
A quartinha é a vasilha de barro que guarda a água sagrada nos assentamentos e firmezas da Umbanda. Entenda o que é a quartinha, para que serve, por que é de barro e a diferença entre a quartinha com asa e sem asa.
A quartinha é uma daquelas peças que a gente vê no congá e nos assentamentos de quase todo terreiro e nem sempre sabe o nome. É a pequena vasilha de barro que guarda a água sagrada, o axé que mantém viva a força do Orixá. Entenda o que é a quartinha na Umbanda, para que ela serve, por que precisa ser de barro e o que muda entre a quartinha com asa e a sem asa.
O que é a quartinha
A quartinha é um pequeno vaso de barro ou cerâmica, geralmente com boca estreita, usado para guardar líquidos, quase sempre água. Nas religiões de matriz africana, ela é o recipiente que acompanha o assentamento do Orixá e guarda o que o povo de santo chama de Omin, a água, símbolo da vida e do axé. Na Umbanda, a quartinha aparece nos assentamentos, nas firmezas e nos altares, sempre ligada à ideia de manter a energia da divindade viva e refrescada.
Para que serve a quartinha
A quartinha serve, antes de tudo, para firmar e alimentar o assentamento. A água que ela guarda compõe o fundamento do Orixá, ao lado do otá, a pedra sagrada, e dos demais elementos. Essa água carrega o axé, absorve e equilibra as energias do ambiente e é oferecida à entidade como quem oferece o que há de mais essencial, a própria vida. Por isso a quartinha nunca deve ficar vazia nem seca: enquanto há água nela, há axé sendo mantido.
Por que a quartinha é de barro
A tradição pede que a quartinha seja de barro, e isso tem fundamento. O barro é poroso e, assim como a nossa pele, respira e transpira, deixando a água evaporar aos poucos. Essa evaporação é entendida como a respiração da divindade, a troca constante entre a força espiritual e o mundo material. O barro também liga a peça diretamente ao elemento terra, à natureza e à ancestralidade, algo que o vidro ou o plástico não trazem. Por isso a quartinha de barro é preferida à de qualquer outro material.
Quartinha com asa e sem asa
Um detalhe que muita gente não sabe é que o formato da quartinha costuma indicar a quem ela pertence. Em muitas casas, a quartinha sem asa é usada para os Orixás e guias de polaridade masculina, enquanto a quartinha com asa, ou com alça, é usada para os Orixás e guias de polaridade feminina. Essa regra pode variar de terreiro para terreiro, então o certo é sempre seguir a orientação do dirigente da sua casa, que conhece os fundamentos daquele assentamento.
A água e a troca da quartinha
A água da quartinha precisa ser trocada com regularidade, para não secar e nem estagnar. Trocar a água é um gesto de cuidado e de fé, um momento de renovar o axé e de manter a ligação com a espiritualidade. Cada casa tem a sua orientação sobre a frequência e a forma de fazer essa troca, muitas vezes acompanhada de reza e de saudação ao Orixá. Água parada, turva ou seca é sinal de que o assentamento está pedindo atenção.
Cuidados com a quartinha
A quartinha é um objeto sagrado e deve ser tratada com respeito. O ideal é que ela seja de uso exclusivo do assentamento a que pertence, sem servir para outras finalidades. Deve ficar em lugar firme e limpo, longe de quedas, e ser manuseada com reverência. Se quebrar, o próprio dirigente orienta como proceder. Mais do que um enfeite, a quartinha é a casa da água viva do Orixá, e o cuidado com ela é parte do cuidado com o próprio axé da casa.
Fontes e referências
Perguntas frequentes
O que é a quartinha na Umbanda?
Para que serve a quartinha?
Por que a quartinha precisa ser de barro?
Qual a diferença entre quartinha com asa e sem asa?
Com que frequência trocar a água da quartinha?
Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan são médiuns de um terreiro de Umbanda em São Paulo e mantêm o Axé Umbanda com fundamento, respeito à tradição e fontes confiáveis.
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