitos da gravação pertencem ao autor/canal; reproduzido aqui via player oficial do YouTube.
Iemanjá (Rainha do Mar, Mãe d’Água)Iemanjá

Letra do ponto

Retira a jangada do mar,mãe d’água mandou avisarque hoje não pode pescar,pois hoje tem festa no mar.Retira a jangada do mar,mãe d’água mandou avisarque hoje não pode pescar,pois hoje tem festa no mar.

Letra de tradição oral; pode variar de casa para casa.

Significado

Este é um ponto curto, antigo e muito querido da linha de Iemanjá. Não tem autor conhecido, passa de terreiro em terreiro pela tradição oral e aparece em gravações de pontos de Umbanda desde o tempo dos discos de 78 rotações.

A cena é simples e bonita. Um recado chega à praia: o pescador deve tirar a jangada da água, porque hoje não é dia de pescar. A dona do mar mandou avisar que haverá festa, e o mar, nesse dia, é dela.

Mãe d’água é um dos nomes carinhosos de Iemanjá na Umbanda, ao lado de Janaína, Sereia do Mar e Rainha das Ondas. Quando o ponto diz que a mãe d’água mandou avisar, é a própria Orixá quem pede licença e espaço para ser louvada.

O ponto nasce da vida real das comunidades do litoral. Iemanjá sempre foi a protetora dos pescadores, de quem depende do mar para comer e para voltar vivo para casa. A famosa festa do Rio Vermelho, em Salvador, nasceu entre pescadores no começo do século vinte, e o costume de oferecer presentes ao mar se espalhou pelo Brasil.

Deixar a jangada em terra é um gesto de respeito. No dia da festa, o pescador não tira nada do mar: ele leva. Leva flores, perfume, espelho, velas e pedidos, e devolve à mãe um pouco do que recebeu dela o ano inteiro.

Há também uma leitura para dentro. A jangada é a lida de todo dia, o esforço para garantir o sustento. Retirar a jangada é aceitar uma pausa, parar de buscar e de cobrar, e reservar um tempo só para agradecer e celebrar.

Por isso o ponto costuma vir antes da chamada de Iemanjá. Ele prepara a corrente, muda o clima da gira e avisa que agora é hora de festa no mar. Depois dele entram os pontos de chegada e de louvação à Orixá.

A letra varia pouco, mas varia. Há quem cante retire e quem cante retira, e o refrão se repete quantas vezes a curimba quiser. A versão que a sua casa canta é a que vale para você.

Quando se canta

Na gira de Iemanjá, logo antes da chamada da Orixá. O ponto funciona como um anúncio: avisa a corrente de que a festa vai começar e que é hora de deixar o trabalho do dia de lado para louvar a Rainha do Mar.

Também é muito cantado nas festas de praia e nas entregas de presentes no mar, quando o terreiro sai em cortejo até a areia com flores brancas, velas e barquinhos. A melodia é alegre e embalada, no ritmo de quem rema.

No calendário, aparece perto de 2 de fevereiro, de 8 de dezembro, de 15 de agosto em muitas casas do Rio de Janeiro e na virada do ano. A data da festa e a ordem dos pontos são sempre do dirigente e do ogã de cada casa.

Perguntas frequentes

O que significa o ponto de iemanjá: retira a jangada do mar?
Este é um ponto curto, antigo e muito querido da linha de Iemanjá. Não tem autor conhecido, passa de terreiro em terreiro pela tradição oral e aparece em gravações de pontos de Umbanda desde o tempo dos discos de 78 rotações. A cena é simples e bonita. Um recado chega à praia: o pescador deve tirar a jangada da água, porque hoje não é dia de pescar. A dona do mar mandou avisar que haverá festa, e o mar, nesse dia, é dela. Mãe d’água é um dos nomes carinhosos de Iemanjá na Umbanda, ao lado de Janaína, Sereia do Mar e Rainha das Ondas. Quando o ponto diz que a mãe d’água mandou avisar, é a própria Orixá quem pede licença e espaço para ser louvada. O ponto nasce da vida real das comunidades do litoral. Iemanjá sempre foi a protetora dos pescadores, de quem depende do mar para comer e para voltar vivo para casa. A famosa festa do Rio Vermelho, em Salvador, nasceu entre pescadores no começo do século vinte, e o costume de oferecer presentes ao mar se espalhou pelo Brasil. Deixar a jangada em terra é um gesto de respeito. No dia da festa, o pescador não tira nada do mar: ele leva. Leva flores, perfume, espelho, velas e pedidos, e devolve à mãe um pouco do que recebeu dela o ano inteiro. Há também uma leitura para dentro. A jangada é a lida de todo dia, o esforço para garantir o sustento. Retirar a jangada é aceitar uma pausa, parar de buscar e de cobrar, e reservar um tempo só para agradecer e celebrar. Por isso o ponto costuma vir antes da chamada de Iemanjá. Ele prepara a corrente, muda o clima da gira e avisa que agora é hora de festa no mar. Depois dele entram os pontos de chegada e de louvação à Orixá. A letra varia pouco, mas varia. Há quem cante retire e quem cante retira, e o refrão se repete quantas vezes a curimba quiser. A versão que a sua casa canta é a que vale para você.
Quando se canta esse ponto?
Na gira de Iemanjá, logo antes da chamada da Orixá. O ponto funciona como um anúncio: avisa a corrente de que a festa vai começar e que é hora de deixar o trabalho do dia de lado para louvar a Rainha do Mar. Também é muito cantado nas festas de praia e nas entregas de presentes no mar, quando o terreiro sai em cortejo até a areia com flores brancas, velas e barquinhos. A melodia é alegre e embalada, no ritmo de quem rema. No calendário, aparece perto de 2 de fevereiro, de 8 de dezembro, de 15 de agosto em muitas casas do Rio de Janeiro e na virada do ano. A data da festa e a ordem dos pontos são sempre do dirigente e do ogã de cada casa.
Posso cantar esse ponto em casa?
Pode, com respeito e fé. Os pontos cantados são orações em forma de música; cantar em casa ajuda a firmar a fé e a sintonia. Para trabalhos de terreiro, siga sempre a orientação do dirigente da sua casa, pois cada terreiro tem seu fundamento e a letra pode variar.
A letra é sempre igual?
Não. Os pontos são de tradição oral e variam de casa para casa, com pequenas diferenças de letra e melodia. A versão aqui é uma das mais conhecidas; a da sua casa pode ter variações.
Qual a letra do ponto Retira a jangada do mar?
A versão mais conhecida é: Retira a jangada do mar, mãe d’água mandou avisar que hoje não pode pescar, pois hoje tem festa no mar. Ela é curta e se repete várias vezes, no embalo da curimba.
O que significa esse ponto?
É um anúncio de festa. Iemanjá, a mãe d’água, manda avisar ao pescador que naquele dia não se pesca, porque o mar é dela e haverá louvação. Na gira, o ponto prepara a corrente para receber a Orixá.
Quem é a mãe d’água do ponto?
É Iemanjá, chamada com carinho de mãe d’água, Janaína, Sereia do Mar e Rainha das Ondas. Em algumas casas o nome mãe d’água também lembra as caboclas e sereias que trabalham na linha dela.
Por que o pescador não pode pescar no dia da festa?
Por respeito. No dia de Iemanjá, quem vive do mar não tira nada dele: leva presentes e agradece. É um costume que vem das comunidades de pescadores do litoral, que sempre tiveram Iemanjá como protetora.
Quando se canta esse ponto na gira?
Na gira de Iemanjá, antes da chamada da Orixá, e nas festas e entregas de presentes na praia. Muitas casas cantam perto de 2 de fevereiro, 8 de dezembro, 15 de agosto ou na virada do ano. A ordem dos pontos é sempre do dirigente.
Qual a saudação de Iemanjá?
Odoyá, escrita também Odoiá ou Odô iyá, é a saudação mais usada para Iemanjá. As casas costumam traduzir como mãe das águas ou salve a mãe do rio. A grafia muda conforme a raiz.
Esse ponto tem autor?
Não há autoria conhecida. Ele é de tradição oral, aparece em cadernos de ponto e em gravações antigas de pontos de Umbanda sem crédito de compositor, e muda um pouco de casa para casa. O vídeo indicado traz uma das versões, com crédito ao canal que a publicou.
A letra é retira ou retire a jangada?
As duas formas são cantadas. Há casas e gravações que usam retira e outras que usam retire, e ambas carregam o mesmo sentido. Siga o jeito da sua casa.
Posso cantar esse ponto em casa?
Pode. Cantar ponto com respeito, como saudação e oração, é costume antigo, e muita gente canta para Iemanjá antes de ir ao mar. O que não se faz por conta própria é abrir gira ou chamar Orixá ou guia para incorporar. Para isso, procure uma casa séria.
Conteúdo informativo e de fé. Os pontos cantados são de tradição oral e variam de casa para casa, na letra e na melodia. Os vídeos são de canais do YouTube, com os devidos créditos, e cada autor mantém os direitos da sua gravação. Para o uso ritual, siga sempre a orientação do dirigente do seu terreiro.
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