Ponto cantado · Marinheiros (Marujada, povo das águas de Iemanjá)

Ponto de Marinheiro: Marinheiro Só

Ô marinheiro, marinheiro, quem te ensinou a nadar?

Ouça o ponto

▶ Tocar no YouTube · Essência de Umbanda
Vídeo: Ponto de Marinheiro: Marinheiro Só | Terreiro de Umbanda Caboclo Treme Terra, canal Essência de Umbanda (YouTube). Os direitos da gravação pertencem ao autor/canal; reproduzido aqui via player oficial do YouTube.
Marinheiros (Marujada, povo das águas de Iemanjá)Iemanjá

Letra do ponto

Ô marinheiro, marinheiro,Marinheiro só.Quem te ensinou a nadar?Marinheiro só.Ou foi o tombo do navio,Marinheiro só,ou foi o balanço do mar?Marinheiro só.Lá vem, lá vem,Marinheiro só.Ele vem faceiro,Marinheiro só,todo de branco,Marinheiro só,com o seu bonezinho.Marinheiro só.

Letra de tradição oral; pode variar de casa para casa.

Significado

Marinheiro só é uma das cantigas mais antigas do litoral brasileiro. Não tem autor conhecido e nasceu do povo do mar: pescadores, estivadores, marujos e escravizados dos grandes portos, como Salvador e Rio de Janeiro. Por isso circula ao mesmo tempo no samba de roda, na capoeira, nas festas de Marujada e nos terreiros de Umbanda.

Na Umbanda, ela virou ponto da Marujada. O refrão curto, Marinheiro só, é a resposta da corrente a cada verso puxado pela curimba, no jeito de pergunta e resposta que vem das rodas africanas e dos cantos de trabalho.

A pergunta do ponto é simples e funda: quem te ensinou a nadar? E a resposta vem em forma de dúvida. Ou foi o tombo do navio, ou foi o balanço do mar. O marinheiro aprendeu a nadar caindo e sendo balançado, ou seja, aprendeu com a própria vida.

É uma lição que os Marinheiros trazem para a gira. Ninguém atravessa a vida sem levar um tombo ou sem sentir o mar mexer. Quem aprende a boiar no balanço não se afoga na primeira onda, e é essa firmeza leve que eles ensinam a quem chega aflito.

A segunda parte desenha o marujo chegando: lá vem ele, faceiro, todo de branco, com o seu bonezinho. É assim que muitas casas descrevem os Marinheiros incorporados, de roupa branca e quepe, andando com o balanço de quem acabou de descer do navio.

Os Marinheiros são espíritos de marujos, pescadores e gente que viveu nos mares, rios e portos. Trabalham na linha das Águas, sob a regência de Iemanjá, e usam a força da água para limpar. São conhecidos pela alegria, pela franqueza e pelos descarregos que levam embora o peso emocional e espiritual.

Em muitos terreiros eles fazem parte de uma linha considerada intermediária, junto com Baianos e Boiadeiros, e há regiões onde a linha nem existe. Cada casa organiza suas linhas do seu jeito, e é bom respeitar a forma como a sua casa recebe a Marujada.

A letra varia bastante. Há casas que abrem com Eu não sou daqui, eu não tenho amor, eu sou da Bahia, de São Salvador, há quem cante Marinheiro sou em vez de Marinheiro só, e a ordem das estrofes muda conforme a curimba. A versão que a sua casa canta é a que vale para você.

Quando se canta

Na gira de Marinheiros, na chegada da Marujada ou logo depois, quando a curimba firma o balanço e os marujos entram na roda gingando, como quem anda no convés de um navio. É um ponto alegre, de andamento balançado, e o refrão Marinheiro só costuma ser respondido por toda a corrente.

Muitas casas cantam também nas giras da linha das Águas, em datas ligadas a Iemanjá, como 2 de fevereiro e 8 de dezembro, e em trabalhos de limpeza e descarrego, que são a especialidade dos Marinheiros em boa parte dos terreiros.

Nem toda casa tem gira própria de Marinheiros, e algumas os recebem junto com outras linhas. A ordem dos pontos e o momento de cada um são sempre do dirigente e do ogã da casa.

Perguntas frequentes

O que significa o ponto de marinheiro: marinheiro só?
Marinheiro só é uma das cantigas mais antigas do litoral brasileiro. Não tem autor conhecido e nasceu do povo do mar: pescadores, estivadores, marujos e escravizados dos grandes portos, como Salvador e Rio de Janeiro. Por isso circula ao mesmo tempo no samba de roda, na capoeira, nas festas de Marujada e nos terreiros de Umbanda. Na Umbanda, ela virou ponto da Marujada. O refrão curto, Marinheiro só, é a resposta da corrente a cada verso puxado pela curimba, no jeito de pergunta e resposta que vem das rodas africanas e dos cantos de trabalho. A pergunta do ponto é simples e funda: quem te ensinou a nadar? E a resposta vem em forma de dúvida. Ou foi o tombo do navio, ou foi o balanço do mar. O marinheiro aprendeu a nadar caindo e sendo balançado, ou seja, aprendeu com a própria vida. É uma lição que os Marinheiros trazem para a gira. Ninguém atravessa a vida sem levar um tombo ou sem sentir o mar mexer. Quem aprende a boiar no balanço não se afoga na primeira onda, e é essa firmeza leve que eles ensinam a quem chega aflito. A segunda parte desenha o marujo chegando: lá vem ele, faceiro, todo de branco, com o seu bonezinho. É assim que muitas casas descrevem os Marinheiros incorporados, de roupa branca e quepe, andando com o balanço de quem acabou de descer do navio. Os Marinheiros são espíritos de marujos, pescadores e gente que viveu nos mares, rios e portos. Trabalham na linha das Águas, sob a regência de Iemanjá, e usam a força da água para limpar. São conhecidos pela alegria, pela franqueza e pelos descarregos que levam embora o peso emocional e espiritual. Em muitos terreiros eles fazem parte de uma linha considerada intermediária, junto com Baianos e Boiadeiros, e há regiões onde a linha nem existe. Cada casa organiza suas linhas do seu jeito, e é bom respeitar a forma como a sua casa recebe a Marujada. A letra varia bastante. Há casas que abrem com Eu não sou daqui, eu não tenho amor, eu sou da Bahia, de São Salvador, há quem cante Marinheiro sou em vez de Marinheiro só, e a ordem das estrofes muda conforme a curimba. A versão que a sua casa canta é a que vale para você.
Quando se canta esse ponto?
Na gira de Marinheiros, na chegada da Marujada ou logo depois, quando a curimba firma o balanço e os marujos entram na roda gingando, como quem anda no convés de um navio. É um ponto alegre, de andamento balançado, e o refrão Marinheiro só costuma ser respondido por toda a corrente. Muitas casas cantam também nas giras da linha das Águas, em datas ligadas a Iemanjá, como 2 de fevereiro e 8 de dezembro, e em trabalhos de limpeza e descarrego, que são a especialidade dos Marinheiros em boa parte dos terreiros. Nem toda casa tem gira própria de Marinheiros, e algumas os recebem junto com outras linhas. A ordem dos pontos e o momento de cada um são sempre do dirigente e do ogã da casa.
Posso cantar esse ponto em casa?
Pode, com respeito e fé. Os pontos cantados são orações em forma de música; cantar em casa ajuda a firmar a fé e a sintonia. Para trabalhos de terreiro, siga sempre a orientação do dirigente da sua casa, pois cada terreiro tem seu fundamento e a letra pode variar.
A letra é sempre igual?
Não. Os pontos são de tradição oral e variam de casa para casa, com pequenas diferenças de letra e melodia. A versão aqui é uma das mais conhecidas; a da sua casa pode ter variações.
Qual a letra do ponto Marinheiro só?
A versão mais cantada nos terreiros é: Ô marinheiro, marinheiro, quem te ensinou a nadar? Ou foi o tombo do navio, ou foi o balanço do mar? A cada verso a corrente responde Marinheiro só. Depois vem a estrofe Lá vem, lá vem, ele vem faceiro, todo de branco, com o seu bonezinho.
O que significa quem te ensinou a nadar?
É a pergunta sobre como se aprende a viver. O marinheiro aprendeu no tombo do navio e no balanço do mar, isto é, nas quedas e nas oscilações da vida. Os Marinheiros ensinam justamente isso: atravessar as ondas com leveza, sem se afogar no primeiro susto.
Marinheiro só ou Marinheiro sou?
As duas formas existem. A mais difundida é Marinheiro só, mas há quem cante e interprete como Marinheiro sou. O sentido de identidade com o povo do mar é o mesmo. Siga o jeito da sua casa.
Esse ponto tem autor?
Não há autoria conhecida. É uma cantiga de domínio público, nascida no litoral e cantada no samba de roda, na capoeira e na Umbanda. Foi gravada por vários artistas ao longo do tempo, mas a letra tradicional é do povo. O vídeo indicado traz uma versão de terreiro, com crédito ao canal que a publicou.
Quem são os Marinheiros na Umbanda?
São espíritos de marujos, pescadores e pessoas ligadas aos mares, rios e portos. Trabalham na linha das Águas, sob Iemanjá, com alegria e franqueza, e são muito procurados para limpezas e descarregos. Chegam gingando, como quem sente o balanço do navio.
Por que os Marinheiros andam balançando?
Porque trazem o jeito de quem passou a vida no mar. O andar gingado, como se o chão balançasse, é marca da Marujada. Não é embriaguez nem brincadeira: é a forma como esses guias se apresentam e movimentam a energia da gira.
Quando se canta o ponto Marinheiro só?
Na gira de Marinheiros, na chegada ou durante os trabalhos, e em muitas casas também nas giras da linha das Águas e nas festas de Iemanjá. A ordem dos pontos é sempre do dirigente e do ogã da casa.
Todo terreiro tem gira de Marinheiros?
Não. Em muitas casas os Marinheiros têm gira própria, em outras chegam junto com outras linhas, e há regiões onde essa linha não é trabalhada. Cada terreiro organiza as suas linhas conforme a orientação espiritual da casa.
Posso cantar esse ponto em casa?
Pode. Cantar ponto com respeito, como saudação e oração, é costume antigo, e muita gente canta para a Marujada pedindo leveza e limpeza. O que não se faz por conta própria é abrir gira ou chamar entidade para incorporar. Para isso, procure uma casa séria.
Conteúdo informativo e de fé. Os pontos cantados são de tradição oral e variam de casa para casa, na letra e na melodia. Os vídeos são de canais do YouTube, com os devidos créditos, e cada autor mantém os direitos da sua gravação. Para o uso ritual, siga sempre a orientação do dirigente do seu terreiro.
← Ver todos os pontos