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Axé Umbanda
O que é contra-egum: para que serve o trançado de palha no braço

Glossário e Fundamentos

O que é contra-egumPara que serve o trançado de palha no braço

Contra-egum é o trançado de palha da costa amarrado no braço para proteger o corpo e o espírito do contato com os eguns. Veja de onde vem, quem usa e quais cuidados as casas pedem.

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Por Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan · · 7 min de leitura

Em poucas palavras

Contra-egum é um trançado de palha da costa amarrado no braço, usado no Candomblé e em muitas casas de Umbanda para proteger a pessoa do contato com os eguns, os espíritos dos mortos. Ele é mais comum em quem está passando pela iniciação, mas também aparece em médiuns, ogãs e ekedis em momentos de trabalho.

Nesta semana de Finados, quando tanta gente pensa nos que partiram, vale entender esse objeto simples e cheio de fundamento. Se quiser começar pelo básico, veja também o que é egum.

Resposta rápida

O contra-egum é uma pulseira trançada de palha da costa, usada no braço como proteção contra os eguns. O nome já explica: é o que fica contra o egum, entre o corpo da pessoa e a energia dos mortos.

Ele é feito com o corpo limpo e com rezas, e cada casa tem o seu jeito de trançar, de consagrar e de usar. Quem coloca é o terreiro, e não a própria pessoa por conta própria.

A palha da costa

A palha da costa é uma fibra de ráfia tirada de uma palmeira africana. No Candomblé ela é chamada de ìko, e por muito tempo chegou ao Brasil pelos navios que vinham da costa da África, daí o nome.

É uma palha sagrada, ligada sobretudo a Obaluaê e Omulu, o Orixá que veste a roupa de palha e que tem domínio sobre a doença, a cura e a passagem entre a vida e a morte. Por isso ela aparece em tantos objetos de proteção.

Para que serve o contra-egum

O objetivo principal é proteger o médium, sobretudo o iniciante, que ainda está com o corpo aberto e sensível. Na iniciação, a pessoa passa por um período de recolhimento, e a palha guarda o seu corpo enquanto o axé é firmado.

Fora da iniciação, algumas casas colocam o contra-egum em quem vai participar de rito ligado aos mortos, em quem está de luto ou em quem anda muito exposto a energias pesadas. É um escudo, e não um enfeite.

Como se usa

  • No braço. O lugar mais comum é a parte de cima do braço, perto do ombro. Muitas casas usam nos dois braços.
  • Na cintura. Há casas que também amarram um trançado na cintura, que alguns chamam de umbigueira.
  • Por um tempo. O tempo de uso é o que a casa determina, em geral o período da iniciação ou do preceito.
  • Com preceito. Enquanto usa, a pessoa costuma seguir resguardos, como evitar bebida alcoólica e relações sexuais, conforme a orientação da casa.

Quem usa

O contra-egum é mais lembrado nos iaôs, os recém-iniciados do Candomblé, e nos abiãs em alguns ritos. Um acervo de arte sacra afro-brasileira da Universidade Duke guarda um par de contra-egum feito para uma iniciada de Omolu, o que mostra como o objeto faz parte do enxoval da feitura.

Na Umbanda, o uso varia muito. Há casas que usam o contra-egum nos médiuns em desenvolvimento, outras que o reservam para obrigações e outras que não usam. Como lembram os próprios terreiros, a mesma palha pode ser trabalhada de jeitos diferentes em cada casa.

Contra-egum e o Dia de Finados

No Dia de Finados, 2 de novembro, muitos terreiros lembram os eguns, os antepassados e a linha das Almas. É uma data de respeito e de saudade, e não de medo.

Quem é da casa pode receber orientação de usar proteção nesses dias, e o contra-egum é uma delas. Quem não é iniciado não precisa de contra-egum para visitar o cemitério: basta respeito, uma prece e, se a sua casa orientar, um banho de ervas depois. Leia também o Dia de Finados na Umbanda.

Cuidados e respeito

  • Contra-egum não se compra pronto para usar por conta própria. Ele é feito e consagrado pela casa.
  • Se arrebentar, não amarre de novo de qualquer jeito: conte ao dirigente, que sabe o que fazer.
  • Quando o tempo de uso acaba, quem retira e dá o destino à palha é a casa.
  • O contra-egum não é amuleto da sorte nem enfeite de moda. É objeto de fundamento.
  • Intolerância religiosa é crime. Denúncias podem ser feitas pelo Disque 100.

Em resumo

Contra-egum é o trançado de palha da costa usado no braço para proteger o corpo e o espírito do contato com os eguns. Ele é mais comum na iniciação, ligado a Obaluaê e Omulu, e cada casa tem o seu jeito de fazer, consagrar e usar.

Perguntas frequentes

O que é contra-egum?

É um trançado de palha da costa amarrado no braço, usado no Candomblé e em muitas casas de Umbanda para proteger a pessoa do contato com os eguns, os espíritos dos mortos.

Para que serve o contra-egum?

Para proteger o médium, sobretudo o iniciante, que está com o corpo mais aberto e sensível. Também pode ser usado em ritos ligados aos mortos ou em momentos de muita exposição a energias pesadas.

Em qual braço se usa o contra-egum?

O mais comum é na parte de cima do braço, perto do ombro, e muitas casas usam nos dois braços. Algumas também amarram um trançado na cintura. Siga a orientação da sua casa.

De que é feito o contra-egum?

De palha da costa, uma fibra de ráfia tirada de uma palmeira africana, chamada ìko no Candomblé. É uma palha sagrada, muito ligada a Obaluaê e Omulu.

Quem pode usar contra-egum?

Quem a casa determinar: em geral iniciados, médiuns em desenvolvimento e pessoas em preceito. Não é objeto para usar por conta própria, sem fundamento.

Quanto tempo se usa o contra-egum?

O tempo é a casa que determina, em geral o período da iniciação ou do preceito. Quando acaba, quem retira e dá destino à palha é o terreiro.

O que fazer se o contra-egum arrebentar?

Não amarre de novo de qualquer jeito. Guarde a palha com respeito e conte ao dirigente da sua casa, que sabe o que fazer.

Preciso de contra-egum para ir ao cemitério no Dia de Finados?

Quem não é iniciado não precisa. Basta respeito, uma prece por quem partiu e, se a sua casa orientar, um banho de ervas depois. Quem está em preceito deve seguir a orientação do seu terreiro.

Fontes e referências

Referências citadas neste artigo.

Conteúdo informativo e de fé, escrito com respeito à tradição e baseado nas fontes citadas. A Umbanda varia de casa para casa; em caso de dúvida, procure sempre o dirigente do seu terreiro. Este texto não substitui orientação médica, jurídica ou psicológica.

Sobre os autores

Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan

Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan são médiuns de um terreiro de Umbanda em São Paulo e mantêm o Axé Umbanda com fundamento, respeito à tradição e fontes confiáveis.

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