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Favas dos Orixás na Umbanda: fava de Exu, de Oxum, de Ogum e para que serve cada uma

Fava de Exu, fava de Oxum e fava de Ogum estão entre as buscas que mais cresceram no último mês. Este texto explica o que é uma fava de Orixá, qual o fundamento por trás dela, como as casas costumam usar cada uma, por que os nomes mudam de loja para loja e quais cuidados são obrigatórios, porque várias dessas sementes são tóxicas.

Por Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan·23 de setembro de 2026·10 min de leitura
Favas dos Orixás na Umbanda: fava de Exu, de Oxum, de Ogum e para que serve cada uma
Resposta rápida

Fava de Exu, fava de Oxum e fava de Ogum estão entre as buscas que mais cresceram no último mês. Este texto explica o que é uma fava de Orixá, qual o fundamento por trás dela, como as casas costumam usar cada uma, por que os nomes mudam de loja para loja e quais cuidados são obrigatórios, porque várias dessas sementes são tóxicas.

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As favas dos Orixás são sementes e vagens consagradas a cada Orixá e usadas inteiras ou raladas em pó em assentamentos, oferendas, amacis, banhos e patuás. Nas casas de matriz africana, a fava é entendida como semente de vida e de ancestralidade, a primeira dádiva que a terra devolve. Este texto reúne as favas mais conhecidas, a de Exu, a de Oxum, a de Ogum e as dos outros Orixás, explica como cada uma costuma ser usada e deixa claro onde as casas divergem e onde mora o perigo.

Resposta rápida

A fava de Orixá é uma semente ligada à força de um Orixá ou de uma linha, usada inteira (em assentamentos, oferendas e patuás) ou ralada em pó (soprada em oferendas, nos cantos da casa ou misturada a banhos e amacis). A fava de Exu é usada para proteção e abertura de caminhos, sobretudo em assentamentos. A fava de Oxum, chamada de fava do amor, entra em banhos e oferendas de amor e prosperidade, muitas vezes em pó soprado sobre a oferenda. A fava de Ogum é usada em assentamentos e oferendas do Orixá e, na porta de casa, para afastar demandas. Os nomes são populares e mudam de loja para loja, então a mesma semente pode ter nomes diferentes. Fava de Orixá não é alimento: várias são tóxicas e nunca devem ser mastigadas, engolidas ou deixadas ao alcance de crianças e animais. Assentamento e consagração são trabalho do dirigente da casa, não de receita da internet.

O que é uma fava de Orixá e qual o seu fundamento

No uso das casas, fava é o nome genérico dado a sementes e vagens consagradas aos Orixás. Algumas são favas no sentido botânico, de vagem de leguminosa. Muitas não são: o nome ficou pelo costume, e hoje chama-se de fava praticamente toda semente ritual vendida em casa de artigos religiosos.

O fundamento é o da semente. A fava guarda dentro de si a planta inteira que ainda não nasceu, e por isso é lida como símbolo de vida, de continuidade e de ancestralidade. Nos textos das próprias casas ela aparece como o embrião, a primeira dádiva que vem de baixo da terra, e o pó da fava é comparado à semente que garante a posteridade. É essa ideia que explica por que a fava entra no assentamento: ela carrega axé que continua vivo.

Na prática, há duas formas de uso:

  • Fava inteira, colocada em assentamentos, em oferendas, em patuás e em firmezas.
  • Fava ralada em pó, soprada sobre a oferenda, nos cantos do terreiro ou da casa, ou misturada em banhos e amacis, conforme o fundamento de cada casa.

Vale registrar uma diferença de peso. No Candomblé, as favas têm lugar central, inclusive nos ritos de iniciação. Na Umbanda, o uso varia muito: há casas que trabalham com favas em assentamentos e amacis e há casas que simplesmente não usam. Nenhuma das duas está errada, e isso é sempre decidido pelo dirigente.

Fava de Exu: para que serve

A fava de Exu é ligada ao guardião dos caminhos e das encruzilhadas. É uma das sementes mais procuradas, e o uso mais citado é em assentamentos de Exu, para potencializar a força de proteção e de abertura de caminhos do que está sendo feito. Também aparece em oferendas e em trabalhos de proteção, ao lado dos elementos já conhecidos da linha, como marafo, charuto e pimenta, e na oferenda de Exu.

Ao redor dela circulam outras sementes da mesma família de uso, e é aqui que a confusão de nomes começa:

  • Olho de Exu, também chamado de olho de cabra: semente vermelha com uma mancha preta, usada para Exu e para Pombagira como amuleto de proteção e defesa contra trabalhos negativos e olho grande. O olho de cabra mais citado é a semente da Ormosia arborea, árvore nativa do Brasil.
  • Garra de Exu, também chamada de unha de Pombagira: usada em obrigações, assentamentos e oferendas, associada à proteção contra falsidade e traição.
  • Fava dedo de Exu, vendida com esse nome em algumas lojas, com o mesmo campo de uso.

Uma observação que evita confusão: a fava ligada a Exu não é objeto de medo nem de "trabalho pesado". Exu, na Umbanda, é guardião, e a semente dele serve à proteção. Para entender as diferenças entre Exu Orixá e Exu entidade, leia tipos de Exu na Umbanda.

Fava de Oxum: a fava do amor

A fava de Oxum é conhecida como fava do amor. É ligada à Orixá das águas doces, do amor, da beleza e da prosperidade, e é usada em banhos e oferendas para atrair prosperidade, harmonia afetiva e proteção contra energias negativas.

O uso mais característico é em pó: nas oferendas para o amor, a fava de Oxum é ralada e o pó é soprado sobre a oferenda, no momento do pedido. Inteira, ela também entra em assentamentos da Orixá e em patuás de quem é filho de Oxum.

Lojas diferentes vendem sementes diferentes com o nome de fava de Oxum, e as casas reconhecem mais de um tipo, com o mesmo uso. Se você for usar em oferenda, siga o passo a passo da oferenda de Oxum e, para banho, o banho de Oxum. O pó entra no final, como gesto, e não como ingrediente de chá. Para saber mais da Orixá, veja a página de Oxum.

Fava de Ogum: proteção e corte de demanda

A fava de Ogum é usada em assentamentos e oferendas do Orixá, potencializando a energia de proteção e de axé do trabalho. Um uso muito citado é o de colocar a fava de Ogum na porta de casa para afastar demandas, coerente com o Orixá que guarda a entrada e abre os caminhos.

As casas reconhecem mais de um tipo de fava de Ogum. Um deles é mais usado em patuás e em amacis para os filhos de Ogum, o que ajuda a explicar a busca crescente por patuá de Ogum. Patuá, lembrando, não é saquinho decorativo: é firmeza preparada e consagrada, de preferência pela casa de quem vai usar.

Para a devoção completa ao Orixá, veja a página de Ogum, a oferenda de Ogum e o banho de Ogum.

As favas dos outros Orixás

Cada Orixá tem uma ou mais favas associadas, e a lista abaixo reúne as mais citadas. Os nomes são os usados em casas e lojas, e a correspondência entre nome e semente pode variar.

  • Oxóssi: a pinha de Oxóssi, ligada à prosperidade, à vitória pela estratégia e ao bem querer, usada inteira ou em pó em assentamentos, banhos e oferendas; e a fava chamada ayò, associada à prosperidade e à coragem, usada em obrigações e banhos de abertura de caminhos. Veja Oxóssi.
  • Xangô: o alibé, semente de árvore considerada sagrada na África, ligada à prosperidade nos negócios, à proteção contra demanda e inveja e às questões de justiça. Veja Xangô.
  • Iemanjá: a fava conhecida como ègboyia, frágil, vendida envolta em algodão. É tratada como comida da Orixá, servida preparada, e em ritos de fortalecimento do ori. Veja Iemanjá.
  • Iansã: usada em oferendas, amacis e banhos de descarrego, associada à proteção contra inveja e desânimo. Há mais de um tipo, um deles chamado de flor de Iansã. Veja Iansã.
  • Nanã: citada em banhos e em pó dentro de patuás, com pedidos ligados à fertilidade e a desfazer trabalhos negativos. Existe também uma variedade roxa. Veja Nanã.
  • Omolu e Obaluaê: favas ligadas ao equilíbrio emocional e à saúde do corpo e da alma, usadas em banhos, assentamentos e oferendas. Veja Obaluaê.
  • Oxalá: também há fava vendida com o nome do Orixá, usada nas casas que trabalham com favas no culto dele. Veja Oxalá.

Três sementes de raiz africana merecem nota à parte porque aparecem muito, sobretudo no Candomblé:

  • Aridan (Tetrapleura tetraptera): vagem de quatro quinas, perfumada, ligada a Ossaim e considerada indispensável no pó de proteção dos ritos de iniciação do Candomblé.
  • Lelecum: fava usada nos ritos das nações de Candomblé, citada como elemento de ligação entre o Orun e o Aiyê e ligada a Omolu, Oxóssi e Oxalá.
  • Bejerecum: fava de uso ritual e também culinário, que entra no badofe baiano.

Como as casas usam as favas, e o que cabe a você

O que vem abaixo é referência, e não substitui a orientação do dirigente da sua casa, que é quem define o fundamento de cada trabalho.

  • Assentamento: é onde a fava tem mais peso, e é trabalho de casa, feito pelo dirigente ou sob orientação dele. Ninguém monta assentamento de Orixá ou de Exu sozinho, em casa, a partir de lista de internet.
  • Oferenda: a fava inteira pode compor a oferenda, ou o pó pode ser soprado sobre ela na hora do pedido. Siga a oferenda do Orixá correspondente.
  • Banho e amaci: o pó ou a fava entram em pequena quantidade, conforme o fundamento da casa. O banho é do pescoço para baixo, salvo orientação diferente do dirigente, e o amaci, que é para a cabeça, só se faz com orientação.
  • Patuá: a fava pode ir dentro do patuá, que deve ser preparado e consagrado. Um patuá montado sem firmeza é só um saquinho.
  • Pó soprado na casa: há casas que orientam soprar o pó da fava do Orixá nos cantos da casa para atrair fartura e proteção. Faça isso com a janela aberta e longe do rosto.

E um lembrete de sempre: a fava não trabalha sozinha. As próprias casas repetem que nada prospera sem mudança de atitude. A semente é firmeza, e o resto é conduta.

Cuidados: favas não são alimento, e algumas são venenosas

Esta é a seção que falta na maioria dos textos sobre favas, e ela não é opcional.

  • Nunca mastigue, chupe ou engula uma fava ritual. A maior parte dessas sementes não é alimento, e algumas são tóxicas. A exceção é quando a casa prepara uma comida de santo com uma fava específica, e isso é feito por quem conhece.
  • Cuidado com o olho de pombo. O jequiriti (Abrus precatorius), chamado de olho de pombo e às vezes também de olho de cabra, tem sementes vermelhas e pretas muito parecidas com as do olho de cabra de verdade, e contém abrina, uma das toxinas naturais mais potentes que se conhece. A semente inteira engolida costuma passar sem dano, mas semente quebrada, ralada ou mastigada pode causar intoxicação grave. Não rale e não use em pó sem saber exatamente que semente é.
  • Guarde longe de crianças e animais. Semente colorida chama atenção de criança pequena, e patuá aberto na bolsa vira brinquedo.
  • Ralar e moer pede cuidado. Use luvas e um ralador só para isso, não o da cozinha, e não aspire o pó.
  • Nome de loja não é identificação. A mesma semente muda de nome conforme a loja e a região, e sementes diferentes são vendidas com o mesmo nome. Compre em casa de confiança e pergunte.
  • Fava não substitui médico nem remédio. Nenhuma fava cura doença. A de Omolu, por exemplo, é firmeza espiritual, não tratamento.

Em caso de ingestão acidental, procure atendimento médico imediatamente e leve a semente ou a embalagem.

Fontes e referências

Perguntas frequentes

O que é fava de Orixá?
É uma semente ou vagem consagrada a um Orixá ou a uma linha, usada inteira em assentamentos, oferendas e patuás, ou ralada em pó para soprar sobre oferendas e nos cantos da casa, ou para compor banhos e amacis. O fundamento é o da semente, lida como vida, continuidade e ancestralidade.
Para que serve a fava de Exu?
Para proteção e abertura de caminhos. O uso mais citado é em assentamentos de Exu, para potencializar a força de proteção do que está sendo feito, e também em oferendas e trabalhos de proteção. Sementes parecidas, como o olho de Exu, também chamado de olho de cabra, e a garra de Exu, são usadas para Exu e para Pombagira como amuletos de defesa.
Para que serve a fava de Oxum?
É conhecida como fava do amor e é usada em banhos e oferendas para atrair prosperidade, harmonia afetiva e proteção contra energias negativas. Nas oferendas para o amor, costuma ser ralada e o pó é soprado sobre a oferenda no momento do pedido.
Para que serve a fava de Ogum?
É usada em assentamentos e oferendas de Ogum, potencializando a proteção e o axé do trabalho. Na porta de casa, é citada para afastar demandas. Um dos tipos de fava de Ogum é mais usado em patuás e amacis para os filhos do Orixá.
Posso carregar uma fava na bolsa ou na carteira?
Muitas pessoas carregam, geralmente dentro de um patuá preparado e consagrado pela casa. Fava solta, sem firmeza, é só uma semente. Se for carregar, prefira a orientação do dirigente da sua casa e mantenha fora do alcance de crianças.
Como fazer o pó da fava?
A fava é ralada, com luvas, em um ralador reservado só para uso ritual, nunca no da cozinha. O pó não deve ser aspirado nem levado à boca. Não rale sementes que você não sabe identificar, porque algumas, como o olho de pombo, liberam toxina quando quebradas.
Fava de Orixá é venenosa?
Algumas são. A maior parte das favas rituais não é alimento, e o jequiriti, chamado de olho de pombo, contém abrina, uma toxina muito potente, liberada quando a semente é quebrada, ralada ou mastigada. Nunca mastigue ou engula uma fava e guarde longe de crianças e animais.
Olho de cabra e olho de pombo são a mesma coisa?
Não. O olho de cabra mais citado nas casas é a semente da Ormosia arborea, vermelha com mancha preta, usada como olho de Exu. O olho de pombo é o jequiriti, Abrus precatorius, de semente menor, também vermelha e preta, e muito tóxico. Como os nomes populares se misturam, compre em casa de confiança e pergunte.
Toda casa de Umbanda usa favas?
Não. As favas têm papel central no Candomblé, inclusive na iniciação. Na Umbanda o uso varia: há casas que trabalham com favas em assentamentos, amacis e patuás, e há casas que não usam. As duas formas são legítimas, e quem decide é o dirigente.
Posso fazer assentamento com fava em casa sozinho?
Não é recomendado. Assentamento é firmeza de casa, feito pelo dirigente ou sob orientação dele, com fundamento, ordem e responsabilidade. O que cabe ao devoto em casa são oferendas simples, banhos e a vela, seguindo o passo a passo de cada Orixá.
Qual a fava de Xangô, de Iemanjá e de Oxóssi?
Para Xangô, a mais citada é o alibé, ligada à prosperidade nos negócios e à justiça. Para Iemanjá, a ègboyia, vendida envolta em algodão e tratada como comida da Orixá. Para Oxóssi, a pinha de Oxóssi e a fava chamada ayò, ligadas à prosperidade e à abertura de caminhos.
O que é fava de aridan?
É a vagem da Tetrapleura tetraptera, árvore africana, de quatro quinas e perfume forte. É ligada a Ossaim e considerada indispensável no pó de proteção dos ritos de iniciação do Candomblé. Na Umbanda aparece menos, conforme a casa.
Axé Umbanda
Escrito porWeverton Pansan e Maria Amélia Pansan

Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan são médiuns de um terreiro de Umbanda em São Paulo e mantêm o Axé Umbanda com fundamento, respeito à tradição e fontes confiáveis.

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Conteúdo informativo e de fé, escrito com respeito à tradição e baseado nas fontes citadas. A Umbanda varia de casa para casa; em caso de dúvida, procure sempre o dirigente do seu terreiro. Este texto não substitui orientação médica, jurídica ou psicológica.
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