Reza · Axé Umbanda

Oração para Quem Partiu

Luz e amparo aos que desencarnaram, na linha das Almas

Oração: Oração para Quem Partiu
Resposta rápida

A oração para quem partiu pede a Deus, a Omulu e à linha das Almas que o espírito de quem se foi receba luz, amparo e entendimento na nova morada, e que quem ficou aprenda a chorar sem prender, guardando a saudade sem revolta. Reze no dia da partida, no sétimo dia e sempre que a saudade apertar.

Oração para Quem Partiu

Meu Pai Olorum, dono da vida e do tempo,em vossas mãos eu entrego quem partiu.Não sei explicar a falta que ficou,mas sei que nada do que é bom se perde em vós.Pai Omulu, senhor da passagem,vós que recolheis com respeito o que o mundo devolve,conduzi essa alma pelo caminho certo,sem medo, sem escuro e sem pressa.Que ela seja recebida por quem a espera,que compreenda o que precisa compreendere que encontre descanso e trabalho na nova morada.Almas benditas, Pretos Velhos e Pretas Velhas,mestres da paciência e da sabedoria,sentai ao lado de quem chegoue explicai com carinho o que ele ainda não entendeu.E a mim, meu Pai, dai licença para chorarsem transformar a minha dor em corrente.Que a minha saudade seja luz no caminho delee não peso amarrado no pé dele.Que eu me lembre com gratidão do que vivemose que a lembrança me console em vez de me adoecer.Eu não me despeço, eu apenas entrego.Ide em paz. Eu fico em paz.Saravá as Almas. Atotô, meu pai Omulu.Assim seja.

O significado desta oração

Na Umbanda, a morte do corpo não é o fim da vida, é o fim de um ciclo. Chama se alma o espírito enquanto habita o corpo de carne, e espírito quando ele perde esse envoltório. Não há céu nem inferno eternos: há regiões de recolhimento, regiões de evolução e, no tempo certo, o retorno em nova encarnação. Por isso rezar por quem partiu não é saudosismo, é caridade: é ajudar quem seguiu viagem, com luz e com prece, no momento em que ele mais precisa entender onde está.

O fundamento coloca Omulu no centro dessa passagem. Ele é apontado como o senhor da morte, aquele que corta o cordão de prata que liga o corpo material ao corpo espiritual, e é a Obaluaiê, o senhor da evolução, que o desencarnado é conduzido depois, para rever e responder pelas próprias obras. Omulu é também o regente dos cemitérios, e as casas costumam entregar a ele velas, água, coco, vinho doce, mel e pipoca no cemitério ou à beira do mar. Chamar por Omulu numa oração de luto não é chamar a morte, é confiar a passagem a quem tem essa guarda.

Ao lado dele está a linha das Almas, regida pelos Pretos Velhos e Pretas Velhas, chamados mestres da sabedoria e do fundamento dessa linha. As Almas Benditas são espíritos que viveram há muitas gerações, boa parte deles marcados pela experiência da escravidão, e que depois de alcançarem elevação escolheram permanecer perto de nós como guias e curadores. A lógica da oração às Almas é a intercessão de mão dupla: que elas peçam por nós junto a Deus, e que a nossa prece sirva de luz para elas.

Sobre o choro, a tradição umbandista é sóbria e não proíbe a lágrima. O luto do umbandista é descrito como o de qualquer pessoa, com dor pela perda, porém sem revolta, na certeza de que o espírito é imortal e de que haverá reencontro. A formulação mais forte, de que a dor excessiva prejudica quem partiu, vem do Espiritismo, que a Umbanda absorveu na sua base: as lágrimas são naturais e não devem ser reprimidas, mas o espírito é sensível à lamentação de quem amou, e a dor incessante o afeta dolorosamente. Some se a isso uma orientação de fundamento pouco divulgada: ao mentalizar o falecido, fazemos uma ponte que o traz de volta ao ambiente da carne, o que atrasa a evolução dele. Daí o ensinamento resumido nos terreiros: chore o que precisar chorar, mas não chame o morto de volta.

Há ainda uma orientação prática que surpreende muita gente. Várias casas ensinam que a vela para um ente querido já desencarnado não deve ser acesa dentro de casa, e sim no cruzeiro das almas do terreiro, no cemitério ou na igreja, justamente porque nesses lugares há equipes de socorristas e doutrinadores que ajudam o espírito a compreender e aceitar o próprio desencarne. Se você não tem como ir a nenhum desses lugares, reze mesmo assim: prece feita com amor nunca é desperdiçada, e o seu dirigente pode orientar o melhor caminho.

Quanto ao sétimo dia, é honesto dizer que não é criação umbandista: chega pela via do catolicismo popular, na missa de sétimo dia, e o correlato de matriz africana é o axexê. Na prática corrente dos terreiros, o sétimo dia é dia de reunir a família, acender vela branca, renovar o copo de água e entregar o desencarnado à Lei. O rito fúnebre varia muito de casa para casa, e não existe liturgia padronizada de sétimo dia na Umbanda.

TipoOração autoral
TemaLuz e amparo aos que desencarnaram, na linha das Almas
VelaBranca
OrigemOração do Axé Umbanda

Como rezar

  1. Escolha um momento tranquilo, lave as mãos e sente se com calma. Não precisa de nada além de silêncio e boa vontade.
  2. Se puder, acenda uma vela branca em local seguro, sobre um pires, e coloque ao lado um copo com água limpa. Muitas casas orientam acender essa vela no cruzeiro das almas do terreiro, no cemitério ou na igreja, e não dentro de casa: pergunte ao seu dirigente qual é o preceito de lá.
  3. Diga o nome de quem partiu em voz alta uma vez, com carinho, e depois reze. Dizer o nome uma vez é diferente de ficar chamando: é apresentar o pedido, não fazer ponte.
  4. Complete com as orações que você já sabe. O Pai Nosso e a Ave Maria estão na abertura e no fecho de praticamente toda gira e de todo velório umbandista. A Prece de Cáritas é a mais usada em prece pelos que partiram, e há também a Prece aos Desencarnados e a Oração às Almas Benditas, com a saudação Saravá Pretos Velhos, maleme as almas.
  5. Ao terminar, agradeça e descarte a água do copo em água corrente. Não beba essa água.
  6. Depois da oração, faça algo pela vida: ligue para alguém da família, ajude quem também está de luto, cumpra uma promessa que a pessoa faria. Na Umbanda, a caridade é o fecho de toda prece, e é ela que transforma saudade em movimento.
  7. Se o luto estiver muito pesado, com insônia, desesperança ou dificuldade de tocar a vida por semanas, procure ajuda profissional junto da fé. Luto complicado é assunto de acompanhamento, e nenhuma casa séria vai te dizer o contrário.

Quando rezar

Reze no dia da partida, ao longo dos primeiros dias e no sétimo dia, quando é costume reunir a família para prece. Depois disso, reze sempre que a saudade apertar, e também nas datas que doem: aniversário, aniversário de falecimento, Natal, Dia das Mães, Dia dos Pais. Muitas casas reservam o dia 2 de novembro para as Almas, e a segunda-feira é o dia mais associado à linha em vários terreiros.

Perguntas frequentes

Qual oração rezar por quem partiu na Umbanda?
A prática mais comum reúne o Pai Nosso, a Ave Maria e a Prece de Cáritas, que é a mais usada em velórios e em preces pelos que se foram. Somam se a Prece aos Desencarnados e a Oração às Almas Benditas, dirigida aos Pretos Velhos e Pretas Velhas da linha das Almas. Além dessas, cada pessoa pode rezar com as próprias palavras, pedindo luz, amparo e entendimento para quem partiu.
A Umbanda reza pelos mortos?
Reza, e entende isso como caridade. Na visão umbandista, a morte do corpo é o fim de um ciclo, e o espírito segue vivo, sendo recolhido e depois conduzido às regiões de evolução. Rezar por ele é dar luz a quem está em travessia, no momento em que mais precisa entender onde está. Não há céu nem inferno eternos, e não há alma condenada para sempre.
Qual Orixá cuida dos que partiram?
Omulu é apontado como o senhor da passagem, aquele que corta o cordão de prata no instante do desencarne e que rege os cemitérios, guardando para Olorum os espíritos que partem. O desencarnado é depois conduzido a Obaluaiê, o senhor da evolução. Ao lado deles trabalha a linha das Almas, regida pelos Pretos Velhos e Pretas Velhas, que acolhem e orientam quem chega.
Pode acender vela para falecido dentro de casa?
Muitas casas orientam que não. A recomendação de fundamento é acender no cruzeiro das almas do terreiro, no cemitério ou na igreja, porque ao mentalizarmos o falecido fazemos uma ponte que o traz para o ambiente da carne, deixando o mais preso ao mundo material, e porque nesses lugares apropriados há equipes espirituais que o ajudam a compreender o desencarne. Se você não puder ir, reze de onde estiver e pergunte ao seu dirigente qual é o preceito da sua casa.
Por que dizem que não se deve chorar muito por quem morreu?
A Umbanda não proíbe o choro. O que se ensina é luto com dor, porém sem revolta, na certeza da imortalidade do espírito e do reencontro. A ideia de que o pranto excessivo prejudica quem partiu vem do Espiritismo, que a Umbanda absorveu: as lágrimas são naturais e não devem ser reprimidas, mas o espírito é sensível à lamentação de quem amou, e a dor incessante o afeta. O resumo prático dos terreiros é chorar o que precisar, sem chamar o morto de volta.
O que se faz no sétimo dia na Umbanda?
O costume corrente é reunir a família para prece, acender vela branca, renovar o copo de água e entregar o desencarnado à Lei. Vale a honestidade: o sétimo dia não é criação umbandista, chega pela via do catolicismo popular e o correlato de matriz africana é o axexê. Não existe liturgia padronizada de sétimo dia na Umbanda, porque o rito fúnebre muda de terreiro para terreiro.
O que é a Prece de Cáritas?
É a prece mais usada em velórios e em sessões de Umbanda. É de origem espírita, extraída da obra Fulgurações da Vida Espiritual, publicada na Bélgica, psicografada pelo espírito Cáritas em 25 de dezembro de 1837, e o nome vem do aportuguesamento de Charité. Começa pedindo força a quem passa pela provação, luz a quem procura a verdade e compaixão no coração do homem, e é rezada tanto por elevação quanto por proteção.
Preciso ir a um terreiro para rezar por quem partiu?
Não precisa. Você pode rezar de casa, com uma vela branca em local seguro e um copo de água limpa ao lado, ou apenas em silêncio. O terreiro ajuda quando você quer participar de uma prece coletiva, acender vela no cruzeiro das almas ou conversar com o dirigente sobre um luto difícil. Casa séria não cobra por isso e não usa a sua dor para vender trabalho.
Rezar por quem partiu ajuda quem ficou?
Ajuda, e a tradição não esconde isso. A prece organiza o que a dor desorganiza: dá um lugar para a saudade, transforma o silêncio em gesto e devolve à pessoa alguma sensação de estar fazendo algo por quem amou. Junto disso, a Umbanda pede caridade como fecho: ajudar outra pessoa em luto, cumprir uma promessa que o falecido faria, telefonar para a família. É assim que a saudade vira movimento em vez de virar peso.

Fonte: O Significado da Morte e o Processo de Luto na visão da Umbanda, entrevista com Mãe Dinan Sátyro, Perdas e Luto, Velas, Diário de Umbanda, Curso de Umbanda da Sociedade Espiritualista Mata Virgem, Omulú, Forças de Aruanda, Almas Benditas dos Pretos Velhos, quem são e como protegem, Raízes Espirituais, Prece de Cáritas, Núcleo de Umbanda Águas de Oxum, A História da famosa Prece de Cáritas, Umbanda UTHiS, Prece aos Desencarnados, Filhos de Fé Umbanda, Chorar muito pode prejudicar um espírito, Associação Espírita Allan Kardec de Rio Preto

Conteúdo informativo e de fé. As orações e formas de rezar variam de casa para casa. Não substituem a orientação do dirigente do seu terreiro. Reze com fé e respeito.
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