Em poucas palavras
Contra-egum é um trançado de palha da costa amarrado no braço, usado no Candomblé e em muitas casas de Umbanda para proteger a pessoa do contato com os eguns, os espíritos dos mortos. Ele é mais comum em quem está passando pela iniciação, mas também aparece em médiuns, ogãs e ekedis em momentos de trabalho.
Nesta semana de Finados, quando tanta gente pensa nos que partiram, vale entender esse objeto simples e cheio de fundamento. Se quiser começar pelo básico, veja também o que é egum.
Resposta rápida
O contra-egum é uma pulseira trançada de palha da costa, usada no braço como proteção contra os eguns. O nome já explica: é o que fica contra o egum, entre o corpo da pessoa e a energia dos mortos.
Ele é feito com o corpo limpo e com rezas, e cada casa tem o seu jeito de trançar, de consagrar e de usar. Quem coloca é o terreiro, e não a própria pessoa por conta própria.
A palha da costa
A palha da costa é uma fibra de ráfia tirada de uma palmeira africana. No Candomblé ela é chamada de ìko, e por muito tempo chegou ao Brasil pelos navios que vinham da costa da África, daí o nome.
É uma palha sagrada, ligada sobretudo a Obaluaê e Omulu, o Orixá que veste a roupa de palha e que tem domínio sobre a doença, a cura e a passagem entre a vida e a morte. Por isso ela aparece em tantos objetos de proteção.
Para que serve o contra-egum
O objetivo principal é proteger o médium, sobretudo o iniciante, que ainda está com o corpo aberto e sensível. Na iniciação, a pessoa passa por um período de recolhimento, e a palha guarda o seu corpo enquanto o axé é firmado.
Fora da iniciação, algumas casas colocam o contra-egum em quem vai participar de rito ligado aos mortos, em quem está de luto ou em quem anda muito exposto a energias pesadas. É um escudo, e não um enfeite.
Como se usa
- No braço. O lugar mais comum é a parte de cima do braço, perto do ombro. Muitas casas usam nos dois braços.
- Na cintura. Há casas que também amarram um trançado na cintura, que alguns chamam de umbigueira.
- Por um tempo. O tempo de uso é o que a casa determina, em geral o período da iniciação ou do preceito.
- Com preceito. Enquanto usa, a pessoa costuma seguir resguardos, como evitar bebida alcoólica e relações sexuais, conforme a orientação da casa.
Quem usa
O contra-egum é mais lembrado nos iaôs, os recém-iniciados do Candomblé, e nos abiãs em alguns ritos. Um acervo de arte sacra afro-brasileira da Universidade Duke guarda um par de contra-egum feito para uma iniciada de Omolu, o que mostra como o objeto faz parte do enxoval da feitura.
Na Umbanda, o uso varia muito. Há casas que usam o contra-egum nos médiuns em desenvolvimento, outras que o reservam para obrigações e outras que não usam. Como lembram os próprios terreiros, a mesma palha pode ser trabalhada de jeitos diferentes em cada casa.
Contra-egum e o Dia de Finados
No Dia de Finados, 2 de novembro, muitos terreiros lembram os eguns, os antepassados e a linha das Almas. É uma data de respeito e de saudade, e não de medo.
Quem é da casa pode receber orientação de usar proteção nesses dias, e o contra-egum é uma delas. Quem não é iniciado não precisa de contra-egum para visitar o cemitério: basta respeito, uma prece e, se a sua casa orientar, um banho de ervas depois. Leia também o Dia de Finados na Umbanda.
Cuidados e respeito
- Contra-egum não se compra pronto para usar por conta própria. Ele é feito e consagrado pela casa.
- Se arrebentar, não amarre de novo de qualquer jeito: conte ao dirigente, que sabe o que fazer.
- Quando o tempo de uso acaba, quem retira e dá o destino à palha é a casa.
- O contra-egum não é amuleto da sorte nem enfeite de moda. É objeto de fundamento.
- Intolerância religiosa é crime. Denúncias podem ser feitas pelo Disque 100.
Em resumo
Contra-egum é o trançado de palha da costa usado no braço para proteger o corpo e o espírito do contato com os eguns. Ele é mais comum na iniciação, ligado a Obaluaê e Omulu, e cada casa tem o seu jeito de fazer, consagrar e usar.
Perguntas frequentes
O que é contra-egum?
É um trançado de palha da costa amarrado no braço, usado no Candomblé e em muitas casas de Umbanda para proteger a pessoa do contato com os eguns, os espíritos dos mortos.
Para que serve o contra-egum?
Para proteger o médium, sobretudo o iniciante, que está com o corpo mais aberto e sensível. Também pode ser usado em ritos ligados aos mortos ou em momentos de muita exposição a energias pesadas.
Em qual braço se usa o contra-egum?
O mais comum é na parte de cima do braço, perto do ombro, e muitas casas usam nos dois braços. Algumas também amarram um trançado na cintura. Siga a orientação da sua casa.
De que é feito o contra-egum?
De palha da costa, uma fibra de ráfia tirada de uma palmeira africana, chamada ìko no Candomblé. É uma palha sagrada, muito ligada a Obaluaê e Omulu.
Quem pode usar contra-egum?
Quem a casa determinar: em geral iniciados, médiuns em desenvolvimento e pessoas em preceito. Não é objeto para usar por conta própria, sem fundamento.
Quanto tempo se usa o contra-egum?
O tempo é a casa que determina, em geral o período da iniciação ou do preceito. Quando acaba, quem retira e dá destino à palha é o terreiro.
O que fazer se o contra-egum arrebentar?
Não amarre de novo de qualquer jeito. Guarde a palha com respeito e conte ao dirigente da sua casa, que sabe o que fazer.
Preciso de contra-egum para ir ao cemitério no Dia de Finados?
Quem não é iniciado não precisa. Basta respeito, uma prece por quem partiu e, se a sua casa orientar, um banho de ervas depois. Quem está em preceito deve seguir a orientação do seu terreiro.
Fontes e referências
Referências citadas neste artigo.
- Palha-da-costa, Wikipédia
- Contra-Egum Armlets for Novice of the Candomblé God Omolú, Sacred Arts, Duke University
- O que é contra-egum, Casa de Caridade Gauisa
- Conhecimento e memória no culto de Egum, Revista Mneme, UFRN
Conteúdo informativo e de fé, escrito com respeito à tradição e baseado nas fontes citadas. A Umbanda varia de casa para casa; em caso de dúvida, procure sempre o dirigente do seu terreiro. Este texto não substitui orientação médica, jurídica ou psicológica.
Sobre os autores
Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan
Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan são médiuns de um terreiro de Umbanda em São Paulo e mantêm o Axé Umbanda com fundamento, respeito à tradição e fontes confiáveis.
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