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O que é a Jurema Sagrada: origem, Mestres e ligação com a Umbanda

Glossário e Fundamentos

O que é a Jurema SagradaOrigem, Mestres e ligação com a Umbanda

Jurema Sagrada é uma religião de raiz indígena do Nordeste, centrada na árvore da jurema e no culto aos Mestres, Caboclos e Encantados. Veja de onde vem, como funciona e o que ela tem a ver com a Umbanda.

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Por Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan · · 9 min de leitura

Em poucas palavras

Jurema Sagrada é uma religião de raiz indígena, muito forte no Nordeste, que tem como centro a árvore da jurema e o culto aos Mestres, aos Caboclos e aos Encantados. Ela também é chamada de Catimbó, nome antigo que hoje muitos juremeiros evitam por causa do preconceito.

Com o tempo, a Jurema recebeu influências do catolicismo popular, das tradições africanas e da magia europeia, e se encontrou com a Umbanda em muitos terreiros. É de lá que vêm figuras queridas como Zé Pilintra e a Cabocla Jurema.

Resposta rápida

A Jurema Sagrada é uma religião afro-indígena brasileira, nascida das práticas dos povos originários do Nordeste com a árvore da jurema. Os seus adeptos são os juremeiros, e as entidades principais são os Mestres e Mestras, os Caboclos e os Encantados.

Os trabalhos usam a fumaça do cachimbo, o maracá, os pontos cantados e a bebida feita da jurema, preparada dentro do culto. Muitas casas de Umbanda do Nordeste também cultuam a Jurema, e por isso se fala em Umbanda com Jurema.

A árvore da jurema

A jurema é uma árvore da caatinga, de tronco escuro e espinhos, muito comum no sertão. Para os juremeiros, ela é sagrada: dela se usam sementes, folhas, cascas, entrecascas e raízes nos rituais.

Um projeto de lei apresentado à Assembleia Legislativa da Paraíba em 2025 descreve a árvore como o tronco central da religião, de onde vem a sabedoria ancestral dos povos originários. No site, a erva tem página própria: veja a jurema na Umbanda.

De onde vem a Jurema

Os primeiros registros do uso da jurema aparecem nas cartas do período colonial, sempre em tom de condenação. Em 1724, o governador da Capitania de Pernambuco escreveu ao rei de Portugal sobre a prisão de índios que usavam a bebida da jurema e entravam em transe.

A Paraíba guarda um dos territórios mais importantes da tradição: as terras do Acais e das Estivas, em Alhandra, no litoral sul do estado, antiga aldeia do povo Tabajara. Ali viveram o Mestre Inácio e sua família, e ali se firmou a fama de Maria do Acais, juremeira lembrada até hoje. Locais ligados a ela foram tombados pelo patrimônio histórico da Paraíba.

Mestres, Caboclos e Encantados

  • Mestres e Mestras. Espíritos de pessoas que viveram na Jurema e dedicaram a vida à cura e à caridade. Pesquisadores lembram que, sem os Mestres, não há Jurema: eles são as entidades principais do culto.
  • Caboclos. Espíritos indígenas, ligados à mata e às ervas, muito próximos dos Caboclos da Umbanda.
  • Encantados. Seres que não passaram pela morte comum e vivem nas cidades da Jurema, reinos espirituais onde cada Mestre tem a sua morada.

Zé Pilintra é o exemplo mais conhecido de Mestre que saiu da Jurema e ganhou os terreiros de Umbanda do Sudeste. Veja a página de Seu Zé Pilintra.

Como é um trabalho de Jurema

O trabalho tradicional é a mesa: os juremeiros se reúnem em volta de uma mesa com copos e taças de água, velas, o cachimbo, o fumo e o maracá. Canta-se para chamar os Mestres, que chegam em terra pelo transe e trabalham com conselho, cura e limpeza.

A fumaça do cachimbo é parte central da Jurema: ela limpa, cura e firma. Por isso se diz que a Jurema é uma ciência da terra, da magia e da fumaça. Cada juremeiro tem a sua ciência, aprendida com os mais velhos e com a própria espiritualidade.

Jurema e Catimbó

Catimbó, ou Catimbó Jurema, era o nome usado para a religião nos registros antigos e pela polícia, que a perseguia. Por muito tempo, intelectuais trataram o Catimbó como coisa pobre e impura.

Hoje, muitos praticantes preferem o nome Jurema Sagrada, porque Catimbó ganhou peso pejorativo. Há casas que ainda usam as duas palavras com orgulho. O respeito começa por chamar a religião do jeito que a casa se chama.

O que a Jurema tem a ver com a Umbanda

A partir dos anos 1960 e 1970, com a perseguição policial e a força da Umbanda, muitas casas de Jurema do Nordeste passaram a se organizar no modelo umbandista. Assim nasceram as casas de Umbanda com Jurema, que cultuam os Orixás, os guias da Umbanda e os Mestres da Jurema.

No Sudeste, a Jurema chegou pelos Caboclos e pelos Mestres que migraram para as giras, como Zé Pilintra. Pontos como Defuma com as ervas da Jurema mostram como a palavra jurema virou sinônimo de mata, de cura e de força em todo o país.

Respeito e cuidados

  • A bebida da jurema é preparada e servida dentro do culto, por quem tem fundamento. Não se prepara em casa por curiosidade.
  • Jurema Sagrada não é sinônimo de feitiço nem de magia para o mal. É uma religião com ética, ancestralidade e caridade.
  • Cada casa tem a sua ciência. O que vale numa mesa pode ser diferente em outra.
  • Intolerância religiosa é crime. Denúncias podem ser feitas pelo Disque 100.

Em resumo

Jurema Sagrada é a religião de raiz indígena do Nordeste que cultua a árvore da jurema, os Mestres, os Caboclos e os Encantados. Também chamada de Catimbó, ela sobreviveu a séculos de perseguição, se encontrou com a Umbanda e deu aos terreiros entidades muito amadas, como Zé Pilintra.

Perguntas frequentes

O que é a Jurema Sagrada?

É uma religião de raiz indígena, muito forte no Nordeste, que tem como centro a árvore da jurema e o culto aos Mestres, aos Caboclos e aos Encantados. Recebeu influências do catolicismo popular, das tradições africanas e da magia europeia.

Jurema Sagrada e Catimbó são a mesma coisa?

Em geral, sim. Catimbó é o nome antigo, usado nos registros e pela polícia que perseguia a religião. Hoje muitos praticantes preferem Jurema Sagrada, porque Catimbó ganhou peso pejorativo.

Quem são os Mestres da Jurema?

São espíritos de pessoas que viveram na Jurema e dedicaram a vida à cura e à caridade. Eles são as entidades principais do culto e chegam em terra pelo transe para aconselhar, curar e limpar.

Zé Pilintra é da Jurema?

Sim. Zé Pilintra é o exemplo mais conhecido de Mestre da Jurema que chegou aos terreiros de Umbanda do Sudeste, onde é cultuado na linha dos Malandros.

O que é a árvore da jurema?

É uma árvore da caatinga, de tronco escuro e espinhos. Para os juremeiros ela é sagrada, e dela se usam sementes, folhas, cascas e raízes nos rituais.

Qual a diferença entre Jurema e Umbanda?

A Jurema tem raiz indígena e cultua principalmente Mestres, Caboclos e Encantados, com a mesa, o cachimbo e a bebida da jurema. A Umbanda cultua os Orixás e os guias nas giras. Muitas casas do Nordeste unem as duas, na chamada Umbanda com Jurema.

O que são as cidades da Jurema?

São os reinos espirituais onde vivem os Mestres e os Encantados. Na terra, são lembradas em lugares onde a árvore da jurema está presente e onde se fazem os ritos, como o Acais, na Paraíba.

Posso tomar a bebida da jurema?

A bebida é preparada e servida dentro do culto, por quem tem fundamento, e não se prepara em casa por curiosidade. Quem quiser conhecer deve procurar uma casa séria de Jurema.

Fontes e referências

Referências citadas neste artigo.

Conteúdo informativo e de fé, escrito com respeito à tradição e baseado nas fontes citadas. A Umbanda varia de casa para casa; em caso de dúvida, procure sempre o dirigente do seu terreiro. Este texto não substitui orientação médica, jurídica ou psicológica.

Sobre os autores

Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan

Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan são médiuns de um terreiro de Umbanda em São Paulo e mantêm o Axé Umbanda com fundamento, respeito à tradição e fontes confiáveis.

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