Ponto cantado · Exus e Pombagiras (Povo da Rua)

Ponto de Exu: Lá na Porteira Eu Deixei Meu Sentinela

Lá na porteira eu deixei meu sentinela

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Vídeo: EXÚ - LÁ NA PORTEIRA EU DEIXEI MEU SENTINELA / DE CERTO TEM MORADOR, canal Pontos de Umbanda (YouTube). Os direitos da gravação pertencem ao autor/canal; reproduzido aqui via player oficial do YouTube.
Exus e Pombagiras (Povo da Rua)Esquerda

Letra do ponto

Lá na porteiraEu deixei meu sentinela. (2x)Eu deixei todos os ExusTomando conta da cancela.Lá na porteiraEu deixei meu sentinela. (2x)Eu deixei as PombagirasTomando conta da cancela.

Letra de tradição oral; pode variar de casa para casa.

Significado

Este é um ponto de saudação e de confiança. Quem canta lá na porteira eu deixei meu sentinela está dizendo que a entrada do terreiro não fica sem guarda: na porteira e na cancela ficam os Exus e as Pombagiras, o Povo da Rua, tomando conta de quem entra e de quem sai.

Na Umbanda, Exu é entendido como guardião. Ele trabalha na fronteira entre a rua e o espaço sagrado, entre o mundo de fora e a corrente, e por isso é chamado de sentinela, de vigia, de dono da porteira. Longe da imagem do diabo que o preconceito espalhou, as casas veem Exu como o protetor que segura as cargas pesadas e não deixa a desordem atravessar o portão.

A porteira e a cancela são imagens da roça, o portão de madeira por onde passam a boiada e a gente. No terreiro elas viram símbolo da entrada. Muitas casas mantêm ali a tronqueira, também chamada de casa de Exu, um pequeno espaço junto ao portão onde ficam as firmezas dos guardiões, com velas, ferramentas e oferendas.

A tronqueira funciona como um ponto de força e um filtro. É lá que a casa pede aos guardiões que recebam o que chega da rua e não deixem entrar o que atrapalha o trabalho. Cada terreiro tem o seu jeito de montar e cuidar dela, e esse fundamento fica com o dirigente.

A letra é curta e repetida, como quase todo ponto da Esquerda. Na primeira parte, eu deixei todos os Exus tomando conta da cancela. Na segunda, a mesma promessa vale para as Pombagiras, lembrando que a guarda é feita pelas duas forças, a masculina e a feminina. A repetição firma a ideia na corrente: a porta está vigiada e o trabalho pode seguir em paz.

Por isso, em muitas casas, a Esquerda é saudada antes de tudo. O dirigente ou o ogã pede licença a Exu, a vela da tronqueira é acesa e se canta para o Povo da Rua. A saudação mais conhecida é Laroiê, que as casas traduzem como salve o mensageiro, junto com Exu é Mojubá.

O preto e o vermelho são as cores mais ligadas à Esquerda, e a segunda-feira é o dia mais citado para o Povo da Rua, embora isso mude de casa para casa. Como todo ponto de tradição oral, a letra e a melodia variam, há versões que cantam eu deixei Exu tomando conta da cancela, e a versão que a sua gira canta é a que vale para você.

Quando se canta

Na saudação ao Povo da Rua, os Exus e as Pombagiras que guardam a entrada do terreiro, quase sempre no começo dos trabalhos, quando a casa pede licença à Esquerda e firma os guardiões antes de abrir a gira. Muitas casas cantam também na gira de Esquerda, na chegada dos Exus e das Pombagiras, junto à tronqueira, quando se acende a vela da porteira, e em momentos de pedido de proteção, sempre na ordem que o dirigente definir.

Perguntas frequentes

O que significa o ponto de exu: lá na porteira eu deixei meu sentinela?
Este é um ponto de saudação e de confiança. Quem canta lá na porteira eu deixei meu sentinela está dizendo que a entrada do terreiro não fica sem guarda: na porteira e na cancela ficam os Exus e as Pombagiras, o Povo da Rua, tomando conta de quem entra e de quem sai. Na Umbanda, Exu é entendido como guardião. Ele trabalha na fronteira entre a rua e o espaço sagrado, entre o mundo de fora e a corrente, e por isso é chamado de sentinela, de vigia, de dono da porteira. Longe da imagem do diabo que o preconceito espalhou, as casas veem Exu como o protetor que segura as cargas pesadas e não deixa a desordem atravessar o portão. A porteira e a cancela são imagens da roça, o portão de madeira por onde passam a boiada e a gente. No terreiro elas viram símbolo da entrada. Muitas casas mantêm ali a tronqueira, também chamada de casa de Exu, um pequeno espaço junto ao portão onde ficam as firmezas dos guardiões, com velas, ferramentas e oferendas. A tronqueira funciona como um ponto de força e um filtro. É lá que a casa pede aos guardiões que recebam o que chega da rua e não deixem entrar o que atrapalha o trabalho. Cada terreiro tem o seu jeito de montar e cuidar dela, e esse fundamento fica com o dirigente. A letra é curta e repetida, como quase todo ponto da Esquerda. Na primeira parte, eu deixei todos os Exus tomando conta da cancela. Na segunda, a mesma promessa vale para as Pombagiras, lembrando que a guarda é feita pelas duas forças, a masculina e a feminina. A repetição firma a ideia na corrente: a porta está vigiada e o trabalho pode seguir em paz. Por isso, em muitas casas, a Esquerda é saudada antes de tudo. O dirigente ou o ogã pede licença a Exu, a vela da tronqueira é acesa e se canta para o Povo da Rua. A saudação mais conhecida é Laroiê, que as casas traduzem como salve o mensageiro, junto com Exu é Mojubá. O preto e o vermelho são as cores mais ligadas à Esquerda, e a segunda-feira é o dia mais citado para o Povo da Rua, embora isso mude de casa para casa. Como todo ponto de tradição oral, a letra e a melodia variam, há versões que cantam eu deixei Exu tomando conta da cancela, e a versão que a sua gira canta é a que vale para você.
Quando se canta esse ponto?
Na saudação ao Povo da Rua, os Exus e as Pombagiras que guardam a entrada do terreiro, quase sempre no começo dos trabalhos, quando a casa pede licença à Esquerda e firma os guardiões antes de abrir a gira. Muitas casas cantam também na gira de Esquerda, na chegada dos Exus e das Pombagiras, junto à tronqueira, quando se acende a vela da porteira, e em momentos de pedido de proteção, sempre na ordem que o dirigente definir.
Posso cantar esse ponto em casa?
Pode, com respeito e fé. Os pontos cantados são orações em forma de música; cantar em casa ajuda a firmar a fé e a sintonia. Para trabalhos de terreiro, siga sempre a orientação do dirigente da sua casa, pois cada terreiro tem seu fundamento e a letra pode variar.
A letra é sempre igual?
Não. Os pontos são de tradição oral e variam de casa para casa, com pequenas diferenças de letra e melodia. A versão aqui é uma das mais conhecidas; a da sua casa pode ter variações.
Quem são os Exus e as Pombagiras na Umbanda?
São os guias da Esquerda, também chamados de Povo da Rua. Na Umbanda eles são entendidos como guardiões e trabalhadores da lei, que protegem o terreiro e os médiuns, cortam demandas, abrem caminhos e lidam com as cargas mais pesadas. Os Exus trazem a força masculina e as Pombagiras a feminina. Cada casa tem o seu fundamento sobre eles, e quem explica a Esquerda da sua casa é o dirigente dela.
O que significa o ponto Lá na porteira eu deixei meu sentinela?
É um ponto de saudação e de confiança na proteção da Esquerda. Ele diz que os Exus e as Pombagiras ficaram de sentinela na porteira, tomando conta da cancela, ou seja, guardando a entrada do terreiro. Cantar esse ponto é reconhecer o trabalho dos guardiões e firmar a certeza de que a porta da casa está vigiada.
O que são a porteira e a cancela no ponto?
São imagens da roça: a porteira e a cancela são os portões de madeira por onde se entra numa fazenda ou num pasto. No terreiro elas representam a entrada da casa, a fronteira entre a rua e o espaço sagrado. É nessa fronteira que a Umbanda coloca Exu, o guardião que decide o que passa e o que fica do lado de fora.
O que é a tronqueira?
A tronqueira, também chamada de casa de Exu, é um pequeno espaço perto do portão do terreiro onde ficam as firmezas dos guardiões, com velas, ferramentas e oferendas. Ela funciona como ponto de força e de proteção da casa. Nem todo terreiro tem tronqueira do mesmo jeito, e montar ou mexer nela é fundamento do dirigente, não algo para fazer por conta própria.
Quando se canta este ponto na gira?
Na maior parte das casas ele é cantado na saudação à Esquerda, no começo dos trabalhos, quando se pede licença aos guardiões e se acende a vela da tronqueira. Também aparece na gira de Exu e Pombagira, na chegada do Povo da Rua. A ordem dos pontos é sempre definida pelo dirigente.
Qual é a saudação de Exu e da Pombagira?
A saudação mais conhecida é Laroiê, que as casas traduzem como salve o mensageiro, e também se ouve muito Exu é Mojubá. Para as Pombagiras se canta Laroiê Pombagira ou Saravá Pombagira, conforme a casa. A grafia muda de caderno para caderno, como Laroyê e Laroiê, e nenhuma delas é errada.
Exu é o diabo?
Não. Essa associação nasceu do preconceito e de leituras de fora da religião. Na Umbanda, Exu é guardião, mensageiro e trabalhador da lei, que protege a casa e os médiuns e ajuda a enfrentar as dificuldades da vida. Por isso ele fica na porteira: não para fazer o mal, mas para impedir que o mal entre.
Qual é a cor e o dia do Povo da Rua?
As cores mais ligadas à Esquerda são o preto e o vermelho, presentes nas velas, nas guias e nas roupas de muitos terreiros. O dia mais citado é a segunda-feira, embora haja casas com outro costume. Como sempre, o que vale dentro da sua casa é o que o dirigente ensina.
Posso cantar esse ponto em casa?
Cantar ponto com respeito, como saudação e oração, é costume antigo, e muita gente lembra dos guardiões pedindo proteção para a casa e os caminhos. O que não se faz por conta própria é abrir gira, chamar entidade para incorporar, montar tronqueira ou fazer oferenda de Esquerda sem orientação, porque isso pede corrente, preparo e dirigente responsável. Se sentir vontade de ir além da saudação, procure uma casa séria e converse.
Conteúdo informativo e de fé. Os pontos cantados são de tradição oral e variam de casa para casa, na letra e na melodia. Os vídeos são de canais do YouTube, com os devidos créditos, e cada autor mantém os direitos da sua gravação. Para o uso ritual, siga sempre a orientação do dirigente do seu terreiro.
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