Ponto cantado · Baianos (Seu Chapéu de Couro e o povo da Bahia)

Ponto de Baiano: Ele Arrebenta a Sapucaia

Ele é baiano, ele arrebenta a sapucaia

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Baianos (Seu Chapéu de Couro e o povo da Bahia)Baianos

Letra do ponto

Saravá, Bahia!Ele é baiano, ele arrebenta a sapucaia,ele é baiano, ele arrebenta a sapucaia.Ê ê ê, meu pai, ele arrebenta a sapucaia,ê ê ê, meu pai, ele arrebenta a sapucaia.Ele é da Bahia, esse baiano vale ouro,ele é da Bahia, salve seu Chapéu de Couro!

Letra de tradição oral; pode variar de casa para casa.

Significado

Este é um dos pontos de Baiano mais antigos e mais cantados nos terreiros, de autoria desconhecida e passado de curimba em curimba, como todo ponto de raiz. Ele aparece em cadernos e páginas de ponto de casas de vários estados, quase sempre com o mesmo refrão e com pequenas mudanças na abertura.

A sapucaia é uma árvore nativa da Bahia e de outras matas do Brasil. O fruto dela é uma cuia grossa e dura, com tampa, que guarda castanhas por dentro. Quem conhece a sapucaia sabe que não é qualquer mão que abre aquela casca.

Por isso o verso pesa tanto. Dizer que o baiano arrebenta a sapucaia é dizer que ele tem força para abrir o que parece fechado: o caminho travado, a demanda antiga, a situação que ninguém consegue resolver. É a mesma imagem do coco quebrado, que tantas casas usam nos trabalhos dos Baianos.

Essa ligação é tão forte que uma dissertação de antropologia sobre os Baianos na Umbanda, defendida na UFGD em 2019, tomou emprestado o verso para o título: Quebra o coco e arrebenta a sapucaia. O estudo acompanha o ritual da quebra do coco num terreiro e mostra como a força bruta da imagem vira cuidado com quem chega pedindo ajuda.

A segunda parte muda de tom e vira louvação. Esse baiano vale ouro fala do valor de quem trabalha sem pose, com conselho direto e mão firme. Salve seu Chapéu de Couro saúda um dos nomes mais conhecidos da linha, ligado ao vaqueiro e ao homem do sertão, que traz no chapéu a marca de quem enfrentou sol, seca e estrada.

Os Baianos são espíritos que se apresentam com o jeito do povo do Nordeste, sobretudo da Bahia. Chegam alegres, falam com sotaque, gostam de coco, de dendê e de uma boa conversa, e são muito procurados para descarrego, quebra de demanda, abertura de caminho e conselho prático para a vida.

Na maior parte das casas, os Baianos trabalham na direita, ao lado de Caboclos e Pretos Velhos, e muitos terreiros os ligam à devoção ao Senhor do Bonfim. A saudação mais comum é salve o povo da Bahia, e o saravá Bahia que abre o ponto é uma forma dela. A regência espiritual da linha e as cores usadas variam bastante de raiz para raiz.

Como todo ponto de tradição oral, este tem muitas versões. Há casas que cantam se ele é baiano, outras que trocam o nome de Seu Chapéu de Couro pelo de um Baiano da casa, como Zé do Coco ou Severino, e outras que emendam o refrão com outro ponto da Bahia. A versão que a sua gira canta é a que vale para você.

Quando se canta

Na gira dos Baianos, na chegada da linha, quando a curimba chama o povo da Bahia e a corrente responde com o saravá Bahia. É um ponto curto, de refrão fácil, que a assistência aprende na primeira vez que ouve.

Muitas casas cantam também para saudar Seu Chapéu de Couro, um dos Baianos mais lembrados nos terreiros, e nos trabalhos de descarrego e de quebra de demanda, que são marcas da linha. Há casas que o usam para sustentar a gira enquanto os Baianos dão consulta.

O toque varia conforme a raiz. Há curimbas que levam este ponto num samba de caboclo, outras num ritmo de coco ou de samba de roda, sempre mais solto e alegre. A ordem dos pontos e o número de repetições são do dirigente e do ogã da casa.

Perguntas frequentes

O que significa o ponto de baiano: ele arrebenta a sapucaia?
Este é um dos pontos de Baiano mais antigos e mais cantados nos terreiros, de autoria desconhecida e passado de curimba em curimba, como todo ponto de raiz. Ele aparece em cadernos e páginas de ponto de casas de vários estados, quase sempre com o mesmo refrão e com pequenas mudanças na abertura. A sapucaia é uma árvore nativa da Bahia e de outras matas do Brasil. O fruto dela é uma cuia grossa e dura, com tampa, que guarda castanhas por dentro. Quem conhece a sapucaia sabe que não é qualquer mão que abre aquela casca. Por isso o verso pesa tanto. Dizer que o baiano arrebenta a sapucaia é dizer que ele tem força para abrir o que parece fechado: o caminho travado, a demanda antiga, a situação que ninguém consegue resolver. É a mesma imagem do coco quebrado, que tantas casas usam nos trabalhos dos Baianos. Essa ligação é tão forte que uma dissertação de antropologia sobre os Baianos na Umbanda, defendida na UFGD em 2019, tomou emprestado o verso para o título: Quebra o coco e arrebenta a sapucaia. O estudo acompanha o ritual da quebra do coco num terreiro e mostra como a força bruta da imagem vira cuidado com quem chega pedindo ajuda. A segunda parte muda de tom e vira louvação. Esse baiano vale ouro fala do valor de quem trabalha sem pose, com conselho direto e mão firme. Salve seu Chapéu de Couro saúda um dos nomes mais conhecidos da linha, ligado ao vaqueiro e ao homem do sertão, que traz no chapéu a marca de quem enfrentou sol, seca e estrada. Os Baianos são espíritos que se apresentam com o jeito do povo do Nordeste, sobretudo da Bahia. Chegam alegres, falam com sotaque, gostam de coco, de dendê e de uma boa conversa, e são muito procurados para descarrego, quebra de demanda, abertura de caminho e conselho prático para a vida. Na maior parte das casas, os Baianos trabalham na direita, ao lado de Caboclos e Pretos Velhos, e muitos terreiros os ligam à devoção ao Senhor do Bonfim. A saudação mais comum é salve o povo da Bahia, e o saravá Bahia que abre o ponto é uma forma dela. A regência espiritual da linha e as cores usadas variam bastante de raiz para raiz. Como todo ponto de tradição oral, este tem muitas versões. Há casas que cantam se ele é baiano, outras que trocam o nome de Seu Chapéu de Couro pelo de um Baiano da casa, como Zé do Coco ou Severino, e outras que emendam o refrão com outro ponto da Bahia. A versão que a sua gira canta é a que vale para você.
Quando se canta esse ponto?
Na gira dos Baianos, na chegada da linha, quando a curimba chama o povo da Bahia e a corrente responde com o saravá Bahia. É um ponto curto, de refrão fácil, que a assistência aprende na primeira vez que ouve. Muitas casas cantam também para saudar Seu Chapéu de Couro, um dos Baianos mais lembrados nos terreiros, e nos trabalhos de descarrego e de quebra de demanda, que são marcas da linha. Há casas que o usam para sustentar a gira enquanto os Baianos dão consulta. O toque varia conforme a raiz. Há curimbas que levam este ponto num samba de caboclo, outras num ritmo de coco ou de samba de roda, sempre mais solto e alegre. A ordem dos pontos e o número de repetições são do dirigente e do ogã da casa.
Posso cantar esse ponto em casa?
Pode, com respeito e fé. Os pontos cantados são orações em forma de música; cantar em casa ajuda a firmar a fé e a sintonia. Para trabalhos de terreiro, siga sempre a orientação do dirigente da sua casa, pois cada terreiro tem seu fundamento e a letra pode variar.
A letra é sempre igual?
Não. Os pontos são de tradição oral e variam de casa para casa, com pequenas diferenças de letra e melodia. A versão aqui é uma das mais conhecidas; a da sua casa pode ter variações.
Qual a letra do ponto Ele arrebenta a sapucaia?
A versão mais cantada abre com saravá Bahia e segue: ele é baiano, ele arrebenta a sapucaia, ê ê ê, meu pai, ele arrebenta a sapucaia, e fecha com ele é da Bahia, esse baiano vale ouro, salve seu Chapéu de Couro. Cada parte costuma ser repetida duas vezes, e a letra muda um pouco de casa para casa.
O que é a sapucaia?
É uma árvore nativa da Bahia e de outras matas brasileiras, da família da castanha do Pará. O fruto é uma cuia grossa e dura, com uma tampa, que guarda castanhas comestíveis por dentro. É difícil de abrir, e é daí que vem a força do verso.
O que significa arrebentar a sapucaia?
Na leitura das casas, é ter força para abrir o que parece fechado: caminho travado, demanda antiga, situação sem saída. É a mesma ideia do coco quebrado, muito presente nos trabalhos dos Baianos, sempre usada para limpar e destravar, nunca para fazer mal.
Quem é Seu Chapéu de Couro?
É um dos Baianos mais lembrados nos terreiros, ligado à figura do vaqueiro e do homem do sertão, que usa o chapéu de couro contra o sol e a estrada. Cada casa conta a história dele de um jeito, e o fundamento do Chapéu de Couro da sua casa quem explica é o dirigente.
Quem são os Baianos na Umbanda?
São espíritos que se apresentam com o jeito do povo do Nordeste, sobretudo da Bahia. Chegam alegres, falam com sotaque, trabalham com coco, dendê, fumo e conselho direto, e são muito procurados para descarrego, quebra de demanda e abertura de caminhos.
Quando se canta esse ponto na gira?
Na gira dos Baianos, na chegada da linha e para sustentar a corrente durante as consultas. Muitas casas cantam também para saudar Seu Chapéu de Couro e nos trabalhos de descarrego. A ordem dos pontos e o toque são sempre definidos pelo dirigente e pelo ogã.
Qual a saudação dos Baianos?
A mais comum é salve o povo da Bahia, e o saravá Bahia que abre este ponto é uma forma dela. Há casas que usam também salve a Bahia ou saravá os Baianos. Não existe uma saudação única para a linha, e o costume da sua casa é o que vale dentro dela.
Esse ponto tem autor?
Não há autoria conhecida. Ele é de tradição oral, foi passado de terreiro para terreiro e aparece em páginas e cadernos de ponto de muitas casas, com pequenas diferenças de letra e de toque. O vídeo indicado aqui traz uma dessas versões, com crédito ao canal que a publicou.
Posso cantar esse ponto em casa?
Pode. Cantar ponto com respeito, como saudação e oração, é costume antigo, e muita gente canta para os Baianos pedindo força para resolver o que está travado. O que não se faz por conta própria é abrir gira, chamar Baiano para incorporar ou conduzir trabalho. Para isso, procure uma casa séria.
Conteúdo informativo e de fé. Os pontos cantados são de tradição oral e variam de casa para casa, na letra e na melodia. Os vídeos são de canais do YouTube, com os devidos créditos, e cada autor mantém os direitos da sua gravação. Para o uso ritual, siga sempre a orientação do dirigente do seu terreiro.
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