
Falange é o grupo de espíritos que trabalham juntos, sob o mesmo nome e com a mesma missão, dentro de uma linha da Umbanda. É por isso que existem muitos Caboclos Pena Branca e muitas Marias Padilha ao mesmo tempo.
Falange, na Umbanda, é um agrupamento de espíritos que trabalham juntos, com a mesma vibração, o mesmo tipo de missão e, muitas vezes, o mesmo nome, dentro de uma linha. É a palavra que explica uma dúvida muito comum de quem chega ao terreiro: como pode haver um Caboclo Pena Branca em tantas casas ao mesmo tempo? A resposta é que Pena Branca é nome de falange, e não de um espírito só.
Resposta rápida
Falange é um grupo de espíritos que trabalham juntos, sob um mesmo nome e uma mesma missão, dentro de uma linha da Umbanda. A linha é o agrupamento maior, regido por um Orixá. A falange é uma subdivisão dela, com um espírito chefe e muitos integrantes. O guia que se manifesta num médium é um integrante da falange, e é por isso que o mesmo nome aparece em terreiros diferentes, com personalidades parecidas mas não idênticas.
Linha, falange e guia: a diferença
A organização mais repetida nas casas de Umbanda funciona em três degraus, e entender isso resolve metade das dúvidas.
- Linha é o agrupamento maior, ligado a um Orixá ou a um tipo de trabalho. Exemplos: linha de Oxóssi, linha das Almas, linha de esquerda. Veja as sete linhas da Umbanda.
- Falange é o grupo dentro da linha, com nome, chefe e missão comuns. Exemplos: Caboclos Pena Branca, Pretos Velhos Pai Joaquim, Exus Tranca Ruas.
- Guia é o espírito que efetivamente trabalha com um médium, integrante de uma falange e com a sua história própria. Veja guias e entidades da Umbanda.
Algumas escolas usam ainda o termo legião, para um agrupamento de várias falanges, e subfalange, para divisões menores. Essa hierarquia detalhada varia de autor para autor e não é consenso entre as casas.
Por que tantos guias têm o mesmo nome
Um Caboclo Sete Flechas numa casa em Campinas e outro numa casa em Salvador não são o mesmo espírito se deslocando. São integrantes da mesma falange, que usam o nome dela porque trabalham sob o seu comando e com o seu tipo de força. O nome funciona como uma identidade coletiva, parecida com a de um regimento ou de uma família de ofício.
É por isso que as histórias contadas por cada guia podem ser diferentes. Um Preto Velho Pai Joaquim pode falar de uma vida na Bahia e outro, de uma vida em Minas Gerais, e os dois estarem certos, porque cada um viveu a sua história e hoje trabalha na mesma falange. A tradição trata essas diferenças com naturalidade, e não como contradição.
O chefe de falange
Cada falange tem um espírito chefe, que a tradição descreve como mais experiente e responsável pela organização do trabalho. Em muitas casas, quando um guia diz que é o próprio chefe, os mais velhos recebem a informação com cautela: é raro, e a humildade é marca dos espíritos de luz. O mais comum é o guia se apresentar como integrante, trabalhador da falange.
Na linha de esquerda, por exemplo, fala-se em Exus chefes de legião, que coordenam falanges inteiras. Essa leitura aparece em várias escolas, mas os nomes e a ordem mudam de autor para autor.
Exemplos de falanges conhecidas
A lista abaixo não é completa nem canônica, e cada casa pode trabalhar com falanges diferentes. Ela serve para mostrar como a ideia aparece na prática.
- Caboclos: Pena Branca, Sete Flechas, Tupinambá, Sete Encruzilhadas, Cabocla Jurema, Cabocla Jupira.
- Pretos Velhos: Pai Joaquim, Pai Benedito, Vovó Maria Conga, Vovó Cambinda, Vovó Catarina.
- Exus: Tranca Ruas, Tiriri, Sete Encruzilhadas, Marabô, Veludo, Caveira.
- Pombagiras: Maria Padilha, Maria Mulambo, Rainha das Sete Encruzilhadas, Cigana.
- Outras linhas: Zé Pilintra entre os Malandros, Martim Pescador entre os Marinheiros, Zé do Laço entre os Boiadeiros.
Como a casa reconhece a falange de um guia
O reconhecimento não vem de lista na internet. Nas casas sérias, ele acontece com o tempo, dentro do desenvolvimento mediúnico, pela forma como o guia se apresenta, pelo ponto riscado, pelo jeito de trabalhar e pela confirmação do dirigente. Um médium novo não precisa saber o nome do seu guia logo de cara, e a pressa costuma atrapalhar mais que ajudar.
Mitos comuns sobre falanges
- Falange não é espírito dividido em pedaços. São muitos espíritos, cada um com a sua individualidade, trabalhando juntos.
- Nome famoso não é garantia de força maior. Um guia de falange pouco conhecida trabalha com a mesma seriedade.
- Falange não é igual a Orixá. Orixá é força da natureza e divindade; falange é grupo de espíritos que trabalham sob a irradiação de um Orixá.
Em resumo
Falange é o grupo de espíritos que trabalham juntos, sob um mesmo nome e uma mesma missão, dentro de uma linha da Umbanda. A linha é o conjunto maior, a falange é a equipe e o guia é o trabalhador que se manifesta no médium. É isso que explica por que tantos terreiros têm um Pena Branca, um Pai Joaquim ou uma Maria Padilha, e por que cada um conta a sua própria história.
Fontes e referências
Perguntas frequentes
O que é falange na Umbanda?
Qual a diferença entre linha e falange?
Por que existem vários guias com o mesmo nome?
O guia que incorpora é o chefe da falange?
O que é legião na Umbanda?
Como saber de qual falange é o meu guia?
Exu também tem falange?
Falange é a mesma coisa que Orixá?
As histórias de guias da mesma falange podem ser diferentes?
Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan são médiuns de um terreiro de Umbanda em São Paulo e mantêm o Axé Umbanda com fundamento, respeito à tradição e fontes confiáveis.
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