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Dia de Zé Pilintra na Umbanda: 28 de outubro, 7 de julho e o dia dos malandros

Glossário e Fundamentos

Dia de Zé Pilintra na Umbanda28 de outubro, 7 de julho e o dia dos malandros

Todo ano, no fim de outubro e no começo de julho, muita gente procura a mesma coisa: afinal, qual é o dia de Seu Zé Pilintra? Entenda as duas datas, de onde cada uma vem, o que é o dia dos malandros e como homenagear o patrono da malandragem sem atropelar o fundamento da sua casa.

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Por Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan · · 7 min de leitura

Em poucas palavras

O dia de Zé Pilintra mais guardado pelos terreiros de Umbanda é 28 de outubro, e o 7 de julho é o Dia do Zé Pelintra oficial da cidade do Rio de Janeiro. As duas datas são verdadeiras, cada uma com a sua origem, e não existe um dia nacional único. Na semana, muitas casas trabalham a malandragem na segunda-feira. Neste artigo você entende de onde vem cada data, o que é o chamado dia dos malandros e como fazer a sua homenagem a Seu Zé Pilintra com fé e com respeito.

Resposta rápida

  • 28 de outubro: a data que boa parte das casas de Umbanda reserva a Seu Zé e à linha dos Malandros. Em Porto Alegre ela virou lei: a Lei nº 13.119, de 2022, pôs o Dia do Exu Zé Pilintra no calendário da cidade.
  • 7 de julho: Dia do Zé Pelintra no calendário oficial da cidade do Rio de Janeiro, criado pela Lei municipal nº 7.549, de 2022.
  • Dia da semana: muitas casas trabalham a malandragem na segunda-feira, e há terreiros que preferem a sexta-feira.
  • Dia nacional: não existe. Uma ideia legislativa no Senado propôs 30 de outubro, mas não recebeu apoios e foi encerrada em 2025.
  • Próximas datas: 7 de julho de 2027 cai numa quarta-feira e 28 de outubro de 2027 cai numa quinta-feira.
  • Saudação: Salve Seu Zé Pilintra! Salve a Malandragem!

O dia certo para a festa é o que a sua casa guarda. Antes de marcar gira, oferenda ou entrega, confirme com o dirigente do seu terreiro.

Quem é Seu Zé Pilintra

Zé Pilintra, também escrito Zé Pelintra, é o nome mais conhecido da linha dos Malandros e é visto pelas casas como o patrono da malandragem. A origem dele está no Catimbó e na Jurema, tradições religiosas do Nordeste, onde é chamado de Mestre Zé Pelintra. Nas macumbas do Rio de Janeiro ganhou o terno de linho branco, o chapéu panamá e a gravata vermelha do malandro da Lapa, e dali se espalhou pelos terreiros do país.

Na Umbanda ele trabalha na vibração de Ogum e de Oxalá, por isso as cores dele são o vermelho e o branco. Abre caminhos, desfaz demanda e protege quem vive à margem. Malandragem, aqui, não é enganar ninguém: é a sabedoria de quem aprendeu na rua a sobreviver sem perder a dignidade.

O 28 de outubro: a data dos terreiros

Quando um umbandista fala em dia de Seu Zé, quase sempre está falando de 28 de outubro. É a data em que muitas casas fazem a festa da linha, com gira de Malandros, pontos cantados e homenagem ao mestre. A procura no Google mostra isso todo ano: as buscas por dia de Zé Pilintra disparam na semana de 28 de outubro.

A data ganhou também reconhecimento público. Em Porto Alegre, a Lei nº 13.119, de 26 de maio de 2022, incluiu o Dia do Exu Zé Pilintra no calendário de datas comemorativas da cidade, no dia 28 de outubro. A exposição de motivos do projeto apresenta Seu Zé como guia espiritual da linha dos Malandros, protetor dos humildes e dos marginalizados, e fala em combater o estereótipo do malandro. A lei usa o nome Exu Zé Pilintra, forma que aparece em casas que trabalham o mestre junto da esquerda.

De onde veio a escolha do 28? Não encontramos registro histórico que explique a origem dessa data, nem nas casas, nem nos estudos consultados. Ela coincide com o dia de São Judas Tadeu, mas nenhuma fonte confiável liga as duas devoções, então não vale tratar uma coisa como explicação da outra. É uma tradição que se firmou pela prática dos terreiros.

O 7 de julho: o dia oficial do Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, a data oficial é outra. Em 2022 o vereador Átila A. Nunes apresentou à Câmara Municipal o Projeto de Lei nº 1222/2022, para incluir o Dia do Zé Pelintra no calendário da cidade, comemorado em 7 de julho. A proposta virou a Lei municipal nº 7.549, de 2022. Segundo o autor, a ideia era combater o preconceito contra a entidade e abrir diálogo entre as lideranças religiosas.

Desde então, o 7 de julho virou dia de festa pública. A Lapa, onde existe um santuário popular de Seu Zé Pelintra junto aos Arcos, recebe devotos com música, samba e oração. A data também é lembrada fora do Rio: em 7 de julho de 2026, o Correio Braziliense contou como terreiros e devotos de Brasília celebraram o Dia de Zé Pilintra, inclusive com o Samba do Seu Zé, encontro cultural que, segundo a organizadora, não faz ritual nem incorporação.

Por isso as buscas por Zé Pilintra têm dois picos no ano, um em julho e outro em outubro. As duas datas convivem, e muita gente lembra o mestre nas duas.

O que é o dia dos malandros

Dia dos malandros, dia da malandragem ou festa da malandragem são nomes populares para a mesma ocasião: o dia em que a casa homenageia toda a linha dos Malandros e Malandras, tendo Seu Zé Pilintra à frente. Na maior parte dos terreiros, essa festa acontece no próprio dia de Seu Zé, em 28 de outubro, ou na gira mais próxima dessa data.

Não existe um dia dos malandros fixado em lei nem um calendário único da Umbanda para isso. Cada casa decide se faz gira própria de Malandros, se recebe a linha junto da gira de esquerda, ao lado de Exus e Pombagiras, ou se apenas lembra o mestre nas preces da semana. Todas essas formas são legítimas dentro do fundamento de cada terreiro.

Como homenagear Zé Pilintra no dia dele

Se você frequenta um terreiro, o melhor caminho é participar da festa da sua casa e seguir a orientação do dirigente. Em casa, uma homenagem simples e respeitosa costuma ter:

A oferenda para Zé Pilintra e a oferenda de malandro fazem parte da tradição, mas são trabalhos de fundamento: o local, os itens e o dia quem orienta é a sua casa. Bebida e fumo, na gira, são elementos de trabalho espiritual e não de farra. E nada de deixar garrafa, plástico ou vidro na rua: respeito ao mestre é também respeito ao lugar.

O que pedir a Seu Zé

Seu Zé é procurado para abrir caminhos, desenrolar situações travadas, proteger quem anda na rua e na madrugada, dar jogo de cintura no trabalho e desfazer demanda. Ele gosta de conversa franca: peça com clareza, cumpra o que prometer e agradeça quando a graça chegar.

O mestre cobra palavra e honestidade. Pedido para prejudicar alguém não combina com a linha de luz que a Umbanda cultua. Se você tem dúvida sobre qual caminho seguir, uma consulta com os guias da sua casa vale mais do que qualquer receita encontrada na internet.

Respeito e intolerância

As leis do Rio de Janeiro e de Porto Alegre nasceram com o mesmo argumento: tirar Seu Zé da caricatura de vagabundo e de figura do mal. Ainda hoje há quem trate a imagem dele com preconceito. Lembrar a data com informação correta é uma forma de combater a intolerância religiosa e de honrar quem, segundo a tradição, sempre esteve ao lado dos que a sociedade deixou de lado.

Resumo

Seu Zé Pilintra tem duas datas no ano: 28 de outubro, guardado pelos terreiros e oficializado em Porto Alegre, e 7 de julho, Dia do Zé Pelintra oficial do Rio de Janeiro. Não há dia nacional. O dia dos malandros costuma ser comemorado junto com o dia de Seu Zé, e o fundamento certo é sempre o da sua casa. Salve Seu Zé Pilintra! Salve a Malandragem!

Perguntas frequentes

Qual é o dia de Zé Pilintra na Umbanda?

O dia mais guardado pelos terreiros é 28 de outubro, data em que muitas casas fazem a festa da linha dos Malandros. No Rio de Janeiro, o Dia do Zé Pelintra oficial é 7 de julho, criado pela Lei municipal nº 7.549, de 2022. Na semana, muitas casas trabalham a malandragem na segunda-feira.

Por que o dia de Zé Pilintra é 28 de outubro?

Não encontramos registro histórico que explique a escolha do 28 de outubro. É uma tradição que se firmou pela prática das casas de Umbanda. A data coincide com o dia de São Judas Tadeu, mas nenhuma fonte confiável liga as duas devoções.

O dia de Zé Pelintra é 7 de julho?

Sim, na cidade do Rio de Janeiro. A Lei municipal nº 7.549, de 2022, incluiu o Dia do Zé Pelintra no calendário oficial da cidade em 7 de julho. Muitas casas, porém, continuam guardando o 28 de outubro, e há quem lembre o mestre nas duas datas.

Existe um Dia Nacional de Zé Pelintra?

Não. Uma ideia legislativa enviada ao Senado propunha um Dia Nacional de Zé Pelintra em 30 de outubro, mas não recebeu apoios e o prazo terminou em 24 de outubro de 2025. As datas oficiais que existem são municipais: Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Quando é o dia dos malandros na Umbanda?

Na maior parte dos terreiros, a festa da malandragem acontece no dia de Seu Zé Pilintra, em 28 de outubro, ou na gira mais próxima dessa data. Não há data fixada em lei para a linha toda, e cada casa decide como faz a homenagem.

Qual é o dia da semana de Zé Pilintra?

Muitas casas trabalham a linha dos Malandros na segunda-feira, e há terreiros que preferem a sexta-feira, quase sempre ao anoitecer. Siga o costume da sua casa.

Como homenagear Zé Pilintra no dia dele?

Participe da festa do seu terreiro, se fizer parte de um. Em casa, acenda uma vela branca ou branca e vermelha em lugar seguro, faça a oração a Zé Pilintra e cante os pontos dele. Oferenda é trabalho de fundamento e deve ser orientada pela sua casa.

Qual vela acender para Zé Pilintra?

As mais usadas são a vela branca e a vela branca e vermelha, as cores do mestre, que trabalha na vibração de Oxalá e de Ogum. Acenda sempre em lugar seguro.

Qual é a saudação de Zé Pilintra?

Salve Seu Zé Pilintra! Salve a Malandragem! É assim que muitas casas saúdam o mestre na chegada e nas homenagens.

Zé Pilintra é Exu?

Na maior parte da Umbanda, Seu Zé é Malandro, de linha própria, que trabalha na vibração de Ogum e Oxalá. Muitas casas o recebem na gira de esquerda, ao lado de Exus e Pombagiras, e algumas o chamam de Exu Zé Pilintra, como faz a lei de Porto Alegre. O fundamento certo é o da sua casa.

Fontes e referências

Referências citadas neste artigo.

Conteúdo informativo e de fé, escrito com respeito à tradição e baseado nas fontes citadas. A Umbanda varia de casa para casa; em caso de dúvida, procure sempre o dirigente do seu terreiro. Este texto não substitui orientação médica, jurídica ou psicológica.

Sobre os autores

Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan

Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan são médiuns de um terreiro de Umbanda em São Paulo e mantêm o Axé Umbanda com fundamento, respeito à tradição e fontes confiáveis.

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