Ponto de Iemanjá: Retira a Jangada do Mar
Retira a jangada do mar, mãe d’água mandou avisar
Ouça o ponto
Letra do ponto
Letra de tradição oral; pode variar de casa para casa.
Significado
Este é um ponto curto, antigo e muito querido da linha de Iemanjá. Não tem autor conhecido, passa de terreiro em terreiro pela tradição oral e aparece em gravações de pontos de Umbanda desde o tempo dos discos de 78 rotações.
A cena é simples e bonita. Um recado chega à praia: o pescador deve tirar a jangada da água, porque hoje não é dia de pescar. A dona do mar mandou avisar que haverá festa, e o mar, nesse dia, é dela.
Mãe d’água é um dos nomes carinhosos de Iemanjá na Umbanda, ao lado de Janaína, Sereia do Mar e Rainha das Ondas. Quando o ponto diz que a mãe d’água mandou avisar, é a própria Orixá quem pede licença e espaço para ser louvada.
O ponto nasce da vida real das comunidades do litoral. Iemanjá sempre foi a protetora dos pescadores, de quem depende do mar para comer e para voltar vivo para casa. A famosa festa do Rio Vermelho, em Salvador, nasceu entre pescadores no começo do século vinte, e o costume de oferecer presentes ao mar se espalhou pelo Brasil.
Deixar a jangada em terra é um gesto de respeito. No dia da festa, o pescador não tira nada do mar: ele leva. Leva flores, perfume, espelho, velas e pedidos, e devolve à mãe um pouco do que recebeu dela o ano inteiro.
Há também uma leitura para dentro. A jangada é a lida de todo dia, o esforço para garantir o sustento. Retirar a jangada é aceitar uma pausa, parar de buscar e de cobrar, e reservar um tempo só para agradecer e celebrar.
Por isso o ponto costuma vir antes da chamada de Iemanjá. Ele prepara a corrente, muda o clima da gira e avisa que agora é hora de festa no mar. Depois dele entram os pontos de chegada e de louvação à Orixá.
A letra varia pouco, mas varia. Há quem cante retire e quem cante retira, e o refrão se repete quantas vezes a curimba quiser. A versão que a sua casa canta é a que vale para você.
Quando se canta
Na gira de Iemanjá, logo antes da chamada da Orixá. O ponto funciona como um anúncio: avisa a corrente de que a festa vai começar e que é hora de deixar o trabalho do dia de lado para louvar a Rainha do Mar.
Também é muito cantado nas festas de praia e nas entregas de presentes no mar, quando o terreiro sai em cortejo até a areia com flores brancas, velas e barquinhos. A melodia é alegre e embalada, no ritmo de quem rema.
No calendário, aparece perto de 2 de fevereiro, de 8 de dezembro, de 15 de agosto em muitas casas do Rio de Janeiro e na virada do ano. A data da festa e a ordem dos pontos são sempre do dirigente e do ogã de cada casa.






