Oração para Quem Partiu
Luz e amparo aos que desencarnaram, na linha das Almas

A oração para quem partiu pede a Deus, a Omulu e à linha das Almas que o espírito de quem se foi receba luz, amparo e entendimento na nova morada, e que quem ficou aprenda a chorar sem prender, guardando a saudade sem revolta. Reze no dia da partida, no sétimo dia e sempre que a saudade apertar.
Oração para Quem Partiu
O significado desta oração
Na Umbanda, a morte do corpo não é o fim da vida, é o fim de um ciclo. Chama se alma o espírito enquanto habita o corpo de carne, e espírito quando ele perde esse envoltório. Não há céu nem inferno eternos: há regiões de recolhimento, regiões de evolução e, no tempo certo, o retorno em nova encarnação. Por isso rezar por quem partiu não é saudosismo, é caridade: é ajudar quem seguiu viagem, com luz e com prece, no momento em que ele mais precisa entender onde está.
O fundamento coloca Omulu no centro dessa passagem. Ele é apontado como o senhor da morte, aquele que corta o cordão de prata que liga o corpo material ao corpo espiritual, e é a Obaluaiê, o senhor da evolução, que o desencarnado é conduzido depois, para rever e responder pelas próprias obras. Omulu é também o regente dos cemitérios, e as casas costumam entregar a ele velas, água, coco, vinho doce, mel e pipoca no cemitério ou à beira do mar. Chamar por Omulu numa oração de luto não é chamar a morte, é confiar a passagem a quem tem essa guarda.
Ao lado dele está a linha das Almas, regida pelos Pretos Velhos e Pretas Velhas, chamados mestres da sabedoria e do fundamento dessa linha. As Almas Benditas são espíritos que viveram há muitas gerações, boa parte deles marcados pela experiência da escravidão, e que depois de alcançarem elevação escolheram permanecer perto de nós como guias e curadores. A lógica da oração às Almas é a intercessão de mão dupla: que elas peçam por nós junto a Deus, e que a nossa prece sirva de luz para elas.
Sobre o choro, a tradição umbandista é sóbria e não proíbe a lágrima. O luto do umbandista é descrito como o de qualquer pessoa, com dor pela perda, porém sem revolta, na certeza de que o espírito é imortal e de que haverá reencontro. A formulação mais forte, de que a dor excessiva prejudica quem partiu, vem do Espiritismo, que a Umbanda absorveu na sua base: as lágrimas são naturais e não devem ser reprimidas, mas o espírito é sensível à lamentação de quem amou, e a dor incessante o afeta dolorosamente. Some se a isso uma orientação de fundamento pouco divulgada: ao mentalizar o falecido, fazemos uma ponte que o traz de volta ao ambiente da carne, o que atrasa a evolução dele. Daí o ensinamento resumido nos terreiros: chore o que precisar chorar, mas não chame o morto de volta.
Há ainda uma orientação prática que surpreende muita gente. Várias casas ensinam que a vela para um ente querido já desencarnado não deve ser acesa dentro de casa, e sim no cruzeiro das almas do terreiro, no cemitério ou na igreja, justamente porque nesses lugares há equipes de socorristas e doutrinadores que ajudam o espírito a compreender e aceitar o próprio desencarne. Se você não tem como ir a nenhum desses lugares, reze mesmo assim: prece feita com amor nunca é desperdiçada, e o seu dirigente pode orientar o melhor caminho.
Quanto ao sétimo dia, é honesto dizer que não é criação umbandista: chega pela via do catolicismo popular, na missa de sétimo dia, e o correlato de matriz africana é o axexê. Na prática corrente dos terreiros, o sétimo dia é dia de reunir a família, acender vela branca, renovar o copo de água e entregar o desencarnado à Lei. O rito fúnebre varia muito de casa para casa, e não existe liturgia padronizada de sétimo dia na Umbanda.
Como rezar
- Escolha um momento tranquilo, lave as mãos e sente se com calma. Não precisa de nada além de silêncio e boa vontade.
- Se puder, acenda uma vela branca em local seguro, sobre um pires, e coloque ao lado um copo com água limpa. Muitas casas orientam acender essa vela no cruzeiro das almas do terreiro, no cemitério ou na igreja, e não dentro de casa: pergunte ao seu dirigente qual é o preceito de lá.
- Diga o nome de quem partiu em voz alta uma vez, com carinho, e depois reze. Dizer o nome uma vez é diferente de ficar chamando: é apresentar o pedido, não fazer ponte.
- Complete com as orações que você já sabe. O Pai Nosso e a Ave Maria estão na abertura e no fecho de praticamente toda gira e de todo velório umbandista. A Prece de Cáritas é a mais usada em prece pelos que partiram, e há também a Prece aos Desencarnados e a Oração às Almas Benditas, com a saudação Saravá Pretos Velhos, maleme as almas.
- Ao terminar, agradeça e descarte a água do copo em água corrente. Não beba essa água.
- Depois da oração, faça algo pela vida: ligue para alguém da família, ajude quem também está de luto, cumpra uma promessa que a pessoa faria. Na Umbanda, a caridade é o fecho de toda prece, e é ela que transforma saudade em movimento.
- Se o luto estiver muito pesado, com insônia, desesperança ou dificuldade de tocar a vida por semanas, procure ajuda profissional junto da fé. Luto complicado é assunto de acompanhamento, e nenhuma casa séria vai te dizer o contrário.
Quando rezar
Reze no dia da partida, ao longo dos primeiros dias e no sétimo dia, quando é costume reunir a família para prece. Depois disso, reze sempre que a saudade apertar, e também nas datas que doem: aniversário, aniversário de falecimento, Natal, Dia das Mães, Dia dos Pais. Muitas casas reservam o dia 2 de novembro para as Almas, e a segunda-feira é o dia mais associado à linha em vários terreiros.
Perguntas frequentes
Qual oração rezar por quem partiu na Umbanda?
A Umbanda reza pelos mortos?
Qual Orixá cuida dos que partiram?
Pode acender vela para falecido dentro de casa?
Por que dizem que não se deve chorar muito por quem morreu?
O que se faz no sétimo dia na Umbanda?
O que é a Prece de Cáritas?
Preciso ir a um terreiro para rezar por quem partiu?
Rezar por quem partiu ajuda quem ficou?
Fonte: O Significado da Morte e o Processo de Luto na visão da Umbanda, entrevista com Mãe Dinan Sátyro, Perdas e Luto, Velas, Diário de Umbanda, Curso de Umbanda da Sociedade Espiritualista Mata Virgem, Omulú, Forças de Aruanda, Almas Benditas dos Pretos Velhos, quem são e como protegem, Raízes Espirituais, Prece de Cáritas, Núcleo de Umbanda Águas de Oxum, A História da famosa Prece de Cáritas, Umbanda UTHiS, Prece aos Desencarnados, Filhos de Fé Umbanda, Chorar muito pode prejudicar um espírito, Associação Espírita Allan Kardec de Rio Preto







