Ponto de Baiano: Baiano Bom É o que Sabe Trabalhar
Baiano bom, baiano bom é o que sabe trabalhar
Ouça o ponto
Letra do ponto
Letra de tradição oral; pode variar de casa para casa.
Significado
Baiano bom é o que sabe trabalhar é um ponto de Baiano de tradição oral, sem autor conhecido, cantado há muito tempo nos terreiros de Umbanda e registrado em coletâneas de pontos de raiz. Como todo ponto antigo, aparece com pequenas mudanças de palavra e de melodia de uma casa para outra.
A primeira parte já diz quem é o Baiano. Não é o que fala bonito nem o que promete muito: baiano bom é o que sabe trabalhar. Os Baianos chegam na gira alegres, falantes, com ginga, mas por trás da festa existe um trabalho sério de conselho, descarrego e quebra de demanda. O ponto lembra que a alegria deles está a serviço da caridade.
A segunda parte traz uma cena do cotidiano nordestino: subir no coqueiro, tirar o coco e beber a água. Subir no coqueiro pede coragem, equilíbrio e jeito, coisa de quem conhece o ofício. É uma imagem simples e muito querida da linha, que tem no coco, na água de coco e no coqueiro alguns de seus elementos mais conhecidos.
E então vem o verso que faz a corrente sorrir: bebe a água e deixa o coco no lugar. Parece uma charada, e muitas casas cantam com graça justamente por isso. Uma leitura comum é a da mandinga do Baiano, que resolve o que precisa ser resolvido sem bagunçar nada, sem deixar rastro e sem fazer estardalhaço.
Outra leitura, muito ouvida nas conversas de terreiro, é a do respeito. O bom trabalhador pega só o que precisa e deixa o resto em ordem. Vale para a natureza, para a casa de quem pede ajuda e para a vida de quem é atendido: o Baiano tira a carga, leva o que pesa e deixa a pessoa inteira, no seu lugar.
Os Baianos são uma linha de trabalho da Umbanda que se apresenta com a cultura do povo do Nordeste, sobretudo da Bahia. Muitos autores e casas os descrevem como espíritos de pessoas simples, devotas e trabalhadoras, que unem a fé no Senhor do Bonfim ao conhecimento dos Orixás. São muito procurados para conselho direto, coragem e solução de problemas práticos.
A saudação mais usada é É da Bahia, ou Saravá Bahia, com variações de casa para casa. O amarelo é a cor mais lembrada da linha, e muitas casas usam também o branco e o vermelho. Há terreiros que ligam os Baianos à vibração de Iansã, outros a Oxalá ou a mais de um Orixá. Nenhuma dessas leituras é regra: vale o fundamento da sua casa.
A letra ganha variações. Há quem cante baiano bom é quem sabe trabalhar, há casas que acrescentam um É da Bahia no fim de cada volta e há quem repita a segunda parte mais vezes enquanto os Baianos dançam. A versão que a sua casa canta é a que vale para você, e o toque fica a cargo da curimba do terreiro.
Quando se canta
Na gira dos Baianos, logo depois da chegada da linha, quando a corrente já saudou o povo da Bahia e a curimba pede um ponto de andamento alegre para sustentar o trabalho. É um ponto curto, de refrão fácil, que a assistência aprende e responde já na segunda volta.
Muitas casas o cantam enquanto os Baianos dão consulta, porque a letra fala justamente de trabalho bem feito. Também aparece em festas da linha, em giras de descarrego e de quebra de demanda, que são marcas dos Baianos, e em momentos em que o terreiro precisa levantar o ânimo da corrente.
O toque varia bastante. Há curimbas que levam este ponto num samba de roda ou num ritmo de coco, outras num toque mais firme, de acordo com a raiz da casa. A ordem dos pontos e quantas vezes cada parte se repete são sempre do dirigente e do ogã.






