O que significa o ponto de exu: lá na porteira eu deixei meu sentinela?
Este é um ponto de saudação e de confiança. Quem canta lá na porteira eu deixei meu sentinela está dizendo que a entrada do terreiro não fica sem guarda: na porteira e na cancela ficam os Exus e as Pombagiras, o Povo da Rua, tomando conta de quem entra e de quem sai. Na Umbanda, Exu é entendido como guardião. Ele trabalha na fronteira entre a rua e o espaço sagrado, entre o mundo de fora e a corrente, e por isso é chamado de sentinela, de vigia, de dono da porteira. Longe da imagem do diabo que o preconceito espalhou, as casas veem Exu como o protetor que segura as cargas pesadas e não deixa a desordem atravessar o portão. A porteira e a cancela são imagens da roça, o portão de madeira por onde passam a boiada e a gente. No terreiro elas viram símbolo da entrada. Muitas casas mantêm ali a tronqueira, também chamada de casa de Exu, um pequeno espaço junto ao portão onde ficam as firmezas dos guardiões, com velas, ferramentas e oferendas. A tronqueira funciona como um ponto de força e um filtro. É lá que a casa pede aos guardiões que recebam o que chega da rua e não deixem entrar o que atrapalha o trabalho. Cada terreiro tem o seu jeito de montar e cuidar dela, e esse fundamento fica com o dirigente. A letra é curta e repetida, como quase todo ponto da Esquerda. Na primeira parte, eu deixei todos os Exus tomando conta da cancela. Na segunda, a mesma promessa vale para as Pombagiras, lembrando que a guarda é feita pelas duas forças, a masculina e a feminina. A repetição firma a ideia na corrente: a porta está vigiada e o trabalho pode seguir em paz. Por isso, em muitas casas, a Esquerda é saudada antes de tudo. O dirigente ou o ogã pede licença a Exu, a vela da tronqueira é acesa e se canta para o Povo da Rua. A saudação mais conhecida é Laroiê, que as casas traduzem como salve o mensageiro, junto com Exu é Mojubá. O preto e o vermelho são as cores mais ligadas à Esquerda, e a segunda-feira é o dia mais citado para o Povo da Rua, embora isso mude de casa para casa. Como todo ponto de tradição oral, a letra e a melodia variam, há versões que cantam eu deixei Exu tomando conta da cancela, e a versão que a sua gira canta é a que vale para você.
Quando se canta esse ponto?
Na saudação ao Povo da Rua, os Exus e as Pombagiras que guardam a entrada do terreiro, quase sempre no começo dos trabalhos, quando a casa pede licença à Esquerda e firma os guardiões antes de abrir a gira. Muitas casas cantam também na gira de Esquerda, na chegada dos Exus e das Pombagiras, junto à tronqueira, quando se acende a vela da porteira, e em momentos de pedido de proteção, sempre na ordem que o dirigente definir.
Posso cantar esse ponto em casa?
Pode, com respeito e fé. Os pontos cantados são orações em forma de música; cantar em casa ajuda a firmar a fé e a sintonia. Para trabalhos de terreiro, siga sempre a orientação do dirigente da sua casa, pois cada terreiro tem seu fundamento e a letra pode variar.
A letra é sempre igual?
Não. Os pontos são de tradição oral e variam de casa para casa, com pequenas diferenças de letra e melodia. A versão aqui é uma das mais conhecidas; a da sua casa pode ter variações.
Quem são os Exus e as Pombagiras na Umbanda?
São os guias da Esquerda, também chamados de Povo da Rua. Na Umbanda eles são entendidos como guardiões e trabalhadores da lei, que protegem o terreiro e os médiuns, cortam demandas, abrem caminhos e lidam com as cargas mais pesadas. Os Exus trazem a força masculina e as Pombagiras a feminina. Cada casa tem o seu fundamento sobre eles, e quem explica a Esquerda da sua casa é o dirigente dela.
O que significa o ponto Lá na porteira eu deixei meu sentinela?
É um ponto de saudação e de confiança na proteção da Esquerda. Ele diz que os Exus e as Pombagiras ficaram de sentinela na porteira, tomando conta da cancela, ou seja, guardando a entrada do terreiro. Cantar esse ponto é reconhecer o trabalho dos guardiões e firmar a certeza de que a porta da casa está vigiada.
O que são a porteira e a cancela no ponto?
São imagens da roça: a porteira e a cancela são os portões de madeira por onde se entra numa fazenda ou num pasto. No terreiro elas representam a entrada da casa, a fronteira entre a rua e o espaço sagrado. É nessa fronteira que a Umbanda coloca Exu, o guardião que decide o que passa e o que fica do lado de fora.
O que é a tronqueira?
A tronqueira, também chamada de casa de Exu, é um pequeno espaço perto do portão do terreiro onde ficam as firmezas dos guardiões, com velas, ferramentas e oferendas. Ela funciona como ponto de força e de proteção da casa. Nem todo terreiro tem tronqueira do mesmo jeito, e montar ou mexer nela é fundamento do dirigente, não algo para fazer por conta própria.
Quando se canta este ponto na gira?
Na maior parte das casas ele é cantado na saudação à Esquerda, no começo dos trabalhos, quando se pede licença aos guardiões e se acende a vela da tronqueira. Também aparece na gira de Exu e Pombagira, na chegada do Povo da Rua. A ordem dos pontos é sempre definida pelo dirigente.
Qual é a saudação de Exu e da Pombagira?
A saudação mais conhecida é Laroiê, que as casas traduzem como salve o mensageiro, e também se ouve muito Exu é Mojubá. Para as Pombagiras se canta Laroiê Pombagira ou Saravá Pombagira, conforme a casa. A grafia muda de caderno para caderno, como Laroyê e Laroiê, e nenhuma delas é errada.
Exu é o diabo?
Não. Essa associação nasceu do preconceito e de leituras de fora da religião. Na Umbanda, Exu é guardião, mensageiro e trabalhador da lei, que protege a casa e os médiuns e ajuda a enfrentar as dificuldades da vida. Por isso ele fica na porteira: não para fazer o mal, mas para impedir que o mal entre.
Qual é a cor e o dia do Povo da Rua?
As cores mais ligadas à Esquerda são o preto e o vermelho, presentes nas velas, nas guias e nas roupas de muitos terreiros. O dia mais citado é a segunda-feira, embora haja casas com outro costume. Como sempre, o que vale dentro da sua casa é o que o dirigente ensina.
Posso cantar esse ponto em casa?
Cantar ponto com respeito, como saudação e oração, é costume antigo, e muita gente lembra dos guardiões pedindo proteção para a casa e os caminhos. O que não se faz por conta própria é abrir gira, chamar entidade para incorporar, montar tronqueira ou fazer oferenda de Esquerda sem orientação, porque isso pede corrente, preparo e dirigente responsável. Se sentir vontade de ir além da saudação, procure uma casa séria e converse.